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Capítulo 2 – A Sociedade da Informação e as Bibliotecas no Ensino Superior

2.2. A Sociedade da Informação

2.2.3. O impacto nas bibliotecas do ensino superior

A Sociedade da Informação representa um período de mudanças profundas a vários níveis, e também as bibliotecas do ensino superior se deparam com uma época de alterações, não só para os seus recursos humanos, mas também para os seus utilizadores.

Em meados da década de 90, Corrall (1995) considerava que o modo como os serviços bibliotecários das IES eram encarados, planificados e geridos deveria mudar radicalmente, isto se quisessem sobreviver e prosperar no futuro. Para a autora, tanto os avanços tecnológicos como as pressões económicas, políticas e sócio-demográficas, conduziriam a um contexto de desafios e oportunidades sem precedentes.

The role of the University librarian had changed. Once it had been a stock character part, the very image of scholarly exactitude, ever open to trade influence for tradition, a relic of the institution’s past and uninvolved with its future. Now, the reformists’ cry of “access not holdings” had worked right through the information chain. Publishers had abandoned their warehouses – they too could adopt just-in-time management: their role was now in packaging, marketing and brokering. The actual storage of knowledge – the articles, texts, interactive experiences – had been passed back to its creators in universities and elsewhere, to be retrieved, reformatted into the house style, and delivered to whoever ordered it. So the Library had gradually picked up both ends of the chain: managing the University’s backlist and negotiating its sale and delivery worldwide. At the same time it worked with academic staff in a more traditional function to identify and garner good material from the ends of the earth – and within budget …The University Librarian was now an equal seeker after R&D money, and his staff’s job security depended not on a never-reducing cataloguing backlog but on good project control with results on time (Joint Funding Council’s Libraries Review Group, 1993, p. 272).

Tanto este cenário como o sentimento de mudança actualmente vivenciados pelo bibliotecário do ensino superior foram antecipados em 1993 pelo Joint Funding Council´s Libraries Review Group Report.

As mudanças no contexto conduzem a mudanças dos serviços e, neste âmbito, a publicação electrónica transformou o modo como a comunicação académica se dava, não só nas áreas da Ciência, Tecnologia e Medicina mas também nas Humanidades e Ciências Sociais. Como vimos anteriormente neste trabalho, a tecnologia é tendencialmente encarada como o motor da mudança, a par com a economia, nomeadamente no que concerne a fazer mais com menos. No entanto, os factores políticos e sócio-demográficos também influenciam grandemente a prestação de serviços.

É portanto indiscutível, que os avanços tecnológicos introduziram novas opções ao nível dos serviços prestados, tendo aumentado as expectativas da instituição tutelar da biblioteca e dos seus utilizadores. Corrall (1995) identifica áreas em que essa influência é óbvia:

• Criação de redes locais e dispersas;

• Publicação electrónica, incluindo multimédia;

• Automatização de procedimentos e ferramentas para o aumento da produtividade dos recursos humanos;

• Sistemas de gestão bibliotecária de terceira geração;

• Marketing de massas para produtos e serviços de informação em ambiente digital. Para a autora, a economia também é um factor de influência para as bibliotecas do ensino superior. As constantes pressões económicas, fruto da situação financeira global e orçamental, têm um efeito inversamente proporcional à actual situação, pois enquanto o seu poder de aquisição diminuí, a quantidade de documentos a serem publicados aumenta. Como factores chave para esta situação é possível identificar os seguintes:

• Constrangimentos financeiros no sector público e privado que afectam todos os recursos que constituem uma biblioteca;

• Inflação do preço das publicações, independentemente do formato;

• Instabilidade e incapacidade para prever os custos relacionados com as TIC; • Dificuldades relacionadas com os Direitos de Autor;

• Mercados mais competitivos.

Como influências políticas, a autora considera que a determinação dos governos para forçar o sector público a adoptar uma postura mais competitiva e “comercial”, conduz a uma mistura de princípios de Marketing e de requisitos burocráticos. Assim, identifica:

• Pressão para privatizar uma série de serviços;

• Ênfase na implementação da qualidade e na escolha do consumidor; • Relutância em criar um cenário capaz de promover a coordenação nacional; • Contradição entre direcção central/normas e a autonomia local.

Relativamente aos factores sociodemográficos, Corrall (1995) afirma que a Sociedade Pós- industrial, ou Sociedade da Informação, foi caracterizada como um mundo de trabalhadores portadores de conhecimento e de cidadãos informados, onde a informação assume uma importância muito maior àquela que assumia até aqui. Como condicionadores importantes elenca:

• Aumento da procura de informação;

• Alterações no emprego e nos padrões de trabalho;

• Foco na aprendizagem de competências, desenvolvimento pessoal e aprendizagem ao longo da vida;

• Heterogeneidade dos utilizadores de informação, ao nível linguístico, cultural e educacional;

• Disparidades dos utilizadores das Bibliotecas no que diz respeito à capacidade/competência de lidar com informação e suas fontes.

Os factores e condicionantes anteriormente enumerados vão, obviamente, ter implicações nos serviços. Para Corrall (1995) é notória a passagem do paradigma custodial para o paradigma do acesso à informação, da passagem do impresso para o electrónico e para o desenvolvimento e implementação de serviços e instalações de self-service. Neste cenário, a orientação para o cliente é essencial, bem como a determinação do custo-resultados obtidos que dependerá, acima de tudo, da comunicação que a biblioteca detém com os seus utilizadores. Os responsáveis pelas bibliotecas deverão, ainda, atender às constantes exigências de melhores espaços, equipamentos e serviços (lugares de leitura, apoio e acesso à informação, online e presencial, 24h/dia, computadores acessíveis aos utilizadores nas instalações da biblioteca, espaço para estudo individual e para estudo e trabalhos de grupo, formação de utilizadores em diversas áreas, nomeadamente aquelas ligadas ao acesso à informação e às TIC). Apesar da exigência de novos serviços, os serviços tradicionais continuarão a ser solicitados, em particular o empréstimo domiciliário de documentos recomendados pelo corpo docente, os serviços de fotocópia, impressão, catálogo, serviço de referência e de difusão selectiva de informação.