Mesothema auriculatum (Cav.) C. Presl, Epim. Bot. 112. 1849. Tipo: Argentina, Buenos Ayres, Peña Blanca, L. Née (Holótipo: provavelmente em MA, n.v.).
Blechnum australe f. mucronato-dentata Rosenst., Hedwigia 46: 97. 1907. Tipo: Brasil, Rio Grande do Sul, Santa Cruz, Jürgens & Stier 292 (Holótipo: não localizado; isótipos: HB!, S! US, fotografia! em http://ravenel.si.edu/botany/types/index.cfm).
Plantas terrícolas; caule ereto a decumbente, com estolhos, no ápice com escamas castanho-escuro ou castanhas, concolores ou atrocostadas, estreitamente triangulares, 1,8-2,3 x 0,6mm na base, a margem inteira; folhas hemidimorfas, as férteis com tecido fotossintetizante, com pinas pouco ou muito mais estreitas que as estéreis, estas mais curtas que aquelas; as estéreis 18,6-45,4cm compr., as férteis 22,5-70,7cm compr.; pecíolos das folhas estéreis 2,5-9,1cm compr., 0,9-1,4 mm diâm., paleáceos a atropurpúreos, escamosos, as escamas linear-lanceoladas, de base alargada, castanhas, concolores, tornando-se castanho-claro em direção ao ápice do pecíolo, a margem com longas projeções; das folhas férteis 9,5-14,5cm compr.; lâmina estéril 15,0-33,5 x 2,9- 6,1cm, papirácea, na face abaxial com tricomas unicelulares alvacentos, adpressos, entre e sobre as nervuras, estreitamente elíptica a estreitamente oblanceolada, pinada por quase toda a extensão, pinatissecta no ápice, gradualmente reduzida para a base e para o ápice, na base a pinas 2,5-4x mais curtas que as medianas, lâmina fértil 20,1-63,2 x 4,5- 8,7cm, estreitamente obtrulada, pinada por quase toda a extensão, pinatissecta no ápice, gradualmente reduzida para a base e para o ápice; raque com tricomas unicelulares curtos, rijos, escamosa em ambas as faces, as escamas filiformes ou estreitamente triangulares, castanhas, de margem inteira ou ainda com a base muito expandida, côncavo-convexas, filiformes no ápice, a margem inteira com raros dentículos; bulbilhos ausentes; aeróforos ausentes; pinas estéreis 28-48 pares, 1,2-3,0 x 0,4-
0,7cm, acroscópica e basioscopicamente com aurículas basais de ápice mucronado ou agudo, sobretudo nas pinas basais, as medianas ensiformes, as basais triangulares a deltóides, as basais reflexas, as medianas patentes e as apicais ascendentes, a margem inteira a crenada, finamente denticulada, plana a comumente revoluta, o ápice mucronado ou apiculado; pinas férteis 32-47 pares, 15-50 x 1,8-5,6mm, nervuras livres, uma vez furcadas (raro 2x na porção proximal da pina e indivisas na distal), espessadas no ápice, terminando na margem. Fig. 14.
Figura 14: Blechnum australe subsp. auriculatum (Cav.) de la Sota (Senna s.n. & Kazmirczak – ICN 107435) A. Hábito. B. Pina mediana, mostrando a venação. C. Escama da base do pecíolo.
Material examinado: Paraná: Guarapuava, Rodovia BR-277, Rio das Mortes, 05.XII.1968, Hatschbach 20495 & Guimarães (MBM, PACA); Ponta Grossa, Parque Estadual de Vila Velha, 15.XII.2003, Schwartsburd 52 & A.C. Hatschbach (HRCB). Santa Catarina: Bom Retiro, Figueiredo, 1000m, Reitz 3468 (PACA); Campos Novos, 32 km south of Campos Novos on the road to Anita Garibaldi, 01.III.1957, Smith 11994 & Klein (HBR, R); Capinzal, 500m, Reitz 14354 & Klein (PACA); Lages, 1921, Spannagel 23 (SP, SPF); São Joaquim, Altos, 02.II.1958, Mattos 5452 (PACA); idem, Invernadinha, 26.I.1959, Mattos 6571 (PACA); Urubici, margem do Rio Canoas, 18.II.1960, Mattos 7542 (PACA); idem, Morro da Cruz, 1150m, 09.XI.2001, Hatschbach 72495, Cervi & E. Barbosa (HRCB, MBM). Rio Grande do Sul: Bagé, Casa de Pedra, ca. 330m, 03.XI.1989, Fernandes 680 (ICN); ibidem, ca. 260m, 15.XII.1989, Fernandes 753 (ICN, PACA); Bento Gonçalves, Monte Belo, 28.VII.1962, O.R. Camargo 3689 (PACA); idem, Estação de Enologia, arredores da cidade, 22.XII.1962, O.R. Camargo 3797 (PACA); Bom Jesus, Fazenda Caraúna, s.d., Dutra 279 (ICN); idem, Potreirinhos, 15.I.1963, O.R. Camargo 3808 (PACA); Bossoroca, São Luiz das Missões, 300m, 13.I.1953, Sehnem 6199 (PACA); Caçapava do Sul, near Caçapava doSul, 09.XI.1977, Pedersen 11964 (MBM); idem, 10.X.1982, Bueno s.n. (ICN 88313); Cambará do Sul, Itaimbezinho, 10.I.1964, O.R. Camargo 3947 (PACA); idem, Fortaleza, 10.IV.1982, Bueno s.n. (ICN 88281); Canela, arredores da Cascata do Caracol, 21.IV.1959, Backes 245 (ICN); idem, Caracol, 8km ao norte da cidade, 02.I.1973, Porto et al. s.n. (ICN 28483); Caxias do Sul, Ana Rech, Hotel Bela Vista, 17.IV.1969, Stefanello s.n. (PACA 73533); idem, Vila Oliva, 780m, 07.I.2000, Kegler 509 (MBM); Esmeralda, 31.VII.1982, Bueno 20 (ICN); Gramado, 800m, 28.XII.1949, Sehnem 4167, 4182 (B, PACA); Gravataí, Morro Itacolomi, 11.VII.1958, Backes 88 (ICN); Herval, 09.I.1980, Sehnem 16750 (PACA). Lajeado, II.1989, Senna s.n. (ICN 83983); Lavras do Sul, Fazenda do Posto, 12km a leste da cidade, 17.X.1971, Lindeman s.n. & Irgang (ICN 8670); Montenegro, São Salvador, XII.1932, Dutra 1365 (ICN); ibidem, 600m, 06.VII.1946, Sehnem 1374 (PACA); ibidem, 450m, 15.XI.1948, Sehnem 3510 (MBM, PACA); idem, Linha São Pedro, 300m, 22.II.1948, Sehnem 3262 (PACA – na mesma exsicata com B. austrobrasilianum de la Sota); Nova Petrópolis, 08.VII.1949, Luis s.n. (ICN 17603); Pelotas, Encruzilhada, 22.V.1959, Brauner 90 (PACA); Pinheiro Machado, Rodovia BR-293, cerca de 5km da cidade em direção a Bagé, 10.XII.1989, Jarenkow 1548 (MBM, PACA); Porto Alegre, Morro Santana, 26.IX.1981, Bueno 6 (ICN); idem, idem, 30°05’S, 51°08’W, 24.I.1991, Záchia 305, Lutz & Bicca (ICN); idem, Morro da Extrema, 17.VI.1996, Senna s.n. & Kazmirczak (ICN 107435); Santa Cruz do Sul, s.d., Boeira s.n. (PACA 73531); idem, XII.1897, Dutra 230 (ICN); idem, Passo da Mangueira, 70m, 28.II.1905?, Schoenwald s.n. & Deutrich (ICN 18338); Santa Maria do Herval, Cascata de Sta. Maria do Herval, 13.XII.1958, Backes 112 (ICN); Santana da Boa Vista, Fazenda do Papagaio, 02.XII.1978, Sehnem 16346 (PACA); São Francisco de Paula, Tainhas, 09.II.1957, Vianna s.n. (ICN 1603); idem, Floresta Nacional de São Francisco de Paula, 800m, 10.VI.1994, Dalla Rosa et al. s.n. (MBM 173291); São Leopoldo, Quinta São Manoel, 15.XI.1903, Dutra 14 (ICN); idem, Morro das Pedras, 200m, 09.VII.1935, Sehnem 612 (PACA); idem, Morro da Pedreira, 150m, 20.V.1941, Sehnem 918 (PACA); Taquara, Rodovia RS-020, cerca de 8km da cidade em direção a São Francisco de Paula, 27.XI.1988, Jarenkow 1197 & Bueno (MBM); Vacaria, Passo do Socorro, 800m, 28.I.1951, Sehnem 5736 (PACA); Viamão, Morro Grande, 20-50m, Müller 55 (ICN). Município ignorado: Santa Cruz, Hidráulica, 200m, 19.XII.1946, Sehnem 2342 (PACA). Sedeulino Dutra, Passo da Porteira, 28.II.1979, Sehnem 16420 (PACA).
Material adicional examinado: ARGENTINA. Buenos Aires: Punta Lara, 20.VIII.1973, Zardini 174 (MBM). URUGUAI. Colonia: Isla Sola, frente a Carmelo, 09.IV.1998, Sota 7134, Luna & Lavigne (MBM).
Distribuição no Brasil: PR, SC e RS. Espécie comum no Rio Grande do Sul, incomum em Santa Catarina, rara no Paraná e ausente de São Paulo para o norte. Ameaçada de extinção localmente, no Paraná, com apenas uma coleta recente, no interior de uma área de conservação (v. material examinado). Mapa 5 (p. 51).
Hábitats preferenciais: ocorre em interior de florestas de restinga e Ombrófila Mista, em orla de florestas, em beira de estradas, em capoeiras e em áreas de vegetação campestre, entre 50 e 1000m de altitude. É especialmente abundante em áreas planálticas (nordeste e, mais raramente, sudeste) do Rio Grande do Sul, sendo ainda encontrada no planalto paranaense e catarinense, na Serra Geral de Santa Catarina e Rio Grande do Sul e na zona litorânea deste estado.
Comentários: Blechnum australe subsp. auriculatum pode ser diferenciada de todas as espécies do Sul e Sudeste do Brasil pelo hemidimorfismo foliar típico desta subespécie (v. Fig. 14, A). O táxon mais próximo a ela, na área de estudo, é o híbrido Blechnum australe subsp. auriculatum (Cav.) de la Sota x Blechnum occidentale L.. Difere desta, sobretudo, pelas pinas basais muito reduzidas (de 2,5 a 5 vezes mais curtas que as pinas mais longas em B. australe subsp. auriculatum, no máximo 2(3) vezes mais curtas no híbrido) e pelo pecíolo muito mais curto (até 14,5cm de comprimento nas folhas férteis em B. australe subsp. auriculatum, com no mínimo 28cm no híbrido). Os soros podem ser parcialmente interrompidos, mas na maioria das pinas são contínuos. Muito próxima desta subespécie é Blechnum hastatum Kaulf., do Peru, Chile e Argentina. Segundo Sota (1972a), diferencia-se da mesma pelas escamas castanhas, concolores, flácidas e lineares; pelos eixos e lâminas geralmente pilosos, com raros indivíduos glabros; pelos soros em posição tendendo a submarginal, freqüentemente interrompidos; por fim, pelas áreas de distribuição geográfica separadas.
15. Blechnum australe subsp. auriculatum (Cav.) de la Sota x Blechnum occidentale