4.2 Resultados da pesquisa
4.2.2 Análise individual das respostas
4.2.2.6 Bloco V-3 – Artefatos: filosofia e modelos de gestão
Conforme se verifica na Tabela 4.14, esse bloco obteve uma aderência média baixa, 40%, por conter a maioria dos artefatos com características mais modernas, com média de 31%; enquanto a média dos artefatos tradicionais foi de 100%.
Os quatro primeiros artefatos em aderência, nesse bloco, obtiveram aderência na faixa entre 88% e 100%. Os dois primeiros são artefatos tradicionais e os outros dois modernos.
Os dois artefatos tradicionais, Orçamento e Planejamento Tributário, obtiveram 100% de aderência. O primeiro deles, questão (38) Orçamento, obteve 100% de aderência nesta pesquisa e teve equivalente na pesquisa de Soutes e Zen (2005) com aderência de 90% das empresas pesquisadas. Conforme Horngren et al. (2004), o orçamento é um plano de negócios formal, que tem as vantagens de comunicação, coordenação e avaliação do desempenho. Apesar das duras críticas sofridas pelo orçamento tradicional, conforme Frezatti (2004), referentes ao “Além do Orçamento”, esta pesquisa confirma esse artefato como um dos mais utilizados pelas empresas.
O segundo artefato tradicional, questão (51) Planejamento Tributário, não teve nenhum similar em outras pesquisas, entretanto parece fazer sentido a aderência de 100% das empresas desta pesquisa, por ser o Planejamento Tributário uma típica função de Controladoria; especialmente no Brasil com suas características tributárias bem complexas, que transforma esse artefato em um assunto estratégico e de alta prioridade em qualquer empresa.
Os dois artefatos modernos mais aderentes, (37) Planejamento (Estratégico e Operacional) e (39) Simulação, também tiveram um alto índice de aderência, 100% e 88%, respectivamente, o que chama a atenção por serem considerados artefatos modernos.
A questão (37) Planejamento (Estratégico e Operacional) obteve 100% de aderência e converge com a pesquisa de Oyadomari et al. (2008), com 93%, que aborda exclusivamente sobre Planejamento Estratégico. A presente pesquisa questiona sobre Planejamento Estratégico e Operacional, e o fato de incluir Planejamento Operacional pode aumentar as aderências da pesquisa por empresas que possam participar do planejamento operacional e não participar do estratégico. Por outro lado, a questão da pesquisa de Frezatti (2006) é mais abrangente, por incluir no Planejamento Estratégico, Objetivo de Longo Prazo e Planos Operacionais de Longo Prazo e obteve 64% de aderência.
Tabela 4.14 – Aderência artefatos – filosofia e modelos de gestão
Fonte: Elaborada pelo autor.
A questão (39) Simulação obteve 88% de aderência, congruente com a pesquisa de Soutes e Zen (2005), com 85%. Essa alta aderência ao artefato talvez possa ser explicada pela consideração de Anthony e Govindarajan (2008) sobre a simulação ser um método que cria um modelo de situação real, e que a elaboração e a revisão de um orçamento é um processo de simulação. A Controladoria nesta pesquisa é 100% aderente ao orçamento e, como decorrência disso, utiliza bem a simulação.
A questão (52) Mapa de Gestão de Riscos obteve um percentual representativo de respostas positivas, 46%, apesar de não ter encontrado nenhum similar em outras pesquisas e considerando que é uma função relativamente nova atribuída à Controladoria e tem sido desenvolvida com o conceito de Gerenciamento de Riscos Corporativos.
Já a questão (41) Contabilidade por Responsabilidade obteve um baixo percentual de aderência, 29%, se comparado com as pesquisas de Frezatti (2006), com 62% e Teixeira et al. (2011), com 51% a 74% em 2008 e 2009, respectivamente. Segundo Parisi e Megliorini (2001), um sistema de Contabilidade por Responsabilidade deve acumular os custos controláveis pelo gestor, centros de receitas, centros de lucro e centros de investimentos. É possível que essa questão tenha obtido tão baixa aderência em função de alguns respondentes
ADERÊNCIA POR PERGUNTA
BLOCO V - Artefatos total tradicional moderno
V-3 Filosofia e modelos de gestão 40% 100% 31%
38. Orçamento 100% 100%
51. Planejamento Tributário 100% 100%
37. Planejamento (Estratégico e Operacional) 100% 100%
39. Simulação 88% 88%
52. Mapa de Gestão de Riscos 46% 46%
41. Contabilidade por Responsabilidade 29% 29%
50. Análise de Cadeia de Valor 25% 25%
49. Gestão de Custos Inter-organizacionais 25% 25%
47. Balanced Scorecard (BSC) 25% 25%
45. Gestão Baseada em Atividades 25% 25%
43. Just in Time (JIT) 17% 17%
46. Gecon (Modelo de Gestão Econômica) 17% 17%
44. Teoria das Restrições 17% 17%
42. Kaizen 13% 13%
48. Gestão Baseada em Valor (VBM) 13% 13%
40. Beyond Budgeting 0% 0%
não conhecerem bem o significado do termo “Contabilidade por Responsabilidade” e a estejam praticando, sem saber, por utilizar relatórios com informações por centro de custo ou departamentos responsáveis.
As quatro questões a seguir não tiveram nenhum similar encontrado em outras pesquisas, talvez até por serem artefatos do grupo considerado modernos e por não estarem sendo ainda bem utilizados.
(49) Gestão de Custos Interorganizacionais, com 25%, é um bom percentual de aderência, considerando o esforço necessário voltado para fora da empresa, na sua implantação. Segundo Souza (2008), a grande vantagem da Gestão de Custos Interorganizacionais é buscar soluções conjuntas entre as organizações, que tragam benefício total ou parcial para a cadeia de valor.
(45) Gestão Baseada em Atividades, com 25%, não teve equivalente na pesquisa, entretanto é coerente com a própria pesquisa na questão (21) Custo Baseado em Atividades, que foi congruente com outras pesquisas.
A questão (48) Gestão Baseada em Valor (VBM), com 13%, um baixo índice, não teve correspondente na pesquisa, apesar de a questão (35) EVA ter obtido aderência de 58% e fazer parte da Gestão Baseada em Valor. Entretanto, segundo Martin e Petty (2004), Gestão Baseada em Valor (VBM) é aquela que emprega métricas de desempenho e sistemas de remuneração para ajudar os gestores a melhorar a geração de valor para o acionista. Não basta utilizar um artefato, como o EVA, mas, concomitantemente, deve-se utilizar métricas de desempenho e sistemas de remuneração.
A questão (40) Beyond Budgeting não teve nenhuma aderência. Inicialmente ocorreram quatro respostas “sim”, que foram mudadas para “não” pelo próprio respondente após consulta por e-mail, ou por este pesquisador, pelas respostas estarem incoerentes com a questão (38) Orçamento, com 100% de aderência, e pelo fato de que o Beyond Budgeting pressupõe abandono ao Orçamento. Se a questão do Orçamento obteve 100% de aderência, é coerente que esta questão Beyond Budgeting tenha 0% de aderência.
As duas questões seguintes, (50) Análise da Cadeia de Valor e (47) Balanced Scorecard, obtiveram 25% de aderência.
Análise da Cadeia de Valor, segundo Oliveira et al. (2004), tem como objetivo maximizar o valor agregado do negócio pelas atividades criadoras de valor, que abrangem a fonte de suprimentos de matérias-primas básicas, fornecedores de componentes e o produto
final entregue aos clientes. As respostas desta questão, (50) Análise da Cadeia de Valor, foram congruentes com a pesquisa de Teixeira et al. (2011), com 23%, e 14% em 2008 e 2009, respectivamente.
Balanced Scorecard, segundo Kaplan e Norton (1997), são objetivos e medidas que focalizam o desempenho organizacional sob quatro perspectivas: financeira, clientes, processos internos, aprendizado e crescimento. A questão (47) Balanced Scorecard teve equivalência e mostra congruência com as pesquisa de Soutes e Zen (2005), com 25, e de Guerreiro et al. (2011), com 27%.
As questões (46) GECON (Modelo de Gestão Econômica), (44) Teoria das Restrições e (43) Just in Time (JIT) obtiveram 17% de aderência, um percentual baixo, mesmo se considerando que esses artefatos são classificados como modernos.
Para Catelli (2001), GECON é um modelo gerencial que busca a excelência empresarial e a otimização do desempenho econômico da empresa, abrangendo o processo de planejamento, execução e controle, e é estruturado com base na missão da empresa, suas crenças, valores, filosofia administrativa e um processo de Planejamento Estratégico. A questão (46) GECON obteve 17% de aderência e nesta pesquisa teve equivalência na pesquisa de Guerreiro et al. (2011), com 7%, uma diferença de 10%, mas há que se considerar que os dois índices são baixos, provavelmente pela complexidade desse sistema e, consequentemente, com dificuldade na implementação.
De acordo com Guerreiro (2011), o processo decisório da teoria das restrições está focado na otimização do ganho, minimização das despesas operacionais e do inventário. A questão (44) Teoria das Restrições obteve 17% de aderência e teve equivalência com congruência na pesquisa de Guerreiro et al. (2011), com 18%.
No entender de Horngren et al. (2004), a essência da filosofia Just in Time é eliminar o desperdício através de uma gestão voltada para a redução do tempo dos produtos no processo de produção. A questão (43) Just in Time (JIT) obteve 17% de aderência nas empresas da pesquisa e teve equivalência na pesquisa de Guerreiro et al. (2011), com 13%.
Conforme Barbosa (2006), Kaizen é um artefato que se baseia em pequenas mudanças feitas de forma constante e gradual. A questão (42) Kaizen obteve 13% de aderência nesta pesquisa, congruente com a pesquisa de Guerreiro et al. (2011), com 16%.