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O que mata um jardim não é o abandono.

2003 2004 2005 2006 Brasil Federal 74.344 67.652 68.651 67

Federal 25.997 25.031 74.344 67.650 Estadual 13.272.739 11.825.112 7.667.713 7.584.391 Municipal 17.863.888 17.964.543 203.368 186.045 Privada 3.276.125 3.467.977 1.127.517 1.068.734 Total 34.438.749 33.282.663 9.072.942 8.906.820 Minas Gerais Federal 2.852 2.792 10.221 9.158 Estadual 1.758.647 1.650.303 794.115 762.496 Municipal 1.465.053 1.432.699 30.856 29.431 Privada 228.332 258.128 102.752 98.645 Total 3.454.884 3.343.922 937.944 899.730 Ituiutaba Federal - - - - Estadual 7.473 7.077 3.257 3.226 Municipal 5.657 5.645 688 188 Privada 1.345 1.357 168 396 Total 14.475 14.079 4.113 3.810 Fonte: INEP 2003/2006 Tabela 3

Número de alunos do Ensino Médio, por dependência administrativa Brasil, Minas Gerais e Ituiutaba

2003/2006

U. F Dep Adm. Ensino Médio (Regular)

2003 2004 2005 2006 Brasil Federal 74.344 67.652 68.651 67.650 Estadual 7.667.713 7.800.983 7.682.995 7.584.391 Municipal 203.368 189.331 182.067 186.045 Privada 1.127.517 1.111.391 1.097.589 1.068.734 Total 9.072.942 9.169.357 9.031.302 8.906.820

Minas Gerais Federal 10.221 9.559 9.206 9.158

Estadual 794.115 813.639 792.985 762.496 Municipal 30.856 31.432 30.520 29.431 Privada 102.752 104.361 102.589 98.645 Total 937.944 958.991 935.300 899.730 Ituiutaba Federal - - - - Estadual 3.257 2.971 3.200 3.226 Municipal 688 634 377 188 Privada 168 445 438 396 Total 4.113 4.050 4.015 3.810

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A Tabela 2 mostra que o Estado mantém o maior número de matrículas do Ensino Médio no período, embora tenha ocorrido um decréscimo nas três esferas de ensino. No âmbito nacional as matriculas oscilaram em aumento e decréscimo em todo o período. Na esfera estadual houve um aumento de matrícula de 2003 para 2004, voltando a diminuir até 2006. No município de Ituiutaba o decréscimo aumento foi crescente em todos os anos.

Na ultima década, o número total de matrículas do Ensino Médio teve uma queda de 1,8 no âmbito federal, 4,1% no estadual e 7,4 no municipal, em relação a 2003. As matrículas nas escolas da rede estadual no município de Ituiutaba decresceram de 2003 para 2004 e voltaram a crescer até 2006.

O número de alunos atendidos no Ensino Médio em Minas Gerais, apresentado no censo escolar de 2006 (899.730) foi inferior ao ano de 2003 (937.944). O decréscimo não foi relevante, mas considera-se que deveria haver um aumento na oferta se levando em conta que os programas de investimentos feitos nesse nível de ensino, foram para melhorar a sua oferta e qualidade.

O Estado é responsável por garantir a oferta e qualidade do Ensino Médio por meio de programas de incentivo de modo efetivo. O aumento da demanda justifica a necessidade de investimentos por parte do poder público estadual para esse nível de ensino. Se ao contrário, não houver investimento, isso parece contradizer com o atendimento “eficiente” e “eficaz” desse nível de ensino que prima pela qualidade como anunciam os programas de investimento.

A crônica dicotomia entra a oferta democrática do ensino e sua qualidade tem reforçado a distância entre o discurso anunciado e a prática. Os resultados das reformas educacionais têm mostrado uma situação de constrangimento, uma vez que o Ensino Médio não conta com recursos específicos necessários. Ao contrário, a expansão, ou inchaço, desse nível de ensino tem se desenvolvido sob a pressão de permanente escassez de recursos financeiros, materiais e humanos.

Oliveira (2002) afirma que a razão para o súbito crescimento do Ensino Médio foi a ampliação da oferta do Ensino Fundamental, que reduziu os índices de evasão e repetência. Os programas de ajustamento idade-série, o sistema de ciclos e a aceleração de estudos propiciaram uma entrada maciça de alunos no até então pouco acessível nível de ensino. A autora afirma ainda que o governo de Minas Gerais enfrenta problemas quanto à redução dos índices de evasão e repetência, distorção

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idade-série, mal-sucedidos nas reformas da década de 90. A implantação do Ciclo Básico de Alfabetização (CBA), ainda em 1985, já prenunciava uma tentativa de redução desses altos índices. Os programas de progressão continuada e de aceleração da aprendizagem foram também medidas com esse propósito. Nessa perspectiva, a aglutinação do Ensino Fundamental em dois ciclos também visava à redução de custos. Essas medidas exigiam mudanças radicais no processo pedagógico e não tiveram respaldo sólido que as sustentasse. Seja em sistema seriado, seja em regime de ciclos, os índices de baixo rendimento permaneceram.

Para mudar esse quadro, seria necessário promover mudanças efetivas que passassem pela organização escolar e levar em conta vários fatores tais como capacitação docente, condições físicas e materiais favoráveis remuneração condizente e infra-estrutura adequada. Para tanto, o governo mineiro deveria reduzir o custo-aluno/ano, por meio da redução dos níveis de evasão e repetência.

Para viabilizar os programas propostos para o Ensino Médio, o governo mineiro, como em outras situações, aliou-se a organismos internacionais na busca de recursos. Ou seja, para garantir a implementação das reformas propostas, o poder público do estado tem se servido de recursos oriundos de parcerias com organismos internacionais para a equalização das medidas propostas, uma vez que o Ensino Médio não recebe recursos diretos para o seu custeio. Kuenzer (2000) faz alguns apontamentos sobre essa questão.

(...) Basta analisar os recursos disponíveis nos orçamentos públicos das unidades federadas e da União, que mal cobrem os custos básicos de um sistema insuficiente e inadequado, para se ter clareza de que a universalização do acesso ao nível médio não está presente no orçamento da União, a não ser na forma de financiamento por intermédio de agentes financeiros internacionais (p. 62).

Krawczyk (2003), por sua vez, constata que:

(...) para viabilizar a reforma curricular proposta, os estados vêm implementando, com ajuda de financiamento externo, programas e ações que têm como objetivo, segundo suas Secretarias de Educação, a otimização de recursos e, ao mesmo tempo, a democratização e melhoria da qualidade da educação oferecida (p. 171).

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Diante da ausência de um fundo de investimentos para o Ensino Médio, o Governo Federal tem buscado alternativas para manter esse nível de ensino, por meio de empréstimos obtidos com o Banco Mundial, em parceira com a União, o que possibilitou a criação do PROMED.

Da mesma forma, os governos estaduais têm buscado alternativas para suprir as dificuldades no atendimento do Ensino Médio. A Secretaria de Estado da Educação editou em 2003 o documento “A educação pública em Minas Gerais — 2003-2006: o desafio da qualidade”, com as diretrizes gerais da educação no estado a ser desenvolvida nesse período por meio de programas.

O inicio do documento faz uma crítica à queda de desempenho dos estudantes mineiros no ranking nacional, de 2001 a 2003. A constatação implica uma ação determinada para a retomada do primeiro lugar no ranking; desse patamar, a performance dos estudantes mineiros caíra para o quarto lugar. O núcleo da proposta de medidas prevê o atendimento de cinco prioridades, entre elas a universalização e

a melhoria do Ensino Médio. O programa propõe ainda intensificar a qualidade na educação básica de nível médio e integrar o Ensino Médio à educação profissional. Por meio de otimização de recursos humanos e físicos, “será assegurado às escolas o suporte necessário para desenvolver experiências inovadoras nas áreas de gestão, de currículo e de ensino e para que todas tenham padrões básicos de funcionamento”. (MINAS GERAIS, 2003, p. 8).

Segundo os dados do governo mineiro, publicados no site oficial da Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais (disponível em http://www.educacao.mg.gov.br/site, acessado em 15/1/05), o projeto de melhoria da qualidade se propõe:

(...) a Melhoria do Ensino Médio, da Secretaria de Educação, já aplicou este ano R$ 359,5 milhões na elevação dos níveis de aprendizagem dos alunos. Já foram criadas 58 mil vagas para o Ensino Médio, sendo a meta atingir 854 mil alunos. Os recursos foram também destinados à aquisição de livros didáticos e equipamentos para escolas referências em todo o Estado.

Em artigo que faz uma crítica às formas de gestão do governo mineiro para com a educação, em função do corte orçamentário ocorrido em 2003 no qual a educação foi uma das mais afetadas, Ricci (2005) aponta as características de descontinuidade e desarticulação das medidas adotadas pelo governo sem critério e

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sem estabelecer parâmetros de equidade: “Parece cada vez mais nítido que o conjunto de programas e projetos não se articulam e não constituem uma ação acabada. Na prática, parece existir uma lacuna ou ausência de projeto educacional nítido para o Estado”. Uma dessas medidas teria sido a implementação de acompanhamento pedagógico apenas em algumas escolas que foram selecionadas conforme critérios questionáveis para fazer parte do Projeto Escolas-Referência – que será abordado com mais detalhes mais à frente – criado pelo governo mineiro com recursos do Promed.

Diante dos dados apresentados, é possível afirmar que o atendimento e a permanência da população no Ensino Médio no estado até então não foi devidamente equacionado. As mudanças que ocorreram, bem como as formas de investimento para esse nível de ensino (com parcerias de organismos internacionais) em projetos anteriores, não efetivaram e nem trouxeram a ensejada qualidade do ensino. O modo como tais reformas e medidas são implantadas — com a ausência dos atores envolvidos das comunidades escolares — prenuncia que as mudanças são apenas superficiais.

Para o Governo de Minas, a expansão das matrículas no ensino fundamental, resultou na garantia de acesso à educação a 98% das crianças desse estado. Porém, a universalização desse nível de ensino apresenta problemas que ainda não foram equacionados. O principal deles é que o favorecimento da abrangência e incremento no número de matrículas, não foi suficiente para assegurar o bom desempenho e a permanência dos alunos na escola.

O que se tem observado é que, a exemplo do que tem acontecido, tanto no Brasil, quanto em países da América Latina (como mostram as pesquisas de KRAWCZYK, 2001, e 2005; KRAWCZYK e VIEIRA, 2003, ZIBAS, 2003; FILMUS, 2002 e BRASLAVSKY, 2004) também a realidade das escolas públicas mineiras apresenta um quadro bastante problemático: elevado índice de reprovação e evasão escolar, defasagem idade-série, ausência de condições mínimas necessárias ao bom funcionamento da escola, degradação do ambiente escolar, violência nas escolas, depredações, despreparo das escolas e educadores para responder adequadamente às necessidades da população de baixa renda e pouca atenção ao Ensino Médio.

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2.2 – O “PROJETO ESCOLAS-REFERÊNCIA”: AMBIGÜIDADE DE