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São objetivos desta pesquisa:

a) Analisar as diferenças e similitudes na organização das duas escolas, compreendendo que esses traços determinantes marcam os limites e possibilidades do trabalho escolar e da formação geral dos alunos.

b) Apresentar e analisar as formas de operacionalização do PER e em que medida as características de cada escola interferem nesse desenvolvimento diferenciado.

Considerando que quanto melhores são as condições de trabalho, estrutura e organização da escola, melhor tende a ser o resultado na qualidade do ensino oferecido, a Escola “A”3 – que parece ter melhores condições e é considerada pela população da cidade uma escola “elitizada” – apresentaria resultados mais satisfatórios que a Escola “B” – considerada uma escola “popular” (o que equivale a dizer “mais fraca”) por atender maior número de alunos de baixo poder aquisitivo.

Mais do que identificar e medir resultados busca-se apreender como as singularidades que cada escola apresenta para lidar com o PER e suas condições gerais de funcionamento interferem na qualidade do ensino oferecido por ambas – o que, inevitavelmente, levará em conta a trajetória, a cultura, as concepções e práticas, bem como as diferenças nos quadros dos professores, na localização, na clientela atendida, nas estratégias utilizadas para efetivar a formação dos alunos de ensino médio.

As duas escolas, aos olhos do governo mineiro, são igualmente reconhecidas como escolas de “boa qualidade de ensino”, razão pela qual foram consideradas “escolas referência”. Desse modo, supõe-se que as diferenças entre elas marquem o ensino médio oferecido, pela ênfase maior ou menor com que tratam a formação geral.

Dessas considerações deriva-se uma hipótese norteadora da pesquisa:

As duas escolas, que oferecem ensino médio regular apresentam diferenças e a qualidade do ensino que oferecem está ligada à forma como concebem a formação geral de seus alunos. A Escola “A” privilegia um ensino médio marcado pela expectativa do exame vestibular, pela rigidez na forma de conduta e ação disciplinar, pelo oferecimento de um ensino conteudista e tradicional e pelo distanciamento na relação professor-aluno e a Escola “B” prioriza a formação social e integração do aluno na sociedade, com atendimento às suas dificuldades sociais, procurando trabalhá-las para além do oferecimento dos conteúdos ensinados.

3 A partir daqui as escolas investigadas serão identificadas e denominadas, respectivamente, como: Escola”A” e Escola “B”.

31 PROCEDIMENTOS DE PESQUISA

Trata-se da realização de estudo analítico da realidade de duas escolas públicas mineiras, de ensino médio estadual e dos fatores que interferem na qualidade do ensino que oferecem aos seus alunos.

Para viabilizar a realização dos estudos dessas duas realidades escolares foi necessário, antes de se partir para o campo empírico, definir e conhecer os procedimentos metodológicos que deveriam guiar meu trabalho como pesquisadora durante minha permanência nas escolas.

Com base no estudo de autores como Burgess (1997) e Bogdan & Bilken (1994), a primeira definição estabelecida relacionou-se aos tipos de dados que seriam coletados.

Segundo tais autores, as escolas, entendidas como uma organização social, apresentam uma infinidade de situações a serem investigadas, tornando necessária a definição clara do que, quando e onde coletar informações específicas, evitando a perda do foco da pesquisa.

Diante disso, determinou-se que os dados coletados deveriam procurar obter indicadores das realidades das escolas, relacionados a três grandes grupos de análise, a saber: a gestão escolar, o trabalho pedagógico e o currículo.

O desenho da pesquisa incluiu os seguintes procedimentos: • análise documental;

• aplicação de questionários;

• realização de entrevistas semi-estruturadas; • observação da realidade escolar; e

• registro fotográfico; • “roda de conversa”

A utilização da análise de documentos teve como objetivo a obtenção de dados relacionados às produções materiais e escritas das e para as escolas, como a legislação específica e documentos escolares como por exemplo: PDPI, PPP, Regimento Escolar; Censo Escolar 2005; correspondências enviadas e recebidas diversas; processos de prestação de contas de recursos financeiros recebidos; documentos internos da escola; projetos envolvendo atividades docentes e discentes; atas de resultado final 2005; atas de reuniões de pais de alunos; livro de registro de ocorrências; atas de reuniões pedagógicas; planos de ensino; calendário escolar; livro de registros de alunos matriculados e concluintes; livro de registro de entrada e saída de livros na biblioteca

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escolar; diários de classe; termos de visita do inspetor escolar4; caderno de anotações da supervisora escolar, que contém informações e registros importante ; boletins pedagógicos de resultado do SIMAVE; manuais de orientação do PER / SEE/MG, material iconográfico avaliações internas.

O estudo documental incluiu, ainda, levantamento de dados quantitativos sobre as escolas, na 16ª Superintendência Regional de Ensino e nos sites oficiais de educação do governo mineiro.

Com o intuito de obter a opinião de um número maior de alunos sobre: o trabalho realizado pelas escolas, o momento específico da escolaridade que estão vivendo como alunos do ensino médio e as suas expectativas para o futuro pessoal e profissional – a pesquisa incluiu também a aplicação de questionários. Tais questionários foram distribuídos a 200 alunos (100 de cada escola) obtendo-se o retorno de 72 questionários da Escola “A” e 80 da Escola “B”.

O contato com os alunos incluiu, ainda a chamada “roda de conversa” – um procedimento de conversa com grupos pequenos de alunos, “dirigida” por questões específicas previamente preparadas pela pesquisadora, em relação à inserção da escola no PER e a qualidade de ensino oferecida.

Por meio de entrevistas semi-estruturadas procurou-se obter, tanto os dados não passíveis de observação, como, por exemplo, visões dos diferentes agentes escolares (professores, alunos, profissionais das equipes técnicas das escolas e supervisores) sobre aspectos específicos da realidade escolar e contexto que a cerca, quanto a dados que, mesmo sendo passíveis de observação, julgou-se interessante conhecer a opinião dos sujeitos envolvidos, como por exemplo, a relação entre o desempenho escolar dos alunos e determinadas medidas e decisões tomadas pela escola.

Por meio da observação da realidade escolar pretendeu-se obter uma visão do cotidiano da escola, buscando informações sobre a maioria das situações e aspectos do cotidiano das escolas, desde aqueles aspectos e situações com um peso descritivo maior, como o “estado de conservação do prédio e adequação das instalações”, por exemplo, até aqueles com uma abordagem mais interpretativa, como “liderança administrativa” ou “liderança pedagógica”, por exemplo.

Assim, as duas escolas foram sistematicamente “visitadas” pela pesquisadora durante no 2º.semestre de 2005 e no 2º. semestre de 2006, na tentativa de coletar o maior número de informações possível. O tempo de permanência nas escolas foi determinado,

4 Inspetor escolar é o profissional que intermédia entre a escola e a Superintendência Regional de Ensino. É o responsável pelo trabalho de inspetoria e fiscalização das ações da escola.

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tanto pela grande quantidade de dados a serem coletados, quanto pela necessidade de observações a serem realizadas, documentos a serem analisados, bem como entrevistas e conversas informais a serem realizadas, de forma a obter uma visão geral e compreensão do cotidiano das escolas.

Para tanto, foram feitas observações das seguintes situações: atividades de trabalho diário do pessoal da secretaria, atividades de trabalho das supervisoras pedagógicas, forma de organização e uso do espaço escolar para as atividades pedagógicas; distribuição do tempo nas atividades docentes e discentes; situações de desenvolvimento curricular e de atividades; condições da estrutura física da escola, suas dependências e condição de utilização dos ambientes da escola.

Durante a observação realizada foi feito um registro cuidadoso de todos os momentos e situações observadas, procurando flagrar de modo fidedigno o cotidiano escolar, para que se pudesse apreender e compreender as práticas ali desenvolvidas e relacioná-las com os envolvidos no processo educativo na escola e, por fim, verificar qual sua interferência com a qualidade do ensino oferecido.

A coleta de dados incluiu também o registro fotográfico de documentos e de situações vivenciadas nas escolas. Foram tiradas muitas fotos de ambas as escolas compondo um acervo de 3.443 fotos (a maior parte não explorada nesta pesquisa).

Para a necessária padronização dos dados coletados nas escolas, possibilitando-se a comparação posterior, foram determinados, tanto na observação, quanto na pesquisa documental e nas entrevistas, parâmetros comuns, por meio da construção e teste de instrumentos para coleta dos dados, quais sejam: Roteiro de observação da realidade escolar, Roteiro de entrevista com os agentes escolares, Questionário e Roteiro para análise de documentos (ver Anexos 1 a 5).

Todavia, essa padronização não impediu que a pesquisadora, quando percebesse a necessidade, voltasse o seu olhar para outros espaços ou elementos não previamente definidos, principalmente, em função da natural especificidade de cada escola. Além disso, seguindo a metodologia de entrevistas semi-estruturadas, a pesquisadora teve a liberdade de aprofundar algum tema que ganhasse destaque durante cada entrevista.

Para todo o conjunto de procedimentos para coleta de dados sobre perfil, condições, ações e concepções dos agentes escolares (estudantes, docentes, gestores, supervisores) e realidade das escolas considerou-se, especificamente, os períodos letivos de 2005 e 2006, tendo em vista o momento de implementação do Projeto Escolas de Referência pela Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais – SEE-MG.

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CRITÉRIOS PARA A ESCOLHA DOS SUJEITOS DA PESQUISA NAS