A ESCOLA NO SISTEMA EDUCATIVO
1.2 Buscando as Raízes
Não é que atribuamos à instrução elementar a propriedade mágica de eliminar diretamente a imoralidade de cada espírito, de onde elimine a ignorância. Mas, além de que nada tende mais a inspirar o sentimento da ordem, o amor do bem e a submissão às amargas necessidades da vida, do que a noção clara das leis naturais que regem o universo e a sociedade, acresce que o ensino desentranha, em cada um dos indivíduos cuja inteligência desenvolve, forças de produção, elementos de riqueza, energias morais e aptidões práticas de invenção e a aplicação, que o revestem de meios para a luta da existência, o endurecem contra as dificuldades, e lhe preparam probabilidades mais seguras contra a má fortuna. O homem cheio de precisões e destituído de recursos vai já a meio caminho do mal; e os delitos mais comuns são menos vezes fruto de predisposições perversas do que a ausência dessa confiança robusta no trabalho, que só a consciência do merecimento, adquirida pela educação, sabe inspirar entre as provações de cada dia.
(Rui Barbosa extraído de Souza,1998, p. 26)
A nossa história da educação tem primado por focalizar a escola seja sob a lente da legislação e organização escolar, seja sob a lente das demandas de escolarização da sociedade brasileira, seja sob a perspectiva do pensamento pedagógico ou do ideário.
As maiores alterações, com o passar do tempo, ocorreram na esfera político- administrativa e na educação. Antes de focalizar o período estudado é necessário que se faça uma retrospectiva resumida da história do país, do município e da educação de nosso país.
Na educação, através do alvará de 28 de junho de 1759, ao mesmo tempo em que suprimia as escolas jesuíticas de Portugal e de todas as colônias, Pombal criava as aulas régias de Latim, Grego e Retórica. Criou também a Diretoria de Estudos que só passou a funcionar após o afastamento de Pombal. Cada aula régia era autônoma e isolada, com professor único e uma não se articulava com as outras.
O que se observa, entretanto, é o abandono em que ficou relegada a colônia, no campo educacional, após a saída dos jesuítas. A partir daí começaram a surgir a instrução pública, de uma forma muito precária. O ensino torna-se cada vez mais distante da realidade brasileira, passam a estudar apenas os que querem se tornar padres, militares ou os que querem bacharelar-se em Coimbra, formando-se doutores em Direito ou em Medicina.
Na ausência das ordens religiosas, sobretudo a dos jesuítas, a situação do ensino em todo o Brasil tornou-se inteiramente caótica. Nenhuma instituição foi capaz de manter e ampliar ou de substituir o sistema educacional implantado pelos jesuítas.
O conhecimento e a boa formação intelectual abrigaram-se em alguns poucos conventos e seminários mantidos pela Igreja, representando uma exceção no cenário educacional brasileiro. Entre eles, podemos citar os seminários Nossa Senhora da Lapa, São José e São Joaquim, no Rio; o Episcopal e o de Caraça, em Minas Gerais; o Episcopal e o dos Órfãos, na Bahia; o de Olinda, em Pernambuco; o de Belém, no Pará e os Seminários de Itu, de Santana e de Nossa Senhora da Glória, em São Paulo.
A educação era centrada nos estudos literários, com ausência quase completa das ciências, das atividades técnicas e artísticas e, destinava-se somente aos senhores de engenho e donos de terra, grupo do qual também se excluíam as mulheres e os primogênitos, a quem era reservada a função de dirigir os negócios da família.
Os colégios dos padres não difundiam cultura humanística, e sim, cultura formal. A educação era literária, abstrata, além de dogmática, afastada dos interesses materiais, utilitários e, conduzida com o padrão da Europa. Eram
excluídos do ensino além das mulheres, os negros, cujos filhos nunca despertaram o interesse dos padres, e também, os curumins.
A educação era mais para a classe dirigente como ornamento e erudição. Dá- se o incidente conhecido como “questão dos moços pardos” que queriam também aprender e eram discriminados.
Nesse período a atividade econômica ficou restrita à subsistência e à locação de pastagens para as tropas. As duas fazendas dos beneditinos, São Bernardo e São Caetano, tinham uma atividade mais regular: a primeira produzia gêneros alimentícios e na segunda fabricavam-se tijolos e artefatos de cerâmica. Essas fazendas ficaram sob a propriedade dos beneditinos até 1870, quando foram compradas pelo Estado para a criação de colônias de imigrantes. Antes disso, porém, ao redor da fazenda São Bernardo foi se criando um pequeno núcleo urbano, que mais tarde iria garantir a criação do município de São Bernardo.
As donatárias fracassaram como plano político, sendo a última desfeita em 1759. Segundo Faoro (2004) no aspecto econômico e financeiro a conquista prometia muito, mas, houve malogro administrativo. Martim Afonso de Souza, donatário de São Vicente, pouco se interessou pelos seus domínios. Dois núcleos prosperaram, Pernambuco e São Vicente. Pernambuco, cujo donatário era Duarte Coelho, conseguiu fixar outro pólo de desenvolvimento, com o cultivo de algodão, cana e mantimentos.
Esse empreendimento visava a melhoria do transporte de produtos agrícolas do interior para o Porto de Santos, em especial o café, que começava a ser produzido em larga escala na Província de São Paulo. Tal situação começou a atrair indústrias que se aproveitavam das facilidades de transporte, da disponibilidade de áreas próximas à linha férrea e ao rio, além dos incentivos fiscais apresentados pelo município. Diante do fracasso do sistema de capitanias, a metrópole procurou recorrer à centralização do poder, criando-se o governo-geral para centralizar a administração, pois os interesses dos donatários chocavam-se com os interesses do estado português.
Conforme Faoro (2004) com a transferência da Corte Portuguesa em 1808 para o Brasil, é consolidado o estamento burocrático3. Uma estrutura administrativa
obsoleta e inoperante vai ser mantida com a Independência. Assim o autor retrata: “[...] uma ordem metropolitana, reorganizada no estamento de aristocratas improvisados, servidores nomeados e conselheiros escolhidos, se superporia a um mundo desconhecido, calado, distante” (p. 229).
Na verdade não se conseguiu implantar um sistema educacional nas terras brasileiras, mas a vinda da Família Real permitiu uma nova ruptura com a situação anterior. Para preparar terreno para sua estadia no Brasil, D. João VI abriu Academias Militares, Escolas de Direito e Medicina, a Biblioteca Real, o Jardim Botânico e, sua iniciativa mais marcante em termos de mudança, a Imprensa Régia. Segundo alguns autores, o Brasil foi finalmente "descoberto" e a nossa História passou a ter uma complexidade maior.
O resultado do governo de Pombal foi que, no princípio do século XIX, a educação brasileira estava reduzida a praticamente nada. Persistia o panorama do analfabetismo e do ensino precário. A educação estava à deriva. Durante o longo período do Brasil-Colônia, aumenta o fosso entre os letrados e a maioria da população analfabeta.
De acordo com Marcílio (2005) os primeiros cursos superiores foram criados também após a vinda da Família real para o Brasil, nas primeiras décadas do século XIX.
No que se refere à fé, em São Bernardo, segundo Médici (2000), a Paróquia de São Bernardo foi a primeira de São Paulo confiada aos Missionários de São Carlos. Foi criada no dia 21 de outubro de 1812, quando desmembrou-se da freguesia da Sé.
A Paróquia, durante 99 anos, até 1911, abrangeu quase todo o espaço do território que hoje forma o grande ABC, a exceção foi São Caetano, núcleo ligado à Paróquia do Brás e, a partir de 1900, visitada por scalabrinianos que residiam no Ipiranga.
De acordo com Santos (1992) o bairro de São Bernardo, que até 1812 integrava a freguesia da Sé, requeria seu desmembramento: seus moradores reivindicavam maior autonomia, pois já possuíam autoridades como policiais das Ordenanças e inspetor da estrada, mas faltava a figura do pároco para que fosse criada uma Freguesia correspondente a esse bairro disperso. Isso ocorreu através
do alvará do príncipe regente de 21 de outubro de 1812, registrado no livro Tombo nº. 1 da Catedral de São Paulo.
Como a capela de São Bernardo da fazenda dos beneditinos era particular, e pertencia à Ordem, os monges cederam ao vigário da nova paróquia um terreno distante da sede da fazenda para que ali fosse construída nova matriz com outro orago. Com isto houve a mudança do nome da paróquia para Nossa Senhora da Conceição da Boa Viagem.
Em 1813, o governo adquiriu terras de um certo Sr. Manoel Rodrigues de Barros para criação do novo povoado e edificação do novo templo. Havia naquela época, na freguesia, 1.423 habitantes e 218 habitações, mas ainda não havia sido construída a igreja.
Apesar das tentativas do Pe. José Basílio, somente em agosto de 1814 é enviado à freguesia o Tenente Coronel Engenheiro da Corte, Pedro Muller. Ele constatou que tanto a capela estava sem condições, como o local era impróprio para fundar um povoado. Escolheram um local mais aprazível, distante dali por uns 600 pés, cortado pela estrada geral, atual Avenida Marechal Deodoro.
Em 1814, também a sede e as primeiras ruas da recém-criada Freguesia de São Bernardo foram instaladas às margens do Caminho do Mar, que foi retificado no trecho que deu origem à Rua Marechal Deodoro, onde foi edificada a Igreja Matriz. Possivelmente o início da construção tenha ocorrido entre 1815 e 1818. Presume-se que sua conclusão só tenha ocorrido por volta de 1848.
Segundo Lima (1971) em 1820 o povo português mostra-se descontente com a demora do retorno da Família Real e iniciou-se a Revolução Constitucionalista, na cidade do Porto. Isto apressa a volta de D. João VI a Portugal em 1821.
Em 1822, a 7 de setembro, seu filho D. Pedro I declara a Independência do Brasil e, inspirada na Constituição francesa, de cunho liberal, em 1824 é outorgada a primeira Constituição Brasileira. O Art. 179 desta Lei Magna prevê "instrução primária e gratuita para todos os cidadãos".
A Independência não extinguiu o regime colonial, que apenas se modernizou. Permaneceu o divórcio entre o Estado monumental, aparatoso, pesado e a nação, informe, indefinida, inquieta. Com respeito ao Segundo Reinado, Faoro (2004) relata: “A reação centralizadora e monárquica, conservadora e oligárquica, trilhou o
caminho da tradição, à sombra de D. João I e de D. João IV: ela forjou um imperador e o imperador a consolidou” (p. 229).
O Brasil começou a sua história, de acordo com Caldeira Netto apud Dines, Fernandes Jr & Salomão (2000) com o maior grau de participação popular em eleições da época. Nas décadas de 1820, 1830, 1840, o Brasil era o país que tinha a democracia mais aberta do planeta. Votavam analfabetos e os negros e pobres eram eleitos. A participação popular variou. Até 1850 era uma eleição muita aberta: voto aberto, com clientelismo, curral eleitoral, fato comum em quaisquer países do mundo. Só que no Brasil, segundo este autor, muito mais pobres votavam.
O governo Imperial de D. Pedro I deu início a uma política de colonização do sul do país por meio de imigrantes europeus, suíços e alemães.
Segundo Marcílio (2005) no âmbito da educação, na tentativa de se suprir a falta de professores, institui-se o Método Lancaster, ou do "ensino mútuo", onde um aluno treinado (decurião) ensina um grupo de dez alunos (decúria) sob a rígida vigilância de um inspetor. Trata-se de uma forma de ensino onde o professor tinha que lidar com mais de 100 alunos. Os mais avançados viravam tutores dos mais atrasados, mas fracassam porque os professores não tinham preparo para usar esse tipo de método.
Nesse tempo, usava-se muito a palmatória. Os castigos faziam mais mal do que bem. Os professores tinham salários baixos e o seu prestígio social era quase nenhum. Durante todo o império os professores precisavam alugar por sua conta, a sala de aula ou ensinar em suas próprias casas. Não houve prédios escolares em São Paulo e não havia móveis didáticos.
Segundo Castro apud Marcílio (2005) nessa época havia ausência de seriação e os alunos podiam entrar e sair da escola em qualquer período do ano. Parece que os alunos “não passavam de ano”, o professor dizia quando estavam prontos.
No mais, raros institutos mantidos pelo governo, como o Liceu Provincial de Pernambuco, fundado em 1825, ofereciam aulas avulsas propostas pela reforma do Marquês de Pombal, tratando-se de aulas esporádicas, de matérias dispersas, ministradas por professores leigos, escolhidos sem nenhum critério. Esta era a tônica da Educação no Brasil desde a expulsão da Companhia, assim
permanecendo, mesmo no período regencial. Ainda nesse período foi oficializado e sistematizado o ensino secundário, com a criação do Colégio Pedro II na Corte.
O ensino atingia apenas uma pequena parcela da população livre e masculina. A Independência trouxe nossa primeira Constituição em 1824, a qual estabelecia critérios muito gerais sobre a educação brasileira, o que também aconteceu com a primeira Constituição Republicana.
Em 1826, um decreto institui quatro graus de instrução: Pedagogias (escolas primárias), Liceus, Ginásios e Academias. Os compêndios didáticos a serem utilizados pelos professores, segundo o projeto Imperial, deveriam ser aqueles indicados pelas autoridades educacionais. As escolas profissionalizantes, ao contrário das noturnas, vingaram no âmbito regional, uma vez que estavam sob a direção de dois importantes Ministérios: o da Guerra, responsável pela criação e direção dos Arsenais de Guerra; e o da Marinha, que tinha sob seu comando os Arsenais da Marinha.
De acordo com Lima (1971) o ensino profissional primário surgiu em São Paulo, nos primeiros anos da Independência. Dez anos após a promulgação da Lei de 15 de outubro de 1827, o ministro Lino Coutinho informava à Assembléia Legislativa:
Muitas escolas se têm criado por todas as províncias e aprovadas pelo governo central; algumas têm sido providas; porém a maior parte delas ainda se acham vazias, apesar de repetidos concursos que se têm mandado abrir, ao menos na província do Rio de Janeiro; porque a falar a verdade carecemos de mestres e de mestras que ensinem todas as matérias designadas na lei de 15 de outubro de 1827, que fez das escolas de primeiras letras, aulas verdadeiramente maiores, mandando ensinar muitas outras coisas, além de ler, escrever e contar (p.102).
Assim, toda a luta que se seguiu para a construção de um sistema educacional no Brasil, esteve voltada para a criação de escolas de formação de professores.
Marcilio (2005) destaca em entrevista à Revista Nova escola que um dos motivos para São Paulo ter se destacado na educação nacional foi a insignificante presença de escravos. Foi somente depois da abolição que chegaram os escravos libertos. E vieram os imigrantes.
Em 1825 o governador da província de São Paulo criou algumas instituições para proteger as crianças órfãs e abandonadas. Uma delas foi a Roda dos expostos, junto à Santa Casa de Misericórdia, para recolher e criar os bebês abandonados por suas mães. Nesse mesmo ano o governo criava duas outras instituições para receber, educar e dar treinamento em um ofício para as crianças já criadas na Roda, para órfãos pobres que perambulavam pela cidade e para aquelas crianças cujos pais e tutores não tinham condições para criá-las.
Em 1827 um projeto de lei propõe a criação de pedagogias em todas as cidades e vilas, além de prever o exame na seleção de professores, para nomeação. Propunha ainda a abertura de escolas para meninas. No dia 15 de novembro do mesmo ano, foi promulgada a primeira lei orgânica do ensino no Brasil. Nesse ano foi fundada, também, a Faculdade de Direito no Largo São Francisco e então surgiu um curso preparatório que dava noções de geografia, latim, história e outras áreas de conhecimentos necessárias para o curso.
Ainda não há propriamente o que poderia ser chamada de uma pedagogia brasileira. É uma atuação irregular, fragmentária e quase nunca com resultados satisfatórios.
No ano de 1830, com a lei de 15 de dezembro de 1830, foram extintas as verbas destinadas às despesas com colonização, o que fez com que a imigração parasse. Neste mesmo ano, no dia 17 de março, segundo Médici (2000) entra em funcionamento uma escola na freguesia de São Bernardo organizada pelo padre coadjutor Tomás Inocêncio Lustosa, que no mesmo ano prestaria concurso e seria nomeado professor da localidade.
Em 1834 o Ato Adicional à Constituição dispõe que as províncias passariam a ser responsáveis pela administração do ensino primário e secundário. Essa reforma descentralizava o ensino, atribuindo à Coroa a função de promover e regulamentar o ensino superior, enquanto que às províncias são destinadas a escola elementar e a
secundária. A educação da elite fica a cargo do poder central e a do povo confinada às províncias.
A primeira experiência data de 1835, quando foi criada por lei, no Rio de Janeiro, a primeira Escola Normal. Seu corpo docente, porém, se resumia no Diretor, responsável também por ministrar todas as disciplinas. Se houve intenção de bons resultados não foi o que aconteceu, já que, pelas dimensões do país, a educação brasileira se perdeu mais uma vez, obtendo resultados pífios.
De acordo com Aranha (1999) visando nortear a iniciativa das províncias, em 1837, foi criado na Corte o Colégio de Pedro II, como estabelecimento modelo dos estudos secundários, pois ainda eram mantidas aulas avulsas e descontextualizadas, ou seja, justaposição de aulas ministradas em liceus, que constituíram os primórdios da elaboração de um currículo em nosso país. O colégio era mantido pelo governo central.
Os liceus provinciais, no entanto, não tiveram as mesmas prerrogativas para matrícula em qualquer curso superior, independentemente de novos exames junto às faculdades. Conseqüentemente, seus alunos tinham que se submeter aos exames parcelados dos preparatórios fixados nos estatutos. Somente este colégio tinha competência para fornecer o diploma de bacharel, habilitação obrigatória para inscrição nos cursos superiores. As escolas particulares e os liceus provinciais se transformam em cursos preparatórios para obtenção desse diploma, por meio dos exames realizados no referido colégio.
O Colégio de Pedro II passou a admitir matrículas avulsas e instituiu exames finais por disciplina, equivalentes para fins de matrícula nos cursos superiores, aos exames gerais.
A influência nefasta dos exames parcelados de preparatórios fez-se sentir no próprio colégio padrão, pois muitos alunos apressavam o ingresso nos cursos superiores recorrendo aos exames parcelados.
De acordo com Barbosa (1975) em 11 de outubro de 1837 a Lei nº 108 dispôs sobre contratos de serviços estrangeiros, vantagens aos colonos, e permitiu que se recomeçasse a imigração por volta de 1844. São Bernardo também recebeu o seu contingente de imigrantes de origem alemã, depois austríacos, depois polonês, e somente depois italianos. O número foi tão elevado que, na região do Vapivary e do
Rio Grande, onde habitavam, existiu um cemitério, hoje coberto pela represa Billings, que chegou a ser chamado de Cemitério dos Polacos.
A idéia de se criar uma Escola Normal foi consignada em lei de 16 de março de 1846, por meio de um Projeto de 1843, apresentado em 20 de janeiro, na Assembléia Provincial, convertido em Lei nº 310, da Província de São Paulo, que seria a Lei nº 34, de 16 de março de 1846, após a reforma ocorrida no mesmo ano.
De acordo com Marcílio (2005), a primeira escola de 1846 surgiu sem verba e com um único professor, e apenas para o sexo masculino. Seu currículo, a ser ministrado em dois anos, compunha-se de lógica, gramática geral e língua nacional; teoria e prática de aritmética até proporções; noções gerais de geometria prática; caligrafia, princípios e doutrinas da religião do estado e métodos e processos de ensino, suas aplicações e vantagens comparativas. As matrículas eram abertas em anos alternados, “ano sim, ano não”, por um único professor, e o curso de dois anos. O professor era o Dr. Manoel José Chaves, bacharel em Direito, catedrático de filosofia e moral do curso de preparatórios, anexo da faculdade de Direito, deputado e um batalhador da causa da instrução pública. O mobiliário compunha-se de um banco, uma pedra de geometria e uma mesa. O ensino de religião passou a ser obrigatório neste ano.
Depois de fechada e reestruturada, a escola reabre em 1875, oferecendo no ano seguinte duas seções, uma para cada sexo. As mulheres freqüentam a escola normal com interesses diferentes: algumas, em busca de profissionalização e a maioria, geralmente de famílias ricas, para melhorar sua formação enquanto aguarda o casamento.
O Instituto de Ensino destinado à preparação de candidatos ao Magistério, instituído em 1847, por essa lei, funcionou precariamente e com pouca regularidade