CAPITULO II - CLÁUSULA GERAL ANTI-ABUSO
7. Preços de Transferência
7.9. Código de Conduta Relativo à Documentação dos Preços de Transferência para as
Europeia
Em 27 de Junho de 2006, por Resolução do Conselho e dos Representantes dos Governos dos Estados- Membros205, foi aprovado um Código de Conduta relativo à documentação dos preços de transferência para as empresas associadas na União
201 Tal é imposto pelo art. 130.º nº 4 do CIRC;
202 Art. 13.º nº 1 alín. a) da portaria nº 1446-C/2001 de 21 de Dezembro;
203Ibidem, Art. 13.º nº 1 alín. b);
204 Art. 19.º da Portaria nº 620-A/2008 de 16 de Julho;
68 Europeia206 e diz respeito à aplicação de uma documentação harmonizada no que se refere aos preços de transferência para as empresas associadas no âmbito da U.E, embora, a utilização da documentação sobre preços de transferência a nível da U.E, por parte das empresas multinacionais, seja facultativa.
Tratou-se de um “compromisso político e não afecta os direitos e as obrigações dos Estados- Membros nem os âmbitos de competência respectivos dos Estados- Membros e da Comunidade decorrentes do Tratado que institui a Comunidade Europeia”207 .
Os E.M comprometeram-se a exigir uma documentação menos volumosa e detalhada nas pequenas e médias empresas face à documentação que é exigível às grandes empresas208 e a não exigir às mesmas, a elaboração de documentos cujos custos ou encargos administrativos sejam demasiado elevados.209
Acordaram, igualmente, que a documentação que um E.M tem legitimidade para exigir será a que está relacionada com as transacções examinadas210 e não será permitida a divulgação de informações de natureza confidencial contidas nessa documentação211.
A documentação sobre preços de transferência para as empresas associadas na U.E é constituída por duas partes: “o masterfile” referente à documentação que contém informações comuns harmonizadas e que são válidas para todos os E.M onde se localizam as empresas do grupo e que estão situadas na U.E; a outra parte é composta pela documentação específica do país em causa.
O “masterfile” deverá demonstrar o método de fixação de preços de transferência, devendo reflectir a realidade económica da empresa.
A documentação dos preços de transferência para as empresas associadas na U.E “abrange todas a entidades do grupo estabelecidas na UE, assim como as transacções controladas efectuadas entre empresas estabelecidas em países terceiros
206 Doravante U.E;
207 “Resolução do Conselho e dos Representantes dos Governos dos Estados- Membros, Reunidos no Conselho, de 27 de Junho de 2006”, in Ciência e Técnica Fiscal, Nº 418, Julho-Dezembro de 2006,p.
362; vide ainda http://eur-lex.europa.eu/LexUriServ/LexUriServ.do?uri=COM:2005:0543:FIN:PT:PDF;
208Ibidem, Ponto 4, do Código de Conduta, p. 363; 209Ibidem, Ponto 6, alín. a);
210Ibidem, Ponto 6, alín. b); 211Ibidem, Ponto 6, alín. c);
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e entidades do grupo estabelecidas em países terceiros e entidades do grupo estabelecidas na UE”212.
O “ masterfile” deverá conter os seguintes elementos de informação:
“Uma descrição geral da empresa e da respectiva estratégia comercial, incluindo as alterações introduzidas nesta última em relação ao exercício fiscal anterior;
i. Uma descrição geral da estrutura organizacional, jurídica e operacional do grupo de empresas multinacional (incluindo um organigrama, uma lista dos membros do grupo e uma descrição da participação da sociedade – mãe nas filiais);
ii. A identificação geral das empresas associadas que participam em transacções controladas que envolvam empresas estabelecidas na UE;
iii. Uma descrição geral das transacções controladas que envolvam empresas associadas estabelecidas na UE, ou seja, uma descrição geral dos seguintes elementos:
i. Fluxos de transacções (activos corpóreos e incorpóreos, serviços, elementos financeiros);
ii. Fluxos de facturação, e
iii. Montantes dos fluxos de transacções;
iv. Uma descrição geral das funções desempenhadas, dos riscos assumidos, assim como das alterações de funções e dos riscos relativamente ao exercício fiscal anterior, por exemplo uma alteração do estatuto de distribuidor autorizado para o estatuto de comissionista;
v. A propriedade dos activos incorpóreos (patentes, marcas registadas, marcas comerciais, know- how, etc..) e os direitos de utilização (royalties) pagos ou recebidos;
vi. Uma descrição da política de preços de transferência entre empresas aplicada pelo grupo de empresas multinacional ou uma descrição do sistema de fixação de preços de transferência adoptados pelo grupo que explique em
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que medida os preços de transferência da empresa respeitam o princípio da observância das condições normais de concorrência;
vii. Uma lista dos acordos de repartição dos custos, dos acordos prévios em matéria de preços de transferência e das decisões relativas aos preços de transferência, na medida em que digam respeito a membros do grupo estabelecidos na UE; e
viii. Um compromisso da parte de cada contribuinte nacional de, mediante pedido, fornecer informações adicionais de acordo com as normas nacionais, dentro de um prazo razoável.” 213
Já a documentação específica ao país, para além dos elementos de informação contidos no “masterfile”, deverá conter ainda:
a) “Uma descrição pormenorizada da empresa e da respectiva estratégia comercial, incluindo as alterações introduzidas nesta última em relação ao exercício fiscal anterior;
b) Informações constituídas pela descrição e explicação das transacções controladas específicas ao país em causa, que contemplem especificamente os seguintes elementos:
i) Fluxos de transacções (activos corpóreos e incorpóreos, serviços, aspectos financeiros);
ii )Fluxos de facturação, e
iii) montantes dos fluxos de transacções; C) uma análise de comparabilidade, ou seja: i) as características dos bens e dos serviços;
ii) uma análise funcional (funções desempenhadas, activos utilizados, riscos assumidos);
iii) as cláusulas contratuais, e iv) a situação económica, e
v) as estratégias comerciais específicas;
213Ibidem, secção I, ponto 4.2,p. 366;
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d) uma explicação relativa à selecção e aplicação do (s) método (s) de fixação dos preços de transferência, ou seja, uma descrição dos motivos subjacentes à escolha de um determinado método, assim como da forma como este último é aplicado;
e)Informações pertinentes sobre eventuais elementos comparáveis internos e/ ou externos; e
f) Uma descrição da execução e da aplicação da política de fixação dos preços de transferência entre empresas adoptadas pelo grupo.” 214
214Ibidem, secção I, ponto 5, p. 367;
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