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ARRUDA ALVIM, em seu Código de Processo Civil Comentado 195 , discorrendo sobre os conceitos de objeto do processo e objeto litigioso do processo ,

disciplina que o

objeto do processo

é um conceito mais amplo que abrange

o objeto litigioso

do processo

, isto é, o que se convencionou chamar, na esteira das lições de CARNELUTTI e LIEBMAN, de

Lide

ou mérito, mais as questões suscitadas pelo réu em sua resposta à

demanda do autor.

Assim, para ele, o

objeto litigioso

do processo seria o conflito de interesses qualificado pela pretensão do autor, numa palavra, a

Lide

(

Litígio

), ou o

meritum causae

. Por sua vez, o

objeto do processo

seria composto pelas questões levantadas pelo réu acrescidas do

objeto litigioso

, isto é, da pretensão do autor e, em assim sendo, tudo isso é que seria objeto do processo e sobre o qual incidiria a atividade jurisdicional.

Tal concepção de ARRUDA ALVIM é criticada por alguns processualistas, pois, na verdade, o que ele chama de

objeto do processo

é aquilo que, na melhor técnica doutrinária, é chamado de

objeto da cognição

do juiz, no caso, o

objeto formal do processo

.

i) Ovídio Batista e Fábio Gomes:

OVÍDIO BATISTA, outro grande processualista do Rio Grande do Sul, na sua influente obra

Sentença e Coisa Julgada (ensaios e pareceres)

196, ao expor importantes

195 ARRUDA ALVIM, Eduardo. Curso de direito processual civil. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1999, p. 49, 387, 411.

196 BATISTA DA SILVA, Ovídio A. Sentença e Coisa Julgada (ensaios e pareceres). 4. ed. rev. amp. Rio de Janeiro: Forense, 2003.

considerações sobre o âmbito de significação da

Lide

e das

questões da Lide

na doutrina carneluttiana e seus influxos e reflexos na formação da

coisa julgada

, tendo em vista o que preceitua o nosso Código de Processo Civil, assim explica, em algumas passagens,

in verbis

:

[...] a lide, por definição, vem delimitada, com seus contornos nitidamente estabelecidos, na petição inicial, tal como a formulou o autor, o qual, na sua atividade processual subseqüente, poderá e, na

generalidade dos casos, deverá oferecer novos elementos visando a precisá- la, torná-la compreensível aos olhos do juiz, para que este possa cumprir com exatidão seu dever de prestar a tutela jurisdicional, que nunca poderá ser maior, ou menor, ou diversa da que foi pedida pelo demandante. [...] as questões contidas implicitamente nessa lide hão de ser abrangidas, inexoravelmente, pela coisa julgada, se constituírem antecedente lógico necessário para a solução expressa da decisão final(grifos nossos).” 197

“O processo então ‘compreende todas as questões cuja solução constitua um pressuposto necessário para o julgamento da lide’; contudo essas questões integram a demanda, quer sejam debatidas, quer não, contanto que sejam um prius em relação à conclusão, como diz o professor Buzaid, ou seja, um pressuposto para a solução da demanda, como afirma Carnelutti.198

O que o processualista gaúcho quis assentir é que o conceito de

Lide

(ou

Litígio,

posto que para ele são termos indiscerníveis), que tantas vezes é utilizado no corpo dos dispositivos do Código de Processo Civil brasileiro, deve ser entendido, como na lição liebmaniana, um pouco diferente da sistemática teórico-conceitual construída por CARNELUTTI, sobretudo, no caso da análise que ele faz, quanto às questões atinentes à

res

judicata

e seus reflexos em outros institutos jurídico-processuais como a litispendência, por exemplo.

FÁBIO GOMES, por sua vez, em sua obra conjunta com OVÍDIO BATISTA, qual seja,

Teoria Geral do Processo Civil

199, embora discorde do pensamento de LIEBMAN, quanto à teoria das condições da ação, corrobora a tese do mestre italiano no que diz

197Ibidem., p. 122. 198Ibidem., p. 125.

199 BAPTISTA DA SILVA, Ovídio A. e GOMES, Fábio. Teoria Geral do Processo Civil. 3. ed. rev. atual. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2002.

respeito ao conceito de

Lide

(ou

Litígio

, já que pare ele eram sinônimos), identificando-o, assim, ao conceito de mérito da causa. Vejamos o que ele diz,

in verbis

200:

Lide é conceituada por Liebman como conflito efetivo ou virtual de pedidos contraditórios. Não aceita ele, por conseguinte, o conceito

carneluttiano, com toda razão, afirmando, apoiado em Calamandrei, que se o conflito de interesses não entrar para o processo tal como verificou-se na vida real, descaberá ao Juiz conhecer do que não constitui objeto do pedido.

Já o conceito de mérito identifica-se com o de lide. Incluem-se no

mérito todas as questões que, de qualquer forma, refiram-se à controvérsia existente entre as partes e submetida ao conhecimento do Juiz, cuja solução pode levar ao julgamento do pedido, quer para acolhê-lo, quer para rejeitá- lo (grifos nossos).

j) Ernane Fidélis, Humberto Theodoro e Vicente Greco Filho.

Os três processualistas – ERNANE FIDÉLIS, HUMBERTO THEODORO e VICENTE GRECO – em seus manuais, por certo dogmáticos, sobre o processo civil brasileiro, ratificam a posição doutrinária de LIEBMAN a respeito do conceito de

Lide

(que também para eles significa o mesmo que

Litígio

), posição esta que, inclusive, como sabemos, é a adotada no Código de Processo Civil em vigor.

ERNANE FIDÉLIS, em seu

Manual de Direito Processual Civil

201, quanto ao conceito de

Lide,

identificando-o com o de mérito e, inclusive, com o de

petitum

, assim, assente,

in verbis

:

O juiz, após verificar que ocorrem os pressupostos processuais (ausentes os de ordem negativa) e as condições da ação, passa a julgar o mérito.

O mérito é a matéria de fundo do Processo de Conhecimento e do Cautelar. No Processo de Conhecimento é o próprio litígio, a lide, que constitui seu objeto.

A lide é o conflito de interesses, qualificado por uma pretensão resistida. [...] Se uma formula pretensão e a outra resiste, nasce o litígio, a lide, mas ainda como fenômeno puramente sociológico.

A lide, na acepção tomada pelo Direito Processual, não é fenômeno que se passa extraprocesso. Ela se revela exclusivamente no processo. O autor,

200Ibidem., p. 115.

201 SANTOS, Ernane Fidélis dos. Manual de Direito Processual Civil. 9. ed. atual. São Paulo: Saraiva, 2002, v. 1, p. 545.

quando propõe a ação, não faz simples denúncia do conflito de interesses e de sua pretensão resistida. Ele vai além: formula pedido de providência jurisdicional concreta que satisfaça seu interesse. No pedido se encontra

a limitação da lide. Pedido, lide e mérito são, portanto, figuras processuais que se equivalem (Grifos nossos).

HUMBERTO THEODORO, do mesmo modo, em seu

Curso de Direito

Processual Civil

202, afirma que o conflito de interesses deduzido em juízo pelo autor através da petição é que conforma a

Lide

, isto é, o mérito da causa, sendo, no caso,

Lide

e

Litígio

, também, termos referenciais e de mesma semântica. Vejamos,

in verbis

, o que ele nos diz:

Extinção do processo com julgamento do mérito.

Lide e mérito da causa são sinônimos para o Código. O pedido do autor, manifestado na propositura da ação, revela processualmente qual a lide que se pretende compor através da tutela jurisdicional. ’o julgamento desse conflito de pretensões (lide ou litígio), mediante o qual o juiz, acolhendo ou rejeitando o pedido, dá razão a uma das partes e nega-a a outra, constitui uma sentença definitiva de mérito’. Outras vezes, as próprias partes se antecipam e, no curso do processo, encontram, por si mesmas, uma solução para a lide. Ao juiz,, nesses casos, compete apenas homologar o negócio jurídico praticado pelos litigantes, para integrá-lo ao processo e dar-lhe eficácia equivalente ao julgamento do mérito. É

o que ocorre quando o autor renuncia ao direito material sobre o que se funda a ação (art. 269,V), ou quando as partes fazem transação sobre o objeto do processo (art. 269, III). Nesses casos, como em todos os

demais em que, por um julgamento do juiz ou por um outro ato ou fato reconhecido nos autos, a lide deixou de existir, haverá sempre,

para o código, extinção do processo com julgamento do mérito, ainda que a sentença judicial seja meramente homologatória (grifos nossos).

Por sua vez, VICENTE GRECO FILHO, em seu

Direito Processual Civil

Brasileiro

203

,

depois de corroborar a posição da maioria da doutrina processual nacional a respeito da identificação do conceito de

Lide

(ou

Litígio

) com o de mérito, assente,

in

verbis

204, quanto ao objeto litigioso do processo, que:

202 JÚNIOR, Humberto Theodoro. Curso de Direito Processual Civil. 33. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2002, v. 1., p. 287.

203 FILHO, Vicente Greco. Direito Processual Civil Brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2003. 204Ibidem., p. 58.

Várias posições doutrinárias procuraram definir de maneira diferente o objeto da relação processual. Assim, por exemplo, para Carnelutti, o objeto do processo é a composição da lide, o conflito de interesses. Na atualidade, porém, domina o entendimento de que o objeto litigioso do processo é ‘o pedido de decisão judicial contido no pedido inicial’, ou seja, a pretensão processual. O bem jurídico material pretendido pela atuação jurisdicional é o objeto da própria relação de direito material, pretendido como efeito do processo, o qual tem como objeto o próprio pedido de determinada prestação jurisdicional, que pode ser de conhecimento (condenatório, constitutivo ou declaratório), de execução (também chamado satisfativo) ou cautelar.

k) Luiz Guilherme Marinoni.

MARINONI, em sua obra conjunta com SÉRGIO CRUZ ARENHART, qual seja,

Manual do Processo de Conhecimento

205, apesar de não tecer maiores comentários sobre o conceito de

Lide

e

Litígio

, assente com a tese adotada no nosso Código de Processo Civil no sentido de identificação do conceito de

Lide

(ou

Litígio

) com o de

meritum causae

ou o

thema decidendum

.

l) Rogério Lauria Tucci.

ROGÉRIO LAURIA TUCCI, em seu

Temas e problemas de Direito

Processual

206 assente, reproduzindo as lições de ALFREDO BUZAID e do próprio

CARNELUTTI, que a

Lide

é a representação do conflito perante o juiz. Afirma ele que a

Lide

está no processo, pois, sem este, ela é como um quadro sem tela. A

Lide

, em assim sendo, seria um pressuposto do próprio processo, havendo entre eles – processo e

Lide

– uma relação de continência, onde o continente seria o processo e o conteúdo deste a

Lide

(ou

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