CAPÍTULO V – CONTEXTO SOCIO-ECONÓMICO DO DISTRITO DE COIMBRA
4. I NDICADORES S OCIAIS E DAS F AMÍLIAS
4.3. C ASAMENTOS E D IVÓRCIOS
No que diz respeito aos casamentos realizados no distrito de Coimbra, verifica-se que de 2000 a 2004 houve um decréscimo crescente. Este decréscimo também verifica-se fez sentir ao nível do casamento católico, tendo sido, aqui, mais acentuado.
GRÁFICO 14:EVOLUÇÃO DO NÚMERO DE CASAMENTOS E CASAMENTOS CATÓLICOS, NO DISTRITO DE
COIMBRA 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 2000 2001 2002 2003 2004
casamentos casamentos católicos
FONTE:INE
Analisando os dados por concelho concluímos, no que se refere ao total de casamentos, que apenas nos concelhos de Soure e Tábua o número de casamentos aumentou, em 14,1% e 23,5%, respectivamente. De referir que Pampilhosa da Serra foi o concelho com a maior diminuição, -44,1%
QUADRO 21:EVOLUÇÃO DO NÚMERO DE CASAMENTOS, POR CONCELHO 2000 2001 2002 2003 2004 ARGANIL 72 63 60 59 60 CANTANHEDE 183 170 173 172 162 COIMBRA 957 865 788 744 748 CONDEIXA-A-NOVA 78 67 57 59 71 FIGUEIRA DA FOZ 356 295 342 328 283 GÓIS 19 17 17 12 15 LOUSÃ 99 79 97 88 77 MIRA 72 70 60 70 51 MIRANDA DO CORVO 68 70 52 64 53 MONTEMOR-O-VELHO 125 121 124 127 92 OLIVEIRA DO HOSPITAL 100 118 102 100 98 PAMPILHOSA DA SERRA 34 19 10 18 19 PENACOVA 84 72 64 69 62 PENELA 35 43 27 18 24 SOURE 99 80 73 73 113 TÁBUA 51 59 49 53 63
VILA NOVA DE POIARES 50 37 38 33 38
TOTAL (DISTRITO) 2482 2245 2133 2087 2029
FONTE:INE
Ainda no que diz respeito aos casamentos, um outro indicador que importa analisar é a proporção dos casamentos católicos. No distrito, a proporção de casamentos católicos no total de casamentos ronda os 70%, tendo-se registado uma diminuição de cerca de 10% no período em análise. De notar, ainda, que os concelhos que apresentaram a proporção mais elevada em 2000 foram Penacova, Soure e Oliveira do Hospital com valores próximos dos 80%. Em 2004, o cenário é ligeiramente diferente, destacando-se o concelho de Penela com uma proporção de 91,7%, tendo registado um aumento de 18,8%.
Analisando o número de divórcios ocorridos durante o mesmo período, percebemos que este indicador apresenta valores bastante inferiores ao número de casamentos. Contudo, em alguns anos, estes dois indicadores apresentam uma relação inversa. Por exemplo, entre 2000 e 2001, o número de casamentos diminuiu e o de divórcios aumentou. De referir também o aumento exponencial registado em 2002, seguido de uma ligeira diminuição em 2003. De um modo geral, o número de divórcios aumentou cerca de 40%.
QUADRO 22:PROPORÇÃO DOS CASAMENTOS CATÓLICOS, POR CONCELHO (%) 2000 2001 2002 2003 2004 ARGANIL 65,3 61,9 66,7 69,5 68,3 CANTANHEDE 71,6 72,4 72,8 68,6 68,5 COIMBRA 68,3 66,8 67,3 65,6 59,8 CONDEIXA-A-NOVA 75,6 80,6 78,9 74,6 71,8 FIGUEIRA DA FOZ 62,9 61,0 59,1 51,5 57,2 GÓIS 63,2 58,8 70,6 75,0 80,0 LOUSÃ 68,7 69,6 73,2 67,0 62,3 MIRA 54,2 54,3 60,0 62,9 62,7 MIRANDA DO CORVO 60,3 65,7 80,8 76,6 71,7 MONTEMOR-O-VELHO 68,0 78,5 72,6 65,4 67,4 OLIVEIRA DO HOSPITAL 80,0 69,5 74,5 72,0 64,3 PAMPILHOSA DA SERRA 73,5 52,6 60,0 50,0 47,4 PENACOVA 82,1 76,4 76,6 75,4 69,4 PENELA 77,1 62,8 66,7 88,9 91,7 SOURE 80,8 78,8 78,1 76,7 72,6 TÁBUA 72,5 61,0 79,6 64,2 52,4
VILA NOVA DE POIARES 68,0 73,0 73,7 57,6 42,1
TOTAL (DISTRITO) 69,0 67,6 68,8 65,3 62,7
FONTE:INE
Analisando o número de divórcios ocorridos durante o mesmo período, percebemos que este indicador apresenta valores bastante inferiores ao número de casamentos. Contudo, em alguns anos, estes dois indicadores apresentam uma relação inversa. Por exemplo, entre 2000 e 2001, o número de casamentos diminuiu e o de divórcios aumentou. De referir também o aumento exponencial registado em 2002, seguido de uma ligeira diminuição em 2003. De um modo geral, o número de divórcios aumentou cerca de 40%.
GRÁFICO 15:COMPARAÇÃO DO NÚMERO DE CASAMENTOS E DIVÓRCIOS, NO DISTRITO DE COIMBRA 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 2000 2001 2002 2003 2004 casamentos divorcios FONTE:INE
Olhando para a distribuição por concelho, a tendência geral foi de aumento nos 4 anos em análise, tendo Penacova e Vila Nova de Poiares triplicado o número de divórcios em 2004, comparativamente com 2000. O único concelho onde se registou uma diminuição foi Penacova (-19%).
QUADRO 23:NÚMERO DE DIVÓRCIOS, POR CONCELHO (%)
2000 2001 2002 2003 2004 ARGANIL 13 20 22 27 32 CANTANHEDE 51 54 77 83 69 COIMBRA 279 326 478 390 363 CONDEIXA-A-NOVA 18 26 43 34 25 FIGUEIRA DA FOZ 144 117 203 143 176 GÓIS 3 2 3 3 4 LOUSÃ 37 36 51 43 47 MIRA 29 24 24 35 38 MIRANDA DO CORVO 8 15 26 23 23 MONTEMOR-O-VELHO 29 33 51 27 42 OLIVEIRA DO HOSPITAL 16 27 44 29 27 PAMPILHOSA DA SERRA 5 7 3 4 7 PENACOVA 21 12 18 9 17 PENELA 4 5 6 5 12 SOURE 22 23 24 28 34 TÁBUA 14 11 29 19 23
VILA NOVA DE POIARES 4 1 8 14 12
TOTAL (DISTRITO) 697 739 1110 916 951
Por fim, temos a proporção de divórcio em relação ao número de casamentos realizados (Quadro 20). Neste sentido, procurámos perceber quantos divórcios se realizavam por cada 100 casamentos. Assim, em 2000 registaram-se 28 divórcios por cada 100 casamentos no distrito, ao passo que em 2004 esse valor subiu para 47 divórcios. Atendendo à distribuição por concelho, e centrando a análise apenas no ano de 2004, os concelhos de Mira (75), Figueira da Foz (62) e Lousã (61) são os que apresentam um peso mais elevado. Por outro lado, Góis (27), Penacova (27) e Oliveira do Hospital (28) são os concelhos com os valores mais baixos.
QUADRO 24:PESO DOS DIVÓRCIOS NOS CASAMENTOS, POR CONCELHO (%)
2000 2001 2002 2003 2004 ARGANIL 18 32 37 46 53 CANTANHEDE 28 32 45 48 43 COIMBRA 29 38 61 52 49 CONDEIXA-A-NOVA 23 39 75 58 35 FIGUEIRA DA FOZ 40 40 59 44 62 GÓIS 16 12 18 25 27 LOUSÃ 37 46 53 49 61 MIRA 40 34 40 50 75 MIRANDA DO CORVO 12 21 50 36 43 MONTEMOR-O-VELHO 23 27 41 21 46 OLIVEIRA DO HOSPITAL 16 23 43 29 28 PAMPILHOSA DA SERRA 15 37 30 22 37 PENACOVA 25 17 28 13 27 PENELA 11 12 22 28 50 SOURE 22 29 33 38 30 TÁBUA 27 19 59 36 37
VILA NOVA DE POIARES 8 3 21 42 32
TOTAL (DISTRITO) 28 33 52 44 47
FONTE:INE
5.CONCLUSÕES
A população residente no Distrito de Coimbra ao longo dos anos cresceu, pelo que, apesar de este crescimento não ser uniforme em todos os concelhos, o saldo populacional distrital se revela positivo, pelo menos entre os anos 2000 e 2004. Atendendo à distribuição segundo o sexo, conclui-se que a população masculina cresceu mais do que a feminina. Relativamente à idade, constatámos que o distrito de Coimbra perdeu população jovem, sendo esta perda compensada com o aumento da população
adulta e idosa. Este facto permite-nos verificar que o índice de envelhecimento aumentou na maioria dos concelhos.
Em relação os níveis de educação e de acordo com os dados dos Censos (1991 e 2001) constatámos que, de um modo geral, a taxa de analfabetismo diminuiu no distrito de Coimbra. Tendo em atenção o factor sexo, percebemos que esta diminuição foi mais forte entre as mulheres, apesar de estas apresentarem índices de analfabetismo mais elevados que os homens. Por outro lado, o mercado de trabalho e emprego no distrito de Coimbra apresenta realidades diversas. Em primeiro lugar, e no que concerne à população activa, registou-se, entre 1991 e 2001, um aumento bastante significativo, que poderá estar relacionado com o aumento da população residente em idade adulta (25 aos 64 anos). Contudo, os concelhos que compõem o distrito não revelam um comportamento uniforme. Em termos de distribuição por sexo, é de referir que é no grupo das mulheres que este aumento é mais significativo (22,8% contra 3,8% nos homens).
Para além da taxa de actividade procurámos também caracterizar a população empregada por conta de outrem, ou seja, o emprego a tempo inteiro, estável e remunerado. Em termos gerais, o distrito de Coimbra, entre Dezembro de 2004 e Dezembro de 2005, registou uma diminuição do número total de trabalhadores por conta de outrem (103.281 para 102.993). Se atendermos ao nível de habilitações, no ano de 2005, a maioria dos trabalhadores por conta de outrem (TCO) possuía habilitações ao nível do ensino básico (até ao 9.º ano de escolaridade), sendo que 31% possuía apenas o ensino primário. Por outro lado, apenas 5,7% dos TCO possuíam licenciatura.
Já em termos de níveis de remuneração, de um modo geral, os dados mostraram que no distrito de Coimbra os homens auferem salários mais elevados que as mulheres, sendo que estas diferenças aumentam à medida que aumentam os escalões remuneratórios. De referir que no ano de 2004, a maioria dos TCO recebia salários que se situavam entre os 350€ e os 700€.
Após esta caracterização da população activa e dos trabalhadores, procurámos analisar as taxas de emprego e desemprego. No primeiro caso constatámos que, apesar do aumento da taxa de emprego entre 1991 e 2001, os concelhos revelam realidades muito díspares, com Mira e Cantanhede a apresentarem diminuições nas taxas de desemprego, o que espelha a diminuição da população activa. De referir ainda que, apesar de os homens terem taxas de emprego mais elevadas, é entre as mulheres que se
verificam os maiores aumentos, os quais, apesar de tudo, ainda não são suficientes para que a taxa de emprego feminina no distrito seja superior à masculina.
A taxa de desemprego, por sua vez, tem vindo a aumentar no distrito. Apenas nos concelhos de Coimbra e Pampilhosa da Serra a taxa, em 2001, é inferior à de 1991. Em termos de distribuição por sexo, o desemprego, apesar de mais elevado entre as mulheres, tem crescido mais entre os homens.
Para concluir a análise dos indicadores económicos procedemos, também, à caracterização do tecido empresarial através da evolução do número de empresas com sede no distrito, no período de 2000 a 2004. Em termos gerais, o número de empresas cresceu cerca de 4%. Este crescimento foi mais notório nos concelhos de Coimbra, Figueira da Foz e Cantanhede. Por outro lado, foi nos concelhos que tinham um tecido empresarial menor que se registaram as diminuições mais elevadas, ou seja, os concelhos com menor número de empresas viram, ao longo deste período, esse número diminuir.
Relativamente aos indicadores sociais e das famílias, procurámos analisar a evolução da taxa de natalidade, do número de famílias e do número de casamentos e divórcios. Em primeiro lugar, a taxa de natalidade registou, entre 2000 e 2004, uma diminuição. Apenas em quatro concelhos se verificou um aumento: Tábua, Soure, Lousã e Figueira da Foz. Por sua vez, o número de famílias no distrito de Coimbra, entre 1991 e 2001, apresentou um crescimento na ordem dos 10,7%. Mas se as famílias aumentaram, o mesmo não poderemos dizer do número de casamentos. Entre 2000 e 2004 registou-se, ao nível do distrito, um decréscimo, mais acentuado no caso dos casamentos católicos. Contrastando com esta realidade, os divórcios, apesar de registarem valores bastante inferiores, têm vindo a aumentar. Entre 2000 e 2004 sofreram um aumento na ordem dos 40%. Por fim, apenas de referir que a proporção de divórcios em relação ao número de casamentos tem vindo a aumentar. Ou seja, enquanto que em 2000 se registavam 28 divórcio por cada 100 casamentos, em 2004 esse valor ascende aos 47.
Esta caracterização é importante para compreendermos e contextualizarmos a evolução da procura judicial e dos serviços de prestação de informação, consulta e patrocínio judiciário. Como veremos mais à frente, face a esta caracterização, seria expectável uma maior mobilização dos Tribunais de Trabalho e de Família e Menores.