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Capítulo II – F UNDAMENTAÇÃO T EÓRICA

2.2 S HOPPING C ENTERS D EFINIÇÕES

2.2.1 C LASSIFICAÇÃO DOS SHOPPING CENTERS NO BRASIL

Assim como em todos os países, os shopping centers representam o ponto de encontro e o polo de entretenimento onde estão inseridos, pois oferecem praticidade e segurança em sua estrutura. A partir de 1996, o Brasil recebeu o Shopping Iguatemi em São Paulo e, posteriormente, expandiu progressivamente a quantidade de shoppings em todo o território nacional. Desde então, passaram a estabelecer novos parâmetros para medir o desempenho destes empreendimentos, tal como a ABL que calcula a “área negociada (locada) pelos donos de lojas (locatários) destes empreendimentos, quanto no faturamento e empregos gerados” (Marques Júnior, 2008, p. 23).

Este estudo optou em utilizar a classificação de shopping center definida pela ABRASCE (2014) que classifica-os em seis principais tipos, sendo: Shopping Regional, Shopping Comunitário, Shopping de Vizinhança, Shopping Especializado, Outlet Center e Festival

Center.

Os principais determinantes considerados para classificar estes centros são: orientação mercadológica, tipo de produtos e serviços oferecido e o tamanho do empreendimento. Marques Junior, Martins & Merlo (2009, p. 367), conceituam os tipos de classificação dado aos shopping centers conforme apresentado a seguir:

Shopping Regional – Empreendimentos que oferecem mercadoria em geral (alta porcentagem de vestuário) e serviços completos e variados. Atração principal com lojas âncoras tradicionais, lojas de departamentos de desconto e/ou hipermercados. É geralmente fechado, com as lojas voltadas para o pátio interno. Shopping de vizinhança – Empreendimento projetado para oferecer conveniência na compra de necessidades diárias dos consumidores. Tem como

Leonardo Vieira 22 âncora um supermercado. A âncora tem o apoio de lojas oferecendo outros artigos de conveniência.

Shopping Comunitário – Empreendimento que geralmente oferecem grande sortimento de vestuário e outras mercadorias. Entre as lojas âncoras mais comuns estão os supermercados e lojas de departamento de descontos, encontrando-se algumas vezes varejistas de “off-price” vendendo itens como roupas, objetos e móveis para casa, brinquedos, artigos eletrônicos e/ou artigos para esporte.

Shopping Especializado – Empreendimentos que apresentam um mix específico de lojas de um determinado grupo de atividades, tais como: moda, decoração, náutica, esportes ou automóveis.

Outlet Center – Empreendimentos que apresentm lojas de fabricantes vendendo suas próprias marcas com desconto, além de varejistas de “off-price”.

Festival Center – Empreendimentos basicamente voltados para atividades de

lazer, com restaurantes, fast-food, cinema e outras diversões. Localiza-se geralmente em áreas turísticas.

Cabe ressaltar, que a classificação de shopping centers aqui apresentada somente faz referência aos diversos ramos de negócios oferecidos, não considerando a sua localização, área de influência e oferta de estacionamento.

Até o final de 2013 o Brasil somava 504 shopping centers em funcionamento, são 13,314 milhões de m2 de ABL. Outros 18 empreendimentos estão previstos para serem inaugurados até o final de 2014. Com mais 38 novos empreendimentos em operação e uma média de 415 milhões de visitantes mensais, o mercado de shopping centers brasileiro registrou, em 2013, alta de 8,6% nas vendas em relação ao ano anterior, atingindo total de R$ 129,2 bilhões. Para 2014, a ABRASCE acredita na continuidade do cenário favorável para o desenvolvimento do setor, que prevê a inauguração de mais de 40 shoppings até o final do ano, 30 deles em cidades que não são capitais (ABRASCE, 2014).

A expansão da indústria de Shopping Centers no Brasil atingiu um recorde em 2013, pois neste período foram inaugurados 38 empreendimentos. Além disso, muitos shoppings realizaram expansões por todo o Brasil, fato que contribui para o bom desempenho do setor, que explora as características principais de sua estrutura, conveniência, comodidade e segurança aos frequentadores.

O destaque é a região Sudeste, com a maior quantidade de novos empreendimentos – ao todo foram 20 – seguido pelas regiões Sul, Nordeste, Centro Oeste e Norte. Os novos empreendimentos que estão em fase de construção fora das capitais tornam os dados ainda mais expressivos. Um fato surpreendente ocorrido neste período é de que 15 shoppings foram inaugurados nas capitais. Nunca na história da indústria o percentual de shoppings inaugurados fora das capitais foi igual ao de shoppings nas capitais (ABRASCE, 2014).

Leonardo Vieira 23 “Apesar de perfis variados, a maior parte desses shopping centers foi construída em municípios que possuem até 500 mil habitantes, e o tamanho médio destes empreendimentos é de 26.142 mil m² de ABL” (BTGpactual, 2013, p. 1).

A ABRASCE (2014) afirmou que o número de frequentadores saltou de 398 milhões de visitantes ao mês para 415 milhões no período de 2013. Comparado ao período de 2012, houve uma alta de 4,2%, dado que demonstra a vitalidade deste setor, por representar um forte setor da economia brasileira.

No quadro apresentado a seguir é possível identificar a classificação para cada tipo de empreendimento.

Quadro 4 – Classificação ABRASCE por tipo de empreendimentos

CLASSIFICAÇÃO ABRASCE POR TIPO DE EMPREENDIMENTO

TIPO PORTE ABL

TRADICIONAL MEGA ACIMA DE 60.000 M² REGIONAL DE 30.000 A 59.999 M² MÉDIOS DE 20.000 A 29.999 M² PEQUENOS ATÉ 19.999 M² ESPECIALIZADO PODEM SER DO TIPO OUTLET,

LIFE STILE OU TEMÁTICOS

GRANDES ACIMA DE 20.000 M²

MÉDIOS DE 10.000 A 19.999 M²

PEQUENOS ATÉ 9.999 M²

Fonte: ABRASCE (2014).

A Abrasce considera shopping center os empreendimentos com “ABL, normalmente, superior a 5 mil m², formados por diversas unidades comerciais, com administração única e centralizada, que pratica aluguel fixo e percentual” (Rodrigues & Oliveira Júnior, 2013, p. 1761).

Como pode ser observado no quadro abaixo, houve um grande crescimento desta atividade varejista, fato que torna o tema relevante para o estudo desse setor que se encontra em franca expansão no Brasil.

Ainda, com base no Quadro 5, o cenário evolutivo do ano de 2006 para o ano de 2013 representa um crescimento de 41% no número de novos shoppings em apenas sete anos, crescimento muito significativo para um país como o Brasil.

Outra informação relevante apresentada no quadro anterior é quanto ao crescimento de 158% do número de lojas abertas nos segmento de shoppings.

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Quadro 5 – Shopping centers no Brasil 2013

ANO Nº DE SHOPPINGS ABL (MILHÕES DE M2) LOJAS FATURAMENTO (EM BILHÕES DE REAIS/ANO) EMPREGOS TRÁFEGO DE PESSOAS (MILHÕES VISITAS / MÊS) 2006 351 7,492 56.487 50 524.090 203 2007 363 8,253 62.086 58 629.700 305 2008 376 8,645 65.500 64,6 700.650 325 2009 392 9,081 70.500 74 707.166 328 2010 408 9,512 73.775 91 720.641 329 2011 430 10,344 80.192 108 775.383 376 2012 457 11,403 83.631 119 877.000 398 2013 495 12,940 86.271 129 843.254 415 Fonte: ABRASCE (2014)

No Gráfico 1 são apresentados os faturamentos dos shopping centers no Brasil e sua representatividade em relação ao seu faturamento (vendas).

Fonte: ABRASCE (2014)

Gráfico 1 – Evolução do faturamento em Shopping centers no Brasil (em bilhões de R$)

O Gráfico 2 apresenta o número de empregos diretos gerados. Um total de 38.571 novos postos de trabalho no setor durante o ano de 2013.

Leonardo Vieira 25 Fonte: ABRASCE (2014)

Gráfico 2 - Evolução do número de empregados em Shopping centers no Brasil (em milhares)

Atualmente, estima-se que os shoppings brasileiros empregam 843.254 diretamente. Isso corresponde a 4,8% de aumento quando comparado com o período anterior.

No Gráfico 3 está representado o crescimento da ABL, com base no levantamento realizado pela ABRASCE para o período entre 2006 e 2013, com 72,86%.

Com base no Gráfico 2 e 3 é correto afirmar que os números dos novos shopping centers, assim como das expansões em andamento no mercado contribuem para a geração de empregos diretos e indiretos na economia brasileira.

Fonte: ABRASCE (2014)

Leonardo Vieira 26 No Quadro 6 são apresentados os números de shopping centers por regiões.

Quadro 6 – Número de Shopping centers nas regiões do Brasil

REGIÃO Nº DE SHOPPINGS % DO TOTAL ABL

NORDESTE 69 13,7% 2.010.000 CENTRO-OESTE 46 9,1% 1.087.992 SUDESTE 281 55,6% 7.782.126 SUL 88 17,4% 1.856.993 TOTAL 505 100% 13.320.238 Fonte: ABRASCE (2014).

As regiões mais desenvolvidas do Brasil, que são as regiões Sul e Sudeste, concentram a maior parcela desses empreendimentos, 73% dos shopping centers do Brasil estão localizados nestas regiões.

Quadro 7 – Número de Shopping centers dos estados brasileiro

ESTADOS N° DE SHOPPINGS EM OPERAÇÃO N° DE SHOPPINGS ESTIMADO PARA O FINAL DE 2014 ABL TOTAL EM OPERAÇÃO SP 167 170 4.907.052 RJ 63 63 1.601.219 MG 42 43 945.803 RS 37 37 706.037 PR 31 31 704.693 SC 20 21 446.263 DF 18 18 397.265 BA 17 18 507.187 CE 14 17 329.580 GO 18 19 410.264 PE 14 14 470.946 AM 8 9 224.646 RN 7 7 158.740 MT 5 5 119.254 PB 4 5 130.489 MS 5 5 161.209 PA 7 7 198.309 ES 8 8 270.607 AL 4 4 147.771 PI 2 3 36.943 SE 3 3 115.645 TO 2 2 49.491 MA 4 4 112.699 RO 1 1 44.000 AC 1 1 27.733 AP 2 2 38.948 RR 0 2 - TOTAL 504 519 13.262.793 Fonte: ABRASCE (2014)

Leonardo Vieira 27 Destaca-se também a região Nordeste, com a concentração de 13% do total desses empreendimentos. O Estado de São Paulo lidera o ranking apresentado no Quadro 7, informação que fundamenta os motivos da amostra utilizada por esse estudo, concentrado neste estado que representa 33,13% das unidades do segmento em empreendimentos no Brasil.

Devido a crescente expansão no país, 41% em sete anos, os novos empreendimentos no Brasil são construídos com base em práticas sustentáveis para atrair o público e para conquistar a vantagem competitiva. O shopping center necessita administrar diversos aspectos para o seu funcionamento e conquista de vantagem competitiva e o aspecto ambiental tem sido bem explorado por este setor.

Atualmente, há diversos programas de conscientização dos clientes e colaboradores quanto ao disperdício de papel no trabalho, descarte do óleo de cozinha e de resíduos perigosos (baterias, celulares e carregadores).