Capítulo II – F UNDAMENTAÇÃO T EÓRICA
2.4 P RÁTICAS S USTENTÁVEIS EM S HOPPING C ENTERS
2.4.3. I DENTIFICAÇÃO DE PRÁTICAS SUSTENTÁVEIS COM O CONSUMO DE ENERGIA
Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do governo federal, o consumo de energia elétrica na rede registrou 473,4 TWh. Desse total, as indústrias atingiram 178.055 GWh, o setor de comercio e serviços consumiu 89.819 GWh e as famílias consumiram 132.049 GWh. O setor de comércio e serviços lidera a expansão do consumo de energia, aumentou 7,3% em comparação ao período anterior (COPAM/EPE, 2014).
Os sinais de sustentação do crescimento das atividades comerciais e de serviços pressionam a demanda de energia elétrica (EPE, 2014). Esse fato é justificado por Portugal (2007, p. 2), ao afirmar que “os shopping centers, incluídos no setor de comércio e serviços, apresentam o consumo de energia mais expressivo, principalmente, devido ao seu estilo arquitetônico, em que a maioria dos empreendimentos construídos não considerou o bioclimatismo no projeto”.
Leonardo Vieira 50 As características arquitetônicas de prédio fechado e isolado do exterior nas décadas de 1960 e 1970 exigiam uma iluminação totalmente artificial e esse modelo foi implantado no Brasil que, na condição de filial do modelo americano de shopping, seguiu o projeto das décadas posteriores, onde o modelo arquitetônico da década de 1980 passou a considerar que os tetos dos shoppings deveriam considerar a iluminação natural em sua estrutura, permitindo o acesso de luz solar direta no interior dos shoppings. Dessa maneira, durante o dia as edificações substituíam a luz artificial, conforme apresentado na figura 15, mas exigiu o uso de sistemas de ar condicionado para amenizar o calor promovido por esta nova modalidade de arquitetura (Portugal, 2007).
Em 2006, os indicadores de consumo mensal por área locável dos shopping centers (área efetivamente ocupada pelas lojas) apontavam consumo entre 30 kWh e 70 kWh por metro quadrado. Considerando em média o consumo de 50 kWh por metro quadrado de área bruta locável, o consumo mensal de energia elétrica desses empreendimentos no Brasil atingiu neste ano 431.854.600 kWh, representando, em alguns casos, até 30% do valor condominial do empreendimento (Abreu, 2012, p. 134)
Grassiotto e Grassiotto (2010) e Lara (2003) identificaram que 70% dos recursos energéticos consumidos em shopping centers são derivados dos sistemas de climatização e iluminação artificial. Entre a iluminação artificial e o sistema de condicionamento do ar, este tem representatividade maior na matriz de consumo de energia e determinam os gastos mensais que o shopping terá ao mês com energia.
Fonte: Acervo do autor
Leonardo Vieira 51 Bonfim (2010) afirmou que apenas o sistema de condicionamento do ar é responsável por 60% da conta de energia do shopping. Com base na afirmação de Bonfim (2010) verifica- se a necessidade de direcionar uma atenção maior ao consumo de energia, principalmente, no sistema de condicionamento utilizado pelos shoppings. Atualmente, muitos empreendimentos colocam nos vidros, películas, que limitam a entrada de luz solar no ambiente.
Autores tais como: Bonfim (2010), Grassiotto e Grassioto (2010), Freitas (2010), Mota (2009), Jereissati (2009) e Portugal (2007) reconheceram que a conta de energia dos
shoppings é alta, e demandam práticas sustentáveis capazes de promover a mudança no
comportamento dos usuários e atuar nos processos para obter maior eficiência, pois a redução do consumo de energia deve garantir a sustentabilidade.
Fonte: Acervo do autor
Figura 16 - Práticas sustentáveis: Educação voltada para a economia do consumo de energia e sistemas de
captação de outras fontes de energia tais como eólica e solar
Inicialmente, é preciso realizar o diagnóstico energético e de conforto térmico da edificação (vertical ou horizontal) e, posteriormente, analisar todo o sistema elétrico da edificação e identificar onde é possível implantar subestações de média tensão junto aos centros de carga, além da instalação de barramentos blindados e medidores de energia individualizados para cada loja.
Leonardo Vieira 52 O sistema de iluminação original pode ser revisado, e a administração pode optar pela implantação de projetos que utilizam sistemas inteligentes de iluminação, reatores eletrônicos, sensores de iluminação, setorização dos circuitos de iluminação (acendimento das áreas utilizadas), além da troca das lâmpadas atuais por lâmpadas de alta eficiência energética, por exemplo, Light Emitting Diode – LED, conforme apresentado na figura a seguir.
Fonte: Acervo do autor
Figura 17 - Sistemas de iluminação por LED em elevadores e áreas de comum acesso
Em algumas edificações é possível realizar adaptações paisagísticas, com a finalidade de usar a vegetação para sombrear vãos e áreas em que o sol incide ao longo do dia, assim como avaliar a troca das cores utilizadas em determinados setores, já que as cores podem captar ou refletir luz solar. Dentre as iniciativas mais simples, destaca-se o aumento do brilho no piso dos corredores e nas lojas do shopping, por oferecer um resultado melhor na iluminação a partir de reflexão (a luz projetada no chão reflete).
Após avaliar o sistema elétrico da edificação, o administrador pode atuar na manutenção do sistema de iluminação das lojas, apresentando uma política interna com foco na sustentabilidade, apoiando iniciativas de projetos inteligentes de iluminação dos lojistas. A política energética do shopping pode incentivar a manutenção preventiva de equipamentos com a finalidade de não perder desempenho e retrofit de equipamentos enviesados.
Leonardo Vieira 53 Instalar sensores, equipamento de automação do sistema de ar condicionado e utilização de chillers de resfriamento de frequência variável, aumentar a eficiência energética em baixas cargas, ou de chillers a gás. Equipamentos inteligentes de condicionamento de ar possuem volume de ar variável, permite a adequação da temperatura aos diferentes pontos da edificação, visando, inclusive, à qualidade do ar interno (Abreu, 2012, p. 135).
Verifica-se que os sistemas de controle de condicionamento do ar tem maior eficiência energética quando são instalados por andar ou por loja. O shopping pode avaliar o custo e retorno de instalar painéis fotovoltaicos para captar energia solar e eólica.
Um sistema adicional de geração de energia é uma vantagem estratégica para o negócio no longo prazo, assim como o uso do gerador de energia em horários de ponta, flexibiliza o uso da energia elétrica, alternando-a com base nos preços da tarifa.
As escadas rolantes são uma característica dos shoppings e, atualmente, há escadas rolantes de baixo consumo de energia, em que a velocidade é variável e são ajustadas para operar conforme o fluxo de pessoas. Os motores são mais econômicos e permitem economizar até 30% no consumo de energia.
Fonte: Acervo do autor
Figura 18 - Sistema de acionamento automático de escadas rolantes quando na presença de pedestres
Assim como as escadas rolantes, os elevadores dispõe de novas tecnologias atualmente. Há elevadores equipados com sistemas regenerativos de energia, antecipação de chamada/destino e iluminação LED. A operação de um sistema regenerativo de energia permite que a energia produzida pelo elevador durante a sua movimentação retorne a rede
Leonardo Vieira 54 elétrica do shopping. A rede pode ser ampliada por meio da integração de operações e do gerenciamento de sistemas técnicos (ar condicionado, elevadores, telecomunicações e proteção contra incêndio).
Nos estacionamentos oferecidos pelos shopping centers também podem ser aplicados projetos sustentáveis, principalmente, quanto ao consumo de energia. Lazzarini (2009) estabeleceu duas estratégicas para os estacionamentos cobertos, que utilizam a iluminação artificial e exaustão, aumentando o consumo de energia elétrica. A primeira estratégia está relacionada com o sistema de exaustão do estacionamento, com a implantação de medidores de monóxido de carbono (CO2) no sistema de exaustão. Os medidores acionariam o sistema quando os níveis de poluentes da garagem estivessem acima dos limites aceitáveis. A segunda estratégia abrange o sistema de iluminação dos estacionamentos cobertos, otimizar o uso no local, a partir da divisão em circuitos para oferecer iluminação permanentemente nas principais áreas de circulação ou instalar detectores de presença em áreas vagas para controlar a iluminação.
Lazzarini (2009) também analisou os estacionamentos descobertos e verificou que alguns materiais da pavimentação, tal como o asfalto, por exemplo, devem ser trocados, já que retém o calor e baixo índice de refletância solar.
Os shopping centers também poderão promover ações de responsabilidade socioambiental entre seus clientes, com a finalidade de diminuir os impactos ambientais nos estacionamentos. Lazzari (2009) classificou duas iniciativas utilizadas na Europa, envolvendo empresas privadas, sendo:
Oferecer vagas preferenciais aos proprietários de veículos com emissão baixa de poluentes e de baixo consumo (certificação Leadership in Energy and
Environmental Design – LEED);
Buscar parcerias com empresas prestadoras de serviços de transporte público no intuito de promover programas de incentivo ao transporte coletivo, semana do carona, disponibilizar vagas para os clientes que utilizam bicicletas.
Bonfim (2010) avaliou que, buscar a sustentabilidade não se limita no conjunto de ações capazes de trazer economia significativa no custo operacional dos shoppings. Reduzir o consumo de água e de energia por meio do gerenciamento das atividades de manutenção na infraestrutura do empreendimento, devem considerar o grau de adequabilidade do ambiente, pois de nada adianta economizar no custo operacional do negócio, se os clientes
Leonardo Vieira 55 identificarem que o local não ficou adequado, ou seja, atraente visualmente. Por mais que o cliente frequente o shopping, é preciso considerar que, quanto mais agradável e organizado é o local, mais tempo o consumidor permanece no local.
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