O presente relatório é reflexo do culminar de um percurso de formação vivenciado pela professora estagiária, a concretização de um sonho de infância que se redimensionou ao longo desta etapa. Assim, após a conclusão deste percurso, assente numa perspetiva investigativa e reflexiva, importa tecer algumas considerações finais.
Para além do relatório de estágio, destaque-se a importância da Prática Educativa Supervisionada, componentes que integram a unidade curricular de Integração Curricular: Prática Educativa e Relatório de Estágio.
No que concerne à PES, em concreto, apresentando-se enquanto parte integrante e fundamental nesta formação impõe-se um momento de reflexão em torno da mesma, salientando os aspetos mais ou menos conseguidos e recuperando os objetivos e finalidades que a orientaram, explanados no 1.°
capítulo deste relatório.
Note-se que a Prática Educativa Supervisionada foi iniciada com elevadas expetativas mas também com inúmeros receios: receio de não se ser capaz de proporcionar aprendizagens que correspondessem aos interesses e necessidades dos estudantes, tendo em conta as estratégias adotadas; receio de não se ser capaz de estimular os estudantes a comunicarem e participarem, ativamente, no processo de ensino-aprendizagem; receio de não se ser capaz de controlar o comportamento dos alunos, entre muitos outros que emergiram da reduzida experiência na prática docente. Todavia, tendo em conta, entre outros aspetos, o caráter avaliativo da PES sustentado pela vertente de supervisão, atente-se para o elevado esforço em ultrapassar esses receios e conceber práticas teorizadas pelo paradigma socioconstrutuvista, que viabilizassem o papel ativo do aluno no processo ensino-aprendizagem. Paralelamente, adotou-se uma postura apta a reformular as estratégias e colmatar as falhas que emergiram dos momentos de insucesso ou de menor êxito no alcance dos objetivos delineados.
Note-se que esses momentos proporcionaram aprendizagens tão ou mais relevantes na formação que aqueles em que a atuação acompanhou as expetativas e, concomitantemente, estimularam o sentido crítico em torno da docência e, numa perspetiva mais ampla, da educação.
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Como objetivo prioritário, evidenciou-se, ao longo do presente relatório, a mobilização de pressupostos teóricos para a prática educativa. Poder-se-á, deste modo, afirmar que a prática foi teorizada/sustentada por uma bagagem de conhecimentos (científicos, pedagógicos, didáticos e culturais), aprendidos durante os ciclos de estudos que contemplam esta formação. A par desse quadro teórico, emergiu a necessidade de desenvolver a identidade investigativa, pelo que a prática foi sustentada pelo ciclo de investigação-ação. Reitere-se, deste modo, a preocupação em promover práticas refletidas e intencionais, nas quais, a par da reflexão, a planificação assumiu papel fulcral, realizada com elevado rigor, tendo em conta, entre outros aspetos, a utilização de estratégias e recursos diversificados e a gestão temporal. Quanto ao último critério, a gestão temporal, procurou-se, sempre que possível, que as planificações se estendessem num continuum, concebidas como planificações flexíveis, aptas a dar resposta a motivações e imprevistos que pudessem surgir. Constituiu a fase em que se sentiu mais dificuldades, um momento de avanços e recuos, na medida em que ia sofrendo ajustes ao longo do tempo e, consequentemente, nesta fase foram notórias evoluções na transição de um ciclo de ensino para o outro.
Ainda no que concerne ao desenvolvimento da investigação em educação, note-se que durante a PES planificou-se e implementou-se um conjunto de sessões integradas num projeto desenvolvido no âmbito da unidade curricular Projeto: Conceção, Desenvolvimento e Avaliação. Com diretrizes de investigação-ação, implementado nos contextos de 1.º e 2.º Ciclos do Ensino Básico, na área de Português, constituiu um desafio promotor do desenvolvimento da identidade investigativa já mencionada.
Portanto, enquanto momento preponderante desta formação, a PES constituiu um percurso longo e carregado de aprendizagens e de emoções, do qual fizeram parte momentos de fadiga (fruto do esforço contínuo e acrescido de planificar, simultaneamente, para quatro áreas de ensino) e de desânimo, proveniente de insucessos imprevistos que foram surgindo. Não obstante, foram mais frequentes os momentos de satisfação e os sentimentos de missão cumprida. Para tal, ressalve-se o contributo da postura colaborativa, adotada ao longo de toda a formação, sustentada pela cooperação quer com o par pedagógico quer com os professores cooperantes e supervisores institucionais, na partilha de saberes e de preocupações, permitindo um processo de
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aprendizagem reflexivo e partilhado, o qual deu origem a reformulações da práxis.
Destaque-se ainda a importância dos estudantes, com os quais as aprendizagens foram infindáveis, sendo que a escola deve ser um ambiente de vida e trabalho onde tanto os professores como os alunos, numa atividade partilhada, aprendem e ensinam ao mesmo tempo” (Dewey, s.d., citado por Lopes & Silva, 2009, p. 9). Constituíram a essência do trabalho desenvolvido, a motivação para melhorar as práticas educativas a cada dia que passou.
Procurou-se caminhar mais longe a fim de alcançar o sonho que se tornou cada vez mais real, ser professora, um trajeto que só agora começou.
Em suma, numa perspetiva global, constata-se que esta etapa de formação culminou no cumprimento dos objetivos delineados inicialmente, convergindo na co-construção de um perfil docente. Para tal, torna-se necessário que cada docente dê tudo de si em cada aula, em cada momento do contexto educativo, que é, em simultâneo, um destino diário mas, acima de tudo, um espaço onde se procura satisfazer as necessidades dos estudantes.Esse esforço advém do facto da interação constante com os alunos não ser um trabalho monótono, mas requerer tempo, paciência, flexibilidade e dedicação. Em consonância com o que foi referido, partilham-se as palavras de Ricardo Reis:
“Para ser grande, sê inteiro: nada Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda Brilha, porque alta vive.”
(Pessoa, 1994, p. 153)
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