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C ONTRIBUIÇÕES HISTORIOGRÁFICAS NO B RASIL

Sendo a língua portuguesa um dos principais elos que nos ligam à Portugal, para além, lógico, de toda a história de nossa colonização e intercâmbio cultural, nada mais justo que também fossem encontradas em território nacional contribuições aos estudos sobre Francisco de Holanda.

As primeiras publicações sobre este são de autoria de Sylvie Deswarte- Rosa, que em terras brasileiras esteve nos anos de 2004 e 2008. Nesta primeira RSRUWXQLGDGH SURIHULX XPD SDOHVWUD GHQWUR GR HYHQWR ³$ IiEULFD GR DQWLJR´ FRP publicação futura86, além de também apresentar suas pesquisas para os alunos da Escola de Comunicações e Artes da USP, sendo fruto um artigo publicado na UHYLVWD³$UV´87 (ODUHWRUQRXDR%UDVLOSDUDRIHUHFHURFXUVR³)UDQFLVFRGH+RODQGD

LGpLDV LPDJHP H DUTXLWHWXUD HP 3RUWXJDO QD pSRFD GRV GHVFREULPHQWRV´ HP novembro de 2008, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Também deu palestras na Escola de Belas Artes da UFRJ e durante o IV Encontro de História da Arte na UNICAMP, onde pode falar precisamente sobre a figura do conde Athanasius Raczynski.88

Mesmo espalhados por diversos periódicos e livros, os artigos de Sylvie Deswarte-Rosa são textos essenciais e de relativo fácil acesso em bibliotecas e livrarias brasileiras. Enquanto isso, de John Bury existe uma compilação de artigos sobre a arquitetura colonial no Brasil, organizada por sua amiga Myriam Andrade

86 DESWARTE-ROSA, SylviH ³2 UDPR GH RXUR H GR VDEHU ) +ROODQGLYV DSRORQL GLFDYLW´ LQ

MARQUES, Luiz (org.). A fábrica do antigo. Campinas: Editora UNICAMP, 2008, págs. 269-292.

87 DESWARTE-526$ 6\OYLH ³Prisca pictura e antiquita novitas. Francisco de Holanda e a

taxonomia das ILJXUDVDQWLJDV´LQArs, v.3, São Paulo: O Departamento, 2004, págs. 15-27.

88 ³/X] H VRPEUD $WKDQDVLXV 5DF]\QVNL HP 3RUWXJDO -´ 3DOHVWUD SURIHULGD SRU 6\OYLH

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Ribeiro de Oliveira e que contém uma interessante nota autobiográfica.89 Textos

de sua autoria sobre Francisco de Holanda e em português ainda inexistem.

No que diz respeito à bibliografia portuguesa sobre Francisco de Holanda, mas em acervos nacionais, merece destaque o acervo do Real Gabinete Português de Leitura, sediado no Centro do Rio de Janeiro e também a biblioteca da Casa de Portugal de São Paulo, no Centro da capital paulista. Ambos os espaços possuem acesso fácil e gratuito, inclusive com a possibilidade de busca bibliográfica online.

E as contribuições de acadêmicos brasileiros? Com tese defendida em  GHQWUR GR 'HSDUWDPHQWR GH )LORVRILD GD 863 LQWLWXODGD ³$ GRXWULQD GD µ3LQWXUD DQWLJD¶ GH )UDQFLVFR GH +RODQGD´ &ULVWLDQH 1DVFLPHQWR DWXDOPHQWH professora de filosofia na UNIFESP, me parece ser a primeira pesquisadora no Brasil com publicações relativas a Francisco de Holanda.90 Sua pesquisa levou em FRQVLGHUDomR DV UHODo}HV HQWUH R ³'D SLQWXUD DQWLJD´ H RV JrQHURV UHWyULFRV GD Antiguidade. De que formas por eles Holanda foi influenciado e de que modos ele os recodificou em sua reflexão escrita?

Cabe ter em mente a formação anterior da pesquisadora, mestra em história da arte pela UNICAMP, e também o fato dela então estar vinculada a um centro de estudos filosóficos, o que a coloca em diálogo direto com os estudos realizados por José Stichini Vilela e também com o embasamento teórico proporcionado por Sylvie Deswarte-Rosa. Sua tese de doutorado reverberou em diversos artigos publicados em periódicos91 e também na sua participação no VLPSyVLR ³$ FRQVWLWXLomR GD WUDGLomR FOiVVLFD´92, organizado pela UNICAMP em

89 OLIVEIRA, MyrLDP $QGUDGH 5LEHLUR GH ³$SUHVHQWDomR´ LQ %85< -RKQ Arquitetura e arte no

Brasil colonial. São Paulo: Nobel, 1991, págs. 9-10.

90 NASCIMENTO, Cristiane. $ GRXWULQD GD µ3LQWXUD DQWLJD¶ GH )UDQFLVFR GH +RODQGD Tese

(Doutorado em Filosofia) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002.

91 1$6&,0(172&ULVWLDQH³$SDODYUDSLQWDGDDecfrase QDWUDWDGtVWLFDGHSLQWXUDQRVpFXOR;9,´

in Revista de história da arte e da arqueologia. Campinas, 2008, v. 9, págs. 7-22. NASCIMENTO, &ULVWLDQH³2GLVFUHWROLEHUDORUHWUDWRGRSLQWRUQRDa Pintura AntigaGH)UDQFLVFRGH+RODQGD´LQ Desígnio ± Revista de história da arquitetura e do urbanismo. São Paulo: Annablume, 2006, v. 5, págs. 135-146.

92 1$6&,0(172&ULVWLDQH³Da Pintura Antiga de Francisco de Holanda: o encômio como gênero

GHSUHVFULomRHGDDUWH´LQ0$548(6/XL] 2UJ A constituição da tradição clássica. São Paulo : Hedra, 2004, págs. 167-188.

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2002, além também de sua participação, já em 2008 e ao lado de Sylvie Deswarte-Rosa, do IV Encontro de História da Arte da UNICAMP93. Nesta última

IDODVXDDQiOLVHIRLUHDOL]DGDVREUHR³'DIiEULFDTXHIDOHFHjFLGDGHGH/LVERD´ sendo esta resultado de seu estágio de pós-doutorado em Roma.

Também presente neste último evento com fala sobre Francisco de Holanda, além do II Encontro de História da Arte, realizado em 2006, Maria Berbara, professora de história da arte da UERJ, realizou contribuições ao conhecimento do humanista português no Brasil.94 Seus textos tem importância pelo seu esforço em partir das falas de Holanda, não propriamente querendo analisá-lo de modo individual.

Se em sua primeira contribuição ela versava sobre o lugar de Michelangelo dentro da fala holandiana, seguindo e revendo uma tradição historiográfica já explorada aqui, nas falas seguintes, como a apresentada no 16º Encontro 1DFLRQDO GD $13$3 LQWLWXODGD ³3DUD HQJDQDU D YLVWa exterior: um aspecto das relações artísticas entre Itália, Portugal e os Países Baixos durante o 5HQDVFLPHQWR´95, a problemática se dá pelos pólos conceituais da figura e da

paisagem.

Esta proposta é interessante porque é feita sem deixar de lado a bagagem cultural do humanista português e também sem fazer vista grossa ao que foi realizado plasticamente durante o Renascimento em Portugal. Aqui, algo raro dentro da historiografia da arte, Holanda faz parte de uma problemática maior, que perpassa questões geRJUiILFDV FRPR DV LGpLDV GH ³FHQWUR´ H ³SHULIHULD´  H WRFD precisamente na questão da alteridade cultural e da crítica de arte durante o

93 ³µ'DIiEULFDTXHIDOHFHjFLGDGHGH/LVERD¶)UDQFLVFRGH+RODnda entre os Mirabilia e os guias

WRSRJUiILFRVGH5RPD´3DOHVWUDSURIHULGDSRU&ULVWLDQH1DVFLPHQWRHPGHGH]HPEURGH no auditório do IFCH-UNICAMP.

94 %(5%$5$0DULD³&RQVLGHUDo}HVVREUHDSDUWLFLSDomRPLFKHODQJLDQDQRVµ'LiORJRVHP5RPD¶

de FranFLVFRGH+ROODQGD´,QCamoniana. Volume 18. Bauru: Editora da Universidade do Sagrado Coração, 2005. Este mesmo texto foi proferido como palestra no II Encontro de História da Arte da 81,&$03 HP(PSURIHULXDSDOHVWUD³&RQVLGHUDo}HVVREUHRFonfronto quinhentista SDLVDJHPILJXUD)UDQFLVFRGH+RODQGDH'RPHQLFXV/DPSVRQLXV´WDPEpPQRGLDGHGH]HPEUR de 2008, no auditório do IFCH-UNICAMP.

95 %(5%$5$0DULD³3DUDHQJDQDUDYLVWDH[WHULRUXPDVSHFWRGDVUHODo}HVDUWtVWLFDVHQWUH,WiOLD

PortXJDO H RV 3DtVHV %DL[RV GXUDQWH R 5HQDVFLPHQWR´ LQ Anais do XVI Encontro Nacional da ANPAP. Florianópolis: ANPAP, 2007, págs. 343-352.

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Renascimento. Não é um artigo sobre Francisco de Holanda, mas sim um texto que o coloca em diálogo e que abre a sua obra aos olhos do leitor.

Em processo de finalização de seu doutorado, há também a pesquisa de Maria Luiza Zanatta, aluna da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Como já poderíamos suspeitar pela filiação acadêmica, seu objeto de estudo é o ³'DIiEULFDTXHIDOHFHjFLGDGHGH/LVERD´HVHXLQWHUHVVHpDUHDOL]DomRGHXPD edição crítica do mesmo. A partir desta organização do texto, depois de refletir qual o lugar da arquitetura na escrita de Holanda e como ele pode ter influenciado construções e a urbanização de Lisboa, Maria Luiza afirmou ter interesse de, no futuro, relacionar o pensamento deste com, quem sabe, a arquitetura e urbanização do Brasil enquanto colônia.

Esta possibilidade, cruzar Francisco de Holanda com o que temos de modo acessível e aqui, me parece ser uma das trilhas que os estudos holandianos podem seguir no meio acadêmico brasileiro. Tendo já a colonização como ponte, e inclusive tendo uma frase em que Holanda cita o território brasileiro96, as

possibilidades de estudos são as mais variadas e trata-se de uma questão de tempo. Enquanto isso, o que pode ser feito é seguir a divulgar o pensamento deste e, por que não, aumentarmos o número de publicações de fácil acesso (virtuais, quem sabe) de artigos que girem em torno de sua figura.