Referente ao cabimento e aplicação desse procedimento, verifica-se que esse, só é possível quando a prestação alimentícia derivar de alimentos legais (estabelecidos em uma sentença), ou convencionais (acordado entre as partes), como trouxe o Primeiro Capítulo, no ponto 1.4, quando se trabalhou a classificação dos alimentos, quanto a sua causa jurídica. Dessa forma, Didier Junior. (2011, p. 698, grifo do autor), se manifesta:
Só é cabível a prisão civil no caso dos alimentos legítimos ou convencionais. Não se permite a prisão civil, nem adoção do procedimento próprio da execução de alimentos, quando se tratar de alimentos indenizativos, ou seja, daqueles decorrentes de indenização por ato ilícito [...] Somente é possível se decretada a prisão civil na execução do art.733 do CPC. Não pagas as três
ultimas prestações anteriores ao ajuizamento da execução ou
qualquer outra que se vencer a partir do ajuizamento da execução, deverá ser decretada a prisão.
Nesse sentido, Didier Junior. (2011) estabeleceu outro requisito essencial, a ser observado quanto ao cabimento desse procedimento. Além dos alimentos legítimos ou convencionais, é possível apenas ser decretada a prisão sobre as últimas três prestações não pagas quando de ajuizamento.
Referente a isso, o STJ manifestou-se na Súmula 309, dizendo o seguinte: “o débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso do processo.”
Dessa forma não deixa dúvida que devem ser observados os requisitos no momento da aplicação desse meio coercitivo de executar alimentos, sendo eles: 1) os alimentos devem ser legítimos ou convencionais; e 2) será decretada a prisão sobre as três ultimas prestações não pagas.
Estando então presente esses dois requisitos poderá o credor propor a execução por meio da prisão civil, cabendo então a aplicação desse procedimento, o qual Araken de Assis, descreve muito bem cada fase.
Inicialmente o credor deverá interpor junto ao foro competente, um pedido desse procedimento.
O alimentário poderá optar por três foros concorrentes: (a) o do lugar do juízo que processou a causa em primeiro grau (art.475- P, II); (b) o lugar da situação dos bens sujeitos à expropriação; (c) o lugar do atual domicilio do executado. Esqueceu-se o legislador de proclamar que, na execução de alimentos, o exeqüente também poderá optar pelo foro do seu domicilio [...] Por outro lado, a execução de alimentos é da competência da Justiça Comum, no que se designou, relevada a impropriedade, de competência de “jurisdição.” (ASSIS, 2011, p. 175).
Nesse sentido, tendo o credor escolhido qual foro irá utilizar, deverá elaborar petição inicial que deve seguir os requisitos do “art. 282 do CPC que é obrigatório na inicial da demanda executória”. (ASSIS, 2011, p. 176)
Descrever o título exeqüendo; explicitar o valor do credito e dos seus eventuais consectários, conforme a planilha anexa (art. 614, II), o que informa o valor da causa; imputar inadimplemento ao obrigado; e; finalmente, pedir providencia executiva correspondente ao rito, requerendo a citação do devedor. (ASSIS, 2011. p. 176).
Na planilha citada acima pelo autor, deve conter o valor não pago, juros e correção monetária. “Não se pode, pois, incluir na cominação de prisão verbas como custas processuais e honorários de advogado.” (THEODORO JR., 2011, p. 401).
Protocolada a inicial e citado o devedor, “esse no prazo de 3 dias, efetuará pagamento, provar que o fez tempestivamente e satisfatoriamente ou justificar a impossibilidade- temporária! - de o fazer, sob pena de prisão” (ASSIS, 2011, p.177).
Contra a decisão que decretar a prisão, caberá recurso de agravo de instrumento, bem como habeas corpus, assim regulado por Dias (2011, p. 587-588, grifo do autor), que diz o seguinte:
Contra o decreto de prisão, além do habeas corpus, interpõe também
agravo de instrumento, vertendo a mesma linha de argumentação
[em caso de prisão] Vem se consolidando o entendimento de que a pena deve ser cumprida em regime aberto. Nas comarcas que não dispõem de prisão albergue, passou-se a admitir prisão domiciliar. Rolf Maldaleno sustenta ser valida essa alternativa por exercer, ao seu tempo e ao seu modo, aquilo que mais carrega
Dessa forma, a autora dispôs sobre a possibilidade do executado cumprir sua pena em regime aberto. No mesmo sentido, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, vem decidindo nessa mesma orientação.
Já quanto ao tempo que o executado ficará preso, há quatro correntes doutrinarias segundo Didier Jr. (2011). A primeira diz que o prazo máximo seria de sessenta dias, por ser a forma menos gravosa. Uma segunda corrente que diferencia o prazo para alimentos provisionais, que deveria ser três meses, e para os definitivos, que seria sessenta dias. A terceira, com força no art.733 do CPC, dizendo que deve ser de três meses. E a última e quarta corrente, que parece ser a mais forte, dispõe que não deve a prisão ultrapassar o prazo de sessenta dias, pois
entende-se que o art. 19 da Lei 5.478/68, revoga a o § 1º do art. 733 do CPC, que dispõe sobre o prazo.
Porém tendo sido preso e não cumprido com a obrigação, vale lembrar que:
Ainda que o devedor não possa ser preso novamente pelo inadimplemento da mesma divida, o cumprimento da pena não dispensa do pagamento. Assim, no mesmo processo executório, pode prosseguir a cobrança do debito ou mediante cumprimento da sentença (CPC 475-J) ou pelo rito da expropriação (CPC 646), em ambas as hipóteses agregando o valor da multa (DIAS, 2011, p.589)
Assim conclui-se que se o executado pagar é solto imediatamente. Porém pode ele não pagar, o que quer dizer que esse procedimento não foi eficaz, assim precisará ser utilizado outro meio de execução para garantir o débito. Dessa forma fica mais bem demonstrada a idéia de que esse não é um meio de execução e sim de coação.