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Segundo Köhn (KOHN; ELOFF; ELOFF, 2013), o número de modelos forenses digitais exis- tentes aumentou a complexidade do campo. Há necessidade de uma padronização para facilitar o processo de investigação. Porém, uma observação mais apurada observa que há muita similaridade entre os processos e, por vezes a diferença é em relação a nomenclatura, verifica-se também que há muitas etapas comuns aos modelos.

Em comum a todos os modelos está a ideia de realizar controle sobre a evidência, documentando quem teve acesso a ela, o que foi feito com ela durante o período. A evidência deve ser protegida fisicamente, de tal forma que ela sofra menos adulteração e diminua sensivelmente a manipulação indevida. Outra preocupação presente nos modelos diz respeito ao estabelecimento e a manutenção de uma apropriada Cadeia de Custódia. A cadeia de custódia é um conjunto de procedimentos técnicos e científicos os quais irão oferecer conhecimento aos operadores do Direito, permitindo-se avaliar se aquela prova que está no tribunal, e que representa a materialidade de um ato criminoso, foi tratada com o devido rigor técnico-científico legal desde sua origem de colheita no local da infração penal - podendo a falha na Cadeia de Custódia gerar prejuízos econômicos indevidos, inocentar prováveis culpados ou condenar inocentes. Tal fidedignidade na Cadeia de Custódia visa demonstrar a verdadeira autoria e materialidade do fato criminoso de forma imparcial e inequívoca.

A cadeia de custódia não se constitui apenas em uma anotação da cronologia da posse do material probatório, ela vai além, volta-se à integridade da prova, à preservação da fiabilidade do armazenamento, da manipulação e do rastreamento da movimentação da prova no decorrer do tempo.

Segundo Dias Filho [Dias Filho 2009], a cadeia de custódia está prevista no ordena- mento jurídico de outros países, porém não está presente na legislação brasileira de forma precisa, tampouco normatizada.

O projeto de lei 8.045/2010 que tramita na Câmara dos Deputados e que (se aprovado) substituirá o CPP vigente, inova ao disciplinar a cadeia de custódia (art. 192 ao 194 do PL 8.045/2010).

Apesar de não aparecer atualmente como um procedimento normatizado em lei, isso não quer dizer que evidências colhidas prescindam de preservação e de uma cadeia de custódia. Ademais, a Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) publicou do- cumentos que ratificam esse entendimento; primeiramente em 2012, através do documento intitulado Diagnóstico da Perícia Criminal (SENASP, 2012), em seguida em 2013 e 2014 por meio dos documentos Procedimento Operacional Padrao: Perícia Criminal (SENASP, 2013) bem como da portaria 82 (SENASP, 2014), a qual estabeleceu diretrizes sobre os procedimentos a serem observados no tocante a cadeia de custódia de vestígios.

Sabe-se que é constitucionalmente assegurado o acesso a arquivos digitais, intercepta- ções telefônicas e telemáticas para a defesa, bem como para acusação, mesmo com esse acesso (que é garantido pela ampla defesa e pelo contraditório) há a obrigação da ma- nutenção da mesmidade. Apesar de não prevista no atual Código de Processo Penal, a cadeia de custódia ao ser violada pode tornar a prova ilícita e demandar o desentranha- mento da prova no processo, conforme considera a Relatora Ministra Assussete Magalhães no HC nº 160662/RJ 6ª Turma, j. 18/02/2014. Para Eberhardt (EBERHARDT, 2014), a eventual quebra da cadeia de custódia importa, portanto, na ilicitude da prova a que se

refere aquele conjunto de atos. Disso decorre que o magistrado deverá considerá-las como provas ilícitas, bem como todas aquelas que tenham sido por meio delas obtidas (provas derivadas da ilícita).

Cabe ressaltar que ainda não há um entendimento pacífico, nem jurisprudência conso- lidada, há casos em que se reconhece a quebra da cadeia de custódia, mas não se considera a ilicitude da prova, como no caso da Operação Ouro Verde da Polícia Federal.

Na pesquisa de Maria Alice dos Santos Severo (SEVERO, 2018), há a afirmação de que

diante da manifesta quebra da cadeia de custódia da prova na Operação Ouro Verde10, con-

signada nos autos do processo, tal elemento probatório torna-se inconfiável, não devendo possuir nenhum valor probatório para o processo. Nesta operação, os dados informáticos foram acessados pela Autoridade Policial sem a cautela de preservação da integridade da prova e sem qualquer mecanismo de comprovação desta preservação, tornando possível a alteração do conteúdo, pois nada assegura que os dados apresentados representam o conteúdo real no instante da apreensão. A defesa alegou a imprestabilidade da prova por violação de sua fidedignidade; argumentou a não ocorrência do crime de evasão de divisas. A sentença não acolheu o pedido de exclusão da prova, mesmo reconhecendo a existência de falhas no manuseio e conservação da mídia em questão. Em grau recursal, mais uma vez reconheceu-se ter havido acesso direto à mídia antes da realização da cópia forense. Porém, dado o curto espaço de tempo para que ocorressem modificações substanciais na prova, não se considerou possível haver alteração substancial da prova por parte da Autoridade Policial.

Por fim, para permitir assegurar a mesmidade da prova, uma cadeia de custódia bem conduzida deverá, segundo a RFC3227 (BREZINSKI; KILLALEA, 2002), descrever clara- mente como a evidência foi encontrada, como ela foi tratada e tudo o que aconteceu com ela. Para isso deve ser documentado:

• Onde, quando e por quem a evidência foi descoberta e colhida;

• Onde, quando e por quem as evidências foram tratadas ou examinadas; • Quem teve a custódia da evidência, durante o período;

• Como foi armazenada;

• Quando a evidência mudou de custódia, quando e como ocorreu a transferência.

10 Segundo (

SEVERO, 2018) dados no HDD de um computador foram abertos e manuseados, após a apre-

ensão pela própria polícia, sem que se fizesse registro de tal abertura e manipulação, o que contamina de tal forma a prova que só poderia ser considerada imprestável para cumprir o papel de traduzir a verdade.

5 SOLID STATE DRIVE

O sistema de memória de um dispositivo computacional pode empregar diferentes tipos de memórias para que haja um equilíbrio entre custo, velocidade e capacidade de armaze- namento. Discos magnéticos (HDDs) e drives de estado sólido (SSDs) são dispositivos de armazenamento secundário, eles têm como característica a preservação das informações ali armazenadas, mesmo na ausência de uma fonte de alimentação externa.

A terminologia “estado sólido” refere-se ao fato de que dados são armazenados em arranjos fixos de transistores eletrônicos, os quais permitem que a leitura e escrita sejam executadas de forma bem mais rápida nos drives de estado sólido.

Uma comparação realizada pela Intel, apresentada na Tabela 2, mostra vantagens do SSD sobre seu concorrente direto, o HDD (INTEL, 2010).

Tabela 2 – Comparação entre SSD e HDD(INTEL, 2010)

SSD HDD Vantagem do SSD

Tempo de inicialização de um SO ∼ 19 s ∼ 30 s ∼37% menor

Resistência a impacto e vibração 1.500 G1 900 G ∼ 60% mais imune

Consumo de energia (por semana) ∼ 35 Wh ∼ 55 Wh mais de 20% menor

Confiabilidade (MTBF) ∼ 1,2 x 106 h ∼ 0,6 x 106 h ∼ 100% mais confiável

Ruído de operação 0 dB 25 dB nenhum ruído

O SSD é um dispositivo mais complexo, é um sistema que pode internamente geren- ciar troca de dados, funções de criptografia e compactação, além de outros mecanismos específicos por meio de um processador interno ao drive. Para entender o funcionamento interno, divide-se didaticamente o SSD em dois componentes fundamentais: as células de memória flash e o controlador de memória.

5.1 COMPONENTES PRINCIPAIS DE UM SSD