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CAPÍTULO 3 LOGÍSTICA INTEGRADA

3.5 Cadeia de suprimentos

A cadeia de suprimento de bens de consumo tem experimentado mudanças substanciais nos últimos anos. Os novos contornos do ambiente competitivo foram delineados a partir da abertura do mercado doméstico às importações de produtos de qualidade e da tão aclamada estabilização econômica. Segundo Stevens (1989),

é a partir destas mudanças e de suas implicações nos negócios que as empresas líderes estão mantendo um extenso monitoramento das relações entre a indústria e o comércio, com o objetivo de explorar as oportunidades que emergem no mercado. É neste quadro que a logística tem sido explorada como competência central, sendo enquadrada de maneira efetiva na estratégia de marketing de empresas de vanguarda.

A cadeia de suprimento, parte integrante da logística, oferece oportunidades de diferenciação competitiva entre as empresas, tornando-se um processo totalmente diferente. Na visão de Novaes (2001, p.40), neste processo:

os ganhos que podem ser obtidos através da integração efetiva dos elementos da cadeia, com a otimização global de custos e de desempenho, são mais expressivos do que a soma dos possíveis ganhos individuais de cada participante, quando atuando separadamente. No jargão logístico, a união dos participantes da cadeia de suprimento, buscando ganhos globais, deve se transformar num processo ganha-ganha, em que todos ganham e não somente uns em detrimento dos demais.

Mas para se chegar a esse estágio de integração plena, com benefícios globais expressivos, segundo Novaes (2001), é necessária a eliminação de inúmeras barreiras, dentre elas o esquema organizacional da empresa, que precisa ser modernizado. Outro requisito é a necessidade de um sistema de informações bem montado e interligando todos os parceiros da cadeia. Também é preciso implantar sistemas de custos adequados aos objetivos pretendidos, permitindo a transparência de informações entre os parceiros da cadeia. Este tipo de operação logística integrada moderna é denominado SCM.

A seguinte definição de SCM foi adotada pelo Fórum de SCM realizado na Ohio State University: “SCM é a integração dos processos industriais e comerciais, partindo do consumidor final e indo até os fornecedores iniciais, gerando produtos, serviços e informações que agreguem valor para o cliente” (NOVAES, 2001, p.41).

Novaes (2001) ressalta que é importante que o novo conceito de SCM focalize o consumidor com um destaque excepcional, pois todo o processo deve partir dele, buscando equacionar a cadeia de suprimento de forma a atendê-lo da forma por ele desejada.

Os gerentes criativos têm assumido a liderança na inovação da cadeia de suprimentos, estabelecendo alianças estratégicas com os seus fornecedores, distribuidores e mesmo com os seus clientes.

Conforme a visão de Ching (1999) dentro desse contexto, alguns pontos de destaque nessas ações de inovação na rede de suprimentos podem ser citados:

a) o reconhecimento de interesses comuns, como a redução dos custos, dos prazos e das imobilizações em estoques; melhoria da qualidade e da rentabilidade geral;

b) o uso inteligente e integrado da tecnologia da informação para agilizar e melhorar a confiabilidade das comunicações;

c) reconhecimento das habilidades e competências dos fornecedores para realizar tarefas especializadas;

d) sinergia entre competências convergentes e complementares, maximizando a alavancagem de recursos e a capacidade de criar valor. Segundo Dolan (apud NOVAES, 2001, p.112), dentro da moderna visão da cadeia de suprimento, “os canais de distribuição desempenham quatro funções básicas: indução da demanda, satisfação da demanda, serviços de pós-venda e troca de informações.” Em primeiro lugar, as empresas da cadeia de suprimento precisam gerar ou induzir a demanda para seus produtos ou serviços, satisfazendo a demanda. Os serviços de pós-venda vêm em seguida. Finalmente, o canal possibilita a troca de informações ao longo da cadeia, incluindo os consumidores que fornecem um feedback valioso para os fabricantes e varejistas da cadeia. Na Figura 6 podem ser visualizadas as principais funções da cadeia de suprimentos.

Figura 6 - Funções dos canais de distribuição

Fonte: Dolan apud Novaes (2001).

CADEIA DE SUPRIMENTOS CONSUMIDOR DEMANDA INDUÇÃO DEMANDA SATISFAÇÃO SERVIÇOS PÓS-VENDA INFORMAÇÕES NOS DOIS SENTIDOS

Nesse sentido, o gerenciamento da cadeia de suprimento, segundo Stevens (1989), difere dos controles clássicos em quatro formas: a cadeia de suprimento deve ser vista como entidade única; derivando-se da primeira, requer tomada de decisão estratégica, sendo que o suprimento é compartilhado por praticamente todas as funções da cadeia, com impacto direto sobre os custos e a participação de mercado; os estoques são utilizados como mecanismo de balanceamento, como último recurso; e a mudança da interface para a integração.

Para Stevens (1989), o gerenciamento logístico tem como uma das suas principais responsabilidades fazer com que toda a cadeia de suprimento seja lucrativa – fornecedores e clientes – com um relacionamento cooperativo (parceria). A competição deverá acontecer entre cadeias e não entre as etapas da cadeia.

Em complemento a isso, Christopher (2000) ressalta que o gerenciamento logístico está primeiramente preocupado com a otimização de fluxos dentro da organização, enquanto que o gerenciamento da cadeia de suprimentos reconhece que a integração interna por si só não é suficiente. A Figura 7 mostra a representação do movimento da evolução dentro das empresas encapsuladas em processos departamentais, para a cadeia de suprimentos integrada.

No estágio 1, observa-se que as diversas unidades da empresa agem individualmente, competindo entre si como se estivessem fisicamente separadas por obstáculos.

As empresas do estágio 2 reconhecem que pelo menos algumas das atividades correlatas devem ser integradas para melhor produtividade. As atividades relativas ao suprimento, à produção e à distribuição são integradas sob a mesma coordenação.

O próximo passo natural ao estágio 3 exige que as empresas adquiram a consciência da necessidade de integração de todos os seus esforços logísticos para a otimização global dos custos e recursos.

Finalmente, o estágio 4 vê a empresa como parte integrante de uma cadeia, onde fornecedores e clientes são considerados parceiros no empreendimento de produção e integrados sob um planejamento único para o fornecimento de produtos com maior valor a custos totais competitivos, maximizando, assim, o lucro da cadeia de suprimentos total.

Estágio 1: linha básica

Fluxo de Serviço Materiais ao cliente

Estágio 2: Integração funcional

Fluxo de Serviço Materiais ao cliente

Estágio 3: Integração Interna

Fluxo de Serviço Materiais ao cliente

Estágio 4: Integração externa

Fluxo de Serviço Materiais ao cliente

Figura 7 – Atingindo uma cadeia de suprimento integrada

Fonte: Stevens (1989).

Assim, as tendências futuras rumam, indiscutivelmente, para o advento da praticidade e da economia, com o intuito de se atingir o ponto máximo, objetivo de toda a empresa, a gestão da cadeia de suprimento, cada vez mais disseminada no meio empresarial. Segundo Christopher (2000), “o objetivo é ligar o mercado, a rede de distribuição, o processo de fabricação e a atividade de aquisição, de tal modo que os clientes sejam servidos com níveis cada vez mais altos, ainda assim, mantendo os custos baixos. Em outras palavras, alcançar o objetivo da vantagem competitiva através da redução de custos e melhoria dos serviços”.

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