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5.3.1.1 CAIXA DE TRANSFERÊNCIA

A caixa de transferência está localizada à saída da caixa de velocidades e tem que assegurar as três seguintes funções:

Desmultiplicação com duas relações de transmissão diferentes. Uma rela- ção de 1 para 1 (1:1), utilizada normalmente e, uma de 1 para 2 (1:2 ou aproximada) utilizada em situações excepcionais.

Repartição do binário pelos eixos dianteiro e traseiro.

Ligação ou não do eixo dianteiro, permitindo utilizar a tracção integral ou somente traseira.

Ao utilizar a relação de transmissão 1:2 o binário transmitido às rodas aumenta reduzindo a veloci- dade das mesmas. Com a utilização do grupo redutor o número de velocidades duplica.

A caixa de transferência consiste numa engrenagem que recebe movimento de um veio e o distri- bui por dois veios, de forma a repartir o movimento para os eixos dianteiro e traseiro. A transmis- são do movimento ao veio de transmissão dianteiro (normalmente não motriz) poderá ser efectua- da por corrente ou roda dentada (carreto), mas na generalidade, a sua constituição, funcionamento e sistema de comando é semelhante ao de uma caixa de velocidades mecânica.

Sistemas de Transmissão 5.6

Tracção Total

Fig. 5.3 – Componentes de uma caixa de transferência de transmissão integral não permanente com redutoras (utilizando corrente de transmissão)

Como se pode observar na figura, trata-se de uma caixa de transferência com sincronizadores. Por essa razão, a mudança de relação de transmissão pode ser realizada sem que seja necessário

1 – Rolamento dianteiro do veio intermédio; 2 – Carreto de entrada do veio; 3 – Carreto do veio inter-

médio; 4 – Rolamento traseiro do veio intermédio; 5 – Carreto de entrada; 6 – Conjunto sincronizador 4H/4L; 7 – Carreto de relação curta; 8 – Veio principal; 9 – Rolamento dianteiro do veio principal; 10 – Alojamento do rolamento; 11 – Rolamento de agulhas; 12 – Carreto guia da corrente; 13 – Conjunto sincronizador 2H/4H; 14 – Rolamento traseiro do veio principal; 15 – Sem-fim do velocímetro; 16 – Corrente dentada; 17 – Flange de saída; 18 – Carreto guia; A – Veio de entrada; B – Veio intermédio;

Tracção Total

parar o veículo, mas até um limite de velocidade máximo, pois trata-se de uma mudança de rela- ção de transmissão elevada e, caso não fosse realizada a uma velocidade lenta poderia provocar graves danos no sistema de transmissão. Quando não existem sincronizadores a mudança de relação deve ser efectuada com o veículo parado.

Na figura 5.4 pode-se observar os componentes de uma caixa de transferência sem corrente.

Fig. 5.4 – Caixa de transferência de transmissão integral não permanente com redutoras

Entrada Entrada

Saída para veio transmissão

A – Transmissão 4X2

Saída para veio transmissão traseiro Saída para

veio trans- missão

B – Transmissão 4X4 com relação 1:1

Saída para veio trans- missão

Entrada Saída para veio transmissão traseiro

Sistemas de Transmissão 5.8

Tracção Total

A figura 5.5 ilustra a utilização da caixa de transferência de um veículo de transmissão integral não permanente com redutoras.

Fig. 5.5 – Utilização da caixa de transferência de transmissão integral não permanente com redutoras

Os diferenciais utilizados poderão estar equipados com sistemas de bloqueio, de comando manual ou de deslizamento limitado.

Neste tipo de transmissão, não permanente, existe um sistema que permite desligar as rodas do resto do sistema de transmissão, quando estas são não motrizes.

Este sistema serve para evitar que todo o sistema de transmissão que não está a ser utilizado esteja em movimento, sofrendo desgaste e criando forças de atrito.

5.3.1.2 - CUBO DE BLOQUEIO DA RODA MANUAL

Tracção Total 1. Junta 2. Anilhas de freio 3. Anel de embraiagem 4. Travamento 5. Cubo interior 6. Caixa 7. Freio 8. Parafuso 9. Junta de cobertura 10. Embraiagem 11. Mola de embraiagem

12. Alçaprema (para travar a roda

dentada)

13. Mola do selector 14. Anel de freio 15. Selector

16. Mola e esfera de fixação 17. Anilha

18. Cobertura

Quando o selector se encontra na posição “Free”, a roda está liberta do sistema de transmissão. O cubo interior (5) e a embraiagem (10) rodam sempre solidários com o eixo de transmissão corres- pondente. A caixa do cubo (6) está sempre fixa em relação à roda, i.e., roda sempre solidária com esta.

Quando o selector se encontra na posição “Lock”, a roda encontra-se acoplada ao sistema de trans- missão, funcionando como uma roda de tracção. Nesta situação, o anel de embraiagem (3) encon- tra-se solidário com o cubo interior (5), a caixa do cubo (6) e a embraiagem (10), de tal forma que o movimento do eixo e da roda é o mesmo.

5.3.1.3 - CUBO DE BLOQUEIO DA RODA AUTOMÁTICO

A figura 5.7 representa os componentes de um cubo de roda com bloqueio automático.

1. Cobertura 2. Parafuso de fixação 3. Caixa 4. Travamento 5. Cubo interior 6. Embraiagem 7. Anel de espaçamento

Fig. 5.6 - Cubo de bloqueio da roda manual

Sistemas de Transmissão 5.10

Tracção Total

Este sistema funciona automaticamente quando se acciona a tracção integral, sendo necessário andar com a viatura em sentido inverso para desligar a transmissão do movimento.

Quando o eixo de transmissão à roda recebe movimento, o anel de espaçamento (7), que está sem- pre solidário com o eixo de transmissão, começa a rodar. Como os seus dentes têm uma determina- da conicidade, empurram a embraiagem (6), que se desloca axialmente ao veio, contra a caixa (3). Deste modo, todo o conjunto fica sujeito ao mesmo movimento de rotação.

Quando se pretende soltar as rodas, depois de libertar a transmissão de movimento ao veio diantei- ro, faz-se marcha atrás com o veículo, obrigando as rodas a rolar em sentido inverso, o que faz com que a caixa (3) empurre a embraiagem (6) contra o anel de espaçamento (7), ficando as rodas liber- tas do resto do sistema de transmissão.

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