• Nenhum resultado encontrado

4.5 VERIFICAÇÃO E CONTROLO DO DIFERENCIAL

Quando existem anomalias no funcionamento do diferencial, procede-se à desmontagem do mes- mo e posterior verificação do estado dos componentes realizando as reparações e regulações necessárias.

Os componentes do conjunto devem ser examinados cuidadosamente, sendo verificados quanto a possíveis deteriorações e desgastes.

Antes de se desmontar o diferencial deve-se observar se existem fugas de óleos, que são facil- mente detectáveis pelas manchas que deixam. Caso seja verificada qualquer fuga, deve-se substi- tuir os retentores na ocasião de montagem e inspeccionar a carcaça quanto à existência de fractu- ras. Também deve ser verificado o nível de óleo, pois o desgaste dos componentes pode ser origi- nado por um baixo nível de óleo.

Finalizada a operação de desmontagem, procede-se à limpeza dos diversos componentes e à observação do seu estado de desgaste.

No diferencial deve-se efectuar as seguintes verificações com base nos dados e recomendações dos fabricantes:

Existência de deformações ou desgaste na superfície interior das carcaças e verificação do estado de conservação dos alojamentos dos retentores e rolamentos.

Existência de desgaste excessivo no pinhão de ataque e na coroa do diferencial, assim como nos satélites e planetários. Caso tal se verifique devem ser substituídos. Lembrando que quando se substitui o pinhão de ataque deve-se substituir também a coroa e vice-versa (utilizar parafusos novos na substituição). O mesmo se passa para os planetários e satélites.

Conjunto Diferencial

Existência de desgaste nos rolamentos do pinhão de ataque e no conjunto coroa-diferencial (aqui qualquer desgaste é excessivo).

Existência de desgaste ou deformação nos espaçadores e anilhas de regulação. Em caso afir- mativo deverão ser substituídas.

Com o conjunto diferencial montado (Fig. 4.28), a folga lateral de cada planetário deve encon- trar-se dentro dos valores estipulados. Caso contrário, as anilhas espaçadoras deverão ser substi- tuídas, de forma a corrigir o valor da folga.

Fig. 4.28 – Verificação da folga lateral dos planetários

Se a folga estiver dentro do limite e o estado dos satélites e planetários for aceitável, não é neces- sário desmontar este conjunto.

A folga é verificada com um utensílio apropriado como ilustra a figura 4.28.

Na operação de montagem do conjunto par cónico-diferencial, lubrificar convenientemente os componentes com óleo adequado. Simultaneamente realizar o ajuste do conjunto pinhão-coroa, seguindo a ordem estabelecida na figura 4.29, ou seja, primeiro ajusta-se a posição do pinhão de ataque (fases 1 e 2) e depois da coroa (fase 3). Para terminar, verificar a posição e contacto dos dentes de ambos (fase 4). Esta verificação é realizada impregnando os dentes da coroa com um líquido colorido e arrastando o pinhão até que a coroa complete uma volta, de forma a que todos os dentes fiquem marcados nos pontos de contacto.

Sistemas de Transmissão 4.23 Conjunto Diferencial

Fig. 4.29 – Montagem do conjunto par cónico-diferencial

Consoante as marcas obtidas, representadas na figura 4.30, a leitura dos resultados obtidos é: A - Contacto correcto

B - Aproximação escassa C - Aproximação excessiva

D - Ataque excessivo do pinhão em relação à coroa E - Ataque escasso do pinhão em relação à coroa

Fig. 4.30 – Marcas obtidas na verificação da posição e contacto dos dentes na montagem do conjunto par cónico- diferencial

Conjunto Diferencial

Se a marca de contacto na coroa é a correcta, o ajuste está bem realizado. Caso contrário, é necessário corrigir este ajuste através da posição do pinhão de ataque ou da coroa, em função da marca obtida.

O ajuste do pinhão de ataque consiste em acoplar os rolamentos de forma a que não exista folga entre eles nem qualquer prisão.

Apertando progressivamente a porca do extremo oposto à engrenagem e ajustando com um mar- telo de madeira ou plástico do lado do pinhão, consegue-se o acoplamento desejado. Aperta-se a porca com o binário especificado pelo fabricante e faz-se girar o pinhão de ataque. A força utiliza- da para girar o pinhão, em geral, não deverá ser superior a 0,5 mkg. Efectuada esta montagem, o pinhão deve ficar posicionado de modo a que seja possível um correcto engrenamento com a coroa. As correcções necessárias realizam-se adicionando anilhas calibradas (fase 1), o que pres- supõe a desmontagem do conjunto para acrescentar uma anilha. Para esta razão, alguns fabrican- tes estabelecem um processo de montagem com utensílios adequados para determinar a espes- sura necessária das anilhas, antes de montar o pinhão de ataque.

A montagem do conjunto coroa-diferencial requer também uma operação de calibre, que determina o posicionamento da coroa em relação ao pinhão. A figura 4.31 mostra uma disposição de montagem adoptada com frequência, em que os rolamentos do conjunto coroa-diferencial estão apoiados na carcaça. As anilhas situadas em ambos os lados, determinam a posição da coroa em relação ao pinhão. Aumentando a espessura da anilha do lado da coroa e diminuindo do lado contrário em igual medida, consegue-se aproximar a coroa do pinhão de ataque devendo a folga entre eles situar-se, como referência, compreendida entre 0,1 e 0,15 mm.

Fig. 4.31 – Exemplo de disposição de montagem do diferencial (os rolamentos estão apoiados na carcaça)

Nos casos em que o diferencial está incorporado na caixa de velocidades, caso da figura 4.32, este posicionamento é efectuado através das porcas laterais (1 e 2). A regulação neste caso, pre- vine uma certa folga entre os dentes da coroa e do pinhão.

Sistemas de Transmissão 4.25 Conjunto Diferencial

Fig. 4.32 – Posicionamento do diferencial numa situação em que o mesmo é montado na caixa de velocidades

Para verificar esta folga, coloca-se um comparador fixo no cárter de maneira a que a ponta de medição fique perpendicu- lar ao dente da coroa do diâmetro exterior, como representado na figura 4.33. Nestas condições, tendo fixo o pinhão, imprime-se movimento alternado à coroa, no seu senti- do de rotação normal e no sentido contrá- rio, para determinar a folga entre dentes, que deverá estar compreendida, como referência, entre 0,15 e 0,2 mm.

Fig. 4.33 – Verificação da folga entre os dentes do diferencial

As correcções necessárias realizam-se com as porcas de regulação da coroa, apertando-as do lado da coroa (aliviando do outro) quando a folga é excessiva e do lado oposto quando a folga for insuficiente.

Tracção Total

Documentos relacionados