4 A CAIXA NA INTERNET
¾ CAIXA LEASING E FACTORING
O Grupo CGD está presente na área do crédito especializado através da sua participação na Caixa Leasing e Factoring, Instituição Financeira de Crédito, S. A.(CLF), que desenvolve a sua actividade nas áreas do leasing imobiliário e mobiliário, do factoring e do crédito ao consumo.
A actividade comercial da CLF permitiu-lhe reforçar a sua posição no mercado, tendo obtido crescimentos superiores à média dos respectivos subsectores, em especial no leasing mobiliário (+21%) e imobiliário (+26%). No factoring, a CLF registou um crescimento de 14,5%, tendo a quebra de actividade da CLF no crédito ao consumo sido de apenas 0,5%.
Em resultado da actividade comercial, o activo (líquido) da CLF registou um crescimento de 21,6%, em resultado do crescimento da carteira de crédito a clientes (líquido) que verificou um acréscimo de 22,1%. A evolução do negócio permitiu registar um crescimento de 9% na margem financeira e de 8% no produto da actividade.
O resultado liquido no montante de 4,8 milhões de euros, registou um decréscimo de -50%, face ao período homólogo do ano anterior, em resultado do elevado crescimento das provisões associadas ao crédito a clientes, que passaram de 4,9 milhões de euros em 2007, para 15,6 milhões de euros em 2008.
Relatório do Conselho de Administração 2008
C) Actividade Internacional
A actuação do Grupo CGD fora de Portugal tem tido como linhas orientadoras o acompanhamento da internacionalização das empresas portuguesas e a aproximação a países com relações comerciais e de investimento com Portugal ou com os quais se mantêm afinidades culturais e linguísticas. É igualmente estratégico para o Grupo CGD assegurar uma presença nos principais mercados financeiros internacionais e em regiões com elevado potencial de desenvolvimento.
Os mercados geográficos definidos como prioridade estratégica para o desenvolvimento internacional do Grupo CGD são (i) o mercado Ibérico, onde se mantém o plano de expansão e consolidação da presença da CGD através do Banco Caixa Geral, (ii) o mercado Africano, com particular destaque para Moçambique (onde a CGD tem o controlo do segundo maior banco do sistema financeiro – o Banco Comercial e de Investimentos) e para Angola (através da entrada no capital do Banco Totta Angola), (iii) o mercado Brasileiro, através do Banco Caixa Geral-Brasil e (iv) o mercado Asiático, onde a CGD tem uma presença sólida através do Banco Nacional Ultramarino.
Dispondo da mais vasta rede internacional da banca portuguesa, o Grupo CGD considera fundamental acompanhar com atenção os mercados de maior interesse para as empresas portuguesas e que são, também, mercados emergentes de elevado potencial. Inserem-se neste conjunto países da América do Sul (Venezuela e México), de África (Marrocos, Argélia, Líbia e Guiné Equatorial), da Europa Central e de Leste (Rússia, Ucrânia e Turquia) e da Ásia (Indonésia e Índia). Em todos estes mercados a CGD está presente através das suas actividades internacionais ainda que, à excepção da Argélia, Venezuela e Índia, sem dispor, por enquanto, de presenças físicas permanentes.
Também o Estado Português tem orientado a sua política externa fomentando os laços económicos com países que já apresentam um relacionamento relevante com o nosso país ou que apresentam um potencial significativo para as nossas empresas, com a orientação genérica de diversificar os destinos das exportações e do investimento português. O traço mais distintivo desta política externa tem sido o número significativo de visitas de Estado que têm vindo a ser efectuadas aos países considerados “mercados-alvo” para o fomento do relacionamento bilateral com Portugal.
A CGD tem acompanhado este esforço de diplomacia económica, marcando presença nas comitivas empresariais que usualmente acompanham os representantes do Estado naquelas deslocações, aproveitando para procurar detectar novas oportunidades de negócio, concretizar iniciativas em curso e desenvolver contactos com entidades locais. Em 2008 a CGD participou nas seguintes deslocações oficiais de representantes do Estado português: Venezuela, Argélia, Índia, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Angola, Líbia, Eslováquia e Polónia.
No âmbito do apoio à internacionalização das empresas portuguesas, a CGD tem reforçado a sua Oferta Internacional através da formalização de linhas de crédito à exportação portuguesa, com garantia do Estado Português, de que se destacam, em 2008, as seguintes:
• Linha de 200 milhões de euros ao Banco russo “Vnesheconombank” - formalizada em Abril de 2008;
• Linha de 100 milhões de euros à República de Angola – formalizada pela CGD, Estado Português e Estado Angolano em Julho de 2008;
• Linha de 100 milhões de euros à República de Moçambique - formalizada pela CGD, Estado Português e Estado Moçambicano em Julho de 2008;
• Linha de 300 milhões de euros ao Export-Import Bank of China (“Eximbank”) – assinada pela CGD em Maio de 2008;
• Linha de 50 milhões de euros à República Democrática de São Tomé e Príncipe – assinado memorando de entendimento entre o Estado Português e o Estado Sãotomense, em Julho de 2008, esperando-se para 2009 o início de funcionamento da Linha.
Estas linhas visam, regra geral, financiar projectos incluídos nos Planos Nacionais de Desenvolvimento dos respectivos países – maioritariamente projectos de infra-estruturas - e que estejam a cargo de empresas portuguesas. O ano de 2008 fica marcado pelos importantes desenvolvimentos ocorridos no âmbito do alargamento da presença internacional da CGD:
• Em Fevereiro de 2008 foi concedida a autorização para a CGD iniciar as suas actividades no Brasil, estando previsto o início das operações em Março de 2009 através de uma nova unidade, detida a 100% pela CGD e denominada Banco Caixa Geral Brasil.
Este novo banco está vocacionado para a banca de empresas e de investimento, com particular enfoque nas grandes empresas e no segmento das Large Mid Caps, e pretende tornar-se no banco de referência do eixo de negócios Brasil/Portugal e Espanha/África.
• Em Junho de 2008, e no seguimento de um processo negocial enquadrado pelo Protocolo celebrado entre governos Português e Argelino em 2007, a Caixa Geral de Depósitos e a Banque Nationale d’Algérie (BNA) assinaram um Acordo Quadro ao abrigo do qual a
Caixa assegura uma intervenção estrutural que visa a transformação e a modernização da BNA.
Este Acordo visa a assistência técnica à BNA, apoiada nas competências e na experiência que a CGD dispõe no mais amplo espectro de áreas da actividade bancária. As duas partes acordaram ainda a instalação em Argel, de um Gabinete Internacional de Negócios especializado na detecção, na análise técnica e no desenvolvimento de novas oportunidades comerciais.
• Em Dezembro de 2008, o Banco Nacional de Angola deu o seu acordo ao projecto de abertura do capital do Banco Totta Angola que irá permitir que a CGD, em conjunto com o Santander Totta, detenham 51% do capital social do banco, ficando a gestão deste entregue maioritariamente à CGD. Está previsto que o negócio se conclua durante os primeiros meses de 2009.
A CGD tem já uma experiência significativa no mercado angolano, tendo financiado um número significativo de projectos de infra- estruturas a cargo de empresas portuguesas, dos quais se destacam, em 2008, a construção da Ponte Rodoviária sobre o Rio Kwanza e a construção da Ponte Rodoviária sobre o Rio Catumbela. Estes financiamentos para Angola têm sido estruturados no âmbito da Convenção relativa à Cobertura de Riscos de Créditos à Exportação de Bens e Serviços de Origem Portuguesa para a República de Angola (“Linha COSEC”), formalizada entre o Estado Português e o Estado Angolano em 2004.
Arede internacional do Grupo CGD desenvolve actividades de banca de retalho, de wholesale e de banca de investimento, para além de acompanhar e desenvolver a relação com clientes da CGD residentes no estrangeiro, e ainda desenvolvendo outros negócios de estrangeiro e internacionais.
Relatório do Conselho de Administração 2008
Na banca de retalho incluem-se a Sucursal de França e do Luxemburgo, Banco Caixa Geral, BNU Macau, Mercantile, Banco Comercial do Atlântico, Banco Interatlântico e Banco Internacional São Tomé e Príncipe. No que respeita a wholesale e banca de investimento, o Grupo opera através das Sucursais de Nova Iorque, Ilhas Caimão, Espanha e Reino Unido. No segmento de Residentes no Estrangeiro, a CGD desenvolve a sua actividade através dos seus Escritórios de Representação, dispondo de duas plataformas offshore (Macau e Madeira) de apoio. Relativamente aos Outros Negócios de Estrangeiro e Internacionais, destaque para as linhas de crédito já referidas e outros projectos estruturantes, como é o caso da Argélia.
Assim, e no final de 2008, a rede internacional da CGD era composta por 10 Sucursais Bancárias (localizadas em Nova Iorque, França, Luxemburgo, Mónaco, Londres, Zhuhai/China, Timor Leste, Ilhas Caimão, Espanha e Zona Franca da Madeira), 7 Filiais (em 5 países: Espanha, Macau/China, Moçambique, Cabo Verde, África do Sul), 1 Participada (São Tomé e Príncipe), e 8 Escritórios de Representação (situados na Bélgica, Alemanha, Suíça, Brasil, Venezuela, México, Índia e Xangai/China).
Em 31 de Dezembro de 2008 procedeu-se ao encerramento da Sucursal do Mónaco, por incorporação desta última na Sucursal de França.
No agregado da área internacional, os Depósitos de Clientes atingiram os 9 954 milhões de euros, representando um crescimento de 8,9% em relação a 2007. Em relação ao Crédito a Clientes, a área internacional apresentou um acréscimo de 15,6 %, atingindo os 12 904 milhões de euros, contra os 11 161 milhões em 2007.
Em termos de Resultado Líquido da área internacional, todas as unidades apresentaram uma boa performance, à excepção da Sucursal de Nova Iorque, que foi a mais penalizada pelo contexto internacional fortemente desfavorável, em geral, e pelo contexto da economia norte-americana, em particular. Assim, o Resultado Líquido da área internacional (bancária e não bancária) atingiu os 87,9 milhões de euros, o que se traduz num decréscimo de 13,8% face a 2007. A rede comercial da área internacional é composta por 392 agências, contra 376 em 2007. Em termos de número de empregados das sucursais e filiais bancárias no exterior, encontravam-se ao serviço 3 992 empregados no final de 2008.
Ao longo do ano de 2008 o Grupo CGD continuou a investir no aprofundamento da interligação da sua rede internacional, com o objectivo de prestar serviços e níveis de atendimento cada vez mais integrados e coerentes aos clientes internacionais, com especial destaque para as empresas. Destaque para a realização do II Fórum Ibérico, a 27 de Junho, em Lisboa, que reuniu administradores e quadros superiores da CGD e do BCG e que fomentou o aprofundamento da integração comercial das redes comerciais do Grupo em Portugal e Espanha. Continuou, igualmente, o esforço de dinamização do
Área Internacional - Distribuição dos Depósitos de Clientes
35% 18% 20% 3% 11% 13%
Sucursais Banco Caixa Geral
Banco BNU, SA (Macau) Mercantile Bank
Outros Subsid Offshore Macau
Área Internacional - Distribuição do Crédito Líquido
45%
38%
9% 2% 6%
Sucursais Banco Caixa Geral
Banco BNU, SA (Macau) Mercantile Bank Outros
negócio cruzado entre as redes dos principais mercados CGD, nomeadamente na Europa e nos nos PALOP’s.