3 DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA
3.5 TUYO (2016 PRESENTE)
3.5.2 Campanha de lançamento do single Solamento
Figura 50 – Visualização do perfil do Instagram da Tuyo.
Figura 51 – Peças digitais para divulgação de single, 2018.
Fonte: Facebook da banda. Disponível em <https://facebook.com/oituyo>. Acesso em 10 mar. 2019.
Figura 52 – Peças digitais para divulgação de single, 2018.
Fonte: Facebook da banda. Disponível em <https://facebook.com/oituyo>. Acesso em 10 mar. 2019.
Quadro 19 – Campanha de visual single Solamento, Tuyo, 2018.
Tipo de projeto Materiais e sistemas de produção Finalidades pretendidas Características gráficas marcantes Figura 50 Composição visual
do perfil do Instagram Digitais: vídeos, motion, imagens Consistência visual, divulgação do single Esta campanha é inteiramente pensada para as mídias digitais, aproveitando os suportes oferecidos para imagens de forma a criar uma unidade visual entre todas as peças, reunindo
ilustrações, vídeos e motion design
Figura 51 Capa de Facebook Digital Consistência visual, divulgação do
single
Figura 52 Capa de Facebook Digital Consistência visual, divulgação do
single
Com anos de estrada na banda Simonami, os membros da Tuyo possuem uma visão bastante madura de mercado e contam com a parceria com o Hai Studio para realização de suas campanhas visuais, que se mostram bastante profissionalizadas e ramificadas para aproveitar as diferentes possibilidades dos canais digitais. A Figura 49, por exemplo, mostra como a integração de diferentes peças feitas para a divulgação de um single pode compor uma unidade visual, assim aproveitando a interface de um aplicativo para reforçar a identidade da campanha. O uso de diferentes linguagens (ilustração, motion design, composição fotográfica, etc.) é concebido de acordo com padrões visuais que mantêm a consistência necessária para a compreensão de diferentes peças como partes da construção de um universo simbólico, expressado visual e musicalmente.
3.5.3 Mapa da presença digital
Quadro 20 – Mapa de presença digital: Tuyo.
Quadro 16 – Mapa de presença digital:Tuyo
Redes sociais Canais de streaming Bandcamp Youtube Site
Facebook Instagram Spotify Deezer Versão
web Versão mobile Sim – Possui página com 127 mil “curtidas”. Acesso em 18 jun. 2019. Sim – O design do painel do perfil em si é aproveitado como uma peça à parte, por meio da composição de imagens. Acesso em 18 jun. 2019. Sim – Disponibi -liza os dois álbuns, além dos singles e de gravações ao vivo. Acesso em 18 jun. 2019. Sim – Perfil com 4.930 “fãs”. Acesso em 18 jun. 2019. Sim – Mas parece estar bastante desatualiza do. Acesso em 18 jun. 2019. Sim – Canal com 1.100 “inscritos”. Acesso em 18 jun. 2019. Não exatamente – O grupo possui um domínio web para uma página que contém links para todos os seus demais canais digitais. Não.
Fonte: autoria própria (2019)
Mais uma vez, nota-se que não há presença de site (algo observado anteriormente em Trombone de Frutas), ainda que o design do grupo seja bastante sofisticado e ramificado.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Durante o levantamento bibliográfico prévio para elaboração do problema de pesquisa, constataram-se variados estudos que investigam a relação da música com as novas mídias, ou das artes com as novas mídias, assim como há bastantes pesquisas relacionando métodos de design gráfico a novas tecnologias e ao contexto digital; entretanto, não havia ponto de partida satisfatório para realizar um projeto que especificamente relacionasse a forma de gerenciamento das expressões visuais de músicos com o design gráfico.
Além disso, a opção por realizar estudos de caso localizados em Curitiba se pauta na premissa de relacionar a pesquisa com o entorno, visando contribuir para o design local e para as potencialidades do cenário cultural urbano como um todo.
Ao determinar como casos de estudo cinco bandas locais, percebem-se artistas de projeção nacional e em cujo alcance o design gráfico marca sua presença crucial, em especial como ferramenta de apropriação do espaço digital, na qual a atual configuração do mercado de música tanto se ancora. Ter em mente as possibilidades de divulgação reflete na observação de como adaptar o pensamento de design para elementos que serão expostos a um ambiente vastíssimo e cada vez mais carregado de ruídos - a internet -, mas também cada vez mais incorporado à lógica do grande mercado e com mais barreiras de programação.
A atividade do cenário de bandas independentes, ainda que sujeito a todo tipo de obstáculos e intempéries, produz com certa frequência artistas que atingem amplitude nacional. Entretanto, como sempre aconteceu com os independentes, muitas das bandas, projetos e artistas, que embora cativantes, surgem nos subterrâneos desta “provinciana” capital - para citar a descrição que Moraes faz da Curitiba dos anos setenta (2011, p.17) - são efêmeras e terminam deixando poucas pistas de sua contribuição para a existência de expressões musicais geradas a partir de referenciais das pessoas que vivem e estão intimamente conectadas com o entorno da capital paranaense.
Durante o desenvolvimento da presente pesquisa, além de apontar particularidades da relação que o design gráfico tem estabelecido com a arte da música e a indústria musical ao longo das últimas décadas, aponta-se também a característica, inerente às peças gráficas, de descrever à sua maneira e de registrar eventos, locais, nomes e elementos imagéticos que complementam o universo musical nelas retratados. Desta forma, a função para a qual se intenciona, por exemplo, um cartaz para determinado festival de música - a de divulgação do
evento -, pode se converter à função de compor a memória gráfica que constitui valor identitário para o público que com ela estabeleça ligação afetiva.
Por compreender que os segmentos e gêneros musicais que habitam em Curitiba são muito diversos, não se pretende, com a presente pesquisa, apontar elementos comuns que, de alguma forma, constituam um resumo do que possa ser compreendido como identidades locais, mas somente destacar a função que a música exerce e explicitar o papel que do design gráfico na difusão e no reforço dessas identidades.
Entende-se, também, que a velocidade, o valor e o alcance da maneira como se estabelecem estas relações identitárias têm sofrido intensas mudanças, ou deslocamentos, pelo que Hall descreve como crise de identidade cultural na modernidade tardia (2006, p. 7), e pela influência dos comportamentos e da natureza das novas mídias, conforme os apontamentos de Dizard (2000, p. 23).
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APÊNDICES
ANEXO 1 – Entrevista com Lorenzo Molossi
Lorenzo Molossi é um dos idealizadores do Coletivo Atlas, grupo formado em Curitiba que reúne diversas iniciativas e projetos artísticos. (entrevista concedida via Facebook).
1. Primeiramente, você pode falar sobre como o Coletivo Atlas começou a se
articular? Como foi o processo de formação e quais foram as iniciativas? O que favoreceu
o desenvolvimento do Coletivo?
L.M.: As reuniões começaram como conversas principalmente sobre música da cidade, nacional
ou global. Daí pensamos maneiras de apoiar uns aos outros enquanto artistas, através de uma
plataforma ou selo comum, onde compartilharíamos caminhos possíveis e até mão-de-obra para
uma criação. Um privilégio foi ter bastante tempo pra trabalhar nesse projeto e tantos outros.
2. Que objetivos vocês tinham em mente no momento da criação e quais são os
objetivos hoje? Como o coletivo se articula em curitiba?
L.M.: O objetivo era lançar sons, ajudar a gravar, encontrar espaços para que acontecessem.
Esses objetivos oscilaram em importância ao longo dos 4 anos de existência, e hoje estão mais
próximos da questão de encontrar espaços paras as artes nesse contexto surreal que temos
vivido.
3. Quantas bandas já fazem parte do coletivo? Como elas foram introduzidas e qual
é a relação delas com a marca?
L.M.: Não vejo como uma marca, é só um grupo de pessoas organizadas na horizontal. Já
tivemos algo em torno de 20 bandas/projetos musicais que apoiávamos, mas no momento
conseguimos apoiar nossos próprios projetos e eventualmente trabalhos próximos a nós e/ou
4. Sobre o circuito independente de curitiba: quais foram as mudanças observadas e
discutidas por vocês desde o início da atuação do coletivo (e como o Coletivo se posiciona
frente a essas mudanças)?
L.M.: Os espaços mudaram muito, mas existem “rolês” possíveis em Curitiba, só temos
dificuldade em manter uma consistência porque aqui tem muito vai e vem - lugares e pessoas
que aparecem e logo já são desmotivados por intervenções da prefeitura higienista que temos
ou outras “bads” comuns do ser artista / apoiar a arte no Brasil.
5. Para você, como músico, quais são as particularidades de buscar reconhecimento
de maneira independente? Quais as vantagens e desvantagens?
L.M.: As particularidades são todas, não tem quase nada a ver com a outra via, a do grande
mercado. Todos os aspectos estruturais e executivos ficam para os integrantes realizarem, então
dependemos de horários de trabalho, de estudo, é complicado encaixar tudo. Um benefício está
na parte criativa, na qual carregamos toda a responsabilidade e liberdade também.
6. A aceitação do público curitibano para a nova música produzida aqui tem crescido
nos últimos anos? Na sua opinião, a que se deve isso?
L.M.: A aceitação à nova música no que diz respeito à maior parcela da população eu não sinto
ter mudado, nem pra melhor ou pior, ainda não se conhece o que é feito aqui. Mas tem muita
gente adepta e afetiva com aquilo que imediatamente as cerca, então aceitam e buscam saber
dos movimentos, quem sabe consigamos passar essa abertura para as próximas gerações, apesar
ANEXO 2 – Entrevista com Raine Holtz (entrevista concedida via e-mail). Raine Holtz, que comanda o projeto solo Through Waves
1. Você pode contar um pouco sobre como começou o projeto Through Waves? Como
tem sido a sua trajetória como artista independente até agora?
R.H.: Em 2006, com 16 anos de idade, eu fundei meu selo independente The Schooner Harbour, e utilizei plataformas de distribuição musical física e digital com a CDBaby nos EUA. Na época a indústria musical estava ruindo, e muitos artistas se tornaram independentes ou iniciaram seus projetos de modo independente com o apoio da internet. Ficava mais simples ser um artista e ter contato direto com o seu público. Esta parceria com a CDBaby custava pouco na época, e eu tinha autonomia completa para fazer minha música do jeito que eu quisesse e prensar quantos CDs eu pudesse ou quisesse e mandar para eles para que distribuíssem também em formato digital. Se hoje meus álbuns estão disponíveis na maior parte das lojas digitais do mundo, foi através desta parceria. Qualquer um pode fazê-lo. Ser um artista musical hoje em dia não significa mais estar desamparado até que uma gravadora enorme e gananciosa se aproprie da sua obra. A partir de então, produzi e distribuí quatro álbuns de forma completamente independente, os dois últimos “Confluence: the Rivers of Sorrow” e “Eidolon” através de financiamentos coletivos bem sucedidos na internet. Inclusive outra realidade para o artista hoje em dia: o financiamento coletivo permite que sua obra seja financiada através dos seus mais honestos e entusiasmados “mecenas”: seus próprios fãs. Muito embora eu venha a entender após estes 12 anos de trabalho independente que a bolha em que sua música é relevante é muito pequena, eu acho que não há outra forma de se trabalhar hoje em dia.
2. Nesses anos de trabalho, como você percebe a presença das mídias tradicionais
(rádio, tv, jornais, etc) na divulgação do trabalho dos músicos independentes? Há espaço
R.H.: Eu definitivamente acho que há espaço para o artista independente na mídia, mas o seu alcance é bastante reduzido. As pessoas parecem não ter muito interesse em conhecer coisas novas a menos que elas sejam imensamente produzidas ou tenham uma identidade própria já criada para ser comercializada. Eu nunca me beneficiei do apoio de rádios ou jornais, ou televisão. Minha arte se desenvolveu através do “boca a boca”, e isso não vai muito longe, no fim das contas. Mesmo que você seja um artista muito original (e originalidade é algo que simplesmente não existe mais), você é reduzido a um nicho. A vulgarização do artista independente na primeira década dos anos 2000 (quando era “cool” ser “indie”) veio e foi embora, provando que o que é underground e produzido de forma independente ainda não está fazendo dinheiro suficiente para que os veículos midiáticos mais expressivos possam se beneficiar deles.
3. E quanto às mídias virtuais (site, redes sociais, podcasts, etc)? Como elas estão
presentes no seu trabalho?
R.H.: No começo da nova era após a ruína da indústria musical no começo dos anos 2000, era excitante ser um artista independente. Todas as portas estavam abertas para que você colocasse o suor da sua sobrancelha para divulgar sua música. Redes sociais no entanto deliberadamente cortam o alcance de qualquer artista independente hoje em dia, porque já entenderam que existe o potencial de fazer dinheiro em cima disso. São as engrenagens do capitalismo, afinal de contas. Redes sociais são ferramentas úteis, mas hoje em dia os entusiastas precisam buscar por si próprios os seus artistas. A menos que o seu interesse seja alimentado pela nata da cultura popular que detém a priorização da divulgação midiática, você não vai ver muito daquela banda que assistiu tocar no bar se não busca-la ativamente.
4. Quais dificuldades você encontra para se apresentar em Curitiba? Como é a sua
R.H.: O meu trabalho musical é muito singular. E eu não digo isso querendo dizer que ele é original ou melhor que o que existe por aí. A parcela da população de Curitiba que consome o tipo de arte que eu faço é muito reduzida e pouco representada. De repente temos uma artista transexual, que toca um instrumento medieval extremamente raro, produzindo de forma independente e sem apoio de divulgação música darkwave, folclórica e acústica, e cantando sobre coisas extremamente deprimentes e desesperadoras. Qual é o lugar que me deixaria tocar meia hora para mostrar isso para as pessoas? Eu devo ter tocando em quatro ou cinco lugares diferentes dentro de Curitiba em 12 anos de trabalho. Foi este tipo de falta de fé que me fez tocar viela de roda na rua. Foram cinco anos tocando como uma artista anônima nas ruas, vendendo CDs e divulgando meu trabalho da forma mais oral e bagunçada de todas. Saltimbancos na Feira do Largo me fizeram virar muito brevemente uma atração turística no centro da cidade, aos domingos. Pessoas vinham de fora do estado para me ouvir, outras tantas eram presenças assíduas nos pontos em que eu conseguia. É fabuloso ter a liberdade artística para fazer este tipo de coisa, mas é também um trabalho extremamente extenuante, cansativo e desmotivador. Eu não toco mais nas ruas, portanto meu trabalho é completamente ignorado agora em tempos de algoritmos inviabilizadores no Facebook. O artista independente volta a tirar leite de pedra para pagar o aluguel.
5. Você percebe resistência do público ao seu tipo de som? Acha que a aceitação do
público a sons locais tem se modificado nos últimos anos?
R.H.: Eu não sei se posso julgar as pessoas a ponto de dizer que elas oferecem “resistência” ao trabalho que eu desenvolvo. Meu trabalho pode ser um pouco diferente das bandas que tocam em bares, ou dos outros artistas que também trabalham com música tradicional em Curitiba (simplesmente porque eu me recusei a tocar música irlandesa, que eu absolutamente detesto), mas ele definitivamente não é novo. Eu não sou original. Não sou melhor do que ninguém. Existem vários outros artistas com propostas semelhantes por aí, tenho certeza. Eu atribuo o
meu fracasso como artista em parte pela abordagem terapêutica e ritualística que permeia a minha obra, o “attention span” das pessoas não vai muito longe hoje em dia para digerir facilmente isso. Em 2010 e em 2018 a aceitação geral ao que eu faço é a mesma. A cada 100 pessoas, 90 ignoram o que eu faço. Mas as dez pessoas interessadas se doam de coração e acreditam fielmente no que eu faço. Portanto acho que o meu tal “fracasso como artista” só tange a comercialidade dele, porque seu propósito serve outras esferas. O que mais eu poderia querer, então?
ANEXO 3 – Entrevista com Lia Kapp
Artista: Lia Kapp (entrevista concedida via e-mail).
1. Você pode contar um pouco sobre como começou o seu projeto solo? Como tem
sido a sua trajetória como artista independente até agora?
L.K.: Comecei a compor em 2014, quando tinha 16 anos, mas naquela época eu ainda acreditava