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Campanhas de amostragem

De forma a aplicar o método dos isótopos para a avaliação da infiltração na Zona Alta da bacia de Alcântara, é necessária, numa primeira fase, a realização de campanhas de amostragem, recolhendo amostras de água em origens e locais estratégicos.

A seleção dos dias para realização das campanhas de amostragem é crucial para o método dos isótopos estáveis. Recorda-se que é necessário que se verifique a condição de tempo seco, sendo que se admite, para o efeito, que esta condição se verifica caso nos dois dias antecedentes não haja registo de precipitação. Esse intervalo de tempo de 48 h parece razoável e conservativo, considerando que o tempo de concentração da bacia é de cerca de 4 a 6 h (HIDRA; ENGIDRO, 2007) e tendo em conta o que foi discutido no subcapítulo 4.5. Assim, aquando a escolha dos dias para a realização das campanhas de amostragem é necessário garantir que não há registos de precipitação tanto nos próprios dias como nos dois dias antecedentes.

No âmbito do projeto da SIMTEJO, foram realizadas duas campanhas de amostragem de 3 dias de tempo seco: uma no período de Verão, nos dias 22, 23 e 24 de Julho de 2013, e outra no período de Inverno, entre os dias 12 e 14 de Março de 2014, considerando, deste modo, a variação sazonal do nível freático. De forma a obter resultados com maior resolução, seria aconselhável efetuar recolhas horárias, com o intuito de captar pequenas variações ao longo do dia. No entanto, devido a questões logísticas, tal não foi possível.

Aquando o planeamento dos trabalhos e das campanhas foram estudados diversos aspetos, nomeadamente, as origens de água que possam afluir ao sistema de drenagem, o número adequado de pontos de recolha de amostras, a localização e distribuição espacial dos pontos, bem como a facilidade de acesso aos mesmos. Este último ponto é particularmente importante, pois pode pôr em causa a recolha das amostras, caso o acesso aos pontos de medição seja impossibilitado.

Na seleção dos pontos de medição é necessário ter acesso a dados geográficos das três origens de águas referidas anteriormente (água potável, água freática e água residual). O planeamento da recolha de água potável foi relativamente simples, uma vez que a recolha pode ser feita em torneiras de domicílios ou de espaços comerciais, ou até mesmo em bebedouros ou fontes de água localizadas em espaços públicos. No caso das águas freáticas é aconselhável recorrer aos cadastros de poços e minas de água, caso não existam cursos de água superficiais adequadas. Relativamente à escolha dos pontos de recolha de água residual, selecionou-se a secção terminal da Zona Alta, junto à ETAR de Alcântara, sendo que, desta forma, os caudais de infiltração que serão obtidos poderão ser representativos da infiltração total na zona alta da bacia de Alcântara, nos períodos considerados.

Importa salientar que a realização das campanhas exige um vasto conjunto de recursos humanos e materiais. As condições de acessibilidade de cada local definem o número de pessoas necessário. Os recursos materiais podem dividir-se em duas categorias: os que são inerentes à recolha de amostras para análise da razão isotópica, e os que são auxiliares. No primeiro caso incluem-se filtros, seringas e tubos e no segundo baldes, copos e instrumentos de ajuda à remoção das tampas, por exemplo. Uma vez que as amostras têm de ser armazenadas a baixa temperatura, é ainda fundamental dispor de geleira.

O fornecimento do material foi assegurado pelas entidades envolvidas no projeto, ou seja, o Instituto Superior Técnico e a SIMTEJO, essencialmente responsáveis pelo material de segurança e auxílio de amostragem, nomeadamente, luvas, frascos, refrigerador, sonda paramétrica, entre outros. Além disso, o SIIAF forneceu o material de amostragem, isto é, filtros, seringas e tubos Eppendorf.

Previamente à realização de cada campanha foi necessário proceder a diversas atividades de preparação, como assegurar a disponibilidade dos materiais e equipamentos necessários, bem como dos recursos humanos. Além disso, foi necessário realizar visitas prévias de reconhecimento dos locais previamente selecionados, de forma a conhecer a localização de cada ponto, a estudar o percurso entre pontos, adaptar o planeamento inicial das atividades, se necessário, e ainda tentar prever possíveis obstáculos que possam dificultar o bom funcionamento das campanhas.

Nos planos de atividades das campanhas foi estabelecido um calendário de recolhas de amostras, no qual se encontram indicadas as horas das recolhas de cada ponto referido de recolha definido, bem como as equipas destacadas para o efeito. A calendarização das recolhas de amostras pode ser consultada no Anexo I.

A recolha de amostras para análise da razão isotópica tem naturalmente algumas especificidades, sendo que os procedimentos e os cuidados a ter diferem ligeiramente, consoante a origem de água (freática, potável ou residual). Para tornar mais clara a explicação dos procedimentos, apresentam-se no Anexo II o procedimento a respeitar de acordo com a origem de água. Para além de se terem consultado relatórios de campanhas semelhantes realizadas anteriormente (fora de Portugal), seguiram-se as indicações do SIIAF (“Stable Isotopes and Instrumental Analysis Facility”) (Matoset al., 2014)

Importa ainda referir que, aquando as campanhas de amostragem, recorreu-se a uma sonda paramétrica de forma a efetuar medições in situ de diversos parâmetros, como a temperatura, ph, condutividade, entre outros. Foi ainda feita a análise de CQO das amostras recolhidas na campanha de Verão de modo a determinar se existia contaminação. Os resultados destas medições podem ser consultados no Anexo III.

6.3.2 Campanha de Verão

A campanha de amostragem do período de Verão foi realizada nos dias 22, 23 e 24 de Julho de 2013, e abrange seis pontos de recolha, sendo que um corresponde a águas residuais, dois a água potável e três a água freática. A descrição e localização dos pontos de recolha constam no Quadro 6.2 e a localização dos mesmos pode ser visualizada na Figura 6.1.

Quadro 6.2: Identificação dos locais de medição da campanha de Verão. Adaptado de Matos et al. (2014).

Origem Local Identificação Morada

Água residual

(total) Caneiro de Alcântara CANETAR ETAR de Alcântara (Av. De Ceuta), Lisboa

Água potável (rede)

Bebedouro (Parque Aventura) AP1 Estrada da Falagueira, Amadora

Torneira (ETAR de Alcântara) AP2 ETAR de Alcântara (Av. De Ceuta), Lisboa

Água freática

Nascente da R. da Fonte dos

Passarinhos AF1 Rua Fonte dos Passarinhos, Amadora Nascente do Jardim da Mina AF2 Praceta do Jardim da Mina, Amadora Linha de água do Parque

Aventura (Belas/aqueduto) AF3 Estrada da Falagueira, Amadora

Com esta campanha recolheu-se um total de 56 amostras, isto é, 20 amostras de água potável, 22 amostras de água residual e 14 amostras de água residual total (na secção CANETAR). Refira-se que, por motivos principalmente logísticos, o horário, duração, distribuição temporal e tipo de recolhas não foram iguais em todos os dias, como mostram os resultados e a calendarização no Anexo I.

6.3.3 Campanha de Inverno

Pretende-se que os resultados obtidos nas duas campanhas se complementem e sejam concordantes, e que a sua análise conjunta permita entender melhor a contribuição da infiltração na Zona Alta da bacia de Alcântara. Naturalmente, para que os resultados possam ser comparáveis, os locais escolhidos para a recolha de amostras devem ser os mesmos nas duas campanhas. No entanto, após a realização da primeira campanha identificaram-se situações, referidas de seguida:

As análises de CQO mostraram que o local AF1 (Nascente da Rua dos Passarinhos) se encontrava contaminada, tal como é possível verificar pelo Anexo III, pelo que não pode ser usada como indicador para águas freáticas;

 As amostras de água potável recolhidas nos locais AP1 e AP2 apresentaram valores de δ18O relativamente diferentes, o que torna pouco rigoroso utilizar a média dos valores como valor de referência para águas residuais.

Assim, foi necessário fazer alterações nos locais de recolha de amostras de águas potáveis e freáticas, com o intuito de corrigir os problemas anteriormente referidos. O ponto AF1 foi substituído pela nascente da Quinta da Laje (Figura 6.2), um dos locais previamente apontados pela SIMTEJO e visitados, denominando-se AF4.

Figura 6.2: Fotografias dos locais AF4,, AF2 e AF3,, respetivamente da esquerda para a direita (Matos et al., 2014).

Adicionalmente, para conseguir um maior rigor na análise da razão δ18O característica da água potável, foram recolhidas amostras em mais uma secção da bacia. Assim, para além dos locais AP1 e AP2 (analisados na campanha da Verão), foi incluída uma terceira origem de água potável, próxima das Portas de Benfica. A inclusão desta secção permite ainda dispor de uma maior variabilidade espacial nos resultados relativos a águas potáveis. A descrição e localização de cada ponto de amostragem na campanha de Inverno apresentam-se no Quadro 6.3 e Figura 6.3.

Figura 6.3: Localização dos pontos de recolha de amostras na bacia, em planta (Matos et al., 2014). Quadro 6.3: Identificação dos locais de medição da campanha de Inverno. Adaptado de Matos et al. (2014).

Origem Local Morada

Água residual (total) Caneiro de Alcântara CANETAR ETAR de Alcântara (Av. De Ceuta), Lisboa

Água potável (rede)

Bebedouro (Parque Aventura) AP1 Estrada da Falagueira, Amadora

Torneira (ETAR de Alcântara) AP2 ETAR de Alcântara (Av. De Ceuta), Lisboa Torneira (Zona Portas de

Benfica) AP3

Portas de Benfica (estabelecimento comercial)

Água freática

Nascente do Jardim da Mina AF2 Praceta do Jardim da Mina, Amadora Linha de água do Parque

Aventura (Belas/aqueduto) AF3 Estrada da Falagueira, Amadora Nascente da Quinta da Laje AF4 Estrada da Falagueira, Amadora

Nesta campanha foram recolhidas, no total, 74 amostra, ou seja, 30 amostras de água potável, 30 amostras de água freática e 14 amostras de água residual total (na secção CANETAR). Dada a experiência adquirida com a primeira campanha, a calendarização da campanha de Inverno sofreu algumas alterações, tal como se pode verificar no Anexo I.