De forma a compreender melhor o enquadramento do caso de estudo, torna-se pertinente apresentar alguns aspetos mais relevantes da região, como o clima e relevo, geologia, ocupação do solo, permeabilidade do solo e nível hidrostático das massas de água subterrâneas. Embora a permeabilidade do solo e o nível hidrostático sejam características relevantes da região, estes temas serão explorados no subcapítulo dedicado às águas subterrâneas existentes no caso de estudo (subcapítulo 5.5), dados que se relacionam diretamente com água no solo.
Em CM Lisboa (2010), Oliveira (2010) e Rodrigues (2013) é apresentada uma caracterização completa da Zona Alta da bacia de Alcântara, pelo que a informação apresentada neste ponto será maioritariamente baseada nestas referências.
5.4.2 Clima e relevo
De uma forma geral, Lisboa apresenta um clima mediterrâneo, com o Verão tipicamente quente e seco e com grande parte da precipitação concentrada nos meses entre Outubro e Abril. O clima da região pode ser explicado por fatores geográficos regionais, tal como, a latitude e proximidade do Oceano Atlântico, conferindo uma amenidade térmica. Dada a proximidade entre os concelhos de Lisboa e Amadora, considera-se que o clima é idêntico em ambos, para efeitos da presente dissertação.
A temperatura média anual da cidade aproxima-se dos 16ºC, sendo que os mínimos (valor médio de 10ºC) surgem nos meses de Dezembro, Janeiro e Fevereiro, enquanto os máximos, em termos médios, rondam entre 20ºC e 25ºC, e ocorrem nos meses de Julho a Setembro. Em termos de precipitação anual, registou-se um valor médio 725 mm, entre 1990 e 2000, valores máximos de cerca de 160mm (no mês de Fevereiro) e valores mínimos entre 3 e 7mm (nos meses de Julho e Agosto). Lisboa encontra-se sujeita a eventos extremos de temperatura, precipitação, vento forte e trovoada. De acordo com as condições atmosféricas a que Lisboa é sujeita, é possível distinguir dois períodos climáticos diferentes: um período de Novembro a Março e outro de Abril a Outubro (CM Lisboa, 2010).
Figura 5.7: Modelo Digital do Terreno da região da Zona Alta da bacia de Alcântara (Rodrigues, 2013).
Relativamente ao relevo da bacia de Alcântara, de acordo com o Modelo Digital do Terreno da bacia (MDT) da bacia em estudo representada na Figura 5.7, verifica-se que a altitude varia, aproximadamente, entre os 36 e 280m. Além disso, verifica-se ainda que grande parte da região de Lisboa da bacia de Alcântara caracteriza-se por apresentar altitudes entre 60 e 120m, enquanto a região da bacia pertencente ao concelho da Amadora, apresenta altitudes relativamente superiores, atingindo altitudes entre os 240 e 280m.
5.4.3 Geologia e tipos de solo
No concelho de Lisboa afloram uma grande variedade de formações geológicas. Na Figura 5.8 é apresentada a Carta Geológica dos concelhos de Lisboa e Amadora com delimitação da Zona Alta da Bacia de Alcântara, onde é possível identificar as unidades geológicas associadas à área em estudo. Assim, verifica-se que o Complexo Vulcânico de Lisboa (CVL) ocupa uma área considerável na bacia, as unidades aluvionares, junto ao Caneiro, o complexo de Benfica e as Argilas de Prazeres ocupam grande parte da restante área. Com menor expressão, surgem as formações de Caneças e de Bica.
Figura 5.8: Mapa geológico da Zona Alta da bacia de Alcântara (Rodrigues, 2013).
Relativamente aos tipos de solo, destacam-se os solos basálticos, carbonatados, argilosos e aluvionares. O solo associado ao CVL corresponde a uma formação geológica com origem basáltica. Por outro lado, o Complexo de Benfica, assim como, as Argilas de Prazeres, apresentam solos argilosos. Já as Formações de Caneças e de Bica apresentam solos carbonatados (CM Lisboa, 2010).
Assim, a bacia de drenagem de Alcântara insere-se maioritariamente em formações detríticas, carbonatadas e em rochas ígneas (Oliveira, 2010). Refira-se que esta variedade de formações geológicas constitui a responsável pela permeabilidade heterogénea da bacia em estudo pelo que, por conseguinte, a capacidade de armazenamento de água subterrânea varia de acordo com o tipo de formação (Oliveira, 2010).
5.4.4 Uso do solo
Em HIDRA; ENGIDRO (2007) foi elaborado uma carta simplificada do uso do solo da Zona Alta da bacia de Alcântara exclusivamente para o concelho de Lisboa, de acordo com oito classes: espaço verde; área edificada; área edificada de baixa densidade; área edificada – moradias; canal rodoferroviário; área industrial; usos especiais e não classificado. Na Figura 5.9 apresenta-se a carta do uso do solo da área de Lisboa da bacia em estudo, onde é evidente uma grande área com a classificação de “área edificada – baixa densidade”, observando ainda uma mancha de “espaço verde”, correspondente ao Parque do Monsanto. Desta forma, tendo em conta a informação referida, é possível afirmar que a área da bacia (do concelho de Lisboa) apresenta uma fração importante de área edificada, em regra, impermeabilizada, levando a escoamento superficial e dificultando a infiltração de água pluvial no solo.
Figura 5.9: Uso do solo na Zona Alta da Bacia de Alcântara. Adaptado de HIDRA; ENGIDRO (2007) e Rodrigues (2013).
De facto, no PGDL (2008) foi atribuído a cada classe uso do solo, um valor do parâmetro C do método racional, método este aplicado à determinação dos caudais de ponta pluviais. Este coeficiente expressa, de certa forma, o grau de impermeabilização do solo, dado que engloba vários aspetos como a relação entre o volume de água escoada e a precipitação, os efeitos de retenção, regolfo, entre outros. Para a bacia de Alcântara, incluindo a Zona Baixa, admite-se um valor médio ponderado do parâmetro C de 0,67 (CHIRON; ENGIDRO; HIDRA, 2006).
Em Crucho (2013) é apresentada a Carta do uso do solo do Concelho de Amadora do ano de 2007 (Figura 5.10), sendo atribuídas dez classes, nomeadamente: Tecido Urbano; Indústria, comércio e equipamentos gerais; Redes viárias e ferroviárias e espaços associados; Áreas em construção ou de deposição de resíduos; Equipamentos desportivos, culturais e de lazer; Espaços verdes urbanos; Área Agrícola; Pastagens permanentes; Florestas; Vegetação arbustiva e herbácea. Observa-se uma macha considerável das classes Tecido Urbano e Vegetação arbustiva e herbácea.
5.5 Caraterização do sistema de águas subterrâneas na bacia de Alcântara