• Nenhum resultado encontrado

CAMPO ECONÔMICO

No documento MERKLEN LI (páginas 72-76)

4 ANÁLISE SETORIAL

4.1 CENÁRIO INTERNACIONAL

4.1.2 CAMPO ECONÔMICO

A instabilidade política e perdas econômicas causadas pela guerra no Iraque, assim como seu desfecho que ainda está por acontecer, o desastre natural do furacão Katrina, que reduziu em 80% a extração de petróleo do Golfo do México, região responsável por ¼ da produção norte-americana, fez com que os preços do barril do petróleo chegassem a patamares nunca antes vistos. A própria Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) tornou pública sua preocupação

com a trajetória de alta de preços da commodity. Suas ações para tentar conter a

ignoradas pelo mercado petrolífero, uma vez que os países membros já produzem acima do limite determinado pela organização e os preços continuam em escala crescente.

Outra recente e crescente preocupação mundial é a gripe aviária que tem se espalhado pela Ásia e leste da Europa. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a gripe aviária é uma doença contagiosa que atinge animais, causada por vírus que normalmente infectam apenas aves, e em casos mais raros, porcos. Esses vírus são altamente organizados e evoluídos de modo a atingirem a apenas uma espécie, mas têm, em alguns casos, cruzado a barreira das espécies e atingido humanos.

Já foram registrados casos de infecção de animais pelo vírus no Reino Unido, Croácia, Romênia, Rússia, Cazaquistão, Mongólia, Paquistão, Coréia do Sul, Japão, Laos e Malásia. Foram confirmadas infecções de humanos, acarretando em mortes, na Turquia, China, Hong Kong, Vietnã, Tailândia, Camboja e Indonésia.

Em aves domésticas, a doença se apresenta de duas formas diferentes, distintas pela intensidade com que atacam. Quando considerada de baixa patogenia, causa apenas sintomas moderados, como queda das penas e na produção de ovos. Se a infecção é considerada de alta patogenia, espalha-se rapidamente e ataca vários órgãos, sendo que a mortalidade pode chegar a 100% em 48 horas.

Atualmente, a variante considerada mais agressiva do vírus é a H5N1, que pode infectar humanos que tiveram contato com aves doentes, causando uma doença muito severa. De todos os vírus que cruzaram a barreira das espécies, essa variante foi a que causou o maior número de casos entre homens e mulheres.

Diferentemente da gripe normal, que provoca infecções no aparelho respiratório, a gripe aviária segue um curso clínico que se caracteriza por uma deterioração rápida e morte na maioria dos casos, causando pneumonia viral e falência múltipla dos órgãos. Desde que reapareceu, em 2003, mais da metade das pessoas que contraiu a doença morreram.

O medo de uma epidemia mundial de gripe aviária chegou ao setor de seguros, que em sua previsão mais pessimista, estima que poderia gerar perdas de até US$ 200 bilhões, apenas para as seguradoras.

As conseqüências econômicas da hipótese de uma epidemia são difíceis de ser calculadas, pois dependem fundamentalmente da capacidade que as autoridades terão para a conter, como aconteceu com a Síndrome Respiratória Aguda Severa (Sars), em 2003.

Comparações já foram feitas com a epidemia de Sars, que matou mais de 800 pessoas na Ásia Oriental e no Canadá em 2003. Relatórios do Banco Mundial apontam que as perdas ocasionadas por conta da Sars chegaram a cerca de 2% do PIB regional da Ásia, no segundo trimestre de 2003.

Durante a epidemia de Sars, as pessoas tentaram evitar a contaminação minimizando os contatos pessoais, resultando numa drástica queda na demanda nos setores de serviços, como turismo, transporte de massa, vendas no varejo, hotéis e restaurantes, além de causarem faltas no trabalho e quedas de produção.

Os efeitos mais significativos sobre a economia mundial, no caso de uma pandemia de gripe aviária, viriam da descoordenação de ações individuais para evitar a contaminação e os prejuízos poderiam chegar a US$ 800 bilhões por ano. Em seu relatório o Banco Mundial estima que uma pandemia poderia levar a até 200 mil mortes e 700 mil hospitalizações. As perdas associadas poderiam ficar entre US$ 100 e US$ 200 bilhões só nos EUA. Se estendido aos países desenvolvidos, as perdas poderiam chegar a US$ 550 bilhões.

As perdas mundiais seriam sem dúvida maiores, devido ao impacto sobre os países em desenvolvimento. É necessário não só levar em conta custos com prevenção e tratamento de seres humanos, mas também custos com vacinas para aves infectadas, contratação de trabalhadores para limpeza, vigilância, transportes e ressarcimento de produtores de aves que tiverem seus animais sacrificados.

Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), a luta pelo combate da gripe aviária nos países do sul da Ásia vai custar ao menos US$ 102 milhões nos próximos dois ou três anos.

O transporte de mercadorias e bens perecíveis também pode sofrer perdas, assim como as companhias aéreas e empresas voltadas ao turismo, o que pode ter um efeito negativo para os mercados de valores. As empresas de seguro seriam sem dúvida as mais afetadas com a deflagração de uma pandemia, principalmente para as empresas que provêem seguros de vida para as regiões mais afetadas. Em seguida as empresas de seguro de saúde também correm risco financeiros por causa dos altos custos hospitalares e da exposição a processos por mau trabalho e negligência, na possibilidade de os hospitais ficarem lotados ou incapazes de estabelecer a quarentena apropriada.

Outro fator crucial na economia global atual é o desempenho econômico da China. Com o crescimento econômico que perdura há 20 anos, com indicadores econômicos exageradamente positivos, a China vem quebrando recordes após recordes econômicos. Seu superávit comercial triplicou de valor e alcançou US$ 102 bilhões, em 2005, devido ao salto das exportações. Seus números positivos relativos à balança comercial estão proporcionando o aumento da tensão entre o país asiático, os Estados Unidos e a União Européia (UE) a respeito de sua política cambial.

O superávit, que em dezembro de 2004, subiu para US$ 11 bilhões, levou os EUA, a Europa e o Japão a acusarem o governo chinês de manter sua moeda artificialmente desvalorizada para estimular as exportações. Parlamentares americanos estão ameaçando impor novas tarifas de importação sobre produtos chineses, e a UE disse que poderá entrar com uma reclamação na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Em dezembro passado, as exportações chinesas aumentaram 18%, para US$ 75,4 bilhões, e as importações saltaram 22%, para US$ 64,4 bilhões. Para o ano de 2005 como um todo, as vendas da China no exterior alcançaram o total de US$ 762 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 660 bilhões.

Em 2005 a economia chinesa cresceu 9,9% e tornou-se a quarta maior do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, Japão e Alemanha. Seu PIB (Produto Interno Bruto) atingiu US$ 2,26 trilhões em 2005. Com isso, o gigante asiático

ultrapassou o Reino Unido no ranking das maiores economias mundiais - o PIB britânico alcançou US$ 2,02 trilhões no ano passado.

No documento MERKLEN LI (páginas 72-76)