3 METODOLOGIA
3.2 DELINEAMENTO DA PESQUISA
3.2.2 FONTE DE DADOS
A metodologia para a execução deste estudo utilizou de dados primários e dados secundários.
Para Malhotra (2001), dados secundários são aqueles já coletados, tabulados, ordenados e catalogados à disposição dos interessados; já dados primários são aqueles que ainda não foram coletados e estão de posse dos pesquisados ou do objeto de estudo.
3.2.2.1 DADOS SECUNDÁRIOS
Os dados secundários foram obtidos através da análise de jornais e revistas, periódicos acadêmicos, relatórios e outras publicações setoriais e livros especializados.
Os dados secundários foram utilizados como elemento orientador, proporcionando assim uma elaboração mais adequada do instrumento de coleta de dados primários, assim como a análise das pressões do contexto ambiental, em que as organizações que serão analisadas se encontram.
A maior parte dos dados secundários relativos à conjuntura política e econômica nacional e internacional foi coletada em veículos de mídia impressos, tais como periódicos semanais, revistas especializadas e jornais.
A ABINEE provou ser uma fonte muito útil de informações, tanto para a operacionalização da coleta de dados primários descrita mais detalhadamente a seguir, como fonte de referência e informações especializadas sobre o setor. A entidade publica periódicos setoriais, além de manter uma gama ampla de informações periodicamente atualizadas sobre o setor em seu banco de dados, disponíveis em seu endereço eletrônico e em alguns casos disponibilizados por seu setor de estatística diretamente para o pesquisador.
Essa gama de informações disponibilizadas para o pesquisador possibilitou a caracterização e o melhor entendimento da indústria elétrica e eletrônica nacional. Porém a área de material elétrico de instalação abrange uma gama muito ampla de produtos dificultando a coleta de informações a respeito de todas as empresa que a pertencem, assim como do desempenho econômico de todos os produtos que constituem e caracterizam as empresas atuantes na área em questão.
3.2.2.2 DADOS PRIMÁRIOS
A coleta dos dados primários foi realizada através de aplicação de questionário estruturado, que, segundo Malhotra (2001), permite traduzir a informação desejada, motivar e incentivar o entrevistado a se envolver pelo assunto e minimizar o erro na resposta; sendo este submetido à análise estatística posterior.
O questionário foi desenvolvido a partir da apreciação e análise dos dados secundários, que permitiu um prévio conhecimento do setor e pautou o caminho a ser tomado, dando o direcionamento para a elaboração das questões.
Após a elaboração do questionário, foi realizado um pré-teste com dois respondentes pertencentes às duas empresas distintas que faziam parte da amostra. Vale a pena, porém, ressaltar que essas pessoas não foram as mesmas que responderam a versão final do questionário. Ou seja, elas não responderam o questionário duas vezes, nem os respondentes finais tiveram contato com as questões antes da aprovação final proporcionada pelo pré-teste.
A versão final do questionário (Anexo 2) efetivamente aplicado nas
empresas participantes contém cinqüenta e quatro questões, dez de escala Likert de
sete pontos, duas de ordinais, dezoito questões de escala numérica de valores, duas de escala nominal, e o restante de múltipla escolha simples.
Foram elaboradas versões impressas, eletrônicas, em formato de texto e por
último em formato eletrônico on-line do questionário com intuito de facilitar o
máximo, o possível acesso ao respondente do questionário.
No período de 16 a 25 de novembro de 2005, foi realizada uma primeira abordagem por telefone, através do contato disponível pela listagem de empresas associadas a ABINEE na área de material elétrico de instalação, buscando sempre as pessoas indicadas como responsáveis por responder as questões relativas à entidade. Após identificar se essas eram ou não as pessoas mais indicadas para responder ao questionário, foi realizada uma breve introdução sobre a pesquisa, seu intuito e as informações necessárias para o envio do instrumento de coleta de dados, acompanhando uma explicação mais detalhada a respeito da pesquisa e seu intuito acadêmico.
Todas as empresas pertencentes a área de material elétrico de instalação associadas à ABINEE da época, ou seja, o universo adotado, foram contatadas por telefone pelo pesquisador. Das empresas contatadas, um número muito pequeno declarou que não possuía intenção alguma de participar da pesquisa e por conseqüência responder ao questionário através desse primeiro contato. Das empresas contatadas, que a princípio aceitaram participar, ou ao menos avaliar o questionário da pesquisa, foi possível identificar pessoas chave e em alguns casos, entrar em contato diretamente com essas pessoas para o envio do questionário.
A grande maioria preferiu responder ao questionário on-line, sendo que seu
endereço eletrônico junto com a carta de introdução da pesquisa foram
disponibilizados através de e-mails para as pessoas responsáveis.
Alguns poucos casos, mais especificamente cinco, pediram para que o
questionário fosse enviado em anexo junto com a carta de introdução, por e-mail, e
outros dois casos o requisitaram por fax. Vale ressaltar a título de curiosidade que nenhuma dessas empresas respondeu ao questionário.
Aproximadamente 15 dias após o envio dos questionários foi feito o segundo
contato via e-mail, reiterando a importância da pesquisa e da participação das
empresas que ainda não haviam retornado o questionário.
Depois de duas semanas após o envio do segundo e-mail, foi enviado para
as empresas que ainda não haviam respondido, o terceiro e-mail, novamente
reiterando a importância da pesquisa e da participação das respectivas empresas.
Após três tentativas de aproximação por e-mail, as empresas que ainda não
haviam respondido aos questionários foram abordadas diretamente durante a segunda quinzena de janeiro de 2006, através de ligações telefônicas. O intuito era confirmar a intenção ou não de participar na pesquisa por parte da empresa,
confirmando se os e-mails estavam sendo direcionados para as pessoas certas ou
não, assim como tentando conscientizar da importância da participação das empresas na atual pesquisa.
Foi durante a segunda abordagem por telefone que ficou claro para o pesquisador o quanto as empresas pesquisadas se sentiam incomodadas com a
questão referente ao faturamento bruto anual. Dessa forma optou-se por tornar a resposta dessa questão opcional, o que causou um ligeiro aumento no número de respostas obtidas.
Com isso a Q.25 referente ao faturamento bruto anual foi descartada sem prejuízo para a pesquisa, pois muitos questionários já haviam retornando com dados que visivelmente não expressavam nem de perto a realidade, além de resolver o entrave que essa questão estava causando para aqueles que preferiam por não declarar valores referentes a seu faturamento. O abandono dessa questão não causou prejuízo para a pesquisa, porque sua principal relevância era servir de parâmetro para a Q.29, que trata do percentual de vendas ou faturamento dos cinco principais produtos da empresa, questão essa que todos os respondentes optaram por responder em valores percentuais, tornando desnecessária a Q.25. Além disso, a Q.25 pretendia servir de parâmetro auxiliar para a classificação dos respondentes em grande, média, pequena e micro empresa, que acabou sendo feita baseada no número de funcionários de cada empresa respondente.
Durante esse período também houve a interação entre o pesquisador e quatro empresas que responderam a alguma questão de forma incorreta. Dessa forma o pesquisador pôde corrigir ou adicionar dados aos questionários que se encontravam incompletos ou incorretos, evitando assim a perda ou invalidação do questionário inteiro dessas empresas.
Pode-se apontar como principal dificuldade da coleta de dados primários a falta de cultura empresarial de apoio à pesquisa. Aparentemente as empresas pesquisadas se mostraram relutantes com relação a qualquer tipo de pesquisa, seja ela setorial por parte de órgãos oficiais, seja entidades e associações industriais. O caso da atual pesquisa acadêmica não foi diferente, pois para muitos ela possui a imagem de atividade intelectual que não traz benefícios concretos ou imediatos para os participantes, tornando ainda mais difícil a coleta de informações.
Além disso, como foi demonstrado na apresentação dos resultados, a cooperação é o valor com menor disseminação, ou melhor dizendo, aquele ao qual foi atribuída menor importância pelos respondentes. Aparentemente as empresas pertencentes a esse setor e seus dirigentes possuem uma desconfiança muito
grande com relação a suas interações, trocas de informações, parcerias e contatos com entidades externas a organização. Como foi comentado, inclusive pode ser notado pela objeção à qual foi feita a questão referente ao faturamento bruto anual das empresas respondentes.
Outra dificuldade na coleta de informações foi o período no qual foi feita a aproximação por parte do pesquisador junto às empresas para a obtenção das respostas aos questionários. Como o primeiro contato foi realizado na segunda quinzena de novembro, muitas das empresas que não responderam logo em seguida ao primeiro contato entraram ou estavam próximas do período de férias, o que dificultou muito a localização dos dirigentes responsáveis. Foi necessário então esperar pelo retorno de alguns dirigentes, retomar o contato inicial e por conseqüência atrasar a coleta de dados e a pesquisa como um todo.
Como facilidades ou fatores que beneficiaram a coleta de informações, com certeza pode-se afirmar que o cadastro das empresas da ABINEE com informações
tais como responsável técnico ou gerencial, telefone, endereço e endereço
eletrônico, facilitou muito o contato com as empresas do universo de pesquisa.
Outro fator crucial foi o apoio institucional da Universidade Federal do
Paraná, que permitiu e proveu a hospedagem do questionário eletrônico on-line para
a coleta de informações em seu endereço eletrônico, mais especificamente no endereço do curso de mestrado, que facilitou muito a coleta e o tratamento dos dados. Essa alternativa não só forneceu maior credibilidade à pesquisa e ao questionário, como também, facilidade de acesso por parte dos respondentes, que demonstraram claramente preferir esse canal de acesso à pesquisa.