PRESSUPOSTOS BOURDIESIANOS
1.3 Campo religioso e o modus operand
Quanto ao crescimento das instituições neopentecostais e à preocupação das instituições religiosas já existentes, é possível comprovar a tese de Bourdieu (1983) de que cada campo se encontrará uma luta, da qual se deve, cada vez, procurar as formas específicas entre o novo que está entrando e que tenta forçar cada vez mais o direito de entrada, e nesse contexto o dominante tenta defender o monopólio e excluir a concorrência. Várias são as estratégias utilizadas pelas instituições religiosas para conquistar um número maior de fiéis, ou, podemos dizer, de consumidores, desde uma inovação no vestuário a novos estilos de música e de shows ao ar livre ou em casas de espetáculo, além de outras técnicas. O surgimento de pop stars da fé, como padres e pastores cantores, uma nova forma de sermões com novos assuntos, promessas materiais, enfim, são meios utilizados pelas instituições religiosas para sobreviverem em uma concorrência de mercado cada vez maior.
Para Bourdieu, a gênese do campo religioso emergiu com o surgimento das cidades na Idade Média aliado à busca de sentido do mundo. Esse processo proporcionou organizações que tinham a finalidade de produzir e distribuir os bens religiosos, como também manipular o capital simbólico existente dentro do campo, do espaço social e político da época, aliado agora às instituições e a um novo conhecimento do sagrado. Assim como em outros campos da sociedade, as pessoas que detém o poder nessa esfera são as pessoas que possuem o capital simbólico referente às regras, leis, conhecimentos e as crenças, no aspecto religioso. Para manter essa legitimidade no campo, os dominantes adotam diversas técnicas para se manter no
40 poder, para manter a ortodoxia e não dara outros grupos ou pessoas a oportunidade de acesso ao poder. Esses últimos, por sua vez, adotam estratégias de subversão, para tentar se manter ou até ascender no campo religioso. Estratégias que podem ser vistas até como heresia, em razão do hábitus das pessoas do meio que estão inseridos.
Tanto pelo fato de que os sistemas simbólicos derivam sua estrutura, o que é tão evidente no caso da religião, da aplicação sistemática de um único e mesmo princípio de divisão e, assim, só podem organizar o mundo natural e social recortando nele classes antagônicas, como pelo fato de que engendram o sentido e o consenso em torno do sentido por meio da língua da inclusão e da exclusão, estão propensos por sua própria estrutura a servirem simultaneamente a funções de inclusão e exclusão, de associação e dissociação, de integração e distinção (BOURDIEU 1982, p. 30)
Dentro do campo religioso, Bourdieu identifica uma divisão do trabalho, além de uma tendência para o mercado. Através disso, distingue a função do sacerdote e do profeta, ou do feiticeiro, dependendo da tradução que podemos encontrar. O sacerdote estava sempre do lado do rei, com o dom do Espírito Santo, além de ser o detentor da verdade. O profeta, por outro lado, era o lado oposto, que não detinha o poder e que proporcionava uma visão diferente da do sacerdote. O profeta possuía o carisma enquanto o sacerdote servia à instituição. Então para Bourdieu...
O profeta opõe-se ao corpo sacerdotal da mesma forma que o descontínuo ao contínuo, o extraordinário ao ordinário, o extracotidiano ao cotidiano, ao banal, particularmente no que concerne ao modo de exercício da ação religiosa, isto é, à estrutura temporal da ação de imposição e de inculcação e os meios a que ela recorre.(BOURDIEU, 2005, p.89)
Em muito dos seus trabalhos, Bourdieu utiliza vários pressupostos weberianos. Quando falamos em campo, lembramos logo do conceito de esfera de Weber. Esse autor clássico da Sociologia foi o primeiro a identificar prováveis correlações entre o mítico do campo religioso. Da forma em que esses produzem e reproduzem as mensagens do campo religioso, Bourdieu também concorda com Weber e ressalta que, em um plano mais profundo, identifica as estratégias utilizadas por diferentes grupos dentro da esfera religiosa, constituídas por especialistas na luta pelo monopólio dos bens simbólicos de salvação. A opinião de Weber coincide em parte com a de Marx:
Weber está de acordo com Marx ao afirmar que a religião cumpre uma função de conservação da ordem social contribuindo, nos termos de sua própria
41 linguagem, para a “legitimação” do poder dos “dominantes” e para a “domesticação” dos “dominados...Weber enxerga na gênese histórica de um corpo de agentes especializados o fundamento da autonomia relativa que a tradição marxista confere à religião, sem daí extrair todas as consequências e, no mesmo lance, conduz ao núcleo do sistema de produção da ideologia religiosa, ao princípio mais específico da alquimia ideológica pela qual se opera a transfiguração das relações sociais em relações sobrenaturais, inscritos na natureza das coisas e, portanto justificadas. (BOURDIEU, 2005, p. 33) Para Bourdieu, a religião contribui para uma percepção, mesmo que dissimulada, da concepção do mundo. Essa concepção decorre da estruturação e de disposições planejadas ao longo do tempo por uma divisão política, daquilo que querem demonstrar como sendo o real do mundo social. Essa se apresenta como uma estrutura e uma visão sobrenatural do cosmo. Dentro do campo religioso, Bourdieu percebe as instituições religiosas manipulando seus bens simbólicos e vê nesse campo um processo de burocratização, como Max Weber já havia previsto e começando a identificado. A burocracia funciona como um processo sustentador e de legitimação das atividades religiosas e, consequentemente, para a manutenção e reprodução da imagem do mundo social.
Para uma pesquisa sociológica é necessário pensar a religião não apenas como uma organização religiosa. É preciso uma visão crítica que procure identificar como ela funciona enquanto uma estrutura estruturada e ao mesmo tempo estruturante, como fonte de reprodução do mundo social. É necessário identificar e compreender os seus mecanismos internos, assim como também perceber para onde e para o que estão voltados os discursos e as mensagens passadas. A partir dessa percepção, encontramos o sentido dado pelos seus agentes e instituições. Em nosso pressuposto de tese, conforme comprovamos, os discursos dos líderes religiosos, a forma de estruturação do campo, passaram a ser voltados para uma dinâmica de mercado entre as organizações, assim como os bens religiosos oferecidos possuem signos em uma sociedade dinâmica e consumista. A procura dos fiéis pelos bens simbólicos de salvação tende a se adaptar ao que é oferecido nos discursos religiosos. Um exemplo disso é o que diz a senhora Maria das Graças (nome fictício), da Igreja Renascer, acerca dos motivos de sua procura pela igreja:
Hoje posso dizer que me sinto realizada. Depois que comecei a frequentar a igreja, tive melhoras na minha vida. Hoje conseguimos construir uns apartamentos na parte de cima da casa e estão quase todos alugados. Fizemos para a minha aposentadoria, já que parei de trabalhar. Pego os aluguéis e consigo pagar a minha UNIMED e tem dinheiro para outras coisas. Ruim que às vezes os inquilinos atrasam, mas Deus é forte e eles terminam me pagando. Temos muitas despesas e precisamos de dinheiro para pagar as contas. Antes
42 vivíamos mal, depois que entramos na igreja melhorou. Eu tenho a graça do Senhor. Das minhas três filhas, duas já estão na igreja. Uma está na da gente e outra é da Assembleia. Meu marido vai fazer o curso para pastor e vamos esperar para eles mandarem para algum lugar. Quando estiver como pastor, irá melhorar ainda mais.
Bourdieu vê um processo tão estruturado e estruturante no modo religioso, tão reprodutor no mundo social, que trata a religião como um sistema linguístico. Consequentemente, como todas as línguas faladas, existe um processo de aprendizagem. Uma língua transmite mensagens e explicações diversas através de um longo processo de aprendizagem. Lembrando que, para o autor, a religião é um sistema de bens simbólicos estruturado e ao mesmo tempo estruturante, capaz de dar noção às pessoas de uma imagem adequada de mundo social. Bourdieu leva em conta a análise estrutural e funcional da religião feita por Durkheim, que vê a religião como promotora da coesão social e da manifestação de anseios coletivos. Lembrando os pressupostos durkheimianos dos quais a religião é vista como um sistema solidário de crenças relativas a coisas sagradas, crenças e práticas que unem em uma mesma comunidade moral, podendo ser vista como uma Igreja, todos aqueles que a ela aderem. Bourdieu vê na ênfase durkheimiana o poder de coerção e de exterioridade dos sistemas simbólicos.
Nesse contexto, estamos estudando o modelo neopentecostalismo de religiosidade. Um modelo mais adaptado à cultura do consumo e à dinâmica competitiva do mundo pós-moderno. Se a religião é vista por Bourdieu praticamente como um sistema de aprendizagem, além de reprodução, podemos concordar com os seus pressupostos, segundo os quais...
A primeira tradição trata a religião como língua, ou seja, ao mesmo tempo enquanto um instrumento de comunicação e enquanto um instrumento de conhecimento, ou melhor, enquanto um veículo simbólico a um tempo estruturado (e portanto, passível de uma análise estrutural) e estruturante, e a encara enquanto condição de possibilidade desta forma primordial de consenso que constitui o acordo quanto ao sentido os signos e quanto ao sentido do mundo que os primeiros permitem construir. (BOURDIEU, 2011, p. 28)
Bourdieu concorda com Weber, que vê as grandes religiões como produtoras e reprodutoras de imagens postas por grupos e organizações religiosas bem definidas. Tais imagens também podem ser impostas até por indivíduos que falam em nome de grupos de ideologias religiosas. Nesse contexto, são passadas mensagens que devem ser identificadas e analisadas cientifica e empiricamente, tal como deve fazer o pesquisador sociológico. As
43 mensagens devem ser identificadas em relação aos grupos e organizações produtores e reprodutores e, consequentemente, aos grupos e às pessoas que as consomem. Vendo na religião um conjunto de sistemas simbólicos estruturados, podemos perceber também que ela funciona como um princípio estruturador que…
constrói a experiência em termos de lógica em estado prático, condição impensada de qualquer pensamento, e em termos de problemática implícita, ou seja, de um sistema de questões indiscutíveis delimitando o campo do que merece ser discutido em oposição ao que está fora de discussão; 2) graças ao efeito de consagração realizado pelo simples fato da explicitação, consegue submeter o sistema de disposições em relação ao mundo natural e ao mundo social a uma mudança de natureza, em especial convertendo o ethos enquanto sistema de esquemas implícitos de ação e de apreciação em ética enquanto conjunto sistematizado e racionalizado de normas explícitas. (BOURDIEU, 2005. p. 46)
Bourdieu percebe, portanto, que o campo religioso tem como um dos seus princípios a necessidade de legitimação de bens simbólicos ou materiais, que estão relacionadas às condições, funções e posições dos agentes no espaço social. As mensagens religiosas são passadas pelos seus produtores para um grupo determinado de leigos, que tem como pretensão a aceitação e mobilização dessas mensagens como forma de legitimação das organizações religiosas e sociais. A recepção e aceitação da mensagem é uma forma de satisfação do leigo, que tem uma visão estruturada do mundo e pretende ver nessas mensagens algo que concorde, que legitime, ou então, que traga respostas e promessas de soluções para aquilo que se acredita ser um mal - já que o sagrado passa a ser resposta ou solução.
Essa justificativa que o indivíduo recebe vai de encontro com a sua posição no campo social, em determinados momentos e contextos, ou que esse ocupa ao longo da sua história, com poucas variações econômicas e culturais. Alia-se também à falta de visão crítica do mundo, dada à forma a partir da qual reconhece as mensagens e imagens passadas nos discursos. Para Bourdieu, a religião se legitima em um efeito de consagração, pelas suas sanções santificantes e porque faz com que as pessoas assimilem um conjunto de sistemas de práticas e representações consagradas, que tem por finalidade reproduzir as relações econômicas, sociais e culturais vigentes da sociedade.
As entidades religiosas, quaisquer que sejam, surgem a cada dia e procuram através dos discursos dos seus porta-vozes venderem os seus meios de salvação, procurando mostrar para os fiéis interessados qual o caminho verdadeiro. A religião assim pode ser vista como um mercado de trocas simbólicas. Para Bourdieu...
44 Os agentes que estão em concorrência no campo de manipulação simbólica têm em comum o fato de exercerem uma ação simbólica. São pessoas que se esforçam para manipular as visões de mundo manipulando a estrutura da percepção do mundo (natural e social), manipulando as palavras, e, através delas, os princípios da construção da realidade social.(BOURDIEU, 2004, p. 121, 122)
O que se pode notar é que o campo religioso é dinâmico e estruturante. Existe uma concorrência cada vez maior entre as entidades e instituições religiosas para vender os seus bens de salvação. Como resultado de algum problema existente em toda a sociedade, muitos indivíduos as procuram como uma forma de refúgio a seus problemas ou à falta de alguma coisa, e que pelo menos em razão das promessas dadas pelos representantes das instituições religiosas, de que “isto tudo será resolvido”. Sabemos que a religião não possui apenas essa finalidade e que nem todos os que procuram uma igreja estão enfrentando problemas ou se refugiando, mas analisamos como isto vem ocorrendo, já que estamos trabalhando a religião também em termos mercadológicos.
A crescente competição entre entidades religiosas pela demanda cada vez maior de fiéis é algo perfeitamente notável. Das igrejas que mais perdem fiéis, a Igreja Católica é a que mais sofre com essa competitividade. A busca dos fiéis por entidades que possuem uma doutrina diferente, podendo ser mais rígida ou aquela que ofereça soluções que apareçam imediatas,é um ato que leva o catolicismo a perder muitos de seus membros. Podemos concordar com Bourdieu quando ele diz que...
Se a religião cumpre funções sociais, tornando-se passível de análise sociológica, tal se deve ao fato de que os leigos não esperam da religião apenas justificativas de existir capazes de livrá-los da angústia existencial da contingência e da solidão, da miséria biológica, da doença, do sofrimento, ou da morte. (BOURDIEU, 1992, p. 56)
As entidades neopentecostais podem ser as que mais fazem o fiel se reconhecer socialmente, dando espaço para os seus testemunhos e lhes prometendo coisas que os outros e que o mundo possuem. Segundo a análise bourdiesiana, os fieis “contam com ela para que lhe forneça justificativas de existir em uma posição social determinada, em suma, de existir como de fato existem, com todas as propriedades que lhe são socialmente inerentes” (BOURDIEU 1982, p.56). Neste trabalho, conforme comprova a tese bourdiesiana, podemos ver que o campo religioso é um campo de forças e dinâmico, e que existe uma disputa pela sua hegemonia. Para que um agente consiga ocupar uma posição de poder dentro desse campo é necessário que
45 possua determinados capitais, conforme já analisado e discutido por Bourdieu. O capital cultural, o religioso e também o capital estético, um outro tipo fundamental nos modelos de líderes religiosos de hoje em dia e utilizado agora não só pelas entidades neopentecostais e protestantes, mas também pela igreja Católica, que procura colocar esses líderes no sistema midiático. Podemos traduzir o capital estético, entre outras características, como a boa aparência e uma boa performance (no altar) desses líderes religiosos (SOUSA Jr e GUERRA, 2007).
Para Bourdieu, a religião dentro do sistema social cumpre funções dotadas de sentido objetivo e subjetivo, dentre os quais:
exerce um efeito de consagração sob duas modalidades: 1) através de suas sanções santificantes, converte em limites legais os limites e as barreiras econômicas e políticas efetivas e, em particular, contribui para a manipulação simbólica das aspirações que tende a assegurar o ajustamento das esperanças vividas às oportunidades objetivas; 2) inculca um sistema de práticas e de representações consagradas cuja estrutura reproduz sob uma forma transfigurada, e portanto irreconhecível, a estrutura das relações econômicas e sociais vigentes em uma determinada formação social e que só consegue produzir a objetividade que produz ao produzir o desconhecimento dos limites do conhecimento que torna possível, e ao contribuir para o reforço simbólico de suas sanções aos limites e às barreiras lógicas e gnosiológicas impostas por um tipo determinado de condições materiais de existência. (BOURDIEU,1982, p. 46)
1.4 A distinção
Em A distinção (1979), um dos seus mais importantes trabalhos, Bourdieu consegue identificar a estratificação social da sociedade vigente através dos gostos e dos estilos predominantes na sociedade francesa da década de 1970. O sociólogo procura analisar o habitus dos grupos, de facções de classe através de uma pesquisa teórica e empírica. Conforme o próprio autor afirma...
O modelo teórico não se apresenta aí acompanhado de todos os signos nos quais comumente conhecemos a “grande teoria”, a começar da ausência de qualquer referência a uma realidade empírica qualquer. As noções de espaço social, de espaço simbólico ou de classe social não são nunca examinados em si mesmas e por si mesmas; são utilizadas e postas à prova em uma pesquisa inseparavelmente teórica e empírica. (BOURDIEU, 2007, p. 14)
46 torna-se fundamental, já que consegue identificar os estilos de vida, a análise de obras de arte, a linguagem corporal de cada pessoa com o grupo ao qual pertence. Dentro desse grupo é reproduzido o habitus,a partir do qual as pessoas agem em virtude de um processo de educação e de socialização decorrentes de toda a sua trajetória de vida, já que...
O estilo de vida é um conjunto unitário de preferências distintivas que exprimem, na lógica específica de cada um dos subespaços simbólicos, mobília, vestimentas, linguagem ou hexis corporal, a mesma intenção expressiva, princípio de unidade de estilo que se entrega diretamente à intuição e que a análise destrói ao recortá-lo em universos separados”. (BOURDIEU, 1983, p.83, 84 apud GAMBARO, 2012, p.21)
O que Bourdieu tenta mostrar em A distinção é parte do que pretendemos desenvolver aolongo da pesquisa em relação ao universo religioso. Partimos do mesmo pressuposto do autor, de que as classes sociais não são definidas pela situação econômica apenas, mas sim, pelo seu
habitus de classe, sendo que esse, geralmente está associado à sua posição social e à sua forma
de reconhecimento por estas pessoas. Conforme ocorre a corporificação das disposições adquiridas, os indivíduos definem o seu modo de viver da mesma forma dos outros no grupo ou na sua classe social. Porém, cada pessoa tem os seus gostos e as suas preferências, a partir das quais exprimem os seus desejos e opiniões, mas estas ligadas ao habitus incorporado de classe. Como exemplo, algo que pode ser “feio” para uma pessoa ou “cafona” - em virtude da opinião do grupo -, pode ser visto como “bonito”, “sofisticada”, por membros de outro grupo ou classe. Existe um processo de reprodução das ideias e de estilos de vida, tais como comportamentos, que começam nas famílias e principalmente no sistema escolar, como se uma ordem social fosse incorporada aos indivíduos de uma forma progressiva, em seu processo de vida desde a infância. Para Bourdieu, além da visão que lhes é passada...
O estilo de vida das classes populares deve suas características fundamentais, compreendendo aquelas que podem parecer como sendo as mais positivas, ao fato de que ele representa uma forma de adaptação à posição ocupada na estrutura social” [O que encerra
uma forma de reconhecimento dos valores dominantes] “O que separa as classes populares das outras classes é menos [...] a intenção objetiva de seu estilo [que] os meios econômicos e culturais que elas podem colocar em ação para realizá-la. (BOURDIEU, 1983, p.100apud GAMBARO, 2012, p.21) Nos seus estudos sobre a sociedade francesa, Bourdieu percebeu que as pessoas da mesma classe social possuíam preferências iguais de gosto, de opiniões, de arte, de música e
47 até mesmo de esportes. A classe mais alta gostava de acampar, de frequentar museus, peças de teatro e tinham certas opiniões relativas à política, além de gostarem de poesias e de filosofia. Na classe mais baixa, a dos trabalhadores, as pessoas se expressavam de outras formas e não