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LEAH

Ele está me observando tão atentamente, e sei que ele precisa de uma resposta. Droga, preciso de uma resposta. — Diga-me, o que aconteceu? Por que ela foi morta? —A pergunta surge do nada. Eu não esperava que ele me desse uma resposta sincera, mas as seguintes palavras da sua boca são as que nunca esquecerei.

—Eu estava na escola, no meu último ano antes da formatura, e precisava de dinheiro o quanto antes. Uma noite em nosso bar local, eu conheci um homem que me ofereceu esse dinheiro em troca de eu ajudar ele e seu chefe em certas coisas. Entregas. Eu pensei, parece bem fácil. Então eu concordei. Eu obedeci cegamente, até que percebi que as coisas que eles faziam não eram corretas. Foi quando eu saí, e me mudei para uma cidade onde eu esperava que eles não me encontrassem, mas essas pessoas são boas em encontrar aqueles que não querem ser encontrados. Nessa altura eu conheci a Callie, me apaixonei, e só queria superar o passado. Meu irmão estava tão envolvido, que não tinha como tirá-lo dali. Ele amava o trabalho, o dinheiro, as mulheres que vinham com aquela vida ... —Ele para, e vejo quando ele decide se a verdade vale a pena. De certa forma, não sei se será.

O medo me domina, e percebo que a verdade que ele está prestes a me dizer vai abalar não apenas a nós, mas também vai desmoronar o meu mundo. Chame de sexto sentido, se quiser. — Heath.

—Eu entrei e a encontrei morta. Eu sabia, ou pensava que sabia quem a matou. Tudo fez sentido quando meu irmão confessou, não com

essas palavras, mas eu vi em seus olhos. O homem para quem ele estava trabalhando envolveu Ronan tão profundamente, que ele faria qualquer coisa que lhe pedissem. Meu irmão queria Callie, e quando ela o rejeitou, ele decidiu descontar sua raiva nela. Ele me confessou naquele dia, contou como se estivesse orgulhoso do que fez. — Seu olhar se ergue para o meu, e suas palavras se desenrolam em minha mente. E claro como o dia, sentada a sua frente, entendi o que ele está me dizendo.

— Ok, mas então precisamos encontrá-lo e fazê-lo confessar. Quem é o seu chefe? Talvez possamos encontrá-lo e descobrir o que aconteceu.

— Ele olha para mim por muito tempo, e sei que algo mais está surgindo. Essa explosão proverbial está prestes a cair e o medo me atinge no estômago.

Os olhos castanhos escuros do Heath me perfuram. Fazendo de mim refém da agonia que ele me prende. — Leah, é seu pai. Eu trabalhei para ele por três longos anos, antes que ele colocasse suas garras no meu irmão mais velho. Keller, é ele, Martin Keller. Ele me pegou, e tentou me fazer gostar dele, tentou se certificar que eu fizesse o que ele mandava, mas eu nunca quis aquela vida. Meu irmão quis. —Está difícil respirar e o batimento cardíaco ensurdecedor em meus ouvidos ecoa através de mim.

Não sobrou nada da minha vida, tudo que eu amava é arrancado de mim.

Eu não percebo, até sentir o gosto salgado dos meus lábios, que estou chorando.

—Você sabia? — Eu murmuro as palavras, e vejo Heath balançando a cabeça lentamente através dos olhos embaçados. — Você sabia quem eu era! — Eu estou gritando agora, e não consigo parar. Meu corpo treme enquanto eu convulsiono, e a agonia que lentamente se infiltra através de mim é o suficiente para me deixar arfando. Mas não há nada para dissipar.

Toda a agonia e dor estão gravadas dentro de mim, e eu não posso afastá-la, não importa o quanto tente.

— Leah, por favor, eu só percebi quando você me disse seu sobrenome. Eu nunca tinha visto você, eu não sabia... — Ele está de pé agora, se aproximando de mim, mas eu o empurro para longe. Lágrimas escorrem como a chuva, grossa e pesada.

— Fique longe de mim! Meu pai me chamava de Twig perto de cada porra de homem que trabalhava para ele! Seu maldito, você me conhecia!

— Eu vou em direção às escadas, quando ele me alcança. Puxando-me contra ele e mesmo quando o meu corpo traidor anseia, e meu coração se agita com saudade, eu luto em suas mãos. — Me. Deixe. Ir. — As palavras são um assobio baixo, e espero que elas cuspam o veneno nele.

— Seu pai é um homem mau, Leah. Por favor. Apenas me escute. Dê-me uma chance para explicar tudo. — Um puxão final e ele me liberta. Ele conhecia meu pai. Ele trabalhou para o meu pai. Eu corro até as escadas e entro no meu quarto, fechando a porta, e descendo para a madeira até estar com a minha bunda no chão. Enrolando minhas pernas contra mim, eu choro. Eu deixo sair tudo.

Toda a dor e frustração, todos esses anos querendo ele, esperando por ele, apaixonada por ele. Cada parte do meu corpo o queria. Cada fragmento do meu coração o amava. E agora, cada pedaço destruído da minha alma está incrustado com recordações dele.

Levantando, eu pego minha mala, e começo a arremessar roupas nela. Eu preciso sair desta casa. Preciso ficar o mais longe possível do Heath Barnes. Não tem como ele não saber quem eu era. Se ele trabalhava para o meu pai, então teria me visto, me conhecido.

Uma batida suave na porta me faz sufocar os soluços. — Leah, por favor. — Seu tom de voz é de desculpas, mas calmo. Por mais que eu queira abrir a porta, ver seu rosto, não consigo. A dor no meu peito não me deixa, e apenas caio na cama e olho para a entrada do meu quarto até ouvir seus passos suaves no chão enquanto ele se afasta. E isso tem meu coração quebrando um pouco mais. A fissura que começou no andar de baixo agora é um buraco vazio.

Sentada à minha escrivaninha, tiro a caneta e o papel da bolsa e escrevo a carta que deveria ter escrito meses atrás. Anos atrás. O último adeus. Eles me disseram para seguir em frente, ter cuidado, mas eu não. Eu era uma garotinha estúpida que acreditava em contos de fadas. No entanto agora, nesse momento, acredito na vida real e sei que essa experiência me mudou. Enquanto as palavras fluem, e minhas promessas se despedem, me recordo dele. Cada palavra, sorriso e toque. Eu não preciso mais guarda-lo na minha memória, porque ele está sempre em mim. Na essência de quem eu sou.

Os dias, as noites, todas as cartas, é com isso que vou seguir em frente. Eu manterei o amor que eu senti e ainda sinto, no meu coração para sempre, mas este é o meu último adeus.

Dobrando a carta, a coloco em um envelope pequeno, e me certifico de ter tudo do que preciso. Quando abro a porta, fico em silêncio. A porta do quarto dele está fechada e eu me pergunto o que ele está fazendo lá dentro. Ele sente arrependimento? Ele está sofrendo tanto quanto eu? Balançando a cabeça, desço as escadas. É melhor assim. Pelo menos é o que digo a mim mesma.

Coloco a carta na mesa de jantar, onde sei que ele vai encontrá-la, e caminho para fora. A noite está quente e o táxi que eu chamei mais cedo está esperando estacionado.

Assim que sento no banco de trás, o motorista se vira para mim. — Para onde?

— Qualquer lugar, menos aqui. — Ele balança a cabeça e se afasta.

Não quero me virar, mas eu tenho. E quando olho para cima, vejo ele na janela. Sua mão espalmada no vidro, enquanto me observa ir embora. — Adeus, Con—, eu sussurro. Ele não pode me ver, mas sei que ele me sentiu desistir.

Eu sinto a corda que nos prendia, e quanto mais longe o taxista dirige, menos eu o sinto. Como se ele fosse um fantasma sendo finalmente colocado para descansar. — Tem um pequeno motel na próxima cidade do outro lado, tudo bem para você?

— Sim. Obrigada. — Ele balança a cabeça, e sento para trás, e vejo a cidade que eu gostaria de chamar de lar passar. A dor no meu peito é insuportável, mas não vou chorar mais. Eu me forço por enquanto, a manter as lembranças afastadas. — Você pode parar na loja de bebidas também? Eu preciso comprar uma coisa. — Outro aceno de cabeça, e ele vira na estrada saindo de Livingston. Eu não sei para onde vou ou o que pretendo fazer, mas vou pensar nisso de manhã. Por enquanto, preciso de uma bebida e preciso chorar. Colocar tudo para fora.