Um dia quando eu chegar ao fim da minha história.
Quando todas as minhas páginas forem escritas e lidas.
Minha vida com você sem dúvida serão meus capítulos favoritos.
- DR
PRÓLOGO
LEAH
Eu sento na minha cadeira com um suspiro, e me lembro do tempo quando as coisas eram simples.
A escola ficou cansativa, porque sei o que quero fazer, quero falar com ele. Escrever e dizer a ele quais são os meus planos para o fim de semana. Aos dezoito anos sou a doce menina que meus pais me ensinaram a ser. Aquela que sempre chega em casa antes do toque de recolher, que sempre tira nota A, que é doce e inocente.
Mas sinto que estou prestes a perder a cabeça, porque sei o que quero fazer, e não tem nada a ver com Álgebra e Química. Minha paixão está na caneta e no papel. Nas palavras. Talvez seja por causa dele. Talvez seja porque tudo que quero fazer é ver o seu rosto. Estamos nos comunicando há três anos. Quando fiz quinze anos o conheci, bem, não cara a cara. Mais com… palavra a palavra. E adorei cada momento, porque encontrei um amigo. Alguém em quem confiar, e me dar conselhos sobre o que estava passando.
Disseram-me que escolhesse um apelido. Algo que não permitiria que a pessoa do outro lado descobrisse quem eu era. Fui instruída a escrever uma carta, endereçá-la e eles a postariam junto com muitas outras. O lado positivo foi que eu poderia escolher. Tinha muitos deles, eu não sabia para quem queria escrever. Enquanto eu passava pelo grande número de nomes e seus crimes, um deles se destacou para mim. Um chamou minha atenção, e nunca mais esqueci.
Ele está cumprindo uma sentença mínima de quinze anos, com a possibilidade de liberdade condicional, porque é sua primeira acusação. Ele alega ser inocente. Assassinato em segundo grau. Ele é perigoso, é um assassino, mas eu não fiquei com medo. Eu o escolhi por causa do seu número, 0423. Meu aniversário é no dia vinte e três de abril. Talvez tenha sido o destino alinhando nossos caminhos.
Não nos foi permitido trocar fotos. Era anônimo. Apenas alguém para eles conversarem. Fiquei triste ao descobrir que ele estava naquele lugar, tendo apenas vinte e quatro anos. Sim, ele era mais velho que eu, mas apenas nove anos. Desde aquela primeira carta, que enviei como uma inocente garota de quinze anos, ele me entendeu melhor do que meus próprios pais, melhor do que eu mesma.
Esse é o cara que escolhi. Ele é meu amigo por correspondência.
Então, escrevi minha primeira carta. Uma das muitas, que me levariam da adolescência à idade adulta.
Eu pensei que sabia tudo. Disseram-nos para parar de escrever, mas eu estava me rebelando contra tudo e todos, então continuei as cartas. Ele respondeu todas as vezes, e me perguntei, se eu era sua tábua de salvação, tanto quanto ele era a minha.
Você pode amar alguém que nunca viu? Com certeza. Foi o que aconteceu, e eu me apaixonei profundamente. Eu acho que não havia espaço para ele na minha vida real, mas, nós nos tornamos amigos, e não pude me afastar. Mesmo sabendo que deveria. Eu fiquei viciada em suas palavras. Suas cartas. A maneira como ele me conhecia, me entendia e me fazia sentir viva.
Meu instinto me disse para amassar suas cartas. Para queimá-las.
Para nunca olhar para trás. Mas eu não fiz. Eu não consegui. E isso me
trouxe um amor tão infinito, tão desesperado, e tão doloroso, que a única escolha que eu tive foi me afastar.
Se eu fosse inteligente, não teria voltado atrás. Não teria respondido aquela última carta. Se eu fosse inteligente, teria feito minhas malas, e fugido. Mas sou só uma garota. Eu sou apenas a Twig, a garota da qual ele dependia. Sabia que ao longo dos anos, eu tinha me tornado mais. Eu tinha me tornado alguém para ele, pois ele havia se tornado alguém para mim.
Foi quando o segredo que ele manteve escondido de mim foi revelado, que tudo mudou. Que o homem que eu vim a conhecer, a amar e a sofrer se transformou num mentiroso. E mesmo assim, quando disse meu último adeus, ainda ansiava por ele. Quando me virei para ir embora, para deixá-lo para trás, eu ainda me agarrava a cada carta.
Ele lutaria por mim? Eu seria capaz de perdoá-lo? Só o tempo diria.
CAPÍTULO UM
HEATH
QUINZE ANOS ATRÁS
Estou há um mês na minha condenação. Eles disseram que eu tive sorte, já que é minha primeira acusação, que recebi a sentença mínima, e se me comportar, conseguirei a liberdade condicional. Aos vinte e quatro anos, fui preso por algo que não fiz, e agora só há uma coisa que me impede de foder tudo. A promessa da liberdade.
Tenho que morder minha língua; eu a mordo com tanta força, que sinto o gosto do metal na minha boca. Mas não luto. Não é quem eu sou, e me recuso a mudar isso por alguém.
Meu olhar se arrasta para o espelho imundo da minha cela. Está rachado em alguns lugares, o que me faz parecer mais assustador do que o normal. Desde que entrei, acrescentei algumas tatuagens à minha pele pálida.
De meus pulsos até os ombros, são decorados com padrões e imagens intrincadas. Entrando na área principal, encontro alguns dos presos vagando ao redor. — Prisioneiros, sua correspondência está aqui.
— Um dos guardas despeja o amontoado de envelopes na mesa, e os homens correm em direção a ele, como se fosse a maldita carona para fora daqui. Eu sei que não é assim. Não há nada que um pequeno fodido pedaço de papel possa fazer por mim.
— Ohhh, olha, nosso menino bonito Con, recebeu uma. — Eles me deram um apelido, que eu odeio, mas, sorrio e aceno, permitindo que os
filhos da puta digam o que quiserem. Eu pego o envelope azul e coloco no meu bolso. Eu não preciso ler essa merda na frente deles.
Eles me veem como uma criança, porque sou o mais novo, apesar de ter sido preso por assassinato em segundo grau, e darei o fora daqui antes deles terem o maldito café da manhã.
Assim que estou sozinho na minha cela, tiro a carta do bolso. Tem a pequena foto de uma árvore no canto, e eu sei que é da garota que eles escolheram para mim. Disseram-nos que faríamos isso como uma espécie de reabilitação. Há uma fragrância suave no papel, e eu inalo profundamente. Cheira a sol, como o verão, quando todas as flores estão mais luminosas, e me pergunto se a pele dela cheira assim também.
Olá 0423,
Eu nunca fiz isso antes. Eu suponho que você também não. Eles nos pediram para selecionar alguém da lista, e escrever uma carta para eles. É estranho. O que eu diria a você que melhoraria sua situação? Nada. Percebo que, mesmo sentada aqui - uma garota adolescente - não há nada em minha vida que possa ser comparado ao que você está passando.
Talvez você esteja se sentindo pra baixo. Eu posso compreender. Há momentos em que eu gostaria de fugir. As pessoas me dizem que sou muito velha para a minha idade. Isso é verdade? Alguém pode ser velho demais para a sua idade? Como isso é possível?
Eu acho que divago muito. De qualquer forma, eles disseram que sem detalhes pessoais, então, acho que sem nomes reais.
Meu nome é Twig, sim, eu sei o que você está pensando. Eu sou muito estranha. Eu acho que sou uma nerd. Uma garota desajeitada que passa muito tempo em torno dos seus livros. Estou na escola, como você já
deve ter percebido, e adoro escrever. Eu não tenho muitos amigos, porque eles só colocam você em problemas. Eu sou uma solitária e tenho orgulho disso.
Eles me chamam de filhinha do papai. Acho que conhece o tipo. Ou não? Eu espero que me fale sobre você. De qualquer forma, gosto de escrever, é uma válvula de escape. Posso criar qualquer coisa ou qualquer pessoa que eu queira, é onde encontro meus amigos. Entre as páginas e as linhas. Isso está errado? Em se esconder da vida. Não tenho certeza. Eu já disse que divago.
Você se sente solitário? Deve ser um lugar assustador. Eu assisti a programas de televisão, já vi homens em lugares assim, e eles me assustam. Eles são os monstros debaixo da minha cama à noite. Você é um monstro? De alguma forma, não acho que você é. Eu não sei por quê. Eles disseram que você matou alguém. Se você não quiser me contar sobre isso, tudo bem. Mas gostaria de conhecê-lo. Espero que você responda.
Eu tenho que ir. Eles estão esperando-me terminar. Eu já disse que divago.
O sol brilhará amanhã.
Twig
A inocência em suas palavras me faz sorrir. Alguma coisa sobre como ela diz que o sol brilhará amanhã, me comove. O homem que eles prenderam por assassinato. O sol não vive mais no meu mundo. Escureceu há muito tempo, e agora que tenho sua doce inocência para me segurar, eu quero mais.
Eu leio mais algumas vezes e não consigo parar de rir. Estou na prisão, lendo uma carta de uma garota de quinze anos, e estou rindo.
Quem diria? Eu a dobro, coloco de volta no envelope, e no fundo espero que haja outra em breve.
O único problema é; eu pretendo responder. O que direi a ela? Como vou explicar minha inocência, para alguém que nem saiu da escola? Alguém sem experiência no mundo real.
Eles nos deram papel e um lápis, e mesmo na minha depressão, meu constante estado de raiva e frustração, quero lhe responder. Gostaria de responder, e dizer que, sua vida é fantástica e incrível, e lhe dizer que deveria continuar escrevendo.
Eu quero lhe dizer que a vida é boa. É uma mentira, mas, sabendo que ela vai sorrir, faço de qualquer maneira.
Sento-me na escrivaninha, que eles permitiram na minha cela, e escrevo. Eu não digo a ela a verdadeira razão pela qual estou aqui. Eu não digo a ela o que aconteceu comigo. Mas digo como ela é linda. Eu nunca a vi. Não faço ideia de como é seu cabelo, nem a cor dos seus olhos. Eu só sei que ela é linda, porque fez um homem adulto, que provavelmente nunca a conhecerá, sorrir. Eu preciso lhe dizer isso.
Enquanto o lápis arranha a página branca, me vejo escrevendo mais do que isso. Mais do que eu planejei. E na minha pressa de contar tudo sobre mim, me pego com três páginas em uma carta, que não tenho ideia que chegará até ela.
Com palavras fundindo-se em frases e sentimentos derramando de mim para o papel, que ela vai segurar, espero que ela sinta o que eu sinto. Eu quero colocar toda a minha emoção nessa única carta, porque pode ser a única que receberei; espero que alguém lá fora saiba o quão lindo são. Eu não consegui dizer à única mulher que possuiu o meu
coração, que a amava, antes de encontrá-la morta na minha casa, então direi a Twig.
CAPÍTULO DOIS
LEAH PRESENTE
Olhando rapidamente no relógio, percebo que são dez horas. Ele está atrasado novamente.
Por que diabos estou aqui? Ah, sim, meus pais. — Oi gostosa. — Um insulto, me fez virar para encontrar meu noivo. Ele está um desastre, e sei que ele provavelmente esteve no bar novamente. Chegamos ao ponto em que não sou boa o suficiente para conversar, a menos que ele esteja bêbado. Mas, não sou mais a mesma, eu vivo no meu mundo. Nas histórias que crio, para fugir da realidade que minha vida se tornou.
Deixei-me ser sugada para esta situação. Ser forçada a um relacionamento, não é algo que imaginei para mim. Papai, no entanto, o fez. Existe apenas um cara cuja companhia eu gosto, e ele nem é real. Bem, ele é, nós apenas nunca nos encontramos. Preferiria que ele estivesse aqui, em vez do cara cujo anel eu uso.
— Você deveria estar meio sóbrio no evento desta noite. — Minha queixa não passa despercebida, menos ainda minhas reações cheias de fúria. Essas são normalmente recebidas com raiva, mas esta noite ele tem que se comportar, e sabe disso. Se não fosse pelo fato de eu estar prestes a ver meus pais, teria recuado, e apenas o ignorado.
Eu teria me escondido no quarto que chamo de meu refúgio. Onde escrevo, onde me perco em mundos criados por mim mesma. O único lugar onde posso ser eu mesma. O resto da casa é dele. Não há nada de
mim em nenhum dos cômodos, só dele. Ele está no comando, e gosta de se certificar que eu saiba que ele está.
Eu não estou feliz. Nunca fui feliz com nenhum homem. Amigos me dizem que é a minha amizade com um condenado, mas certamente é apenas minha independência. Não é?
Quando lembro na mais recente carta que recebi, duas semanas atrás, percebo que ele mesmo me disse que eu deveria deixá-lo.
Twig
Já se passaram semanas, meses, e toda noite eu vou dormir preocupado com você. Receio não receber outra carta. O desconforto pesa no meu estômago, que você simplesmente desaparecerá, e será culpa dele. Estive pensado em como você ainda está aí. Esse cara não parece ser bom para você. Você sempre ficará no mesmo lugar? Você sempre deixará alguém te decepcionar? Eu odeio saber que irá. Que você está permitindo que isso aconteça. Cadê minha garota? Onde está minha linda Twig?
Você me preocupa, doçura. Ele está te prendendo aí, te ameaçando?
Se ele estiver, me fale. Posso te ajudar. Você sabe que saio daqui a algumas semanas, e conheço pessoas. (Uma piada, eu juro). Eu não quero te dizer como viver sua vida, mas sei que você consegue coisa melhor.
Admito, eu não sou melhor, mas acho que você deveria ir embora, e viver a vida da qual me falou todos aqueles anos atrás. Você se lembra? Porque eu lembro. Por que você não me fala? Seja honesta.
Você conhece a minha história, doçura, por que não faz o que eu digo e vai embora? Embale esses bonitos saltos vermelhos, e faça uma fuga digna de uma história. Você poderia escrever um livro sobre como
fugiu do seu horrível noivo, e encontrou o amor verdadeiro. Você quer amor? Quero dizer, amor verdadeiro.
Não estou falando da sua merda medíocre. Quero dizer, o tipo que atropela sua vida como um trem de carga e chuta sua bunda. Do tipo que te faz imaginar como já viveu sem a outra pessoa. Quando tudo o que você pensa é tê-lo em seus braços ou ao seu alcance. Para ver o seu sorriso, inspirar seu perfume. Quando cada música que você ouve, faz lembrá-la. E quando você se senta sozinho no seu quarto escuro com todas as luzes apagadas, a única coisa que pode ver é o seu rosto na sua mente. Quando você dorme à noite, assim que seus olhos se fecham, são os olhos dela olhando para você. Não assombrando, mas apenas observando.
Mantendo-o a sua vista para que você esteja seguro, aquecido e apreciado. E você sabe que um dia, quando você inalar seu último suspiro, essa é a única pessoa estará sempre enterrada em seu coração, fluirá em suas veias e juntará sua alma quebrada.
Eu acho que agora estou divagando. Eu tenho que ir para a sala de descanso. Conversarei com você em breve.
Seu, Con x
Ele começou a assinar Seu depois do primeiro ano. Foi cativante, e fez me sentir especial. Ele assinou Con e eu assinei meu Twig, ficamos confortáveis com o arranjo não dito. Quando fiquei mais velha, percebi que havia mais entre nós dois do que eu queria deixar transparecer. Eu me tornei dependente das suas cartas, de seus conselhos. Eu precisava dele.
Quando fiz dezessete anos, falamos sobre eu ter namorados. Sobre a minha vida amorosa inexistente. Ele me disse que eu me apaixonaria um dia e o esqueceria. Estou prestes a completar trinta anos e ele ainda é o único homem que não saí da minha vida.
Quinze anos conhecendo alguém.
Quinze anos querendo alguém.
Ainda fico ansiosa ao abrir a caixa do correio e encontrar um envelope com o carimbo da prisão.
Ver sua letra masculina acalma meus nervos, e manda meus medos de volta para o seu esconderijo. A única coisa que ele não pode fazer é me salvar. Isso eu terei que fazer sozinha. É algo que preciso decidir fazer, e seguir adiante. Eu releio o último parágrafo novamente e meu coração dispara no meu peito. Ele poderia estar falando sobre nós? Ele me ama?
Ele não pode. Eu sou apenas uma menina. Ele provavelmente tem alguém esperando por ele quando sair. Alguém da sua idade. Isso é algo nunca comentado entre nós, nossa diferença de idade. Ele sabe que sou nove anos mais nova, mas nunca me disse nada sobre isso. Nunca zombou de mim, ou da série de perguntas que mandava para ele.
— Que porra você está fazendo? Nós precisamos ir. — Virando-me para encontrar o olhar escuro do homem com quem devo casar, eu aceno. Se eu não responder, economizará a briga. A discussão que tantas vezes ocorre quando ele está nesse humor. — Eu te fiz uma maldita pergunta.
— Nada, Ron, estou indo. — Fechando a gaveta da minha mesa, me viro para Ronan e sorrio. Ele é alto, quase um metro e oitenta, e normalmente se eleva sobre mim, mas, esta noite estou usando sapatos
de salto. O vestido azul escuro que estou usando é justo, e mostra as curvas que já me acostumei.
O caminho até lá é silencioso, pelo que sou grata. Já basta eu ter que sorrir e agir como a noiva feliz, mas outra coisa é ter que falar com ele.
Quando chegamos ao hotel onde o evento está sendo realizado, faço a minha escolha. Con está certo. Esta é a única e última vez que poderei escolher. Se eu continuar com o noivado, ficarei presa num casamento que pode me matar.
— Espero que você esteja pronta para ser a doçura que todo mundo espera que seja.
O hálito quente e o fedor de álcool fazem meu estômago revirar de desgosto. Possessivamente, seu braço serpenteia ao redor da minha cintura, e ele me puxa contra seu corpo enquanto avançamos para a festa. Este é o seu domínio, onde ele parece brilhar. Eu sou apenas a doçura em seu braço.
CAPÍTULO TRÊS
HEATH
Con,
Eu estou tão animada! Eu fui aceita na faculdade. Eu queria lhe contar as boas novas antes de qualquer outra pessoa, então por enquanto, escondi a carta de admissão. Chegou esta manhã e você foi a primeira pessoa em quem pensei. Meus planos de sair de casa e começar minha vida longe da pressão da minha família estão finalmente se tornando realidade.
Tem muita coisa que quero fazer da minha vida. Eu queria que você estivesse aqui, nós poderíamos sair e comemorar ou algo assim. Talvez um jantar extravagante, cinco pratos, ou algo louco. Talvez pudéssemos jantar calmamente, sentados no sofá e conversar. Seria maravilhoso ouvir sua voz, ouvir você dizer meu nome, meu nome verdadeiro. Eu não estou triste, mas, é algo em que penso.
Eu tenho mais notícias, no entanto, não tenho certeza se você vai gostar. Alguém na escola me convidou para sair. Para um encontro. Eu não estou interessada nele, mas é um passeio em grupo, então disse sim. É um show em um dos clubes do centro. Nenhum dos garotos da escola me chama atenção. Eu sou muito adulta para a minha idade? Eu não estou pronta para a pressão que vem com namoro e sexo. Entende? Você alguma vez esteve apaixonado?
É algo que eu leio e escrevo, mas, me pergunto se esse tipo de amor é real. A conexão profunda da alma.
Eu creio que é por isso que a ficção é muito melhor do que a realidade - somente você pode ter o seu mundo perfeito.
Enfim, estou muito emocionada para pensar nisso agora. O que você tem feito? Você está bem? Eu sei que fazem apenas uns dias, mas precisava falar sobre a faculdade.
Diga-me, Con, quando sair, quais são seus planos? Você quer voltar para casa? Eu suponho que você gostaria de passar um tempo com a sua família, enquanto tudo que eu quero fazer é fugir da minha. Não é que eles não me tratem bem, eu tenho sido pressionada toda a minha vida, para ser alguém que não sou. Mostrar-lhes que sou capaz de fazer algo que amo, e continuar sendo responsável, tem sido uma luta contínua. Eles querem uma vida para mim que não me completa. Então, por que eu iria continuar com isso? Depois de me formar, quero conquistar o mundo.
Nós poderíamos fazer isso junto. O que você acha?
Sua,
Twig beijo
Eu me lembro dessa carta, e queria muito responder, e dizer sim, adoraria conquistar o mundo com ela, mas não o fiz. Eu lhe desejei sorte na sua formatura, e disse que ela poderia fazer ou ser qualquer coisa que seu pequeno coração desejasse. Por mais que estivesse escondendo meus próprios sentimentos dela, por não lhe dizer que, depois de todos esses anos, ela é a única coisa que parece estar certa no meu mundo, eu só queria deixá-la aproveitar seu momento sem diminuí-lo.
Eu não poderia contar-lhe sobre o único amor que tive, o que perdi. Tantas coisas que quero lhe contar, mas estou com medo de que ela nunca mais queira falar comigo de novo. Que nunca me aceitará, o
meu verdadeiro eu. Então, contorno as questões e digo-lhe o suficiente para mantê-la satisfeita.
Quando os portões se fecham atrás de mim, me aqueço no calor do sol. Estou fora. Segurando minha mala, que não tem muito dentro, vou em direção ao ponto de ônibus. Eu não tenho um plano, mas a última coisa que quero fazer é ir para casa. Depois de todos esses anos, a única coisa que quero fazer, é tomar um banho quente, uma refeição caseira e uma cama confortável.
Eu me inclino contra o abrigo de ônibus, e espero. Felizmente, não demora muito. Minha jornada para uma nova vida se aproxima e as portas se abrem. — Para onde você vai? — O motorista idoso olha para mim, como se eu estivesse prestes a matá-lo ou uma merda assim.
— Eu descerei na sua última parada. Não importa onde seja.
Ele balança a cabeça e levanta um pequeno mapa. — A última é em Livingstone. — Montana, é perfeito. Uma pequena cidade onde ninguém me conhece.
— Parece legal. — Eu deixo cair às notas em sua mão para minha passagem, e vou para a parte de trás conseguindo garantir três assentos, desde que não estão ocupados. Empurrando minha mala para cima, me faço confortável. Não tenho certeza de quanto tempo isso vai levar, mas posso muito bem me preparar para a viagem.
Foi um longo dia no trabalho, e a ansiedade me atingiu novamente.
Eu abro a porta e a escuridão desce sobre mim. Quando entro no meu minúsculo apartamento acendo a luz, e tudo que vejo é vermelho. Uma poça de sangue ao redor de seu pequeno corpo frágil. O amor da minha vida. Meus pés vão até a cena antes de mim, e eu caio de joelhos na essência da vida que escoa do seu corpo. Ela está coberta de sangue. Seus
olhos estão arregalados de medo, e meu corpo entra em choque.
Agarrando seus ombros, eu a chamo. — Callie, baby!
Seu corpo está rígido e frio. A luz que brilhava em seus olhos não está mais lá, enquanto eu a sacudo, esperando que tudo isso seja um pesadelo. Meu coração contrai dolorosamente; uma dor que nunca sobreviverei. Balançando a cabeça, minha visão fica turva, eu pisco a emoção salgada dos meus olhos, e ela corre pelas minhas bochechas. Meus pulmões apertam a cada respiração. O cheiro acre de metal. O corpo sem vida da mulher que amo. Tudo é demais.
Isso não pode ser real. A dor torce no meu peito, me apertando até ser muito difícil respirar, e tudo o que quero fazer é me juntar a ela na morte. O vermelho escuro mancha minhas mãos, e sei que nunca vou conseguir tirá-lo. É minha culpa. Eu fiz isso.
— Baby. Por favor! —Eu imploro, mas sei que ela não pode me ouvir. Ela nunca ouvirá o quanto eu a amo. Como eu iria levá-la até a montanha para pedi-la em casamento. Para dizer-lhe que quero passar minha vida com ela. Cada momento, cada segundo e cada último suspiro. Mas a vida dela se foi, e eu estou morto por dentro.
Eu tiro o telefone do meu bolso, e ligo para o meu irmão. Ele saberá o que fazer. — O quê? — Seu tom é ríspido e percebo que devo tê-lo acordado.
— Ela está morta. Porra, tem muito sangue, — eu sufoco, e ouço sua ingestão aguda de ar.
A resposta que recebo não é a que espero, seu tom áspero surge enfurecido. — Eu estarei aí em alguns minutos. O que aconteceu?
— Eu acabei de chegar em casa, e há sangue por toda parte. — Eu ouço o tecido arrastando. Eu respiro fundo, e suas palavras ecoam através
da minha dor. — Não se mova. — Eu desligo, e as lágrimas continuam a cair, meu rosto molhado de tristeza.
Ela se foi. Meu amor. A dor lentamente dilacera meu coração, me enviando em espiral na escuridão. Em ódio movido a vingança. Eu preciso encontrar o filho da puta que fez isso, e fazê-lo pagar. Fazer com que ele sofra tanto quanto eu agora. Eu sei quem fez isso. Eu me recusei a entrar no seu negócio de roubar carros. Eu queria viver honestamente para provar a Callie que era um homem digno dela.
Eu não sei por quanto tempo fico aqui, mas quando a porta se abre, me viro para encontrar meu irmão olhando para mim. Seus olhos voam sobre a cena, e se concentram no chão, mas, não há emoção em seu rosto. — Eles fizeram isso, eles a machucaram. — Ele acena, a porta está escancarada e eu ouço as sirenes.
— Eu chamei a ambulância. — Ele avança, mas não toca em nada. Com um gesto do queixo, ele diz: — Deve ser ele. — Eu olho na direção que ele está olhando, e percebo ao meu lado uma faca de açougueiro.
O momento de silêncio é interrompido por policiais e paramédicos até que me encontro algemado.
— Você tem o direito de permanecer em silêncio. Tudo o que disser poderá ser usado contra você num tribunal.
— Espera. Eu não fiz isso! Mano, diga a eles! — Minhas palavras caem no vácuo. Como diabos eles podem pensar que eu fiz isso? Por que ele não está fazendo nada? Eles me arrancam do apartamento, coberto de sangue da minha noiva, e dou uma última olhada para a mulher com a qual queria passar a minha vida, enquanto me levam embora como um criminoso. Naquele momento eu jurei, nunca mais amar alguém.
Meu corpo chacoalha, e encontro um par de olhos castanhos expressivos olhando para mim. — Sinto muito, o ônibus está cheio e ...—
ela diminui, e percebo que estou ocupando uma fileira inteira de assentos. Eu devo ter dormido por horas, porque olho ao redor e percebo que ela está certa.
O pesadelo ainda paira pesado em minha mente, enquanto me desloco para o lado, e ela se acomoda ao meu lado.
O cheiro do seu perfume, é de alguma forma familiar, e eu acho isso relaxante. Flores de verão. Meu ritmo cardíaco se estabiliza, e olho para ela. — Meu nome é Leah. — Ela estende a mão e eu deslizo a minha na dela. A suavidade de sua pele é incrível, e me pergunto se o resto dela parece assim.
Eu não me perdi por uma mulher desde Callie, mas depois de tantos anos preso, acho que meu corpo está desejoso. Eu não tenho que entregar o meu coração. Apenas meu pau.
— Eu sou Heath.— Eu gemo em resposta, e seu sorriso vacila. Eu sou um idiota. Ela é muito pura e inocente para o que eu gostaria de fazer com ela. Percebo que ela não tem bagagem, apenas uma pequena mala, que não poderia carregar muito.
Ela desliza para o banco ao meu lado, e seu perfume mais uma vez preenche minhas narinas. — Você sabe para onde o ônibus está indo? Entrei no primeiro que encontrei. — Ela olha para mim com um sorriso, e eu aceno.
— A última parada é Livingstone. — Minhas palavras saem como um estrondo, e me viro para a janela.
— É para onde você está indo? — Arrastando meus olhos para ela, percebo como ela levanta o queixo, e endireita seus ombros, se
mostrando mais confiante e sexy pra caralho. Cachos dourados emolduram seu rosto, e aqueles olhos cor de avelã brilham. Ela me faz pensar em como seria a Twig. Ela sempre usava de tanta franqueza em suas cartas. Eu me pergunto onde ela está.
— Sim, preciso de um novo começo. — Eu saboreio a maneira como o seu perfume invade os meus sentidos, e quero me encharcar dele. A fragrância suave das flores, e algo mais... ela.
— Se você estiver disposto as minhas constantes divagações, vou acompanhá-lo em sua viagem. — Suas palavras me tiram dos meus pensamentos, e eu olho para ela. É algo que minha Twig diria. Ela adorava divagar sobre tudo e nada. Eu amava isso nela.
Essa garota pode ser meu recomeço. Uma amizade que me permitirá parar de usar Twig como uma muleta, porque ela é. A última carta que ela me enviou, que chegou ontem, está na minha mala. Eu não abri ainda, e me pergunto o que ela decidiu. Ela provavelmente se casará com aquele filho da puta.
— Eu não sou uma boa companhia. — Eu digo honestamente, porque não sou.
Ela encolhe os ombros, e olha para mim. — Estarei aqui se você mudar de ideia. — Garota teimosa, eu gosto disso. Ela é linda - uma beleza natural sem maquiagem, vestida com um shortinho jeans e uma blusa branca folgada - e ela me lembra de inocência. Algo puro.
Quando ela se acomoda no banco ao meu lado, eu faço de conta que estou com ela. Por nesse momento, tudo que quero é me sentir normal. Meu coração sofre pelo que perdi, pelo que nunca poderei ter, e apenas durante essa viagem, quero mergulhar no seu sol.
CAPÍTULO QUATRO
LEAH
Twig ,
Todos esses anos e você ainda me atura. Muitas vezes me pergunto como ainda não te assustei. Eu suponho que você gosta do perigo? Você lê sobre homens como eu em seus livros? Um dia você deveria escrever nossa história. Como você acha que terminaria? Eu fico com a minha garota? Ou ela se move para coisas melhores. Por que você sabe o que eu penso? Que você é minha. Você entrou na minha mente Twig, tão profundamente, que está nos meus pensamentos constantemente. Isso te assusta? Você tem medo de que um dia, se o destino desempenhar um papel em nossa história, nos encontraremos?
Você é especial, garotinha. Você tem uma luz que não deveria deixar ninguém apagar. Sim, estou começando a parecer piegas, mas acho que você precisa se concentrar nos seus estudos. Agora que estou mais velho, percebo que estou feliz por ter conseguido terminar a escola e me formar, antes que minha vida ficasse uma merda. Antes do que aconteceu comigo neste lugar.
O mundo está lá fora esperando que você o agarre, e quando o fizer, segure, porque o passeio será incrível. Eu tenho mais cinco anos, quando sair deste lugar, estarei com trinta e nove - um velho - e você será uma garota com o mundo a seus pés. Você me deu algo que nunca encontrei aqui, algo, que não acho que tenha tido antes da minha prisão. Amizade. É o presente mais precioso de todos, e quero te agradecer. Esse é o mais profundo que serei, então não se acostume com
isso. Por mais que eu queira agradecer a você pessoalmente, isso bastará por agora.
Lembre-se, você sempre será especial para mim. Você é meu raio de sol, então nunca diminua a sua luz.
Seu, Con, beijos
— Senhorita, acorde. — Meus olhos se abrem, e encontram o olhar ardente do homem robusto que conheci há apenas algumas horas. Ele tem barba, tatuagens e deveria me assustar com aqueles intensos olhos escuros, mas não tenho medo. No mínimo, estou intrigada. As piscinas que me lembram de pão de gengibre guardam segredos, e minha curiosidade está aguçada.
— Onde estamos? — Eu questiono, me endireitando, e sentindo uma dor no pescoço por adormecer em um ângulo estranho.
— Em casa. — Ele ri, e eu olho para fora. A pequena cidade está banhada pela luz do amanhecer, e não posso evitar a onda de excitação que corre através de mim. Recomeçar.
— Bem, levante-se, meu caro, temos de sair e explorar. — Eu me levanto, alisando meu cabelo, mas é inútil. Meu cabelo há muito tempo tem vontade própria. Ele estende a mão para pegar uma mala preta pesada do alto, e eu pego a minha.
— Não tem muito nessa mochila, Sunshine. — Ele observa, me lembrando de alguém que nunca encontrarei, pegando a pequena mala quadrada na qual eu trouxe minha vida dentro, que inclui um laptop, meus cadernos e algumas roupas. Tenho dinheiro suficiente para
sobreviver por pelo menos três meses, mas preciso encontrar um emprego.
— Não tinha muito da minha antiga vida que eu quis trazer, — eu explico calmamente. Enquanto saímos do ônibus, sinto as pontas dos seus dedos roçarem minhas costas. O leve toque suave envia um tiro de eletricidade através de mim.
Quando eu finalmente saio do ônibus, e entro na minha nova casa, como Heath disse, sorrio com gratidão do que me livrei. Eu fiz a minha escolha e a mantive. Eu gostaria de poder contar ao Con, porque sei que ele ficaria orgulhoso de mim.
Os pensamentos sobre ele nunca estão longe. Ele é uma constante, algo em que posso confiar. —Sunshine, — um barulho profundo atrás de mim, me fez virar para encontrar o olhar do Heath. — Por aqui, — ele provoca, e percebo que continuei andando sem olhar para onde estava indo.
— Desculpa, às vezes tenho a tendência de me perder em minha mente, — eu explico com um sorriso. Seus lábios se curvam em um sorriso torto, e percebo como seus olhos brilham com malícia quando sorri. Seu cabelo é curto, quase raspado, e se não soubesse melhor, diria que ele estava no exército. As laterais estão grisalhas, mas misturados com o castanho abundante, o torna ainda mais atraente.
— Uma amiga minha sempre diz isso. Ela está sempre perdida dentro do seu mundinho. — Enquanto ele fala sobre essa pessoa, eu noto um brilho distante em seus olhos, como se ele sentisse falta dela. Eu me pergunto se é uma namorada, ou talvez até uma esposa. Enquanto meus pensamentos vagam por aí, olho para a sua mão e percebo que não há uma aliança em nenhum dos seus dedos.
Amiga.
— Ela mora por perto? — Eu questiono.
Ele sacode a cabeça, e para diante de um pequeno café. Soltando sua mala, ele puxa uma cadeira para mim e eu deslizo nela. — Na verdade, eu não sei onde ela mora. Posso pedir um café ou um chá para você? — Ele se inclina, e eu sinto o seu cheiro, lembra canela. Como aqueles donuts que eles fazem com um xarope de açúcar por cima.
— Chá, por favor. Se tiverem algo frutado, eu prefiro. —Ele balança a cabeça, e desaparece dentro da loja, mas não antes de eu notar, o jeito que o jeans azul desbotado dele abraça suas coxas incrivelmente musculosas. Ele é muito mais velho do que eu, mas tremendamente bonito. Sua barba não é muito longa, mas me faz querer passar os dedos por ela.
Eu me pergunto como é beijar um homem com barba. Eu não consigo esconder minha risadinha. Sentada, olho em volta e percebo a cidade lentamente acordando para um novo dia. A primeira coisa que preciso fazer é comprar um jornal, e encontrar algum trabalho.
— Aqui está. — Heath coloca uma caneca de líquido fumegante na minha frente. Cheira a laranjas frescas e algo doce, como mel.
— Isso cheira bem, obrigada. Quanto eu lhe devo? —Eu pergunto, pegando minha bolsa.
— Nada, — ele rosna, e eu sinto isso no meu núcleo. Ele se recosta com uma grande caneca de café preto espesso, e noto que suas mãos são ásperas, seus braços fortes, musculosos e adornados com lindas tatuagens que mostram padrões complexos. Há algo nele que grita perigo, mas não tenho medo.
— Obrigada, eu agradeço. — Ele balança a cabeça, mas não diz mais nada, e nos sentamos em silêncio, apreciando os sons de uma cidade ganhando vida. Crianças da escola passam por nós, e tem pessoas andando com seus cachorros. É quase como se o tempo tivesse parado aqui. Uma bela cidade que poderia ser o cenário perfeito para um livro.
— Então o que você faz? — Ele pergunta com um longo olhar para mim. A maneira como seus olhos percorrem meu corpo, envia um arrepio através de mim. Já faz algum tempo desde que senti borboletas e formigamentos. Isso é mentira. Fico assim toda vez que Con me envia uma carta.
— Estou desempregada no momento. Quando deixei minha antiga vida para trás, deixei de trabalhar com meus pais em uma fundação de caridade. Eu estava pensando que terei que encontrar algo para fazer, não me importo com trabalho duro, qualquer coisa para trazer uma renda. — Minha divagação leva sempre o melhor sobre mim, mas algo no jeito como Heath me olha, me diz que ele não se importa, o que me faz sorrir.
— Interessante, o trabalho duro ser bom para você. Eu aprendi isso enquanto... — Suas palavras se transformam em silêncio, e suas sobrancelhas franzem em preocupação, e tem algo sexy em sua expressão séria. — Estive ausente. Eu tive que trabalhar duro para chegar onde estou agora, — ele termina rapidamente, e levanta da cadeira. Nosso tempo chegou ao fim, e sinto que quero pedir a ele que fique. Ou lhe pedir para não me deixar, mas isso é ser egoísta. Estou tão acostumada a não ser deixada sozinha, e agora que tenho que estar, estou com medo. — Tome cuidado, senhorita. Talvez te veja por aí. — Ele empurra o boné que está usando para baixo, então cobre os olhos escuros, e ergue a mochila no seu ombro.
—Boa sorte! — Grito, enquanto o vejo ir embora.
CAPÍTULO CINCO
HEATH
Con,
Estou me preparando para ir para a minha formatura, chegou a hora. Para a faculdade e para o mundo real. Você me disse tantas vezes como é assustador lá fora, mas eu acho que é emocionante. Eu decidi que vou cursar Literatura Inglesa. Você me conhece, a devoradora de livros. Eu tenho meu próprio dormitório particular; meus pais não querem que eu fique alojada com uma garota que possa ser uma “má influência”. Sim, eles realmente disseram isso. Eu só quero sair daqui, a casa está se tornando sufocante, e a liberdade que me chama, me faz pensar em quão rapidamente posso sair daqui e encontrar meu próprio apartamento.
Eu enviaria fotos para você, mas isso é contra as regras, ainda acho que seria divertido ver você. Você não quer saber como eu sou? Eu sempre tento imaginar você enquanto leio suas cartas. Você acha que nos machucaria, pelo menos ver, com quem estamos falando?
Eu não tenho medo de você, sabe. Faz muito anos, e olhe, ainda estou aqui. O que você acha que aconteceria se esbarrássemos um no outro qualquer dia? E se já tivermos, e simplesmente não soubermos?
Eu imagino uma vida, onde um dia entro na sala de aula, e lá está você, talvez, meu professor? Imagina isso. Nossos olhos se conectariam, e nós saberíamos? Ou nossos corações e almas reconheceriam um ao outro?
Eu estava lendo um livro onde algo parecido aconteceu. Onde um dia dois estranhos se encontraram e a chama reacendeu, esse reconhecimento acontece no fundo do coração. Imagine a intensidade de
ver alguém que você conhece a maior parte da sua vida, mas nunca realmente viu. Ter uma conexão natural. Aquela que não é física. Como encontrar sua alma gêmea. A pessoa que conhece você melhor do que você mesmo.
Então, acho que vou esperar minha vez por esse momento. No momento em que você estiver na minha frente.
Acho melhor colocar meu vestido e ir buscar meu diploma.
Sua,
Twig - beijo
Tudo nela me fez pensar em Twig. O jeito que ela falou, divagou sobre o seu trabalho. Foi doce, e por mais que eu quisesse ficar, e ajudá-la a encontrar um emprego, ou apenas passar mais tempo com ela, não podia. Eu preciso seguir em frente, e encontrar meu próprio caminho. Eu não posso maculá-la com a minha escuridão. A velhinha do café disse que há um rancho à frente, e estão procurando pessoas para ajudar. Vou tentar minha sorte, e espero que eles estejam dispostos a me dar uma chance.
Nada como ser um ex presidiário para que as pessoas o afastem. O portão da fazenda está aberto, enquanto ando até ele, dou uma rápida olhada ao redor. Há estábulos e cavalos à direita. Perfeito. Eu amo cavalos, eu ficaria feliz de passar o tempo lá.
— Posso ajudá-lo? — Uma voz rouca puxa minha atenção para a esquerda. Um homem alto, de ombros largos, usando botas de caubói, jeans desbotados e uma horrível camisa mostarda, se aproxima de mim. Ele parece estar em seus cinquenta anos com cabelos grisalhos e
sobrancelhas grossas prateadas. Seu rosto é enrugado e não oferece um sorriso.
— Olá, sou novo na cidade. Apenas procurando por qualquer trabalho que você precise. Eu parei no café e eles...
Ele rosna antes que eu possa terminar a minha frase. — Maldita Merle, ela envia todos os tipos de pessoas para cá. — Suas sobrancelhas espessas franzem, enquanto me olha. — Você é um bom trabalhador? — Eu aceno rapidamente, esperando que ele não esteja prestes a me expulsar de volta para a cidade.
— Eu também sou bom com cavalos, — respondo com confiança. Se há uma coisa que sei é como domar um cavalo selvagem.
— Veremos. Vamos acomodá-lo. Eu sou Boone Cutter. — Ele estende a mão e nos cumprimentamos.
— Eu sou Heath Barnes, — eu respondo com um sorriso. Ele grunhe, e me pergunto se é assim que será a maioria das nossas conversas.
— Você tem uma garota, Barnes?— Ele pergunta com uma sobrancelha levantada. Imediatamente minha mente volta para Callie. Para seu lindo sorriso e brilhantes olhos azuis.
— Não. Só eu. —Ele me observa por um segundo a mais, mas não pressiona, pelo que sou grato. Nós entramos na casa, e sou atacado pelo cheiro de pão quente e assado no forno. É como se eu tivesse entrado numa padaria cheia de doces.
— O que temos aqui? — A voz suave vem de quem só posso assumir seja a esposa do Boone. Ela tem metade do meu tamanho com cabelos grisalhos presos em um coque. Ela está vestida com uma calça jeans, e a mesma camisa de cor horrível que seu marido.
— Mags, este aqui é o Heath. Ele vai ajudar com os cavalos. — Ela acena com a mão para ele com desdém, e segura meus dois braços. Boone obviamente sabe quando não é mais necessário, porque ele a deixa me tocar.
— Bem-vindo ao Cutter Ranch, Heath. Está com fome? Tenho certeza de que um homem como você precisa de um bom café da manhã. Vamos levá-lo para a mesa, e servirei um pouco de comida, e aquecerei para você. — Antes que eu possa responder, ela começa a correr pela cozinha. Sua casa é confortável. A cozinha é tudo o que você imaginaria de uma cozinha estilo do campo, incluindo a grande mesa de madeira com assentos suficientes para que toda a família jante.
A lembrança da família queima meu estômago. Meu irmão me deixou naquele inferno. Eu nem sei onde ele está agora. Tudo o que posso pensar é como perdi tudo. — Chega de se perder dentro da sua mente. — Ela me bate no boné, e eu o tiro, encontrando seu olhar intenso.
— Na verdade não estou...
— Já vi homens fazerem isso, e deixe-me dizer uma coisa, você não fará isso aqui, rapaz. Se você está sentindo falta da família ou de uma garota, estará ocupado demais nos estábulos para se preocupar com isso. E você é um bom rapaz, sua garota há de aparecer. — Ela pisca, e me deixa olhando para ela.
Logo que estou sentado sozinho de novo, eu medito sobre a garota que conheci no ônibus, o raio de sol mais bonito que entrou na minha vida desde que senti meu coração desmoronar. Quando ela adormeceu, tudo que eu queria fazer, era acariciar sua pele macia. Suas bochechas levemente bronzeadas tinham um tom rosado como se estivesse corando durante o sono.
Aqueles cílios longos escuros tremulavam, enquanto sonhava, e me perguntei se alguém voltaria a sonhar comigo. Mags retorna para a sala de estar com um grande prato cheio, e meu estômago ronca, o que só faz com que ela ria.
— Precisa colocar um pouco de carne nesses ossos, se você vai trabalhar com Boone. Ele é um pouco escravagista, sabe. — Ela pisca conspirativamente. Então, eu decido, é aqui que será minha nova casa. Onde eu posso usar essas botas de cowboy por um tempo, e tentar reconstruir minha vida.
Eu provo o purê de batatas e a torta de carne, gemendo de satisfação com os sabores que atacam minhas papilas gustativas. Hortelã, mostarda e outra coisa que não consigo identificar. Eu devoro cada pedaço e me sinto como um novo homem. Ela gira de volta encontrando o prato vazio, e eu me recosto com um estômago mais cheio do que nunca.
— Obrigado, Mags. Estava incrível. Eu não provo uma boa comida caseira há muito tempo, — digo a ela honestamente, e sei que ela pode ver através de mim.
— Acostume-se com isso. A muito mais de onde isso veio. Posso te oferecer um chá doce? — Com um sorriso, eu aceno. Não tomo chá doce, desde que minha mãe fazia para mim quando eu era adolescente.
Nesse momento, a campainha toca e, quando se abre, vejo Boone em pé com a senhorita da minha viagem de ônibus. Ela ainda está vestida com seu short, mas deve ter esquentado lá fora, porque ela tirou a blusa, e agora está usando a blusa branca mais apertada que eu já vi. Suas curvas são deliciosas e seus seios ainda mais.
— Para de babar, garoto. — O tom áspero do meu novo chefe, me arrasta do meu olhar.
Levantando, ando em direção a ela, e ofereço um sorriso.
— Você está me seguindo? — Eu a questiono, com um sorriso divertido.
Seus olhos estão arregalados em choque, mas posso ver a malícia dançando nos lindos avelãs. — Seria a sua sorte,— ela responde com um tom arrogante. Fofa. Eu gosto desse fogo. Mais uma vez eu me lembro de outra pessoa. Twig.
CAPÍTULO SEIS
LEAH
Twig ,
Parabéns! Estou orgulhoso de você, pequena dama. Há tanta coisa que você está prestes a aprender sobre o mundo real, mas não tenho dúvidas de que vai acabar com ele. Haha. Um pouco de humor de prisão. Eu não faço piadas o tempo todo, mas quando faço, sou muito bom nelas.
Falando sério, você vai adorar a faculdade. Eu sei que você não será influenciada pelas massas, e que aqueles que você escolher como amigos provavelmente serão boas influências, porque você é uma boa menina. Isso eu sei de fato.
Acabo de conseguir entrar num computador em nossa sala comum. Eu até configurei uma conta de e-mail. Eu imagino que você deve ser especialista em tecnologia, então, se quiser enviar e-mails, é mais rápido e fácil. Se você me der seu endereço de e-mail, te mando um, e poderemos conversar dessa forma. Eu tenho procurado cidades que quero visitar, assim que sair. Eu amo pequenos lugares remotos. Minha família não está mais por perto, eu perdi contato com meu irmão desde que cheguei aqui, então, não tenho pressa de ir para casa.
Talvez eu só pegue um ônibus, para nenhum lugar específico.
Começar uma nova vida, e me reinventar. Que acha disso? Tenho certeza de que posso ser qualquer pessoa que eu quiser, ninguém saberá quem fui, ou o que sou. Eu adoraria voltar a trabalhar numa fazenda. Na infância, eu costumava passar horas com os cavalos. Antes de ser preso, eu dava aulas
de equitação. Talvez eu devesse fazer isso novamente. É tranquilo no campo, onde tudo que você pode ver ao seu redor são as colinas verdes, e os únicos sons são os dos belos corcéis.
Eu acho que essa é a minha ideia de uma vida perfeita.
Simples. Quieta. Pacífica.
Seu,
Com – beijo.
— Maggie, querida, esta é a Leah. Ela não é daqui, e também procura trabalho. Parece que o ônibus hoje deixou todos esses forasteiros.
— O homem alto, Boone, resmunga, mas sua esposa me oferece um sorriso caloroso.
— Ignore-o, ele é apenas um velho rabugento, e me chame de Mags. Vamos te alimentar. Tem alguma coisa que você gosta de fazer? — Antes que eu possa responder, ela vira para Heath e comanda. — Leve as malas até o segundo andar. Têm dois quartos de hóspedes, dê à moça aquele com a varanda, você pega o outro. — E assim, sou mandado embora. — Agora, me conte mais sobre você. — Entramos na cozinha, e aproveito o calor humano que sinto, e não me refiro apenas à temperatura, porque está muito quente lá fora. Estou falando do amor que parece estar pairando no ar dessa casa.
— Bem, eu deixei minha vida antiga. Eu precisava fazer alguma coisa por mim, e quando me dei conta, estava num ônibus vindo para cá, apenas um dia atrás. —Ela olha para mim, enquanto enche um prato com mais comida do que eu posso suportar.
— Qual era o nome dele? — Sua pergunta me pega desprevenida, e meu queixo cai em estado de choque. — Eu estive por aí por muito mais
tempo do que você possa imaginar, minha querida, eu já vi dor antes. Seu coração foi partido. Alguém a machucou, —ela afirma com naturalidade, e eu aceno. Nada passa despercebido por ela. Certamente.
— Meu ex se tornou verbalmente abusivo. Eu não estava apaixonada por ele, e ele sabia disso. Eu era uma pessoa atraente, que ele podia arrastar aos eventos. Meus pais não viram isso. Eles pensavam que ele era um bom homem. — Fechando a porta do micro-ondas, ela caminha em minha direção, e pega minha mão na dela. Há tristeza em seus olhos.
— Eu não me referia a ele. Eu quis dizer o homem que você ama. — Suas palavras pairam entre nós, como os tachos e panelas que pendem do trilho de metal preso ao teto. Minhas sobrancelhas franzem em confusão.
O homem que eu amo? —Seu coração está com outra pessoa. Eu posso ver isso.
É quando percebo, de quem ela está falando. Um homem que nunca encontrei. — Eu não posso amá-lo da maneira que você imagina. O homem que possui meu coração é um desconhecido. Eu nunca o encontrei pessoalmente, — devo confessar, porque é verdade. Eu amo o Con, mesmo que nunca o tenha visto. Eu acho que o amor é cego.
— Como assim, querida?
Ela me chama para a mesa, e nos sentamos de frente uma para a outra. Ela parece que está prestes a explodir de emoção ao ouvir minha história.
— Quando eu tinha quinze anos, escrevi para um homem na prisão. Ele tinha apenas vinte e quatro na época, e era inocente, pelo menos eu acredito que é. Escrevemos um ao outro durante anos. Eu nunca o vi, e nunca ouvi a voz dele. Ele é um estranho para mim em
muitos aspectos, mas no fundo, ele está enraizado em meu coração. Eu acho que o nome dele é Connor, porque ele sempre assina suas cartas, Con. — Um tinido alto nos assusta, e nós duas levantamos, para encontrar Heath nos olhando. A caneca que ele estava segurando está em fragmentos no chão.
Seu rosto está branco como um fantasma, e suas poças negras emocionadas estão fixas em mim, me mantendo como refém, me queimando com uma emoção crua e desenfreada. — Heath? — Eu ando em sua direção, e ele por sua vez, recua.
— Desculpa, eu ... eu preciso de ar.— E com isso, ele sai pela porta, me deixando chocada, pela reação que teve. Meu corpo enrijece, e a tensão na sala faz meu coração saltar na minha garganta. A última vez que um homem me olhou assim, foi o Ronan. Quando ele se zangava, não havia nada que parasse seu discurso. Agora, a única diferença, é que Heath saiu correndo, enquanto que Ron iniciaria uma discussão, e me diria o quanto estava decepcionado.
As palavras que ele usava para zombar de mim, rachou minha concha e seu veneno tóxico penetrou em minha alma. Desde os meus 21 anos, ele me dominou, e eu apenas comecei a aceitar o fato de que ele era o problema, não eu.
Mags segue olhando para a janela. — Esse homem tem alguns fantasmas que precisa resolver. Eu só espero que ele perceba a tempo o que está bem na frente dele. Agindo como um maldito adolescente, saindo daqui daquele jeito, — ela murmura alto, o suficiente para eu ouvir. Meu coração bate no peito, e não posso deixar de pensar, o que diabos eu poderia ter dito para perturbá-lo tanto.
— Por favor, me deixe limpar isso? — Eu finalmente volto a meus sentidos, quando a vejo pegar a pá e a vassoura.
— Calma menina, vamos arrumar algo para você comer, e depois você pode descansar. Amanhã vou precisar da sua ajuda, com os convidados que teremos. — Ela volta para a cozinha, e joga fora a caneca quebrada. Logo que tenho o meu prato cheio, me sento à mesa e coloco comida na minha boca. Eu não sabia que estava com fome, mas a torta e as batatas estão incríveis.
Quando Maggie se junta a mim novamente, ela está irradiando tensão, e eu sei que é por causa do Heath. Meu coração aperta toda vez que penso no que aconteceu. Como ele poderia simplesmente sair assim.
— Seu quarto é aquele no canto. Quando você terminar, vá até lá, e descanse. OK?
— Obrigada, eu agradeço. — Minhas palavras são sinceras e sinto as lágrimas ameaçando. Eu nunca pensei que faria isso sozinha, mas agora que estou aqui e Maggie e Boone me deram um lugar para ficar, eu sei que estarei bem.
Minhas emoções são como fogo queimando lento, esperando o momento certo para me devorar nas suas chamas. Desde que saí do apartamento, tenho estado ansiosa, à espera que alguém do meu passado me encontre.
Eu daria qualquer coisa por uma bebida forte. Eu normalmente não gosto de álcool, mas agora, gostaria de uma dose de tequila para acalmar meus nervos. Notei um bar no centro da cidade, então, talvez eu dê uma volta mais tarde e tome uma.
Eu vivi por tanto tempo em um mundo de papel composto de palavras e tinta, agora que se foi, não sei como sobreviver. Sem Con, eu tenho muitas perguntas.
Onde ele está? Será que algum dia conversaremos novamente? Existe uma chance de eu conhecê-lo?
Todas estas ficarão sem resposta. — Mags, estou pensando em ir ao bar na sexta-feira à noite. Posso ter uma chave para não acordar você e Boone quando eu chegar em casa? — Ela interrompe seus movimentos, e se vira para olhar para mim. Um pequeno sorriso toca em seus lábios, e ela concorda.
— Eu pensei que você nunca pediria. Vou mandar Boone levá-la.
— Ah não. Não tem problema. Eu vou a pé, — ofereço, mas sou recebida com um olhar severo. — Você não vai fazer nada disso, senhorita. Ele vai te levar, e ao Sr. Pau No Rabo, lá embaixo. Parece que vocês dois precisam quebrar o gelo. — Ela pisca, e continua a limpeza. Eu acho que uma bebida com o cowboy gostosão não será assim tão mau. Quero dizer, certamente ele será capaz de se divertir. Caso contrário, não preciso de um acompanhante para cuidar de mim. Eu posso fazer isso sozinha.
CAPÍTULO SETE
HEATH
Con,
Eu deveria estar animada que você sabe como usar o e- mail? Há! Meu humor nerd, não tão engraçado quanto o seu. Acabei de me mudar para o meu dormitório. É lindo, e eu tenho uma vista do campo esportivo. Pelo menos eu tenho meu próprio espaço. Tem tanta coisa, entretanto, não tenho certeza do que vou fazer.
Minha mãe e eu brigamos, é algo que fazemos constantemente. Eu nunca fui o suficiente para ela, nunca correspondi às expectativas que ela tem. Eu acho que, ser filha de pais tão conhecidos e ricos, garanta que sua vida seja um inferno na maior parte do tempo. Espero que um dia, se eu tiver filhos, não seja como ela. Que eu os apoiarei nos seus sonhos, em vez de forçá-los a fazer algo que não amam.
Eu sempre pareço descarregar em você, me desculpe. Eu suponho que você está aí, e não é como se você pudesse se afastar ou me ignorar. Eu não sei o que faria se você me ignorasse. Você acha possível que um dia nós paramos de nos falar? Tipo, acho que se você sair e encontrar uma esposa, ou Deus sabe, eu encontrar um marido. Que ideia estranha. Espero que nunca deixemos de nos falar, né?
Você me deu sua amizade, quando poderia ter me dito para cuidar da minha própria vida. Você me permitiu desabafar e reclamar, chorar e rir, você me deu minha adolescência, Con. Obrigada.
Enfim, aqui está o meu endereço de e-mail: [email protected].
Aguardo com ansiedade o seu e-mail.
Sua,
Twig – beijos
Eu não posso parar o doloroso baque contra o meu tórax. É ela. Minha Twig. Porra, como eu não percebi antes? Ela nunca poderá descobrir quem realmente sou.
Não tem como ela querer um homem como eu. Estou cheio de raiva, arrependimento e pensamentos de vingança.
Ela é tão bonita.
Tão inocente.
Tão real. Ela é muito real.
Todos esses anos de comunicação, e aqui está ela, na mesma casa do caralho. Como posso passar meus dias perto dela? Como posso agir como se não nos conhecêssemos? Mas eu não sou bom pra ela.
— Você quer se matar, Barnes.— O estrondo profundo do Boone vem de trás de mim. Eu me viro para encontrar o velho se aproximando nas minhas costas.
Eu franzo a testa para ele em confusão. — Por que você diz isso?
— Dar as costas para a minha Mags, como isso só pode te conseguir um tiro na bunda da sua espingarda, e ela tem uma boa pontaria. Eu ensinei tudo o que ela sabe —, ele responde com orgulho, e posso ver o amor e a adoração que esse homem tem por sua esposa. Meu coração se contrai ao ponto da dor, e tenho certeza que estou tendo um maldito ataque cardíaco. Virando-me para os cavalos que pastam no campo, penso na minha resposta.
— Tem muita coisa acontecendo na minha cabeça no momento. Eu só preciso me concentrar no trabalho. — Sou tão honesto quanto posso conseguir sem dar muita coisa. Sem contar a ele sobre meu passado.
— Eu consigo ver um ex presidiário a uma milha de distância, rapaz. Não esconda isso de mim. Eu não dou a mínima para o que você fez, você não estaria aqui se fosse culpado. Deixe-me dizer a você uma coisa, você paga sua parte, trabalhando duro, e eu vou ignorar seja qual for a merda que você está escondendo. Eu quero você focado, e eu quero você aqui. —Ele aponta para o chão, e eu entendo. Minha cabeça precisa estar no trabalho, não no meu passado.
Eu consigo fazer isso. — Você pode contar comigo.
Ele sorri. Ele porra sorri. — E se você vai ter um caso com aquela moça bonita, se certifique de não partir o coração dela, e não me diga que não pensou sobre isso. Eu posso ser velho, mas não sou burro nem cego.
O homem está falando sério, e sabe que não posso negar isso, porque agora que sei quem ela é, não tenho nada no meu caminho. Ela deixou o filho da puta do seu ex, e eu pretendo a conquistar. Eu já a tenho apaixonada por mim, agora tudo que preciso, é mostrar a ela quem eu sou. Carne e sangue, e todo maldito homem.
— Eu nunca vou partir o coração dela—, eu afirmo, antes de voltar para casa. Preciso me desculpar, e tentar explicar porque fui tão idiota.
Empurrando a porta, entro e inalo o aroma saboroso. Porra, vou ganhar muito peso vivendo aqui. — Aí está você. Eu acho que você ...
Antes que a Mags possa dizer uma palavra, começo meu pedido de desculpas. — Mags, olha, eu nunca deixarei minhas emoções me dominar novamente. Sinto muito pelo que aconteceu, vou substituir a caneca. E quero dizer ...
— Não é a mim que você deve desculpas. Tem uma adorável garota no andar de cima preocupada por ter te aborrecido de alguma forma. Todos nós temos nossos problemas, Heath, mas no final do dia, é como você trata as pessoas ao seu redor que conta. — Suas palavras são verdadeiras, e ver alguém se preocupando comigo sinceramente faz coisas à raiva que sinto em mim. O arrependimento que me queima todo maldito dia. — Agora vá até lá, e diga a ela que você quer levá-la para tomar um drinque. — Ela pisca, me deixando pela segunda vez hoje, sem palavras.
Subindo as escadas, eu bato na porta da Leah. Enquanto espero ela abrir, me pergunto por que ela se nomeou de Twig, porque ela é incrível. A porta se abre de repente, e ela está ali parada, usando somente uma minúscula toalha branca.
Seus longos cachos dourados estão presos num coque bagunçado, com alguns emoldurando seu rosto em forma de coração, e seus lábios carnudos são rechonchudos. Estou olhando para eles como se precisasse da minha boca na dela para que pudesse respirar novamente.
— O que... — Sua voz racha e ela limpa a garganta. — O que você quer? — A pergunta me distrai do seu corpo, e meus olhos encontram os dela. Aquelas poças de mel olhando para mim, me fazem querer me humilhar, ficar de joelhos. É ela. Ela existe.
— Estou aqui apenas para me desculpar. Ou seja, fui um idiota, então queria dizer que sinto muito. Teremos que viver praticamente juntos, e não quero nenhuma hostilidade entre nós. — Não tenho certeza se minhas palavras fazem sentido porque, dessa vez, sou o único a divagar. E a única razão pela qual estou, é porque é ela. A mulher que
lentamente entrou nas partes mais escuras da minha mente, e me deu uma razão para sair da merda onde eu estava trancado.
— Está tudo bem. É melhor eu me vestir, — ela murmura. Eu não consigo me controlar antes de correr meus olhos sobre cada centímetro da sua toalha, ou imaginar como seria sentir a minha língua traçando essas mesmas curvas.
— Claro, eu vou indo... Vejo você amanhã. — Eu me viro para ir embora, e quando ouço a porta se fechar, me sinto como um idiota. Abrindo a porta do meu quarto, abro a mala, pego as roupas e vou até o armário para pendurá-las. Preto. Tudo preto. Eu sempre amei cores escuras. Callie costumava rir e me dizer que eu era o Anjo da Morte. Acho que sou, porque ela se foi.
De volta ao quarto, jogo a mala vazia embaixo da cama, e tiro minha camiseta encharcada de suor. Empurrando meu jeans para baixo, junto com minhas boxers, vou para o banheiro e ligo o chuveiro. Tenho certeza que o jato quente vai me acalmar. No mínimo, deveria acalmar meu pau duro. Houve momentos na prisão, que eu me masturbava pensando em Callie, mas desta vez, ela não é o motivo da minha ereção.
A garota no quarto ao lado do meu é, e eu não tenho a mínima ideia do que ela vai fazer quando descobrir quem realmente eu sou.
CAPÍTULO OITO
LEAH
Twig ,
Eles finalmente me disseram que posso conseguir a liberdade condicional. Vai ser daqui um ano, mas estou animado. Pela primeira vez na minha vida, sinto que minhas cartas foram bem distribuídas, e eu segurasse a mão vencedora. Há tantas coisas que eu gostaria de fazer, lugares que quero visitar, mas de alguma forma, tenho certeza que sentirei sua falta.
Você acha que ainda gostaria de manter contato quando eu sair? Só estou perguntando isso, porque não quero que você passe a vida sentada na tela do computador. Você tem muito a seu favor. Uma vida de felicidade certamente está à sua frente e eu gostaria de estar aí para compartilhar sua alegria.
Só estou lhe dizendo isso agora, porque, assim que você se casar com ele, tudo acabará, e eu me arrependerei de não ter dito o quanto você me mudou. Como, durante os anos em que nos conhecemos mutuamente, sua luz brilhou sobre mim, na úmida cela escura que agora chamo de lar, você me manteve aquecido. Eu pareço como um viadinho, né? Mas eu não me importo. Eu quero que, não, eu preciso que você saiba, Twig, se eu tiver a chance de encontrá-la, vou puxar você para os meus braços, e te abraçar, mantê-la aquecido do frio, segura onde houver perigo, e fazer você sorri quando quiser chorar.
Você não sabia que eu poderia ser romântico, né? Enfim, acho que abrir meu coração e minha alma em um e-mail, é mais fácil do que fazer
isso frente a frente. Provavelmente, se pudesse ver sua beleza, eu ficaria muito atordoado para falar. E então, você pensaria que sou um idiota, me bateria e se afastaria.
Isso é algo que meu coração não aguentaria. Então eu digo a você em palavras, porque elas significam muito mais. Dizer a alguém que você ama nem sempre é verdade, mas escrever isso, para eles lerem quando estão tristes, eu penso que faz disso mais real. Você não acha?
Seu,
Con – beijo
Eu acordo com os cheiros e sons da Maggie no andar de baixo na cozinha. À distância, também posso ouvir os cavalos, e tenho certeza de que Heath já está acordado.
Ainda não falei com ele desde a noite passada, embora quisesse saber qual era o seu problema.
Indo para o meu banheiro, entro no chuveiro, e rapidamente lavo meu cabelo. Eu oficialmente começo a trabalhar em trinta minutos e vou precisar de café. Passei a maior parte da noite escrevendo. Uma ideia para um livro veio a mim e eu me forcei a sair da cama à meia-noite para começar.
Eu decidi escrever minha história e do Con. As cartas, as emoções e todos os nossos segredos. Claro, ninguém saberá sobre ele, mas se um dia ele estiver numa livraria e por acaso o encontrar, ele saberá.
Quando desço as escadas, vestida com uma bermuda jeans e uma blusa amarela claro com tiras finas, encontro Mags distribuindo ovos mexidos e torradas.