As investigações e reportagens de rua que Roberto realizou em Jerusalém não acrescentaram em nada ao que todo mundo já sabia. Tudo continuava sendo um verdadeiro mistério, nem mesmo os cientistas envolvidos tinham conseguido uma explicação lógica para o que estava acontecendo.
Roberto Dias mal acabara de entrevistar esses líderes religiosos, novos sinais idênticos aos já acontecidos começaram a aparecer em outras partes do mundo.
Da redação do jornal veio a ordem para continuarem com o trabalho sobre aqueles sinais que voltavam a acontecer. Dali mesmo, depois de enviar via Internet o conteúdo das entrevistas de rua, fotos e documentários para serem editado, Roberto, Júlia e Saulo viajariam para os novos locais.
Primeiro passariam por Meca, depois iriam a Mathura, na Índia, e por último viajariam para Lhasa, no Tibet.
- Vamos, Saulo. Nós ainda não comemos. Quanto mais rápido despacharmos as malas e a sua aparelhagem, mais cedo ficaremos livres para almoçar. Não quero ficar sem comer.
- Almoçar, não. Jantar. Ainda bem que a Júlia já foi para o restaurante e está adiantando nosso pedido.
- Mais três locais e todos distantes um do outro. Saulo prepare-se; não vai ser fácil.
- Eu já pensei nisso e estou me preparando
psicologicamente.
- O pior é que teremos tanto trabalho para entrevistar outros fanáticos iguais aos que acabamos de conhecer e que com toda certeza dirão a mesma coisa.
- Será que eles são iguais mesmo, Roberto?
- Não tenho a menor dúvida, você vai ver. Vamos almoçar, pois só temos uma hora e meia de folga. Logo teremos que embarcar.
- Alguém vai estar nos esperando?
- O pessoal da embaixada vai estar lá.
- Muito bom ter alguém que fale a língua desse pessoal. Se não fosse Ashur, você não teria conseguido fazer essas entrevistas – Ashur é um funcionário da embaixada brasileira e o único tradutor que Roberto conseguira.
- É verdade, não tinha pensado nisso. Eles se recusam a falar em inglês. Impressionante... Nessas horas é que me arrependo de não ter aprendido falar francês.
Almoçaram rapidamente e embarcaram.
***
Notícias locais: – Arábia Saudita, Meca.
Mesquita Sagrada Al Masjid Al-Haram: da Pedra Negra que se encontra dentro da Kaaba também brota sangue.
Índia, Mathura.
Tinta ou Sangue? No Templo Sri Krishna Janmabhoomi, de uma das pinturas de Krishna escorreu o líquido vermelho.
Lhasa, Palácio de Potala.
Templo Jokhang: a estátua dourada do Buda Shakyiamuni também chorou sangue.
Roberto tinha consciência de que esta viagem seria cansativa, pois além dos fenômenos estarem acontecendo em lugares distantes um do outro, os mesmos eram de difícil acesso. Com certeza isso dificultaria em muito suas entrevistas investigativas, mas como era profissional reuniu sua equipe e tocou em frente.
Eles chegaram à cidade de Meca por volta das 21:00 h.
Encontraram-se no aeroporto com Omar, funcionário do consulado brasileiro, responsável por toda movimentação da equipe pela cidade e também o interprete se fosse necessário.
Depois de instalados no hotel Makkah, resolveram descansar.
Começariam a trabalhar cedo, pois a entrevista com outro Aiatolá – senhor Ali Mustafá – estava acertada para o dia seguinte às 15:00 h.
- O que iremos fazer da manhã até à tarde. – Perguntou Júlia?
- Reportagens, reportagens e reportagens. – Roberto falou imitando o chefe deles e todos riram.
- Acho que só vou fotografar sangue divino mesmo.
- Júlia, este é um lugar imprevisível, às vezes também ocorrem atentados e escorre sangue comum. Quem sabe com um pouco de sorte talvez você consiga fotografar desse tipo também. – Brincou Saulo.
- Não sei como você consegue fazer piada com esse tipo de coisa.
Roberto chamou atenção dele fingindo seriedade fazendo com que Júlia se irritasse.
- Vocês dois não têm jeito mesmo.
Procuraram descansar até mais tarde, pois só começariam os trabalhos de rua por volta das 10:00 h.
Roberto acreditou ser melhor formular a esses novos líderes religiosos, que seriam entrevistados, as mesmas perguntas básicas que fizera antes, já que os sinais se repetiam em solo sagrado e eram idênticos aos anteriores.
No horário combinado, foi recebido por Mustafá dentro da própria Mesquita Sagrada. Próximo ao local onde há poucos dias o sangue tinha brotado e, ainda lá, dentro da Kaaba, permanecia intacto.
- Bom dia, prazer em conhecê-lo, senhor Ali e obrigado por me receber.
- Bom dia, Roberto. Que Alá habite e transforme o seu coração. O prazer também é meu, só gostaria que o senhor me chamasse por Mustafá.
- Sua vontade será satisfeita.
- Está se convertendo ao Islã?
- Não, senhor. Duas mulheres já moram em meu coração e não há mais espaço para ninguém. Eu quis dizer é que vou chamá-lo de Mustafá.
- É uma pena, mas espero que aqui fique esclarecido todo esse mistério e que sua reportagem ganhe algum prêmio. Seja bem vindo à casa de Alá e que nossa cidade possa recebê-lo com carinho.
- Obrigado, eu estou sendo bem recebido.
- Ótimo, é sinal que não somos tão bárbaros como vocês mesmos da imprensa propagam mundo afora.
- Nem tanto assim senhor. Também existe uma participação do seu povo, mesmo que pequena, mas existe.
- Pode ser. Afinal nem tudo é perfeito.
- Bem. Mustafá pode me falar um pouco desse lugar e o que ele representa?
- Com certeza. A Mesquita Al Masjid Al-Haram sempre foi um pátio em torno da Kaaba e aqui se realiza a peregrinação anual a Meca, uma obrigação somente para aqueles que são física e financeiramente capazes de empreendê-la. Aqui o profeta Abraão foi incumbido por Deus de reconstruir a Kaaba juntamente com seu filho Ismael. Isto demonstra que o Islã é a religião de Deus e não uma religião feita pelo profeta (Maomé) Muhammad, pois os ritos e as normas da peregrinação não foram estabelecidos pelo profeta, mas sim por Deus, como também não está vinculada à pessoa deste profeta, nem à sua vida, mas sim a Abraão e ao seu filho Ismael, mostrando, dessa forma, a abrangência e o universalismo do Islã. Logo, a peregrinação é um atendimento ao chamamento que o profeta Abraão dirigiu a todos os homens, obedecendo à ordem de Deus. Dentro da Kaaba encontra-se a Hajar el Aswad ou Pedra Negra4, uma das relíquias mais sagradas do Islã e, segundo a tradição muçulmana, remonta ao tempo de Adão e Eva sendo que essa pedra foi recebida por Abraão das mãos do anjo Gabriel (Arcanjo Gabriel). Estas são as razões deste lugar ser o mais sagrado do mundo para nós devotos do Islã.
4 https://pt.wikipedia.org/wiki/Pedra_Negra https://pt.wikipedia.org/wiki/Caaba
https://www.epochtimes.com.br/masjid-al-haram-lugares-mais-sagrado-muculmanos/
- Muito bom, com esta explanação nossos leitores passarão a entender um pouco mais sobre sua crença. Podemos começar nossa entrevista?
- Quando você quiser, estou a sua disposição.
- Mustafá, eu serei rápido e objetivo. Possivelmente lhe farei perguntas com o mesmo sentido das que fiz a outros líderes religiosos que acabei de entrevistar por esses mesmos motivos. O senhor tem alguma objeção quanto a isso?
- Roberto, você é o profissional. Acredito que assim seus leitores e outros que vejam ou leiam a matéria passem a entender melhor nós muçulmanos, e com isso vejam melhor a posição de cada religião.
- Ótimo, então comecemos: – os acontecimentos naqueles locais sagrados, para o senhor, têm o mesmo significado deste sangue que escorreu na Pedra Negra que está no interior da Kaaba? E mais: esse acontecimento tem alguma coisa a ver com o sagrado ou não passa de uma farsa?
- Roberto, eu não tenho a menor dúvida de que esses sinais estão interligados. Quanto a ter algum charlatão por traz de tudo isso, a nossa polícia ainda não descobriu nada e eu particularmente não tive até o momento nenhuma prova nesse sentido; portanto não acredito que seja. Entretanto, pelo que vi, posso afirmar ser outro sinal de Alá.
- Mas, Mustafá, baseado em que o senhor faz essa afirmação? Você não pode estar sendo enganado pela sua fé?
- Aqui, este local que você está vendo, é a casa de Deus.
Para aqui são voltadas todas as orações realizadas pelos muçulmanos ao redor do mundo. Por que razão minha fé me enganaria? Deus mais uma vez escolheu um local sagrado, e
não podia ser outro senão a sua própria casa para dar seu recado.
- Digamos que realmente aqui seja a casa de Deus. Que recado seria esse, Mustafá? Por que não veio ele em pessoa dizer o que quer, como das outras vezes no passado?
- Roberto, Deus tem suas razões e com certeza sabe o que está fazendo, não serei eu que vou questioná-lo. Porém vou tentar torná-lo conhecedor da nossa história. Sei que será difícil de entender o que falo, mas veja que por estes locais onde apareceram os sinais passaram os grandes profetas das três religiões monoteístas. Agora, mais uma vez outro local onde passaram vários profetas. Não pode haver prova mais concreta de que o nosso Deus está nos convocando para uma missão e eu não tenho dúvida de que Ele está nos mostrando qual a sua vontade. Devemos unificar definitivamente a humanidade em torno da nossa crença e mostrar por esses mesmos sinais a existência de um único Deus.
- Mustafá, os sinais estão aparecendo em locais onde deuses diferentes são adorados. Então eu pergunto: – esse deus que o senhor se refere seria o seu?
- Com certeza. O verdadeiro Deus, o que Abraão seguiu, respeitou e falou, o mesmo que Maomé nos confirmou: Alá, o Misericordioso.
- Mustafá, terei que fazer uma pergunta que talvez não goste.
- Faça-a, Roberto. Não saia daqui sem conseguir suas informações. Da minha parte tentarei tirar todas as suas dúvidas.
- Não estaria o senhor se precipitando em suas conclusões
religiosas?
- Eu tinha quase certeza de que essa pergunta seria feita.
Até eu já me questionei algumas vezes. Aliás, quem é que não anda por ai se perguntando? Não posso negar que você tem razão, mas também não posso afirmar que tenha. Eu creio estar certo e vou fazer o que for preciso para seguir o caminho nesta direção. Até porque tenho Maomé a me inspirar.
- O que lhe faz crer que esses sinais são verdadeiros e sua conclusão está certa?
- Pura inspiração. Eu era como você. Não acreditava em nada até o dia que escutei uma voz me perguntando:
“Mustafá, o que pensas da vida? Achas que eu não existo?
Esta vida quem lhe deu fui Eu e não foi para você andar por aí me ignorando. Estou esperando que faças a tua parte, pois a minha eu continuo fazendo”. Naquele instante soube que era Alá que me falava. Hoje mais do que qualquer coisa, eu entendo o porquê daquela conversa; esse é o desafio que terei que enfrentar.
- Vejo que você está bem informado ao meu respeito, mas eu ainda não estou ouvindo vozes. Deixa-me ver se entendi bem sua resposta. O senhor está dizendo ao mundo que vai unir esforços no sentido de unificar as crenças num único deus?
- Você entendeu perfeitamente, Roberto. Não posso deixar de atender a esse clamor; só quem não quer ver não entende.
Eu sei que o senhor é descrente, mas até mesmo você precisa pensar em tudo que está acontecendo. É chegada à hora, não perca a oportunidade de se converter.
- Obrigado pelo aviso Mustafá, mas deixei claro aos outros líderes que entrevistei, que tudo isso não faz nenhum sentido na minha cabeça. Talvez quem saiba um dia eu passe para o outro lado.
- O que posso lhe assegurar é que, quando você encontrar Alá, tudo ficará bem mais fácil. Pense no que lhe falo.
- Bem, nosso encontro foi bem agradável. Obrigado mais uma vez.
- Não tem por que agradecer. Espero não tê-lo aborrecido.
- Quando o encontro é agradável tudo passa despercebido.
Em momento algum fui aborrecido.
- Fico feliz em saber e sempre que precisar estarei à disposição. Possa Alá habitar seu coração.
- Espero que você esteja certo. Boa sorte.
Roberto não contava que Mustafá fosse tão pensativo e respondesse a suas perguntas tão pausadamente. Dessa forma a entrevista levou mais tempo do que ele previra, e por conta desse imprevisto, perderam o voo para a Índia. Tiveram que viajar no dia seguinte.
***
Acordaram bem cedo, fizeram um desjejum para lá de reforçado, fecharam a conta no hotel, correram para o aeroporto e embarcaram no primeiro voo. Toda essa precaução e correria tinham uma razão: quando chegassem ao lugar de destino, não teriam tempo talvez nem para fazer uma refeição.
O mesmo processo se repetiu quando chegaram à Nova Delhi. No aeroporto Indira Gandhi, Gilton Dilti outro
funcionário do consulado brasileiro os aguardava. Só foi o tempo das apresentações e já estavam viajando para a cidade de Mathura, que fica a 150 km da capital. Teriam mais ou menos duas horas de viagem para acertar com Gilton toda a programação de trabalho. Roberto, ao ser informado dos horários, pediu para passar primeiro no Templo Sri Krishna Janmabhoomi. Assim, Júlia adiantaria seu trabalho tirando as fotos necessárias; ele e Saulo aproveitariam também para dar continuidade às suas reportagens e saber algumas impressões do que os populares estavam achando daquilo. Ali em Mathura eles iriam precisar e muito da ajuda do Gilton, pois provavelmente não encontrariam alguém naquele local que falasse inglês, e muito menos o português.
Pouco antes das 14:00 hs. Roberto foi levado ao escritório onde teria sua entrevista atendida pelo guru Rachna Bhutto.
- Roberto, mais um pouco e estará terminado nosso trabalho por aqui.
- Não vejo a hora, Saulo. Essa repetição de tudo já está começando a me cansar.
Roberto com a sua equipe foi recebido por Rachna, um simpático e frágil senhor de 92 anos, porém lúcido e de uma alegria contagiante, no horário previsto com a recomendação de ser rápido devido à idade avançada e por também estar com os horários comprometidos para outras entrevistas individuais.
- Prazer em conhecê-lo, senhor Rachna, e desde já obrigado.
- É uma grande alegria recebê-lo, Roberto. Krishna também o saúda e está feliz por sua visita a Mathura.
- Obrigado, eu também estou feliz por estar aqui.
- Que bom, é sinal de que a intenção foi alcançada. Estou a sua disposição, podemos começar? – Sorria como uma criança.
- Desculpe, mas não entendi. O que o senhor quis dizer com “intenção alcançada”?
- Vou lhe explicar: como você acaba de falar “também estou feliz”, o mundo também precisa ficar feliz. Vindo até nós, todos se sentem em paz e saem felizes. Aqueles que não podem vir aqui vão tomar conhecimento dos acontecimentos através das suas matérias e das que os seus colegas de outras partes do mundo também estão fazendo. Essa é a intenção:
unir todo mundo ao mesmo objetivo e torná-lo feliz.
- Olhando por esse prisma, sua explicação até que faz algum sentido, mas...
Nesse instante, Roberto lembrara-se filha e ficou tentado a comunicá-lo sobre sua enfermidade, mas logo desistiu.
- Diga Roberto, não se cale.
- Deixa pra lá, não é nada de tão importante.
- Não devemos nunca nos calar Roberto, principalmente quando precisamos ter certeza de alguma coisa. Ao silenciar, retardamos ou até mesmo interrompemos nosso aprendizado, seja ele material ou espiritual. Devo orientá-lo que o aprendizado é obrigatório e caso não o faça nesta vida, com certeza terá de fazê-lo em outra. Aqui na Índia, chamamos de
“Roda do Samsara”5, devemos estar sempre buscando elevação espiritual, para dela nos livrarmos.
- Vou me lembrar deste seu conselho daqui para frente.
5 https://pt.wikipedia.org/wiki/Samsara
Bem, como o senhor mesmo acaba de falar, o mundo está tomando conhecimento desses acontecimentos pelas reportagens que nós os jornalistas estamos fazendo. Por isso antes de falarmos sobre esses acontecimentos, preciso saber um pouco mais a respeito do seu Deus e desse local onde está ocorrendo tais sinais, para passar aos nossos leitores.
- O nosso querido Krishna6 nos deixou Sua mensagem e foi a Mensagem do Amor. Ele nasceu numa prisão. Isso foi um sinal para ficarmos sabendo que todos nós nascemos na prisão do "eu", a prisão deste mundo. Com sua sabedoria divina nos ensinou a libertação e disse; "Abandona todos os teus deveres, busca-Me para teu abrigo, não te preocupes, pois Eu te livrarei de todos os males”.
- Parece que o Cristo também falou algo parecido com isso, só que de outra forma senhor Rachna.
- É verdade, senhor Roberto, entretanto Krishna foi um Mensageiro de Deus que viveu na Índia antiga a mais ou menos 5.000 anos, bem antes de Cristo. Ah! Não entenda essa minha colocação como desmerecimento de tudo o que Cristo ensinou. Saiba que quando necessário somos visitados por seres iluminados enviados pelo pai no sentido de nos orientar na busca constante do crescimento espiritual. Precisamos estar sempre atento para saber identificá-los.
- E por que é tão sagrado aquele local?
- Quanto ao Templo Sri Krishna Janmabhoomi7, ele está construído em cima da prisão subterrânea em que Krishna
6 http://giridhari.com.br/introducao/quem-e-krishna/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Krishna
nasceu, e desde então lá o reverenciamos, embora haja pelo menos mais um templo que reivindique ser o lugar certo do nascimento de nosso grande líder espiritual. A população é dividida sobre o real local de Seu nascimento, entretanto algumas evidências confirmam ser ali o lugar certo. Tenho muito mais a falar sobre esse assunto, porém para não me alongar, creio ter sido bem esclarecedor e acrescentado o suficiente para suas anotações.
Roberto entendendo que o Guru estava preocupado com o tempo de duração da conversa agradeceu-o e iniciou a entrevista.
- Senhor Rachna, obrigado por estas informações. Serei bem objetivo para não tomar seu tempo. As perguntas já estão praticamente prontas e são mais ou menos iguais às que eu venho fazendo. O senhor vê algum empecilho em respondê-las?
- De forma alguma, é muito bom que sejam assim. O povo vai entender melhor o que está acontecendo e também o pensamento dos líderes que eles seguem.
Mais uma vez ao responder o senhor Rachna tinha um sorriso singelo nos lábios.
- Ótimo, então comecemos. Ultimamente eu não tenho visto outra coisa que não seja sangue escorrendo nos locais mais sagrados para os homens. O senhor acredita que seja o mesmo que escorreu na pintura de Krishna? E para o senhor, o que esses acontecimentos significam?
- Não tenho nenhuma informação científica que prove ser o sangue daqui igual aos outros, mas também não posso dizer que não seja. Quanto aos fatos que estão acontecendo nesses
locais que o senhor acaba de mencionar, não tenho uma posição a respeito, pois não os vi. Entretanto, o daqui eu acredito que seja um sinal divino.
- O senhor acha que este sinal não tenha aparecido em outros locais. O que o leva a pensar dessa maneira?
- Eu não disse que não acredito naqueles, eu disse que não os vi. Agora, quanto a ser divino, as vezes a simplicidade intriga de tal forma que complica. É quando os mais leigos não entendem e confundem. Deus em sua sabedoria mais uma vez escolheu um local, que também é sagrado, para deixar o seu recado e ensinamento para todos nós que vivemos em uma das suas moradas, sem exceção.
- E esse recado é tão importante a ponto de intrigá-lo, senhor Rachna?
- Roberto, eu acredito que nesse curto espaço de tempo o senhor tenha ouvido dos outros religiosos que, por esses locais onde estão aparecendo os sinais, passaram os grandes profetas e homens considerados santos. Multidões visitam esses locais a procura do entendimento e da paz, eu mesmo já estive neles. Portanto não há como negar que tudo isso seja um aviso. Deus está realmente nos convidando à reflexão.
- Qual o Deus que quer dessa forma, senhor Rachna?
- Krishna. Não existe outro senhor Roberto.
- Senhor Rachna, o que vou lhe perguntar não tem nada de pessoal.
- Mesmo que tivesse eu não o deixaria sem resposta. – Sorriu.
- Seu povo além deste, adora mais uma infinidade de outros deuses. Qual desses deuses eles optariam para seguir?
Não estaria o senhor se precipitando nas suas conclusões religiosas ao eleger Krishna como sendo o único Deus?
- Gostei da sua pergunta. O senhor até tem razão em pensar dessa forma, mas existe um detalhe que o senhor desconhece;
realmente são vários deuses que o povo adora, entretanto seus pensamentos são dispersos e nem sempre alcançam a elevação espiritual necessária. Este é o ponto a ser trabalhado e a razão pela qual devemos redirecionar o caminho. Quanto a seguir um Deus é simples. Naquele tempo, o Manifestante de Deus, trouxe uma nova civilização para os de Seu tempo.
Libertou o homem do mal e salvou-o do sofrimento.
Assegurou aos Seus seguidores que no futuro novamente
Assegurou aos Seus seguidores que no futuro novamente