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Millie

EU ESTAVA DOMINADA PELO NERVOSISMO. Durante toda a manhã, não consegui parar de me preocupar com o encontro com Jackson. Quero dizer, o que eu realmente sabia sobre ele? Claro, sabia que ele era um bom pai, sua casa era bonita e algo naquele óculos que usava fazia meu corpo vibrar, mas eu não o conhecia de verdade.

Droga, eu nem mesmo sabia que ele era um professor até ele mencionar naquela mensagem.

Apesar de que, de todas as profissões existentes, professor de Inglês do Ensino Médio era melhor do que um assassino, ou ladrão de joias.

Mas quando cheguei à frente da loja e o vi, parado ali, nem mesmo tentando esconder o prazer em me ver, mandei minhas dúvidas às favas e decidi mergulhar de cara.

Seria apenas um café, afinal de contas, não era como se eu fosse a nova noiva por encomenda dele. Não havia nenhum compromisso sendo firmado.

— Obrigada — respondi, quando seu elogio adentrou meus pensamentos. Provavelmente, eu experimentei vinte roupas diferentes antes de me decidir pelo vestido azul. Era comportado, mas provocante. Pelo menos, eu esperava que fosse.

— Está pronta? — perguntou ele, ajeitando o óculos no nariz, o que eu estava começando a perceber, era um gesto que indicava nervosismo.

— Sim — respondi, dando a ele um sorriso verdadeiro. Parecia mais fácil sabendo que ele estava tão nervoso quanto eu. — Vamos.

— O dia está lindo, quer ir andando? — perguntou Jackson, erguendo o braço de uma maneira zombeteira e galante.

Ri da tolice dele e passei meu braço pelo dele.

— Eu adoraria.

Quando começamos a caminhar para a cafeteria, perguntei: — Então, o que o fez ser um professor de Inglês do Ensino Médio?

— Sempre soube que queria ser professor, e sempre amei literatura, então, pareceu uma decisão simples — respondeu

Jackson, sem pensar muito. — Comecei lecionando o Inglês básico do primeiro ano, mas, agora, dou uma aula avançada, que foca nos clássicos, como Shakespeare, Austen e Alcott, e é ótimo, porque as crianças dessas aulas escolheram estar ali, então, realmente querem aprender o que ensino.

— Nossa, parece maravilhoso — respondi, meu coração saltitando ao pensar em Jackson se deitando para ler Jane Austen à noite. — E bastante gratificante.

— É mesmo — concordou ele. Bem naquele momento, o vento ficou mais forte e o aroma dele me atingiu. Um tantinho picante, com uma pitada de algo que eu não conseguia identificar. Ele tinha um cheiro delicioso.

Estava começando a me perguntar o que raios havia de errado com aquele cara. Tinha que haver algo. Ninguém era tão perfeito assim.

Talvez ele cutuque o nariz ou morda a unha do pé…

Mas quando o olhei de perfil, com minha mão aquecida no braço dele, esperei estar errada. Queria que ele fosse real.

— E para você também deve ser — comentou Jackson, tirando-me de tirando-meus pensatirando-mentos. — Deve ser gratificante gerir o próprio negócio. E, ainda por cima, um negócio de família.

Assenti, então, olhei para o chão enquanto caminhávamos, e disse: — Depois que nossa mãe morreu, decidimos fazer o que ela gostaria que fizéssemos e seguimos nosso sonho. Claro, foi arriscado, mas aprendemos do jeito difícil que precisamos correr atrás do que queremos antes que seja tarde demais.

— Ei — disse Jackson, parando na calçada e colocando uma das mãos debaixo do meu queixo. Quando ele o ergueu para levar meus olhos aos dele, percebi que ele não estava mais usando a aliança.

Meu coração deu um pulo.

— Sinto muito pela sua mãe — disse ele, gentilmente, quando nossos olhos se encontraram.

— Obrigada.

— É preciso ter muita coragem e força para se arriscar e fazer o que ama. Sei que sua mãe teria orgulho de você e de suas irmãs.

Todas as minhas preocupações e dúvidas desapareceram com as palavras dele, e percebi que queria ver aonde as coisas iriam com

ele. Queria que aquele encontro fosse o começo de nossa história.

— Muito obrigada mesmo por isso — respondi, com um sorriso, então, puxei o braço dele para que voltássemos a nos mover.

Metade de um quarteirão depois, estávamos sob o toldo da Cafeteria Rooster’s, e agradeci a Jackson mais uma vez quando ele segurou a porta para que eu entrasse.

O cheiro de café, salgados e canela me atingiu quando entrei, e me virei para Jackson, suspirando.

— Eu amo este lugar.

— Nunca vim aqui — admitiu ele. — Mas o cheiro está ótimo.

Não apenas o cheiro estava divino, mas o lugar foi decorado num estilo rústico interiorano. Muitas madeiras manchadas, acessórios de latão e fazendo jus ao nome, galos por toda parte.

Caminhamos até o balcão, onde ele pediu um café preto e um croissant, e eu pedi um latte de caramelo salgado e um bolinho de cranberry. Assim que pegamos nossa comida, sentamo à mesinha branca de bistrô nos fundos.

— Caramelo salgado? — perguntou Jackson, depois de puxar uma cadeira para que eu me sentasse, então, ele se acomodou. — Fiquei sabendo que as pessoas só comem isso agora.

— Você nunca experimentou nada com caramelo salgado? — perguntei, meu queixo caindo de leve. — Doces, bolinhos, sorvete, café, nada?

Jackson riu da minha resposta dramática e balançou a cabeça.

— Nadinha, a combinação nunca me pareceu atraente. Quero dizer, sal em cima de caramelo? Isso não parece certo.

— Às vezes, uma pitada de sal é tudo o que você precisa para transformar algo sem gosto em uma coisa absolutamente deliciosa

— respondi, oferecendo minha bebida a ele. — Aqui, você precisa experimentar.

Jackson aceitou o desafio, pegou minha xícara quente e a levou aos lábios. Fiquei hipnotizada pela visão de seus lábios na borda da minha xícara, então, ri quando ele a afastou e revelou um bigodinho de creme no rosto.

Ele colocou a língua para fora e limpou os lábios, seus olhos ficaram sérios quando percebeu que eu o estava observando com a respiração presa na garganta.

— Delicioso — disse Jackson, com a voz rouca, e precisei concordar. Delicioso mesmo.