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Capítulo nove:

No documento R. Franklin Cook e Steve Weber (páginas 167-171)

O cadinho

Então, o que é igreja? Parece uma pergunta simples, que deveria ter uma resposta simples. Mas ela não é simples.

Uma busca rápida na internet nos dá uma definição bá-sica de igreja. Edifício! Praticamente todas as definições de todos os dicionários estão atreladas à ideia de uma estrutura arquitetônica.

Mas temos uma ideia melhor. Uma igreja é um grupo de pessoas que concordam com um propósito comum, es-colhem ter comunhão e adorar juntas, aceitam as alegrias e as dificuldades da vida juntas e se envolvem em uma missão juntas. Um edifício é uma conveniência. Mas olhe ao redor do mundo e aprenda que a igreja pode ser uma catedral ou uma tenda de pano, grande ou pequena, com ar-condi-cionado ou não, debaixo de uma árvore ou dentro de uma casa, subterrânea ou acima do nível do chão. Não importa, porque a igreja são as pessoas e as pessoas sempre compli-cam as coisas.

Ao longo da história registrada, um cadinho é visto como uma tigela ou um pote feito de porcelana ou de outro material no qual metais podem ser misturados sob condi-ções de calor extremo. O propósito de um cadinho é pegar

uma mistura de substâncias, sujeitá-las a temperaturas ex-tremas e assim fazer surgir algo novo.

A igreja pode ser comparada a um cadinho. Ela é um lugar onde pessoas em todas as estações da vida podem estar juntas, às vezes debaixo de grande pressão ou sofrimento, às vezes durante grande alegria e paz, e juntas se tornarem algo novo e diferente. Uma igreja é um organismo E uma organização, com seres humanos, incluindo todos os seus defeitos, falhas e deficiências, divinamente ordenado como o Corpo de Cristo para executar a missão de Deus (Missio Dei) no mundo. O apóstolo Paulo usa a analogia do cor-po humano (mãos, pés, cabeça) para descrever o Corcor-po de Cristo, a Igreja.

A igreja local é como um cadinho. Uma caldeirão fer-vente com um único propósito, mas muitas atividades. Um lugar onde pode haver discordância de método, mas há uni-cidade de propósito. Em outras palavras, pode haver unida-de sem uniformidaunida-de.

No contexto da Igreja do Nazareno, a igreja local não é um corpo autônomo, agindo sozinha e fazendo o que quer. Ela está conectada a um corpo maior, chamado de denominação, que, segundo a nossa definição, é um corpo global de crentes que concordam com uma declaração de fé e com uma convergência de propósito. Esse caldeirão é uma panela fervente de criatividade, de uma multitude de atividades, que se estende para mais de 150 nações da terra.

Por definição, é um corpo de “extroversão”, que se preocupa com o sofrimento do mundo e traz esperança de redenção e renovação.

A saúde de uma igreja local não se baseia no tamanho ou no edifício, nem em um campus ou em programas. O sen-tido da saúde é a capacidade de alcançar pessoas, trazê-las para dentro, e de sair, aceitar e acolher. Em outras palavras, um núcleo interno forte como um cadinho, com um olhar externo para a comunidade e para o mundo.

Uma expressão da igreja é missão. Como Emil Brunner, teólogo suíço, disse há muito tempo: “A Igreja existe pela missão, assim como um incêndio existe pela combustão”. Sem missão (Missio Dei) não existe igreja. Ela dá vida a todo o resto.

A missão é muitas vezes feita por procuração, ou seja, por meio de doações, pela oração e por algum outro tipo de apoio à “causa”. Mas isso não é o suficiente. Também deve haver envolvimento pessoal. Assim, na Igreja do Nazareno, tem proliferado um grande número de programas de volun-tariado que oferecem oportunidades para o envolvimento pessoal prático em missões.

Por exemplo, Maureen Dickerson, bibliotecária de di-versas universidades nazarenas por muito tempo, volunta-riou seu tempo muitas vezes para ir a faculdades bíblicas e instituições educacionais pelo mundo para montar biblio-tecas e recursos para estudantes. Dan Dillon, de Idaho, tem se voluntariado praticamente sem parar por décadas com equipes que muitas vezes servem em locais de fronteira as-solados por dificuldades e perigos para melhorar instalações físicas. A lista chega aos milhares em praticamente todas as áreas. Nos primeiros dias da obra nazarena na Rússia, um

“esquadrão geek” muitas vezes aparecia para instalar

labo-ratórios de informática para o aprendizado dos alunos de educação teológica.

Obviamente, esses milhares de “missionários” volun-tários carregam com eles o amor e a mensagem de Jesus.

Eles se tornam Suas mãos, Seus pés, Sua voz, muitas vezes falando a lugares que não ouviriam ou não poderiam ouvir o Evangelho de qualquer outra pessoa. Muitas vezes, suas habilidades profissionais lhes dão acesso a outros profissio-nais, e alguns dos novos materiais resultantes desse cadinho produzem histórias que são um panorama de milagres.

No contexto nazareno, o Fundo de Evangelismo Mun-dial (FEM) é como o alicerce, o assoalho. Essa centralização do dinheiro oferece um fundamento, o suporte, para o mi-nistério como um todo. Sem ele, a denominação geral não conseguiria fazer tudo o que faz no exercício da missão da igreja.

Pense sobre o ministério de compaixão desta maneira:

ele é um sistema de distribuição. As pessoas que se envol-vem em atos de compaixão, seja em um programa ou como indivíduos, estão distribuindo amor, cuidado e atenção aos que precisam. Esse sistema de distribuição foi formado, de alguma maneira, no cadinho, a Igreja, o Corpo de Cristo.“

A Igreja existe pela missão, assim como um incêndio existe pela combustão. Quando não há missão, não há Igreja; e onde não há nem Igreja nem missão, não há fé.”

(Emil Brunner)

No documento R. Franklin Cook e Steve Weber (páginas 167-171)