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PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA

O princípio da capacidade contributiva decorre diretamente do princípio da isonomia que preconiza pelo tratamento desigual na medida das desigualdades de cada contribuinte.

Por isso, quem pode mais; paga mais. Quem pode menos; paga menos!

Art. 145. § 1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte.

JURISPRUDÊNCIA CORRELATA

tratando-se de imposto direto, a sua incidência poderá expressar, em diversas circunstâncias, progressividade ou regressividade direta. Todos os impostos, repito, estão sujeitos ao princípio da capacidade contributiva, especialmente os diretos, independentemente de sua classificação como de caráter real ou pessoal.

[RE 562.045, rel. p/ o ac. min. Cármen Lúcia, voto do min. Eros Grau, j. 6-2-2013, P, DJE de 27-11-2013, Tema 21.]

IPVA. Progressividade. Todos os tributos submetem-se ao princípio da capacidade contributiva (precedentes), ao menos em relação a um de seus três aspectos (objetivo, subjetivo e proporcional), independentemente de classificação extraída de critérios puramente econômicos.

[RE 406.955 AgR, rel. min. Joaquim Barbosa, j. 4-10-2011, 2ª T, DJE de 21-10-2011.]

PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE

A Constituição Federal estabelece que é vedada a instituição de tributos em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado.

Capacidade

O princípio da irretroatividade tributária está de acordo com a irretroatividade de forma genérica prevista no capítulo da CF/88 que trata dos direitos e garantias individuais do cidadão na qual a Lei não pode prejudicar o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada.

Assim, uma lei nova que institua ou aumente tributos não pode considerar fatos geradores ocorridos no passado.

JURISPRUDÊNCIA CORRELATA

Imposto de renda. Apuração semestral. Lei 7.450/1985 e DL 2.341/1987. Apuração anual. DL 2.354/1987.

Irretroatividade. A Corte possui firme entendimento no sentido de que viola o princípio da irretroatividade a introdução de mudanças na sistemática de apuração do tributo capazes de majorá-lo, se o período de apuração estava encerrado.

[ARE 660.173 AgR, rel. min. Dias Toffoli, j. 5-11-2013, 1ª T, DJE de 28-11-2013.]

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

O princípio da anterioridade pode ser divido em:

Anterioridade anual: Proibição de cobrança de tributos no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou.

Anterioridade nonagesimal: Proibição de cobrança de tributos antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou.

ANTERIORIDADE ANUAL

O princípio da anterioridade é considerado uma garantia individual do contribuinte. Dessa forma, é um princípio que consiste em uma cláusula pétrea para o contribuinte, ou seja, não pode excluído nem mesmo por emenda à constituição.

A aprovação da lei de criação ou aumento do tributo só produzirá efeitos no ano seguinte, em virtude da proibição de criação ou aumento no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou.

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

III - cobrar tributos:

b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou;

JURISPRUDÊNCIA CORRELATA

Súmula Vinculante n° 50 do STF - Norma legal que altera o prazo de recolhimento de obrigação tributária não se sujeita ao princípio da anterioridade.

Súmula 239 do STF - Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores.

Lei 4.454/2017 do Estado do Amazonas. Instituição de adicional nas alíquotas do ICMS, destinado à criação de fundo estadual de combate à pobreza (art. 82 do ADCT). (...) Cobrança do tributo dentro do mesmo exercício financeiro no qual foi publicada a lei que o instituiu. Caracterização de ofensa ao princípio da anterioridade tributária (art. 150, III, b, da CF). (...) A instituição do adicional de alíquota de ICMS, facultada pelo art. 82, § 1º, do ADCT, não configura hipótese de relativização do referido princípio.

[ADI 5.733, rel. min. Alexandre de Moraes, j. 20-9-2019, P, DJE de 3-10-2019.]

ANTERIORIDADE NONAGESIMAL

A anterioridade nonagesimal determina que a exigência ou aumento de tributo, além de respeitar o princípio da anterioridade anual, deve respeitar um intervalo mínimo de 90 dias da publicação da Lei. Ou seja, o aumento de IPVA deve respeitar a anterioridade anual e a anterioridade nonagesimal.

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

III - cobrar tributos:

c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b(anterioridade anual);

Uma lei que institua ou aumente determinado tributo para produzir efeitos no 1º dia do ano subsequente precisa ser aprovada com um prazo maior que 90 dias para o término do ano.

JURISPRUDÊNCIA CORRELATA

Promovido aumento indireto do ICMS por meio da revogação de benefício fiscal, surge o dever de observância ao princípio da anterioridade, geral e nonagesimal, constante das alíneas b e c do inciso III do art. 150 da Carta.

Precedente – ADI 2.325 MC/DF, de minha relatoria, julgada em 23 de setembro de 2004.

[RE 564.225 AgR, rel. min. Marco Aurélio, j. 2-9-2014, 1ª T, DJE de 18-11-2014.]

= RE 1.099.076 AgR-AgR-segundo, rel. min. Dias Toffoli, j. 9-4-2018, 2ª T, DJE de 27-4-2018

≠ RE 617.389 AgR, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 8-5-2012, 2ª T, DJE de 22-5-2012

A revisão ou revogação de benefício fiscal, por se tratar de questão vinculada à política econômica que pode ser revista pelo Estado a qualquer momento, não está adstrita à observância das regras de anterioridade tributária previstas na Constituição.

[RE 617.389 AgR, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 8-5-2012, 2ª T, DJE de 22-5-2012.]

≠ RE 564.225 AgR, rel. min. Marco Aurélio, j. 2-9-2014, 1ª T, DJE de 18-11-2014

O prazo nonagesimal previsto no art. 150, III, c, da CF somente deve ser utilizado nos casos de criação ou majoração de tributos, não na hipótese de simples prorrogação de alíquota já aplicada anteriormente.

[RE 584.100, rel. min. Ellen Gracie, j. 25-11-2009, P, DJE de 5-2-2010, Tema 91.]

EXCEÇÕES AO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE (ANUAL E NONAGESIMAL)

A Constituição federal EXCEPCIONOU alguns tributos do respeito à anterioridade anual e outros da anterioridade nonagesimal vamos aproveitar para conferir.

EXCEÇÕES AO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

ANTERIORIDADE ANUAL ANTERIORIDADE NONAGESIMAL

Imposto de importação (II);

Imposto de Exportação (IE);

Imposto sobre operações financeiras (IOF);

Imposto sobre produtos Industrializados (IPI).

Imposto de importação (II);

Imposto de Exportação (IE);

Imposto sobre operações financeiras (IOF);

- Empréstimos compulsórios

(casos de calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência)

Empréstimos compulsórios

(casos de calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência)

Impostos extraordinários de guerra (IEG) Impostos extraordinários de guerra (IEG)

- Imposto de Renda (IR)

Contribuições para Seguridade Social - CIDE – combustíveis

ICMS – monofásico

- IPVA (Somente a base de cálculo)

- IPTU (Somente a base de cálculo)

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE X MEDIDA PROVISÓRIA

A instituição e o aumento de tributos, por meio de medida provisória, terão como referência para análise do respeito ou não ao princípio da anterioridade a data de publicação da medida provisória. Dessa forma, não deve ser considerada a data de conversão da medida provisória em lei.

Art. 62. § 2º Medida provisória que implique instituição ou majoração de impostos, exceto os previstos nos arts.

153, I, II, IV, V, e 154, II, só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada.

JURISPRUDÊNCIA CORRELATA Exceção à anterioridade

(Anual e nonagesimal)

Imposto de importação (II) Imposto de Exportação (IE)

Imposto sobre operações financeiras (IOF)

Empréstimos compulsórios (casos de calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência)

Impostos extraordinários de guerra (IEG)

Exceção à anterioridade Anual (somente)

Imposto sobre produtos Industrializados (IPI) Contribuições para Seguridade Social

CIDE –combustíveis ICMS –monofásico

Exceção à anterioridade Nonagesimal (somente)

Imposto de Renda (IR) IPVA (Somente a base de cálculo) IPTU (Somente a base de cálculo)

“AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. COFINS. MEDIDA PROVISÓRIA 1.724/1998, CONVERTIDA NA LEI 9.718/1998. ALÍQUOTA FIXADA EM 3% (TRÊS POR CENTO). ANTERIORIDADE NONAGESIMAL.

1. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que me parece juridicamente correta, é firme no sentido de que o prazo nonagesimal de que trata o § 6º do art. 195 da Constituição Federal é contado a partir da publicação da Medida Provisória 1.724/1998, e não a partir da publicação da Lei 9.718/1998. 2. Agravo regimental desprovido.”

(RE 493.396-AgR, Rel. Min. Ayres Britto)

Contribuição social PIS/Pasep. Princípio da anterioridade nonagesimal: medida provisória: reedição. Princípio da anterioridade nonagesimal: contagem do prazo de noventa dias, medida provisória convertida em lei: conta-se o prazo de noventa dias a partir da veiculação da primeira medida provisória.

[RE 232.896, rel. min. Carlos Velloso, j. 2-8-1999, P, DJ de 1º-10-1999.]

= RE 592.315 AgR, rel. min. Dias Toffoli, j. 8-2-2011, 1ª T, DJE de 7-4-2011 Vide RE 199.198, rel. min. Ellen Gracie, j. 28-5-2002, 1ª T, DJ de 28-6-2002.

PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO

A tributação realizada pelo poder público não pode resultar em confisco dos bens dos contribuintes. Em suma, podemos considerar que esse princípio reza pela razoabilidade e pela proporcionalidade exercida pelos governos. A tributação não pode ser tão alta que acabe inviabilizando a continuidade das atividades pelos contribuintes.

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

IV – utilizar tributo com efeito de confisco;

Multa moratória: As multas moratórias são devidas em decorrência da impontualidade injustificada no adimplemento da obrigação tributária

Efeito Confiscatório

Deve ser feita em função da totalidade da carga tributária Verificação da capacidade de que dispõe o contribuintepara suportar e

sofrer a incidência de todos os tributos que ele deve pagar Análise da tributação dentro de determinado período

Análise da tributação pela mesma pessoa política que institui os tributos

Multa punitiva: As multas punitivas, por sua vez, visam coibir o descumprimento às previsões da legislação tributária.

De acordo com as recentes decisões do STF, temos um limite para a fixação de multas, sob pena de violação ao princípio da vedação ao confisco:

➢ Multas moratórias: 20% (vinte porcento);

➢ Multas punitivas: 100% (cem porcento).

PRINCÍPIO DA NÃO LIMITAÇÃO AO TRÁFEGO DE PESSOAS E BENS

A Constituição Federal veda o estabelecimento de limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público.

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

V - estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público;

PRINCÍPIO DA UNIFORMIDADE TRIBUTÁRIA

Conforme a CF/88, a UNIÃO não pode instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção ou preferência em relação à Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em detrimento de outro.

Art. 151. É vedado à União:

I - instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção ou preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em detrimento de outro, admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do País;

Efeito Confiscatório

Multas moratórias Maior que 20% do valor do tributo

Multas punitivas Maior que 100% do valor do tributo

PRINCÍPIO DA UNIFORMIDADE DA TRIBUTAÇÃO DA RENDA

A UNIÃO pode realizar tributação da renda das obrigações da dívida pública dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, bem como a remuneração e os proventos dos respectivos agentes públicos. No entanto, essa tributação não pode ser superior à tributação que a União realiza sobre renda das obrigações da sua dívida pública e sobre a remuneração e os proventos dos seus agentes públicos.

Art. 151. É vedado à União:

II - tributar a renda das obrigações da dívida pública dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, bem como a remuneração e os proventos dos respectivos agentes públicos, em níveis superiores aos que fixar para suas obrigações e para seus agentes;

PRINCÍPIO DA PROIBIÇÃO DAS ISENÇÕES HETERÔNOMAS

Este princípio destinado a União visa preservar o interesse dos DEMAIS Entes federativos, evitando que a União possa realizar ingerências nas competências tributárias dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

Art. 151. É vedado à União:

III - instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.

JURISPRUDÊNCIA CORRELATA

A cláusula de vedação inscrita no art. 151, III, da Constituição – que proíbe a concessão de isenções tributárias heterônomas – é inoponível ao Estado Federal brasileiro (vale dizer, à República Federativa do Brasil), incidindo, unicamente, no plano das relações institucionais domésticas que se estabelecem entre as pessoas políticas de direito público interno (...). Nada impede, portanto, que o Estado Federal brasileiro celebre tratados internacionais que veiculem cláusulas de exoneração tributária em matéria de tributos locais (como o ISS, p.

ex.), pois a República Federativa do Brasil, ao exercer o seu treaty-making power, estará praticando ato legítimo que se inclui na esfera de suas prerrogativas como pessoa jurídica de direito internacional público, que detém – em face das unidades meramente federadas – o monopólio da soberania e da personalidade internacional.

[RE 543.943 AgR, rel. min. Celso de Mello, j. 30-11-2010, 2ª T, DJE de 15-2-2011.]

Vide RE 229.096, rel. p/ o ac. min. Cármen Lúcia, j. 16-8-2007, P, DJE de 11-4-2008

O ISS é um imposto municipal. É dizer, ao Município competirá instituí-lo (CF, art. 156, III). Todavia, está ele jungido à norma de caráter geral, vale dizer, à lei complementar que definirá os serviços tributáveis, lei complementar do Congresso Nacional (CF, art. 156, III). Isto não quer dizer que a lei complementar possa definir como tributáveis pelo ISS serviços que, ontologicamente, não são serviços. No conjunto de serviços tributáveis pelo ISS, a lei complementar definirá aqueles sobre os quais poderá incidir o mencionado imposto. (...) a lei complementar,

definindo os serviços sobre os quais incidirá o ISS, realiza a sua finalidade principal, que é afastar os conflitos de competência, em matéria tributária, entre as pessoas políticas (CF, art. 146, I). E isso ocorre em obséquio ao pacto federativo, princípio fundamental do Estado e da República (CF, art. 1º) (...) não adoto a doutrina que defende que a lista de serviços é exemplificativa. (...) Não há falar em isenção, mas, simplesmente, em exclusão de serviços praticados pelas instituições mencionadas. Trata-se, na verdade, de não incidência, motivo por que não há invocar o disposto no art. 151, III, CF.

[RE 361.829, voto do rel. min. Carlos Velloso, j. 13-12-2005, 2ª T, DJ de 24-2-2006.]

= AR 2.105 AgR-segundo, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 19-9-2013, P, DJE de 16-10-2013

PRINCÍPIO DA NÃO DISCRIMINAÇÃO BASEADA EM PROCEDÊNCIA OU DESTINO

Art. 152. É vedado aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer diferença tributária entre bens e serviços, de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou destino.

JURISPRUDÊNCIA CORRELATA

A isonomia tributária e a vedação constitucional à discriminação segundo a procedência ou o destino de bens e serviços (artigos 150, II, e 152 da CRFB/88) tornam inválidas as distinções em razão do local em que se situa o estabelecimento do contribuinte ou em que produzida a mercadoria, máxime nas hipóteses nas quais, sem qualquer base axiológica no postulado da razoabilidade, se engendra tratamento diferenciado.

[ADI 3.984, rel. min. Luiz Fux, j. 30-8-2019, P, DJE de 23-9-2019.]

Ofende a vedação à discriminação tributária de natureza espacial a fixação de reserva de mercado a prestadores domiciliados em determinado Estado-membro como requisito para a fruição de regime tributário favorecido e de acesso a investimentos públicos. Não é justificável a discriminação em razão da origem ou do destino com base na redução das desigualdades regionais, porquanto arrosta o mercado único e indiferenciado do ponto de vista tributário, reflexo da própria soberania nacional e da unidade política e econômica da República.

[ADI 5.472, rel. min. Edson Fachin, j. 1º-8-2018, P, DJE de 14-8-2018.]

Tributário. ICMS. Benefício fiscal. Redução da carga tributária condicionada à origem da industrialização da mercadoria. Saídas internas com café torrado ou moído. Decreto 35.528/2004 do Estado do Rio de Janeiro.

Violação do art. 152 da Constituição. O Decreto 35.528/2004, do Estado do Rio de Janeiro, ao estabelecer um regime diferenciado de tributação para as operações das quais resultem a saída interna de café torrado ou moído, em função da procedência ou do destino de tal operação, viola o art. 152 da Constituição.

[ADI 3.389 e ADI 3.673, rel. min. Joaquim Barbosa, j. 6-9-2007, P, DJ de 1º-2-2008.]

OUTROS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

TRANSPARÊNCIA TRIBUTÁRIA (TRANSPARÊNCIA FISCAL)

Art. 150.§ 5º A lei determinará medidas para que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e serviços.

NÃO CUMULATIVIDADE

A não cumulatividade é um princípio que resulta em uma técnica de tributação a qual visa evitar a tributação sobre a parcela da operação ou da produção que já foi tributado. Dessa forma, ao longo da cadeia produtiva o valor tributado anteriormente é considerado na nova operação. A não cumulatividade tem como objetivo evitar o denominado efeito “cascata” da tributação no qual ocorre a tributação sobre a parcela que já foi anteriormente tributada.

Resumindo: Não cumulatividade objetiva não tributar o que já foi tributado anteriormente.

Vamos conferir para quais tributos aplica-se o princípio da não cumulatividade:

Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:

IV - produtos industrializados (IPI);

§ 3º O imposto previsto no inciso IV:

II - será não-cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores;

Art. 154. A União poderá instituir:

I - mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam não-cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição;

Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre:

II - operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior (ICMS);

§ 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte:

I - será não-cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal;

Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais:

I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:

b) a receita ou o faturamento;

IV - do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar.

§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não-cumulativas.

Da constituição Federal, podemos delimitar os tributos que serão não cumulativos:

➢ Imposto sobre produtos industrializados (IPI);

➢ Imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior (ICMS);

➢ Contribuições do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre a receita ou o faturamento;

➢ Contribuições do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar;

➢ Novos impostos instituídos pela União, por meio de lei complementar, que não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados na Constituição

SELETIVIDADE

O princípio da seletividade resulta em uma técnica de tributação que faz com que a carga tributária incidente sobre as operações ou prestações sejam maiores (ou menores) conforme a essencialidade dos bens ou serviços.

A seletividade é a qualidade do tributo que é maior ou menor gravado de acordo com a importância e a relevância do bem ou serviço para a economia nacional e o bem-estar da população. A seletividade está relacionada à essencialidade do bem.

Em relação à seletividade, a CF/88 estabelece que o IPI deverá ser seletivo e o ICMS poderá ser seletivo.

Confira o mandamento constitucional:

Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:

IV - produtos industrializados (IPI);

§ 3º O imposto previsto no inciso IV:

I - será seletivo, em função da essencialidade do produto;

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