TRANSPARÊNCIA TRIBUTÁRIA (TRANSPARÊNCIA FISCAL)
A transparência também deve ser um objetivo a ser alcançado nas relações tributárias. É justo que aqueles que arcam com a tributação sejam informados sobre os impostos que estão pagando e o quanto estão pagando.
Os consumidores têm o direito de saber quais tributos estão sendo cobrados, o montante cobrado e, na medida do possível, a destinação da arrecadação desses recursos.
Por isso, a CF/88 delegou à lei providenciasse medidas para que os consumidores fossem esclarecidos acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e serviços.
Art. 150.§ 5º A lei determinará medidas para que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e serviços.
A fim de atender ao mandamento constitucional, foi aprovada e publicada a Lei 12.741/2012 que tem por objetivo informar aos consumidores os tributos que são pagos em todas as transações
A lei 12.741/2012 tornou obrigatória a demonstração ao consumidor do quanto paga de tributos nas compras de produtos e serviços. Todas as empresas, com estabelecimento no Brasil, têm a obrigatoriedade da transparência fiscal, ou seja, informar aos consumidores finais da carga tributária incidente nas mercadorias e serviços pagos.
Lei 12.741/2012
Art. 1º Emitidos por ocasião da venda ao consumidor de mercadorias e serviços, em todo território nacional, deverá constar, dos documentos fiscais ou equivalentes, a informação do valor aproximado correspondente à totalidade dos tributos federais, estaduais e municipais, cuja incidência influi na formação dos respectivos preços de venda.
§ 1º A apuração do valor dos tributos incidentes deverá ser feita em relação a cada mercadoria ou serviço, separadamente, inclusive nas hipóteses de regimes jurídicos tributários diferenciados dos respectivos fabricantes, varejistas e prestadores de serviços, quando couber.
§ 5º Os tributos que deverão ser computados são os seguintes:
I - Imposto sobre Operações relativas a Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS);
II - Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS);
III - Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI);
IV - Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF);
VII - Contribuição Social para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) - (PIS/Pasep);
VIII - Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins);
IX - Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, incidente sobre a importação e a comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados, e álcool etílico combustível (Cide).
§ 7º Na hipótese de incidência do imposto sobre a importação, nos termos do § 6o, bem como da incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, todos os fornecedores constantes das diversas cadeias produtivas deverão fornecer aos adquirentes, em meio magnético, os valores dos 2 (dois) tributos individualizados por item comercializado.
Perceba que a referida Lei trata dos seguintes tributos na composição dos preços das mercadorias e serviços:
➔ ICMS;
➔ ISS;
➔ IPI;
➔ IOF;
➔ PIS/Pasep;
➔ Cofins;
➔ CIDE – combustíveis;
➔ II
Vamos conferir como já caiu em prova:
(CESGRANRIO - 2014 - LIQUIGÁS - Profissional Júnior - Ciências Contábeis)
A Constituição Federal estabelece que a Lei determinará medidas para que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e serviços.
Trata-se da aplicação do princípio da a) seletividade
b) transparência c) formalidade d) cumulatividade e) progressividade
RESOLUÇÃO: A determinação constitucional em relação à imposição de medidas para que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e serviços representa o princípio da transparência fiscal.
Resposta: B
NÃO CUMULATIVIDADE
A não cumulatividade é um princípio que resulta em uma técnica de tributação a qual visa evitar a tributação sobre a parcela da operação ou da produção que já foi tributado. Dessa forma, ao longo da cadeia produtiva o valor tributado anteriormente é considerado na nova operação. A não cumulatividade tem como objetivo evitar o denominado efeito “cascata” da tributação no qual ocorre a tributação sobre a parcela que já foi anteriormente tributada.
Resumindo: Não cumulatividade objetiva não tributar o que já foi tributado anteriormente.
Aproveitando, veja a definição do princípio da não cumulatividade apesentado pela banca Fundação Carlos Chagas (FCC):
“O princípio da não cumulatividade é um princípio de tributação por meio do qual se pretende evitar a assim chamada “tributação em cascata” que onera as sucessivas operações e prestações com bens e serviços sujeitos a determinado tributo.”
Vamos conferir para quais tributos aplica-se o princípio da não cumulatividade:
Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:
IV - produtos industrializados (IPI);
§ 3º O imposto previsto no inciso IV:
II - será não-cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores;
Art. 154. A União poderá instituir:
I - mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam não-cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição;
Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre:
II - operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior (ICMS);
§ 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte:
I - será não-cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal;
Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais:
I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:
b) a receita ou o faturamento;
IV - do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar.
§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não-cumulativas.
Da constituição Federal, podemos delimitar os tributos que serão não cumulativos:
➢ Imposto sobre produtos industrializados (IPI);
➢ Imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior (ICMS);
➢ Contribuições do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre a receita ou o faturamento;
➢ Contribuições do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar;
➢ Novos impostos instituídos pela União, por meio de lei complementar, que não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados na Constituição
Vamos praticar!
(FCC - 2016 - PGE-MT - Procurador do Estado – Adaptada) Julgue a afirmativa a seguir:
O princípio da não cumulatividade é um atributo exclusivo do ICMS e do IPI.
RESOLUÇÃO: O princípio da não cumulatividade não é um atributo exclusivo do ICMS e do IPI. Esse princípio aplica-se também aos novos instituídos pela União, por meio de lei complementar, que não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados na Constituição, às contribuições do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre a receita ou o faturamento e às contribuições do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar.
Resposta: Errada
SELETIVIDADE
O princípio da seletividade resulta em uma técnica de tributação que faz com que a carga tributária incidente sobre as operações ou prestações sejam maiores (ou menores) conforme a essencialidade dos bens ou serviços.
A seletividade é a qualidade do tributo que é maior ou menor gravado de acordo com a importância e a relevância do bem ou serviço para a economia nacional e o bem-estar da população. A seletividade está relacionada à essencialidade do bem.
Assim, a tributação de determinados produtos ou serviços será maior para aqueles que não forem considerados tão essenciais (bebidas, cigarros e perfumes, por exemplo) e menor para aqueles considerados mais essenciais (arroz, feijão e pão, por exemplo).
Em relação à seletividade, a CF/88 estabelece que o IPI deverá ser seletivo e o ICMS poderá ser seletivo.
Confira o mandamento constitucional:
Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:
IV - produtos industrializados (IPI);
§ 3º O imposto previsto no inciso IV:
I - será seletivo, em função da essencialidade do produto;
Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre:
II - operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior (ICMS);
§ 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte:
III - poderá ser seletivo, em função da essencialidade das mercadorias e dos serviços;
SELETIVIDADE
SERÁ IPI
PODERÁ ICMS
Vamos praticar!
(CESPE - 2017 - Prefeitura de Fortaleza - CE - Procurador do Município) Julgue o item a seguir, em relação aos impostos discriminados na CF.
O princípio da seletividade aplica-se impositivamente ao IPI e facultativamente ao ICMS em função da essencialidade dos produtos, das mercadorias e dos serviços, de modo a assegurar a concretização da isonomia no âmbito da tributação do consumo.
RESOLUÇÃO: A Constituição impõe a obrigatoriedade da aplicação do princípio da seletividade ao IPI. Em relação ao ICMS, a Constituição estabelece que o imposto poderá ser seletivo, ou seja, estabelece uma faculdade, uma possibilidade.
Resposta: Certa
Fim de aula! Aguardo a sua presença em nosso próximo encontro e espero que tenha gostado!
Saudações, Prof. Rabelo