2 – REVISÃO DA BIBLIOGRAFIA E FUNDAMENTOS TEÓRICOS
COMPLEXIDADE Freqüentemente encontrados
2.6 Capital e recursos
Terminado o estudo do mercado, deve-se partir para a elaboração do orçamento de capital, ou seja, quantificar o volume de recursos necessários para implementar, se for o caso, a aquisição dos ativos representados por imóveis, máquinas, equipamentos, veículos, móveis que irão constituir o conjunto de bens produtivos do novo negócio. Existem meios de dispor destes bens produtivos sem dispender Capital como, por exemplo, o aluguel e o leasing (arrendamento mercantil), opções disponíveis para uma infinidade de bens e operadas por empresas especializadas. Outra opção é a terceirização das atividades produtivas, o que minimiza o investimento em máquinas e equipamentos.
Sob o aspecto econômico-financeiro, o investimento de Capital deve submeter- se a uma tríplice exigência: deve ser rentável – oferecer retorno satisfatório, seguro – pressupor o menor risco possível e possuir liquidez – gerar caixa.
Sá (1994, p.54), ao comentar capital, o define como sendo “patrimônio das empresas; recurso que busca o lucro e que representa o valor próprio da empresa (em certa acepção); conjunto total de todo o patrimônio empresarial”.
Sandroni (1996), define capital, citando que:
CAPITAL – É um dos fatores de produção, formado pela riqueza e que gera renda. É representado em dinheiro. O capital também pode ser definido como todos os meios de produção que foram criados pelo trabalho e que são utilizados pra a produção de outros bens. Assim, o capital de uma empresa ou da sociedade, por exemplo, é constituído pelo conjunto dos recursos produtivos que foram criados pelo trabalho humano. Os recursos naturais, como a terra, por exemplo, não são considerados capitais. O conceito de capital abrange somente os meios de produção social, ou seja, aqueles utilizados em atividades que se inserem na divisão do trabalho. O que significa, num sistema capitalista, que o capital abrange os recursos usados na produção de bens e serviços destinados à venda, isto é, as mercadorias. Aqueles meios de produção que são utilizados para a satisfação direta das necessidades dos produtores não fazem parte do capital. É o caso dos aparelhos e ferramentas domésticos. Na teoria marxista, capital é o resultado da acumulação da mais-valia, obtido pelos empresários pela exploração do trabalho de seus operários ou empregados. O capital de uma firma ou empresa equivale aos recursos produtivos: equipamentos, instalações, estoques. Se esses recursos são propriedade da firma, constituem capitais próprios, e seus proprietários têm direitos a receber lucros produzidos por aquele capital; se forem tomados de empréstimo, então constituem capital de terceiros, os quais recebem juros, como remuneração. O conjunto dos meios de produção de uma sociedade constitui seu capital real, que se expande quando novos meios de produção são colocados em atividade.(p.58)
E o mesmo Sandroni também chama a atenção para os outros tipos de capitais existentes, como: capital aberto, capital de giro, capital de risco, capital fechado, capital fixo e capital humano, cada qual com suas características particulares. O capital aberto refere-se a representação de um grande número de acionistas, podendo ser o mesmo negociado em bolsas de valores. O capital de giro representando a parte dos bens de uma empresa pelo estoque de produtos e pelo dinheiro disponível. O capital de risco refere-se ao investimento feito, podendo resultar em perdas. O capital fechado é uma característica do tipo de sociedade anônima em que as ações são divididas entre poucos acionistas. O capital fixo é o conjunto de bens de uma empresa. E por último, o capital humano, como sendo o conjunto de investimentos destinados à formação educacional e profissional de determinada população.
Entretanto, ficou bem claro o esclarecimento das várias acepções acerca do capital, que envolve também o entendimento sobre recursos. Naturalmente que, nas pequenas e médias empresas, tais conceitos são menos acentuados, mas
existentes, pois constituem parcela significativa da nossa economia e como tal, estes pressupostos operam, mesmo que em menor escala.
Deve-se ressaltar a observação e conceito emitido por Gitman (1997, p.18), ao comentar sobre a maximização do acionista que:
O objetivo da empresa, e, por conseguinte de todos os administradores e empregados, é o de maximizar a riqueza dos proprietários. A riqueza dos proprietários de uma sociedade anônima é medida pelo preço da ação, o qual, por sua vez, baseia-se na data de ocorrência dos retornos (fluxos de caIxa), em sua magnitude e em seu risco.
Ele comenta ainda a respeito dos stakeholders (p.19), definindo como “grupos ,tais como: empregados, clientes, fornecedores, credores e outros que possuem um vínculo econômico direto com a empresa”. Ao tecer considerações sobre a preservação da riqueza dos stakeholders, cita que:
Embora a maximização da riqueza do acionista seja o objetivo principal, muitas empresas, nos últimos anos, têm ampliado seu foco para incluir os interesses dos stakeholders, tanto quanto os dos acionistas. Os empregados são remunerados pelo seu trabalho; os clientes compram os produtos e/ou serviços da empresa; os fornecedores são pagos pelos materiais e serviços por eles fornecidos; e os credores concedem financiamentos, que serão liquidados de acordo com as bases estabelecidas. Uma empresa atenta aos stakeholders evitará conscientemente medidas que possam ser prejudiciais a eles, ou seja, afetar sua riqueza, transferindo-a à empresa. O objetivo não é melhorar a posição dos stakeholders, mas preserva-la.
Novamente percebe-se que a empresa está inserida num contexto que, além de atentar para a justa retribuição do capital investido pelos sócios ou acionista, ela também deve cuidar de sua posição financeira e de relacionamento, como forma de evitar o vazamento de recursos nas diversas situações em que a empresa se apresente. Aí, mais uma vez, o fator tamanho da empresa não interfere, quanto à aplicabilidade dos conceitos. Ela deve cuidar para que todos os recursos colocados à sua disposição sejam administrados eficientemente e eficazmente.