• Nenhum resultado encontrado

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.3 CAPITAL INTELECTUAL: HISTÓRICO, CONCEITOS E

Como esclarece Graça (2011), o capital intelectual consiste no conjunto de benefícios intangíveis que são gerados pela sociedade do conhecimento. Assim sendo, as empresas tiveram que elaborar novas estratégias, bem como criar uma nova filosofia de gestão e também desenvolver novas formas de avaliação do valor da empresa envolvendo o conhecimento considerado como um recurso estratégico na sociedade da informação.

Stewart (1999, p. 14), complementando a citação anterior, afirma que o capital intelectual é considerado como a soma dos conhecimentos de todos os membros de uma empresa. Conforme o mesmo autor, “[...] o capital intelectual é composto por material intelectual – conhecimento, informação, propriedade intelectual, experiência – que pode ser usado para criar riqueza”.

De acordo com Brooking (1996, p. 43), o capital intelectual é definido como: “[...] a combinação de ativos intangíveis, fruto das mudanças nas áreas de tecnologia da informação, nos meios de comunicação, que trazem benefícios intangíveis para as entidades e que capacitam o seu funcionamento”. Ainda de acordo com o mesmo autor esses ativos podem ser classificados em quatro diferentes categorias:

a) ativo de mercado: ativos intangíveis relacionados com o mercado, como, por exemplos, a marca, os negócios em andamento, a lealdade dos clientes e outros;

b) ativos humanos: ativos intangíveis relacionados com as capacidades dos indivíduos, tais como a criatividade, o conhecimento, a habilidade para solução de problemas, dentre outros;

c) ativos de propriedade intelectual: patentes e segredos industriais;

d) ativos de infraestrutura: cultura organizacional, tecnologias, metodologias e processos, sistema de informações, aceitação de riscos, banco de dados, e outros. Os estudos empíricos realizados por Bontis (1998) que exploraram o desenvolvimento de várias medidas e modelos conceituais sobre o capital intelectual e seu impacto nos negócios e, por Marr (2004), que realizou estudos de casos para identificar as práticas de gestão do capital intelectual diante das abordagens comparativas entre duas empresas, mostram que há relações consistentes entre os elementos do capital intelectual (capital humano, estrutural e de clientes) com o desempenho organizacional.

Segundo Fernandes (2004), os estudos iniciais sobre a Visão Baseada em Recursos (VBR) já enfatizavam a existência e a importância dos recursos intangíveis como contribuintes eficazes para a estratégia, por serem mais difíceis de copiar e por se deteriorarem menos com o tempo. Estes recursos intangíveis entre outras classificações incluem as habilidades e o conhecimento dos empregados (capital humano), bem como os valores e as normas de uma organização, como descrito no próximo item.

2.3.1 Valor do capital intelectual

Graça (2011) esclarece que a origem do capital intelectual está associada ao surgimento da sociedade do conhecimento, mesmo que tenha sido sempre importante para a criação de riqueza, nos últimos anos o capital intelectual vem aumentado o seu valor, e passou a ser mais valioso que a matéria-prima e que a força física. Edvinsson e Sullivan (1996) conceituam o capital intelectual como o conhecimento que pode ser convertido em valor.

Os trabalhos desenvolvidos pelos autores: Brooking (1996), Edvinsson e Malone (1998), Bontis (1998; 2001), Sveiby (2002), Roos (2003), Cardoso (2003), dentre outros, têm buscado elucidar a importância do capital intelectual, o considerando como um ativo intangível, na formação de valor de uma empresa.

Por sua vez, Sveiby (2002), demonstra por intermédio da Figura 14, o elo existente entre os ativos intangíveis de uma organização e sua fragmentação dentro da perspectiva de criação de valor.

Figura 14 – Formação dos ativos intangíveis

Fonte: Adaptada pela autora com base em Sveiby (2002)

Ainda de acordo com Sveiby (2002), e como apresentado na Figura 14, o valor de mercado de uma empresa é formado por ativos tangíveis denominados de capital financeiro e ativos intangíveis representados pelo capital intelectual.

Por sua vez, os ativos intangíveis (capital intelectual), segundo Sveiby (2002), Edvinsson e Malone (1998) são classificados em: 1) capital humano: competências dos funcionários (capacidades, habilidades e conhecimentos adquiridos); 2) capital estrutural: estrutura interna (patentes, conceitos, modelos e sistemas operacionais) e estruturas externas (relação com clientes e fornecedores e a imagem da organização).

Na concepção dos autores Smith e Saint-Onge (1996), do Canadian Imperial Bank of Commerce; Edvinsson e Sullivan (1996); Sveiby (1998; 2002); Striukova, Unerman e Guthrie (2008); Bontis (1998), dentre outros, o capital intelectual é composto pelo Capital Humano (CH); Capital Estrutural (CE), (GRAÇA, 2011).

Como esclarece Graça (2011), o capital estrutural refere-se a tudo aquilo que uma empresa coloca à disposição do seu capital humano para o desenvolver e o fazer crescer, que compreendem os procedimentos, as rotinas organizacionais, a base de dados, os sistemas de informação, a cultura e a confiança organizacional, portanto, tudo aquilo que fica na empresa quando todos os funcionários vão para as suas casas.

Valor de Mercado Capital Financeiro Capital Intelectual Capital Humano Capital Estrutural Capital Clientes Capital Organizacional Humano Capital de Inovação Capital de Processo

Por sua vez, Edvinsson e Malone (1998) classificam o capital estrutural em dois componentes. O primeiro deles é o capital organizacional, que se refere aos sistemas e aos instrumentos que propiciam o fluxo de conhecimento dentro e fora da empresa e o capital de cliente. O segundo componente é o capital organizacional que se subdivide em capital de inovação referente à capacidade de inovar e renovar, traduzindo-se em copyrights e patentes; e o capital de processos, que abrange os processos, as técnicas e os programas dirigidos aos funcionários no intuito de elevar a eficiência da área fabril, e também a prestação de serviços (APPUHAMI, 2007).

Já, o capital de cliente ou relacional está relacionado ao valor que as relações com o exterior apresentam para a empresa e envolve os relacionamentos comerciais que a empresa constitui com as pessoas e outras empresas. No capital de cliente ou relacional inclui-se a popularidade da marca, a reputação, a lista de clientes, dentre outros (GRAÇA, 2011).

Convém destacar que para este estudo será oferecida ênfase ao capital humano, como apresentado a seguir, identificando o histórico, os conceitos e as principais características do capital humano, o alinhamento do capital humano com a estratégia e a criação de valor, dentre outros aspectos.