Winter
Minha boca se abre quando meu joelho atinge a borda da banheira.
Por estar tão perto, sou feita refém por ele e não é apenas devido ao seu aperto em meu pulso. Ele está nu e, embora a água cubra a maior parte de seu corpo, é transparente e cada centímetro dele fica exposto
Seus ombros são largos, emoldurando bíceps definidos. Tatuagens pretas são feitas ao longo do comprimento do braço tenso que está me segurando. Sua outra mão repousa perto de sua cintura afilada que leva a um abdômen duro como pedra.
Não tenho certeza se é por causa da água, mas suas coxas parecem poderosas e duras como naqueles comerciais para jogadores de futebol. Eu me forço a olhar para outro lugar e não para seu pau meio ereto.
Como é possível que alguém exale tamanha perfeição física? Sua beleza não é barulhenta como a de uma estrela de cinema ou de uma modelo. É tranquilo, assim como sua personalidade. Letal também, porque se seus olhos fossem uma faca, eu estaria sangrando nesta banheira agora. Eu franzo a testa para essa imagem. Sangrando...
Adrian interrompe minha linha de pensamento quando leva minha mão ao nariz e um músculo se move sob sua mandíbula enquanto ele respira fundo. — Você estava se tocando, Lia?
— Não... — Minha voz está estrangulada, abafada e um pouco rouca, como se eu ainda estivesse presa naquele pesadelo.
— Não minta para mim. — Seu tom é calmo, mas ameaçador. — Sinto o cheiro de sua boceta nesses dedos.
— Eu disse não.
— Esse é o seu primeiro aviso. Minta para mim de novo e eu vou puni-la.
Memórias do pesadelo me estrangulam pela garganta e sufocam cada grama de ar ao meu redor.
Ele vai me deixar nua e me foder agora. Ele vai me levar como um animal e me deixar sem nada. Ele vai confiscar meu poder e minha vontade. Seu aperto em meu pulso é firme e aquece minha carne como mil chamas, com a intenção de me queimar por debaixo da minha pele.
Meus lábios tremem e eu cravo minhas unhas na borda de cerâmica da banheira para me manter em uma posição dobrada. — Por favor... não...
não...
Adrian libera minha mão e eu tropeço até minhas costas atingirem a porta de vidro do chuveiro. Eu permaneço lá, ambas as palmas das mãos achatadas na superfície fria e meus pés descalços se enrolando contra os azulejos.
— O que está errado? — Ele está falando com o sotaque russo, não o americano do meu pesadelo.
— N-Nada.
Ele se levanta todo molhado e... nu. Ele está completamente nu.
Embora eu o visse na banheira, nada poderia ter me preparado para essa visão. Suas coxas são musculosas e mais altas do que eu previ. Cabelos finos formam uma trilha em seu peito tenso e desce até...
Eu levanto meu olhar antes de começar a cobiçar seu pau. Na minha tentativa de estudar qualquer coisa, exceto ele, sou pega de surpresa por suas tatuagens. Eu vi um braço antes, mas não vi o outro. Ambos os braços estão marcados. Mangas cheias de tinta preta se entrelaçam em seus braços como um labirinto.
Exatamente como no pesadelo.
Embora eu pudesse ter alucinado sobre morder minha mão, isso não pode ser inventado. Eu nunca vi Adrian sem roupa, então de jeito nenhum eu acho que ele tem os braços tatuados.
Pego a coisa mais próxima que consigo encontrar, que por acaso é uma garrafa de sabão de cerâmica, e aponto na direção dele. — Fique longe de mim!
— Lia, — Adrian diz o nome suavemente.
— Eu não sou Lia! Eu sou Winter!
— Se acalme. — Ele continua se aproximando de mim, caminhando em minha direção com passos silenciosos que eu mal posso ouvir.
— Eu disse para ficar longe de mim! — Eu grito, minha voz ficando histérica.
Ele para, levantando uma das mãos. — Tudo bem. Eu vou ficar longe, então abaixe isso.
Eu balancei minha cabeça freneticamente, as unhas afundando na cerâmica sólida. — Estou indo embora. Não vou passar mais um minuto neste lugar esquecido por Deus ou com você!
Uma sombra passa por seu rosto, trovejante e silenciosa, quase como se ele estivesse... com raiva. Por que diabos ele estaria? Eu sou aquela que está com raiva. Eu sou aquela que foi forçada a sair do meu casulo seguro para estar aqui.
— Me dê essa garrafa, Lia.
— Não! E pare de me chamar de Lia!
Minhas mãos se agitam e ouço o estalo antes de ver isso. A garrafa bate na parede e se espatifa contra ela. O sabonete líquido branco escorre pela minha mão e cai no chão, e então um rastro de sangue se segue. Um pedaço de cerâmica quebrada afundou em minha pele. Uma pontada de dor explode na minha carne antes que o sangue escorra da palma da minha mão. Eu libero o que resta da garrafa, deixando cair no chão.
— Porra! — Adrian corre em minha direção, arranca o pedaço, deixando um pequeno corte que queima quando o sabão se mistura com a ferida.
Adrian joga o pedaço de cerâmica ensanguentada na pia e enxuga o sabão. Sua testa franze sobre seus olhos escurecidos e seus lábios se estreitam em uma linha.
Eu me contorço contra ele. — Me solta, seu monstro! Me deixe ir!
— Pare, — ele ordena e eu recuo, ficando mole.
A palavra, embora singular, é tão autoritária que meus músculos travaram ao ouvir ela. Adrian pega uma toalha bege, passa debaixo da torneira e pressiona na minha palma. Ele solta um suspiro quando o sangue não o embebe por muito tempo. Como se ele estivesse preocupado comigo. Como se meu bem-estar significasse uma merda em sua agenda.
Porque ele está agindo assim? Eu simplesmente não consigo entender por que ele não é o diabo insensível que deveria ser.
Sua atenção não sai da minha palma enquanto ele fala. — Não sei por que você está se comportando assim de repente, mas por que não me diz?
— Você está tentando fingir que não sabe?
— Sabe o que?
Eu franzo meus lábios. Um segundo atrás, eu tinha tanta certeza de que não era um pesadelo, mas agora, não tenho tanta certeza. No entanto, a
marca da mordida e as tatuagens não poderiam ter sido uma invenção da minha imaginação.
— Você me estuprou agora. — Minha voz começa baixa, depois aumenta de volume. — Você se forçou em mim, mesmo quando eu implorei para você parar!
A mão de Adrian faz uma pausa na minha ferida e ele encontra meu olhar com os seus mais escuros. Pela primeira vez desde que o conheci, eu realmente, realmente gostaria de poder ver por trás daqueles olhos. Só para saber o que está acontecendo lá. Que tipo de pensamentos entram em seu cérebro anormal?
— Eu não te estuprei, — ele diz muito casualmente.
— Você espera que eu acredite nisso?
— Você deve.
— Eu sei o que senti. — Era um pesadelo muito vívido, muito... real.
Tão real que ainda posso sentir suas estocadas em mim.
— Se eu quisesse transar com você, não precisaria estuprar você para isso. — Ele desliza a toalha sobre minha mão. — O que te fez pensar que fui eu?
— Eu acabei de te dizer, eu senti isso.
— Sentiu como? — Sua voz está calma demais para esta conversa.
Muito irritante. Quero alcançar sua armadura e arrancá-la, isto é, se houver algo para arrancar. Às vezes, ele parece uma concha.
Um nada que não pode ser tocado ou alterado.
— Que tipo de pergunta é essa? Eu apenas senti isso. Além disso, eu mordi minha mão quando você me estuprou e olhe! — Eu mostro a ele as marcas de dentes em minha palma não ferida. — Como você explica isso?
— Você poderia ter mordido a mão enquanto estava dormindo.
— Isso não é possível, porque eu durmo completamente quieta. Além disso, — eu aponto para sua tinta. —Eu vi suas tatuagens quando eu nunca vi antes deste momento.
— Você poderia estar projetando vê-las agora no passado.
— Isso não faz sentido! Você acha que eu sou uma idiota?
— E você acha que tenho a obrigação de me explicar para você? — Sua voz perde toda a casualidade, baixando, endurecendo, sufocando. — Eu não preciso me forçar a você e, portanto, não te estuprei. Deve ter sido um pesadelo.
— Não pode ter sido um pesadelo. Eu não sonho.
— Você provavelmente apenas começou.
— Não tente me fazer parecer louca. Eu não estou.
Ele para de deslizar a toalha sobre o ferimento. — Você está dolorida?
Sua pergunta me pega desprevenida e faço uma pausa enquanto minhas pernas se apertam.
— Você está, Lia? Porque se, como você disse, eu te estuprasse, você não seria capaz de se mover.
— Eu…
— O que?
— …não estou. — Além da calcinha encharcada, não há nenhum desconforto entre minhas pernas ou músculos. Considerando que já faz muito tempo que não faço sexo, ficaria dolorida.
— Aí. Sua Resposta. — Ele joga a toalha na pia e alcança o armário, pegando um kit de primeiros socorros.
Os músculos de seus ombros se tencionam com o movimento e suas tatuagens se expandem. Quero estudá-las, para ver se há um símbolo que reconheço, mas sua nudez total não me ajuda em minha busca para me concentrar. Eu realmente não quero ficar olhando para ele agora.
Forçando meu olhar para longe, eu me concentro em um ponto invisível na parede oposta. Uma sensação de alívio lentamente se apodera de mim com o pensamento de que foi realmente um pesadelo. Eu não me importo se foi o meu primeiro, ou se de alguma forma combinou tão perto da realidade. Talvez seja isso que acontece quando você não sonha, o primeiro é uma experiência visceral e horripilante.
A razão pela qual eu quero desesperadamente que seja um pesadelo não é apenas por causa de danos mentais. É o fato de que eu não lutei. O fato de eu ter um orgasmo. O fato de que eu estava me tocando para aquele ato nojento. Afastando esses pensamentos, tento respirar, mesmo
parcialmente, considerando que Adrian ainda está aqui e sua presença sempre rouba um pouco do meu ar, se não todo.
Ele pega um band-aid e coloca no pequeno corte na palma da minha mão. — Nunca mais faça isso.
— Que?
— A garrafa. Você deveria ter me dado quando eu mandei.
— Eu não estava exatamente pensando direito, — murmuro com desdém. Mas se eu pensei que isso o levaria a esquecer, estou longe de estar certa.
Os olhos de Adrian escurecem e o ar fica mais espesso em resposta ao seu humor. Ele se eleva sobre mim até que eu tenho que inclinar minha cabeça para trás para olhar para ele enquanto ele repete lentamente. — Você não estava pensando.
— Eu... não estava.
— Você vai pensar antes de agir de agora em diante.
— Certo.
— Não está bem. Diga!
— Vou pensar. — Caramba. O que está errado com ele?
— Vá tomar banho e se trocar. Tomaremos café da manhã em meia hora.
Eu nem sabia que era de manhã, já que as cortinas do quarto estão fechadas. — Certo.
Ele estreita os olhos. — Largue essa palavra.
— Por que?
— E pare de me responder.
— Estou apenas perguntando por quê.
— Porque não combina com você.
— Parece que não combina com sua esposa, — murmuro.
— O que você acabou de dizer?
— Nada, — eu deixo escapar com a severidade em seu tom. Este homem realmente não é para ser confundido.
Usando a toalha, ele pega os pedaços de cerâmica quebrada, um por um, mas em vez de jogá-los no lixo, ele os leva consigo na saída.
Tento desviar o olhar, mas não consigo parar de olhar para sua bunda firme e pernas longas. Eu nunca testemunhei um físico tão perfeito antes, mas não é só sobre isso. É a maneira como ele se comporta e a confiança absoluta que exala, mesmo quando está nu.
É uma posição vulnerável para a maioria das pessoas, mas Adrian está agindo como se estivesse vestido com um terno elegante. É preciso muita disciplina mental para emitir tal vibração.
Isso é fascinante e perigoso. Um homem como Adrian realmente deveria vir com um aviso de perigo, e não apenas por causa de sua tenaz autoconfiança, mas por causa de tudo dele. Demoro alguns segundos para balançar a cabeça e parar de olhar para ele. Assim que ele sai, eu tranco a porta do banheiro antes de me despir e tomar um banho rápido. Não confio em ninguém e Adrian está no topo da lista.
Quando termino, me envolvo em um roupão, cubro meu cabelo com uma toalha e abro a porta do banheiro. Depois de me certificar de que ninguém está lá, entro no quarto e noto outra porta no canto que leva a um closet.
Eu cuidadosamente entro e me assusto quando uma luz branca automática acende. Paro para estudar filas intermináveis de roupas, acessórios e sapatos. À esquerda, há inúmeros ternos e camisas, principalmente pretos, cinza e azul escuro.
Adrian claramente não prefere roupas chamativas, e isso é compreensível. Ele é impressionante o suficiente sem elas, e esses tipos de cores combinam com seu personagem misterioso.
À direita, as cores são mais claras, mais variadas, mas são... enfadonhas.
Assim como o vestido que usei ontem, a maior parte do que presumo seja o guarda-roupa de Lia é composto de saias de terno em cores suaves como bege, caramelo e cinza. Seus vestidos são retos e na altura dos joelhos. Não há um único jeans, uma jaqueta jeans ou qualquer coisa que não pareça imitar o estilo da Rainha da Inglaterra.
É estranho remexer nas roupas de uma mulher morta, mas eu faço isso de qualquer maneira porque eu realmente não quero usar outro vestido e sapatos de salto matadores hoje.
Depois do que pareceram horas de procura no fundo do armário, encontro um short jeans fofo e uma blusa rosa que diz ‘Especial.’ Embora eu geralmente prefira as roupas mais pesadas e quentes com o tempo, a casa de Adrian é quente, para que eu possa usar isso aqui dentro. Eu as visto e uso um lenço rosa como cinto para os shorts, já que eles são um pouco maiores. Afinal, Lia e eu não combinamos perfeitamente em tamanho.
Um item a menos na escala assustadora.
Não encontro tênis, então escolho sapatilhas rosa. Eu uso um lenço semelhante ao meu cinto para prender meu cabelo em um longo rabo de cavalo. Olhando no espelho, sorrio, satisfeita com o resultado. No entanto, meu sorriso logo desaparece quando me lembro que, quando estava grávida, comprei roupas de mãe e filha como essas para que pudéssemos nos vestir da mesma maneira. Eu nunca tive a chance.
Me recusando a me deixar levar pelas lembranças dela, saio do quarto e olho para a minha esquerda, depois para a direita, tentando determinar onde fica a sala de jantar. Presumo que esteja lá embaixo e desço as escadas sem pressa. Ou melhor, com cautela.
Mesmo à luz do dia, este lugar ainda me dá arrepios. Na verdade, risque isso. Não só me dá arrepios, eles continuam aumentando a cada
minuto que passo dentro dessas paredes. Eu paro na parte inferior da escada, me perguntando para onde ir a partir daqui.
— Sra. Volkov?
A princípio, não reconheço o nome, mas depois me viro, percebendo que é de Lia e, portanto, meu.
Uma mulher de meia-idade, que parece ter quase 50 anos, me encara com uma expressão vazia. Ela é alta, muito mais alta do que eu. Seu cabelo loiro com mechas brancas está preso em um coque apertado e ela tem um rosto quadrado que, somado à sua expressão rígida, a faz parecer aquela professora de ensino médio que todos nós tivemos, cuja aula ninguém ousava respirar.
Ela me dá uma olhada como se eu não estivesse respeitando o código de vestimenta da escola.
— Sim? — Não pareço convincente, mas também não tenho certeza de como agir. Se eu perguntar a ela onde fica a sala de jantar, isso não me tornará uma impostora imediatamente?
— O que você está fazendo aqui? — Seu sotaque é russo, embora sutil.
— Estou procurando Adrian. — Pelo menos isso parecia um pouco plausível.
— Me siga. — Ela se vira e caminha para a esquerda, sem esperar que eu a siga.
Não tenho escolha a não ser fazer isso, então vou atrás dela por um longo corredor. Ela abre um conjunto de portas duplas e faz sinal para que eu entre. Eu faço, consciente de cada passo que dou. Um suspiro me deixa quando eu encontro Adrian sentado com o garotinho de ontem, Jeremy.
Tenho certeza de que meu alívio tem a ver com a criança, não com o pai.
Apesar da minha reação ao ver Jeremy pela primeira vez, não tinha nada a ver com ele e tudo a ver comigo e com o passado que ainda está enrolado em minha garganta como um laço.
Adrian está vestido com calças pretas e uma camisa azul escura.
Sombrio, não chamativo e muito ele. Ele levanta a cabeça assim que eu entro, mas eu rapidamente desvio meu olhar, não querendo ficar presa naqueles tons de cinza na primeira hora da manhã.
A professora rígida caminha até uma cadeira vazia à sua esquerda e aponta para ela. — Seu café da manhã está pronto, Sra. Volkov.
Odeio esse nome, o fato de ser uma extensão de Adrian. Que o sobrenome dele é meu. Mas com a menção da palavra ‘café da manhã,’ não tenho tempo para refletir sobre isso. Quando foi a última vez que jantei e depois tomei café da manhã como uma pessoa normal?
Provavelmente uma semana atrás, quando Larry nos trouxe sanduíches.
E eles não tinham um cheiro tão divino quanto o bacon e os ovos na mesa.
Sinto falta de Larry e gostaria de poder levar para ele um pouco do que está aqui.
Assim que me sento, percebo que três pares de olhos estão me observando como se eu fosse um alienígena. O que? Eu nem comecei a comer ainda, e planejava comer devagar, não como o porco que fui ontem à noite.
Eu lentamente levanto minha cabeça para encontrar os olhos escuros de Adrian me segurando como refém.
— O que é? — Eu sussurro.
— O que você está vestindo?
Eu olho para mim mesma e percebo o que todos eles estão olhando. — Roupas.
— Eu sei que são roupas. — Ele abaixa a voz, e suponho que seja porque ele não quer que Jeremy ouça o quanto seu pai é um idiota. — Mas essas roupas não são suas.
— Sim, eles são. Eu as encontrei no armário. — Optando por mudar de assunto, pego um pedaço de pão e sorrio para Jeremy, que está arrastando a colher na geleia em seu prato. — Você quer um sanduíche em vez disso?
Eu não sabia o que esperava como uma resposta, mas uma carranca certamente não era. Ele me encara, a mão apertando sua colher. Eu não deveria ser sua mãe? Talvez eu seja sua madrasta?
— Eu não estou falando com você. — Ele faz beicinho.
— Jeremy, — Adrian repreende.
— Ela foi embora, papai! Ela vai fazer de novo. — Ele balança seus pezinhos antes de pular da cadeira. — Estou cheio.
E com isso, ele se vira para sair.
— Jeremy! — Eu chamo seu nome, mas ele já está correndo para fora da sala de jantar.
Eu ignoro meu café da manhã e me levanto para segui-lo. Eu não me importo se ele não é meu filho, a dor em seu rosto era tão crua. Nenhuma criança merece sentir emoções fortes como essa. Eu sei melhor do que ninguém, considerando minha própria infância.
Adrian aperta a mão em volta do meu pulso, me mantendo no lugar. — Não o siga.
— Mas...
Ele puxa meu braço e eu suspiro quando sou forçada a encontrar seu olhar enquanto ele diz. — Você tem que responder primeiro.