7.5 CONCLUSÕES
8.3.1 Capturas de Crustáceos e Moluscos
Dezesete espécies de crustáceos decápodes foram registrados nas pescarias com covos. Destas, as sete com maior representatividade e correspondendo a exemplares com tamanho superior a 3,0 cm foram quantificadas nos covos com e sem magneto. As 10 espécies restantes não foram contabilizadas e identificadas no presente estudo, em virtude de sua baixa ocorrência e, sobretudo devido a apresentarem dimensões reduzidas (<1 cm) relativas ao tamanho da malha dos covos (~3 cm), o que poderia gerar perdas de organismos através das armadilhas e incertezas nos dados gerados. Mythrax, um exemplo desses pequenos crustáceos, é ilustrado na figura 8-5.
Figura 8-5. Exemplar de Braquiúros do Gênero Mithrax de tamanho diminuto e baixíssima ocorrência nas capturas.
Foram analisados 36.046 indivíduos capturados. O número de indivíduos capturados pelos seis covos com magneto foi de 23.204 e pelos 11 covos sem magneto de 12.842, cerca de um quarto do numero do volume de captura obtida nos covos com magneto, se considerarmos que foi empregado o dobro de armadilha. As sete principais espécies de crustáceos capturadas com os covos foram: Coryrhynchus riisei Stimpson, 1860; Mithrax hispidus Herbst, 1790; Porcellana
sayana Leach, 1820; Stenorhynchus seticornis Herbst, 1788; Scyllarides brasiliensis Rathbun, 1906; Panulirus laevicauda Latreille, 1817; e Dardanus venosus H. Milne Edwards, 1848 (Fig. 8-6).
Coryrhynchus riisei distribui-se geograficamente desde Carolina do Norte até a Guiana
Francesa e Brasil (Atlântico Ocidental). Apresentam uma cor marrom, com regiões claras e escuras (WILLIANS, 1965). Alcançam 23 mm de comprimento e podem ser encontrados em fundos rochosos, cascalhosos e arenosos, com e sem vegetação, desde águas rasas até a profundidade de 140m (COELHO, 2006).
Mithrax hispidus caracteriza-se por apresentar carapaça irregular, mais larga do que
longa, fronte larga, rostro curto e quelípodos com quatro ou cinco espinhos na face superior (MELO, 1996). Pertence a família Majidae que apresenta aproximadamente 900 espécies
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distribuídas em regiões marinhas. A grande maioria das especies é pequena e sem valor econômico, embora sejam importantes na alimentação de peixes (PROVENZANO & BROWNELL 1977). Na costa brasileira a familia Majidae está representada por 45 gêneros que abrigam 81 especies. No litoral brasileiro, o genero Mithrax e representado pelas especies: Mithrax
verrucosus H. Milne Edwards, 1832; Mithrax besnardi Melo, 1990; Mithrax hemphilli Rathbun,
1892; Mithrax brasiliensis Rathbun, 1892; Mithrax caribbaeus Rathbun, 1920; Mithrax tortugae Rathbun, 1920 e Mithrax hispidus (Herbst, 1790) (MELO, 1996). Esta última pode ser encontrada desde o golfo do México até o litoral de Santa Catarina (RIEDER & GIRALDI, 2001).
Figura 8-6. As sete espécies de crustáceos com maior ocorrencia nas capturas para o experimento utilizando covos com e sem magneto permanente.
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Porcellana sayana apresenta uma ampla distribuição: Atlântico Ocidental – da Carolina do
Norte à Flórida, Bahamas, Golfo do México, América Central, Antilhas, norte da América do Sul, Guianas, Brasil (do Amapá ao Rio Grande do Sul) onde é comum na costa de Ilhéus Bahia (ALMEIDA, et al, 2007) e Uruguai (MELO, 1996). Habita regiões de entre-marés até 92 m. Tem preferencias por Fundos de lama, conchas e areia, inclusive é atua como espécie comensal de Paguridae e Diogenidae e do Gastropoda Strombus gigas (MELO, 1996). Esse caracgueijo é facilmente identificado pela sua coloração vermelha com várias partes esbranquiçadas. Apresenta uma franja de cerdas a frente de suas garras, que utiliza para filtrar o alimento (ROTHSCHILD, 2004).
Stenorhynchus seticornis tem preferências por águas rasas até grandes profundidades.
Pode ser encontrado em fundos rochosos, corais, algas calcárias, areia e cochas (ALMEIDA et al, 2007). Sua distribuição compreende o Atlântico Ocidental: Carolina do Norte, Flórida, Golfo do México, Antilhas, Colômbia, Venezuela, Guianas, Brasil (do Amapá até o Rio Grande do Sul), Uruguai e Argentina (MELO, 1996).
Scyllarides brasiliensis, também conhecida como lagosta sapata, ocorre no Atlântico
ocidental, das Antilhas até o Brasil (SANTOS & FREITAS, 2002). No litoral brasileiro a espécie ocorre do Maranhão até o estado de São Paulo e entre 20m e 40m de profundidade (MELO, 1999). Esta espécie é identificada com relativa facilidade por possuir duas manchas circulares e avermelhadas na face dorsal do primeiro segmento abdominal, além de ter o telson mais largo do que comprido. A lagosta sapata é dotada de visão escassa, sendo, em linhas gerais, um animal vagaroso (RAMOS, 1951). Em nível mundial, pouco se conhece sobre a biologia e pesca desta espécie, enquanto que no Brasil, a falta de informações é ainda mais acentuada (SANTOS & FREITAS, 2002).
Panulirus laevicauda ou lagosta verde habita desde a região de maré até 50 m. São mais
abundantes na faixa de 31-40 metros, com ocorrência pouco frequente em área mais profunda (SOUSA, 1987). Em áreas pouco profundas, os indivíduos são pequenos, mas podem alcançar comprimento total superiores 30 cm (COELHO, 1962a; PAIVA & BEZERRA, 1969). Os criadouros naturais quando jovens são as formações bênticas do infralitoral e certas formações rochosas (ROLIM & ROCHA, 1972). Os animais adultos se abrigam nos fundos de algas calcárias vermelhas onde permanecem entocados durante o dia. No início da noite os indivíduos se dispersam pelos bancos de algas calcárias vermelhas e verdes, quando ficam disponíveis para captura pelos covos e redes-de espera (IVO & PEREIRA, 1996).
Dardanus venosus é uma espécie de caranguejo eremita pertencente à família
Diogenidae. Ocorre em águas rasas na costa leste da América do sul da Flórida para o Brasil, em alguns casos sendo encontrados em poças de marés nos recifes de corais. A espécie cresce até um comprimento de 7 a 12 centímetros. Sendo um caranguejo eremita, vive no interior de concha vazia de um molusco gastrópode. Assim, seu abdômen macio e a maioria de seus membros são normalmente escondidos, ficando apenas com as garras projetandas para o exterior da concha (MANTELLATO et al, 2001). Habitam da linha da maré baixa até cerca de 100 metros de profundidade. Pode ser encontrado em diversos substratos como rochas, cascalho, areia, lama,
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conchas calcárias, corais e algas (MANTELLATO et al, 2001). Dardanus venosus é um limpador e consome detritos e qualquer coisa comestível que ele encontra no fundo do mar. Seus ovos são provavelmente incubados fixos ao abdômen da fêmea. Quando eclodem, as larvas são liberadas na coluna de água e passar por várias fases larvais zooplanctônicas antes de se tornarem juvenis onde precisam encontrar uma concha para sobreviver (PROVENANO JR & ANTHONY, 1963). No Brasil, há registros de cocupação de até 11 tipos diferentes de conchas de gastrópodes (MANTELLATO et al, 2001). Em alguns casos estabelece relações mutualísticas com anêmonas que se fixam as conchas (CUTRESS & ROSS, 1969).
A composição média das capturas nos covos com e sem magneto é apresentada na figura 8-7. Nos dois casos, as duas espécies mais abundantes foram as dos caranguejos Coryrhynchus
riisei (19,5% e 17,7%) e Stenorhynchus seticornis (19,9% a 17,9%) e a menos frequente a lagosta
verde Panulirus laevicaudas (6,9% e 6,4%).
Figura 8-7. Composição médias das capturas de crustáceos pelos covos com e sem magneto.
Embora a composição nas capturas dos covos com e sem magnetos tenham sido semelhantes, o número de indivíduos de cada espécie capturados pelos dois grupos de covos, diferiu significativamente com índice de captura por covo 2,5 a 3,8 vezes maior nos covos com magneto (Fig. 8-8). As maiores diferenças entre as capturas nos covos com magneto e sem magneto correspondendo às espécies Mithrax hispidus (3,8x) e Coryrhynchus riisei (3,7x) e as menores à espécie Scyllarides brasiliensis (2,5x). Estas diferenças apontam para uma percepção magnética pelos crustáceos analisados e influencia do campo magnético artificial em suas capturas.
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Figura 8-8. Capturas médias (No. Indivíduos/covo) com e sem magnetos e respectivos desvios padrãoes para as sete espécies de crustáceos com maior ocorrência nas pescarias.
As capturas dos moluscos foram em número reduzido, nao permitindo uma análise detalhada. Pouquissimos cefalópodes e gastrópodes foram observados. Alguns dos exemplares capturados são apresentados na figura 8-9.
Figura 8-9. Molusco cefalópode (A) e gastrópodes (B) capturados nas pescarias experimentais.
Fatores que podem ter contribuído para o baixo índice das capturas, incluem a baixa densidade desses organismos na área de pesca, a geometria da armadilha mais direcionada a pesca de peixes; predação, principalmente pela lagosta P. laevicauda, uma vez que os
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gastrópodes fazem parte de sua dieta alimentar. Os moluscos capturados foram: 1 gastrópode na 4ª pescaria (C5 com magneto); 1 cefalópode e 10 gastrópodes na 6ª pescaria (C12 e C13, respectivamente, e sem magnetos) e 11 gastrópodes na 8ª pescaria (C13 sem magneto).