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Características comuns

No documento INSTITUTO DE ARTES DEPARTAMENTO DE MÚSICA (páginas 44-46)

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CAPÍTULO 2 – BANDA DE BAILE

2.1 Características comuns

Bandas de baile, ou bandas baile, são grupos especializados no entretenimento musical com finalidade comercial, tendo como proposta principal a execução de repertório dançante não autoral. Ferreira (2013) as subdivide em três subgrupos:

a) Banda de show

Fazem todos os tipos de baile mas são especializados em shows de rua como aniversários de cidades, festas de padroeiras e feiras, têm uma relação de maior interação direta com o público nas suas apresentações, o músico, assim como o intérprete, também é um artista. Em muitas das músicas do repertório não se procura tocar a versão original e arranjos novos podem ser criados (FERREIRA 2013, p.7).

Na banda de show a atenção está voltada para a execução do repertório e a performance dos músicos. Em bandas assim os componentes normalmente interagem bastante entre e si e com o público, transmitindo a sensação de se estar na apresentação de uma banda autoral renomada. Não possuem dançarinos, não há hierarquia entre os integrantes, e as trocas de figurino são escassas. São direcionadas a uma plateia heterogênea, composta não só por jovens. Podem também fazer eventos sociais reservados a um público restrito. Durante o evento seu foco é hora no palco, hora na plateia. As bandas Squema Seis (DF), Edinho Santa

Cruz (MG), Celebrare (RJ) e Dimensão Cinco são exemplos de bandas de show.

b) Banda show

Fazem shows de rua, e outros tipos de baile, mas têm uma temática mais teatral, investem em espetáculos com grande produção visual. O músico é um acompanhante, não tendo uma performance dinâmica como nas bandas de show, pois o investimento visual é calcado primariamente nos bailarinos e intérpretes (FERREIRA 2013, p.7).

A banda show mescla música, dança e teatro. Seu foco é a apresentação dos cantores, que também dançam e atuam. A fim de enriquecer essa performance, fazem uso de muitas trocas de figurino e de cenário, além de coreografias de bailarinos. Ao contrário das bandas de show, seus instrumentistas atuam como artistas coadjuvantes, quase não interagindo entre e si

e com o público, não dançando, praticamente não trocando de figurino e se localizando nas laterais do palco. Os dançarinos ocupam, em importância e destaque, o local intermediário entre cantores e músicos, pois interagem com o público, trocam de figurino constantemente, além de ocuparem a região central do palco, foco principal da iluminação. Esse tipo de banda tem como foco a clientela jovem. Podem também fazer eventos sociais, mas direcionados a um grande público. Durante o evento seu foco é a performance em cima do palco. Gênese (SP), Santa Maria (SP), Super Som T.A. (SP), Primeira Mão (SP), Lex Luthor (MG), Young (GO) e Suprema (DF) são exemplos de bandas show.

c) Banda de baile social

Difícilmente fazem shows na rua, são especializadas em eventos sociais em geral como casamentos, cerimônias, bodas e confraternizações. O músico serve de apoio (…) e tem uma postura mais discreta. Geralmente os donos das bandas exigem que a música seja tirada e executada como na original, sem muito espaço para a criação (FERREIRA 2013, p.8).

As bandas de baile social são compostas de poucos integrantes e adotam um figurino simples e clássico durante toda a festa, como terno e gravata para homens e vestido longo para as mulheres, variando-o apenas com a retirada de peças, como o paletó e a gravata. Como as bandas de show, não possuem dançarinos e não há hierarquia entre seus integrantes, seu público é reduzido e composto principalmente de adultos em idade madura. Durante o evento seu foco é possibilitar que as pessoas dancem, mesmo que de costas para o palco. Alguns exemplos em Brasília são as bandas Terminal Zero, Washinghton Aguiar e banda

Made in Brasília, Edição Extra, Joy Band.

A especialização no repertório não autoral é o que caracteriza as bandas cover, que pelo dicionário Michaelis: “diz-se do que tem semelhança com alguém ou o copia de alguma forma (…) Diz-se do indivíduo que é ou se faz sósia de alguém, geralmente para alguma atividade profissional”. Assim as bandas de baile, por mais que possuam músicas autorais, têm como marca primordial a execução do repertório composto por terceiros, principalmente destinadas à dança, diferentemente de bandas cover conceituais, com objetivo não comercial, em cujas apresentações as pessoas podem estar sentadas. A fim de tornar a simulação o mais real possível, alguns conjuntos se vestem, se maquiam e se movimentam de forma similar aos artistas que copiam. Dessa forma há bandas de baile cujos integrantes, principalmente

mesma festa.

Como o objetivo é comercial, o repertório selecionado pelas bandas de baile é composto por músicas de sucesso, ou hits, que, nos dizeres de Gammond (1991), eram as músicas mais pedidas pelos ouvintes do início da era do rádio nos Estados Unidos. Ainda hoje o rádio e outros meios de comunicação como a TV e a internet são os principais difusores das músicas comerciais nas sociedades capitalistas, servindo como medidores dos anseios musicais populares. Adorno (2002) e Debord (1997) acreditavam que os meios de comunicação de massa (mass media) eram capazes de manipular o gosto de seus ouvintes em favor de interesses sempre comerciais. Em contrapartida McLuhan (2002) considera esses veículos como extensões do corpo humano que, de tão naturais que se tornaram, não se tem consciência de sua atuação, e, da mesma forma que modificam as pessoas, também são por elas modificadas, em uma relação dialética, de mão dupla. Assim não se poderia falar em alienação provocada pelos meios de comunicação, pois eles são tecnologias, e estas são traduções da natureza (MCLUHAN, 2002). De acordo com esse autor, seguindo a perspectiva evolucionista de Darwin, as “ampliações corporais” causadas pelas tecnologias são individuais, e os sujeitos dotados de tais prolongamentos ocuparão posições de destaque na sociedade, o que motivará nas outras pessoas o desejo de também se “ampliarem”. Elucubrando sobre o rádio e a televisão, McLuhan (2002) afirma que o primeiro seria a extensão invisível do homem, pois desperta a noção de criação de imagens, e a associação daquilo que se ouve com o que se conhece, e que a TV consegue envolver e despertar sentimentos no telespectador, fazendo com que se sinta parte integrante de um processo complexo.

A pós-modernidade, nos dizeres de Benjamin (1983), é marcada pela reprodutibilidade da obra de arte, para o maio número de pessoas possível, ou seja, as criações artísticas deixam a esfera do privado individual para se tornarem obrigatoriamente públicas, coletivas. Segundo o autor, isso se dá pelas seguintes razões:

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