• Nenhum resultado encontrado

Um produto reciclado precisa passar por todo o processo de análises químicas e controle de qualidade, pois foi reconstituído um novo material que precisa deste cuidado, teste de emissões de compostos orgânicos voláteis, presença de componentes tóxicos, ao longo da vida útil deste produto.

Dentro do contexto dos resíduos, a NBR 10.005 (ABNT, 2004c) ressalta a importância da lixiviação dos resíduos sólidos, que é o processo para determinação da capacidade de transferência de substâncias orgânicas e inorgânicas presentes no resíduo sólido, por meio de dissolução no meio extrator, visando diferenciar os resíduos classificados como classe I (perigosos), e classe II (não perigosos).

Neste sentido, pesquisas têm sido realizadas com intuito de alertar os riscos que os materiais empregados em edificações podem trazer para os ocupantes. De acordo com Šeduikyte e Bliūdžius (2005), uma grande quantidade de novos poluentes estão sendo emitidos para o ar interior das edificações devido os novos materiais utilizados em mobílias, pisos, paredes e telhas.

Existem dois níveis de emissões: a primeira emitida pelo próprio material, imediatamente após a manufatura. Estima-se entre 60 a 70% de toda a emissão ocorra durante os primeiros seis meses, desaparecendo após um ano de uso. Essas emissões podem ser devido a poluentes resíduos de solventes, restos de matéria-prima, reação e decomposição de produtos do processo de produção, assim como aditivos. A segunda emissão de poluentes é principalmente causada por ações no material, podendo ser umidade e alcalinidade na estrutura do edifício, altas temperaturas de superfícies, tratamentos com químicos (desinfetantes, ceras, etc.) (SEDUIKYTE e BLIUDZIUS, 2005).

Corcuera (2010) indica que as pessoas passam cerca de 90% do tempo em locais fechados, onde a qualidade do ar pode ser pior que no ambiente externo. Esse autor afirma ainda que o ar interno pode se tornar de 10 a 50 vezes mais poluído que o ar externo, mesmo nas grandes cidades. Segundo esse mesmo autor, os poluentes internos vão desde toxinas, como amianto e

34 formaldeídos, encontrados em materiais de construção, aos causadores de alergias, como mofo, fungos, bactérias e ácaros. Os efeitos negativos destes poluentes podem causar problemas de saúde em baixa exposição ou mesmo muitos anos após. Assim, uma boa ventilação para a troca do ar interno é fundamental. Usando estratégias adequadas é possível melhorar a qualidade do ar em 80% (CORCUERA, 2010).

Continuando Corcuera (2010) menciona que é comum o uso de materiais não tóxicos, que tenham baixos níveis de Compostos Orgânicos Voláteis (COVs), incluindo tintas, carpetes, vernizes, tecidos, estofados, etc. Os COVs é uma categoria de milhares de compostos químicos diferentes, como formaldeído e benzeno, que evaporam rapidamente para o ar. São muito utilizados na fabricação de plásticos, nylon, tintas, colas, thinners e solventes.

São imediatamente sentidos e podem causar tontura, dores de cabeça, irritação na garganta, olhos e nariz ou asma, mas alguns podem também causar câncer, danos ao fígado, rins e sistema nervoso, além de estimular a alta sensibilidade a outros químicos. Os COVs estão em terceiro lugar, depois de cigarro e radônio, como risco de contaminação do ar interno (CORCUERA, 2010).

O PVC (policloreto de vinil) tem sido apontado como um material danoso à saúde, por sua longa e ampla emissão química ao longo do seu ciclo de vida. Alguns elementos de PVC usam ftalatos (DEHP) em sua plastificação (muitos produtos médicos, brinquedos e materiais de construção) e tem sido relacionado à asma e irritação dos brônquios.

Alguns metais pesados continuam a ser empregados como estabilizadores e outros aditivos em materiais de construção, inclusive no PVC. Chumbo, mercúrio e estanho são potentes neurotoxinas gerando malformação do cérebro em fetos e crianças. Cádmio é um cancerígeno e pode provocar lesões em rins, pulmões e outros órgãos (CORCUERA, 2010).

Estudos sobre a presença de formaldeído vêm sendo pesquisados há muito tempo. Kelly, Smith e Satola (1999) investigaram uma ampla variedade de produtos emissores de formaldeído, no inglês formaldehyde (HCHO), encontrados em casas na Califórnia. Os produtos testados incluem dois produtos "secos" (isto é, aqueles que emitem HCHO a uma taxa constante):madeira prensada e laminados decorativos; e produtos "molhados" (ou seja, aqueles que produzem um pico de emissões após a aplicação seguido de redução das emissões com a cura ou secagem de produtos) _ pintura, papel de parede e acabamento para pisos. Segundo esses autores, mesmo após encontrarem os resultados, perceberam que ainda seriam necessários

35 estudos mais aprofundados para a identificação das características de produtos como tintas e papel de parede.

Amaral, Guío e Sichieri (2014) analisaram nove possíveis COVs emitidos em sete marcas de tintas encontrados no comércio da cidade de São Carlos, São Paulo, Brasil. O método foi realizado por cromatografia gasosa acoplada ao espectrômetro de massa, foram encontrados seis COV na composição das emissões atmosféricas das sete amostras de tintas.

Xu et al. (2012) mediram os coeficientes de formaldeído para três materiais (placas de gesso convencional, placas de gesso “verde” e carpete “verde”), sob três condições de umidades relativas (UR) condições (20%, 50% e 70%). Os resultados mostraram que a alta umidade relativa conduziu a um coeficiente de difusão efetivo maior para os três materiais. Portanto, de acordo com os autores, os dados gerados podem ser utilizados para avaliar os efeitos de absorção de formaldeído em materiais de construção e seu impacto sobre a concentração de formaldeído em edifícios.

Dentro do contexto desta pesquisa, vislumbrando a sustentabilidade, os autores James e Yang (2005) comparam a quantidade de compostos orgânicos voláteis (COV) de três grupos de materiais verdes e em contrapartida materiais não-verdes utilizando small-scalechamber sob condições ambientais controladas. Encontraram que tanto os materiais verdes como os não- verdes continham compostos orgânicos voláteis perigosos.

Por esta razão, os materiais verdes, green, sustentáveis, reciclados, sempre devem ser analisados com maior cuidado, visto que os impactos ambientais que proporcionam muitas vezes têm mesma ou semelhante funcionalidade dos materiais comuns, ou pior, podem conter elementos no qual se desconhece o comportamento ao longo do uso do material.

Documentos relacionados