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Características Fisiográficas De Uma Bacia

2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA CONCEITUAL

2.2 Características Fisiográficas De Uma Bacia

Para entender o funcionamento de uma bacia hidrográfica é necessário estudar

suas características físicas, geométricas, morfológicas e suas inter-relações.

A bacia hidrográfica compõe-se basicamente de um conjunto de superfícies

vertentes e de uma rede de drenagem formada por cursos de água que confluem até

resultar um leito único no exutório (SILVEIRA, 2009) conforme pode ser observado na

FIG. 2.1.

As características fisiográficas podem ser classificadas em: físicas, geológicas e

cobertura vegetal.

São consideradas características físicas de uma bacia: área, fator de forma,

compacidade, altitude média, declividade média, densidade de drenagem, número de

canais, direção e comprimento do escoamento superficial, comprimento da bacia,

comprimento dos canais, rugosidade dos canais, dimensão e forma dos vales, índice

de circularidade, etc.

São características geológicas: tipos de rochas, tipos de solos, tipos de

sedimentos fluviais, etc.

A cobertura vegetal refere-se ao tipo da vegetação, a densidade, etc.

As condições geológicas e a cobertura vegetal são fatores básicos dos processos

erosivos.

Segundo SILVEIRA (2009) consideram-se dados fisiográficos de uma bacia

hidrográfica todos aqueles dados que podem ser extraídos de mapas, fotografias

aéreas e imagens de satélite.

Esses fatores auxiliam na interpretação dos resultados dos estudos hidrológicos

e permitem estabelecer relações e comparações com outras bacias conhecidas.

2.2.1 ÁREA DA BACIA HIDROGRÁFICA

A área total inclui todos os pontos situados a altitudes superiores à da saída da

bacia e dentro do divisor topográfico que separa duas bacias adjacentes, como pode

ser observado na FIG. 2.1.

FIG. 2.1 - Caracterização do relevo de uma bacia hidrográfica talvegues e divisores de águas Fonte: DAEE 2005

A área da bacia hidrográfica tem influência sobre a quantidade de água produzida

como deflúvio.

2.2.2 COEFICIENTE DE COMPACIDADE

Coeficiente de compacidade (Kc) é a relação entre o perímetro da bacia e a

circunferência de um círculo de área igual à da bacia, é calculado a partir da:

A P 28 , 0 KC= EQ. 2.1

Onde:

Kc: coeficiente de compacidade;

P: perímetro em km;

A: área da bacia em km².

Esse coeficiente é um número adimensional que varia com a forma da bacia

independente do seu tamanho, assim quanto mais irregular ela for, maior será o

coeficiente de compacidade, ou seja, quanto mais próxima da unidade, mais circular

será a bacia e será mais sujeita a enchentes (VILLELA e MATTOS, 1975).

A geometria da bacia é uma característica importante dentre os fatores que

influenciam no formato do hidrograma de enchente. Conforme pode-se observar na

FIG. 2.2, considerando, a título de exemplo, três bacias com a mesma área de

drenagem, sendo uma com configuração arredondada, outra alongada e a terceira,

com formato intermediário, verifica-se, que para chuvas de igual tempo de duração e

intensidade, os hidrogramas gerados na seção principal, terão desenhos distintos,

com vazões máximas e tempos de escoamento diferentes, SEMADS/GTZ (2001).

FIG. 2.2 – Comparação da vazão de saída em função da geometria da bacia Fonte: SEMADS/GTZ, 2001 (adaptado)

2.2.3 ÍNDICE DE CONFORMAÇÃO

O fator de forma (kf) é a relação entre a área da bacia hidrográfica e o quadrado

de seu comprimento axial, medido ao longo do curso d'água principal, da foz até a

cabeceira mais distante, próxima do divisor de águas da bacia. O coeficiente é obtido

pela EQ. 2.2 a seguir:

Lt²

A

Kf =

EQ. 2.2

Onde:

Lt: comprimento axial da bacia, ou comprimento total do curso d’água principal,

em Km

A: a área de drenagem da bacia, em km².

Uma bacia com fator de forma baixo indica que a mesma é menos sujeita a

enchentes que outra, de mesmo tamanho, porém com fator de forma maior (VILLELA

e MATTOS, 1975).

2.2.4 ÍNDICE DE CIRCULARIDADE

Índice de circularidade (Ic) é outro parâmetro utilizado. Ele tende para a unidade

à medida que a bacia se aproxima da forma circular e diminui à medida que a forma

torna se alongada. Foi obtido pela EQ. 2.3:

²

P

A

57

,

12

Ic =

EQ. 2.3

2.2.5 ÍNDICE DE DRENAGEM

Podem ser atribuídos diversos índices a rede de drenagem, o mais simples é o

comprimento L do curso de água principal, esse índice também está relacionado com

a densidade de drenagem.

2.2.6 DENSIDADE DE DRENAGEM

A densidade de drenagem (Dd) é baseado no ordenamento dos canais. Define-se

o cálculo da densidade de drenagem o resultado da divisão entre o comprimento total

dos cursos d’água pela área da bacia. Esse índice pode variar de 0,5 km.km² em

bacias com drenagem pobre a 3,5 km.km² ou mais em bacias bem drenadas (VILLELA

e MATTOS, 1975). A densidade de drenagem é dada pela EQ. 2.4:

A

Lt

Dd =

EQ. 2.4

Onde:

L

T

: comprimento total dos cursos d'água da bacia, em km

A: área em km².

Este índice fornece uma indicação da eficiência da drenagem, ou seja, da maior

ou menor velocidade com que a água deixa a bacia hidrográfica. Este índice não

considera a capacidade de vazão dos cursos d’água que, no caso de ser insuficiente,

pode vir a provocar um efeito de represamento, reduzindo a eficiência de drenagem.

2.2.7 DECLIVIDADE DO RIO

Declividade do rio (S) - a declividade média é o desnível entre a nascente e a foz

dividido pela extensão total do curso d'água principal, conforme EQ. 2.5. Ver FIG. 2.3.

FIG. 2.3 – Declividade do rio

Lt

H

S =

EQ. 2.5

Onde:

S: declividade média, em m/m;

∆H: desnível altimétrico entre o ponto inicial e final considerados (m);

Lt: comprimento total do curso d’água principal, em m.

A velocidade de escoamento de um rio depende da declividade dos canais fluviais.

Quanto maior a declividade, maior será a velocidade de escoamento, e mais

pronunciados e estreitos serão os hidrogramas das enchentes.

As características físicas destacadas acima são importantes para interpretar o

tempo de concentração da bacia, uma vez que, influenciam na forma dos hidrogramas

de cheia e nas vazões de pico, mas não no volume do hidrograma. Conforme o tempo

de concentração aumenta, o pico do hidrograma demora um pouco mais para

acontecer e é menor. O tempo de concentração é abordado a seguir.

2.2.8 TEMPO DE CONCENTRAÇÃO

Na hidrologia o tempo de concentração (tc) é um dos parâmetros mais importantes

por ser capaz de prever a resposta de uma bacia para um determinado evento de

Kirpich: tc =3,989L0,77S−0,385 EQ. 2.6

California Culverts practice: tc =57L1,15H−0,385 EQ. 2.7

Federal Aviation Agency: tc = 22,73(1,1−C)L0,50S−0,33 EQ. 2.8

Onda cinemática: 0,60 0,3 0,40 I S ) nL ( 447 tc = EQ. 2.9 SCS Lag fórmula: 0,50 7 , 0 80 , 0 9 S CN 100 L 42 , 3 tc = EQ. 2.10 SCS método cinemático: = V L 60 1000 tc EQ.2.11 Dooge: tc =21,88A0,41S−0,17 EQ. 2.12

Onde:

L: comprimento do talvegue, em km;

S: declividade do talvegue, em m/km;

H: desnível altimétrico entre o ponto inicial e final considerados, em m;

C: coeficiente de escoamento do método racional;

n: rugosidade de Manning;

I: intensidade de precipitação em mm/h;

CN: número de curva (método SCS);

V: velocidade média no trecho em m/s;

A fórmula de kirpich foi desenvolvida originalmente para bacias menores, até 0,5

km² e embora utilize o comprimento e a declividade como parâmetros, é uma

indicação que representa o escoamento em superfícies, pelo simples fato de ter sido

testado em bacias muito pequenas.

A EQ. 2.7 é modificada da equação de kirpich indicada para bacias médias e

grandes apesar de apresentar velocidades altas comparadas com outros métodos.

A EQ. 2.8 segundo Porto et al (2009 Tucci), foi desenvolvida para drenagem de

aeroportos, as quais predominam o escoamento em superfícies de pequenas bacias.

A EQ. 2.9 foi deduzida a partir das equações de onda cinemática aplicada a

superfícies, baseando-se na hipótese de precipitação constante igual ao tempo de

concentração e na equação de Manning. Essa equação é adequada para pequenas

bacias e onde o método pode ser aplicado e a superfície é predominante Porto et al

(2009).

A equação do SCS Lag (EQ. 2.10) foi desenvolvida em bacias rurais com áreas

de drenagem de até 8 Km² e reflete, fundamentalmente, o escoamento em superfícies.

Para aplicação em bacias urbanas, o SCS sugere procedimentos para ajuste em

função da área impermeabilizada e da parcela em canais que sofreram modificações.

Essa fórmula superestima o valor do tempo de concentração em comparação com as

expressões de Kirpich e Dooge (PORTO, et al (2009)).

O método cinemático SCS se baseia no fato de que o tempo de concentração é o

somatório dos tempos de trânsito dos diversos trechos que compõem o talvegue.

Segundo CANHOLI (2012) o escoamento em superfície se caracteriza por pequenas

espessuras de lâmina d’água com velocidades baixas e dependem de três fatores:

rugosidade do terreno, declividade e intensidade da chuva.

A equação de Dooge foi definida a partir de 10 bacias rurais consideradas

grandes. Seus parâmetros refletem o comportamento de bacias médias e

escoamentos predominante em canais. PORTO, et al (2009).

Diante do exposto, deve-se ter muita cautela para determinar o tempo de

concentração, pois a maioria dos métodos de cálculo existentes foram desenvolvidos

a partir de observações e medições experimentais em bacias rurais. Fato este

confirmado por Silveira 2005 que realizou uma pesquisa e comparou 23 métodos de

cálculo para determinar o tempo de concentração e encontrou resultados

discrepantes.

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