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4. Capítulo 2. Produção de massa seca, características morfológicas e produtividade da soja e

4.2. MATERIAIS E MÉTODOS

4.3.2. Características morfológicas e produtividade das culturas

4.3.2.2. Características morfológicas e produtividade da soja safra 2019/2020

Na safra 2019/2020, não houve diferença entre as plantas de cobertura e os sistemas de manejo para as características morfológicas da soja (Figura 6).

Figura 6: Características morfológicas da cultura da soja na safra 2019/2020 em função de diferentes plantas de cobertura e sistemas de manejo do solo. UNICENTRO, Fazesc, Guarapuava/PR, 2021.

A ausência de efeito indica que, possivelmente, a avaliação de efeitos de três anos das plantas de cobertura no período de inverno, representa período insuficiente para obter resultados conclusivos quanto ao efeito sobre a cultura da soja. Alguns estudos mostram que as plantas de cobertura que antecedem a semeadura da cultura da soja não afetam o número de grãos por vagem, altura de inserção da primeira vagem e o número de ramos (SILVA;

LAZARINI, 2014; KRENCHINSKI et al., 2018).

Entre os sistemas de manejo do solo com escarificação, a ausência de diferença significativa entre os manejos, permite inferir que não existe influência sobre os componentes de rendimento da soja. Silva et al. (2020) não obtiveram diferença significativa para o número de vagens por planta e o número de grãos por planta em Latossolo Vermelho, sob sistema plantio direto e cultivo mínimo com escarificação. Lança Rodrígues et al. (2009) não obtiveram diferença para a altura de plantas de soja utilizando plantas de cobertura em sistema de plantio direto, convencional e preparo reduzido com escarificação

Segundo Freitas et al. (2017) a descompactação do solo por meio da escarificação pode apresentar curto período de duração, e isso ocorre devido à quebra dos agregados nas linhas de fraqueza e mantendo agregados compactados que em condições de altos teores de argila permite a reorganização do solo, retornando às condições iniciais. Os autores também mostram que a escarificação não promoveu alteração na altura de plantas e altura de inserção da primeira vagem em duas safras avaliadas e na segunda safra avaliada não houve efeito para

o número de vagens por planta.

Para o número de nódulos por planta, não foi observado efeito das plantas de cobertura e dos sistemas de manejo do solo com escarificação (Figura 7). Entre os sistemas de manejo, pode-se inferir que não houve efeito devido à ausência de efeito sobre as demais características da soja, indicando que para as condições da safra 2019/2020 não houve resposta pela cultura devido a escarificação. Quanto as plantas de cobertura, possivelmente a ausência de efeito se deve ao fato de que a quantidade de leguminosas no mix provavelmente não promoveu fixação de nitrogênio atmosférico em dose suficiente para reduzir a nodulação das plantas de soja, uma vez que a disponibilização de nitrogênio antecedendo a cultura pode prejudicar a nodulação das plantas (FOO et al., 2013). Schneider et al. (2018) concluíram que a utilização de consórcio entre aveia + azevém + ervilhaca não afetou a nodulação da soja, indicando que a ervilhaca não afeta o processo de simbiose na fixação biológica de nitrogênio.

Figura 7: Número de nódulos por planta na cultura da soja safra 2019/2020 com plantas de cobertura e escarificação. UNICENTRO, Fazesc, Guarapuava/PR, 2021.

Para a produtividade da soja na safra 2019/2020, foi observado efeito das plantas de cobertura em que a maior produtividade foi constatada no pousio (Figura 8), com 4.840,4 kg ha-1, diferindo do nabo + aveia com produtividade de 3603,69 kg ha-1. A produtividade de soja em sucessão ao mix de cobertura, foi de 4036, 93 kg ha-1, não diferindo do pousio e do nabo + aveia.

Os menores valores de produtividade da soja com nabo + aveia está relacionada à

elevada infestação de mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum) a partir do período reprodutivo da soja. Para possibilitar tal afirmação, foi realizado levantamento da incidência e severidade da doença na área experimental e a partir dos resultados, constatando-se que houve interação entre os fatores para a incidência da doença (Figura 9A).

A menor incidência de doença ocorreu no pousio escarificado e não escarificado e no mix não escarificado. A maior incidência do mofo branco foi observada no nabo + aveia e no mix escarificado. Houve diferença entre o sistema escarificado e não escarificado para o nabo + aveia, em que a maior incidência ocorreu no sistema escarificado, o que possivelmente está relacionado com a maior quantidade de massa seca proveniente de ressemeadura natural observada nesse sistema (Figura 1A). Conforme Venturoso et al. (2015) a Sclerotinia sclerotiorum é um patógeno que apresenta alta agressividade, capaz de colonizar o tecido vegetal, e consequentemente levar a morte de parte ou de toda a planta de maneira rápida, representando uma das principais doenças na cultura da soja, podendo provocar reduções de 70% na produtividade da cultura (MEYER, 2014).

Figura 8: Produtividade e massa de mil grãos (MMG) da soja, na safra 2019/2020, em função de diferentes culturas de cobertura e sistemas de manejo do solo. Médias seguidas de mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade de erro. UNICENTRO, Fazesc, Guarapuava/PR, 2021.

Figura 9: A) incidência (%) de mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum) em plantas de soja sob diferentes plantas de cobertura e sistemas de manejo do solo. Médias seguidas de mesma letra maiúscula não diferem entre si para o fator plantas de cobertura e médias seguidas de mesma letra minúscula não diferem entre si para o fator manejo do solo pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. B) severidade (%) do mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum) em plantas de soja sob diferentes plantas de cobertura e sistemas de manejo do solo. Médias seguidas de mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade de erro. UNICENTRO, Fazesc, Guarapuava/PR, 2021.

Existem muitas espécies que são hospedeiras do patógeno, dessa forma áreas que apresentam em seu histórico incidência da doença, é importante que a utilização de culturas como o nabo forrageiro e o girassol sejam utilizados com cautela, uma vez que pode potencializar a ocorrência da doença na área (FANCELLI, 2009).

Quanto ao sistema de manejo do solo, não houve diferença para a produtividade e para a massa de mil grãos, indicando que o efeito da escarificação sobre a produtividade apresentou duração de somente duas safras agrícolas. Calonego et al., (2017), observaram aumento na produtividade da soja na primeira safra após a escarificação, porém após dois anos não havia mais efeito da escarificação e produtividades maiores foram observadas sob utilização de culturas de cobertura. Segundo Calonego; Rosolem, (2010), o efeito de aumento na produtividade da soja pela escarificação é efêmero, sendo que uma alternativa para promover melhorias no solo é a rotação de culturas com plantas de sistema radicular agressivo, que pode promover melhoria nos atributos físicos, resultando em aumento da produtividade.

No presente estudo, não foi possível constatar efeito das plantas de cobertura sobre o

solo que resultasse em aumento da produtividade, fato que se deve principalmente à presença de doença na área. Chalise et al. (2019) relatam que a manutenção de resíduos de culturas de cobertura sobre a superfície do solo tem a capacidade de atuar na melhoria de atributos do solo e na manutenção da umidade, contribuindo para aumento na produtividade das culturas.

Foi realizada a estimativa de redução da população de plantas de soja devido à presença de mofo-branco. Ao avaliar a população de plantas após a emergência da cultura, foi observada diferença entre as plantas de cobertura para a população inicial, em que o nabo + aveia apresentou menor população, comparado com o pousio e o mix (Figura 10), a qual não resulta da doença, mas provavelmente se deve a quantidade de massa seca nesse tratamento, em que, mesmo não havendo diferença entre o nabo + aveia e o mix, o tratamento com nabo + aveia proporcionou produção de massa seca 22,65% (Figura 1B) maior que o mix, e isso pode ter influenciado na emergência das plântulas de soja.

Figura 10: A) População inicial (plantas ha-1) e B) população final (plantas ha-1) na cultura da soja sob diferentes plantas de cobertura e sistemas de manejo do solo. Médias seguidas de mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade de erro.

UNICENTRO, Fazesc, Guarapuava/PR, 2021.

Quando a semeadura é realizada sobre altas quantidades de palha, pode ocorrer problemas na semeadura, que podem dificultar a operação, devido ao embuchamento da semeadora, além da ocorrência de sementes expostas, o que pode comprometer o estande da cultura (ARATANI et al., 2006; BALBINOT JUNIOR et al., 2009). Monquero et al., (2010), observaram que a dessecação de plantas de cobertura realizadas aos 2 e aos 7 dias antes da

semeadura reduziu o estande de plantas de soja. Lima et al. (2014) constataram que 20 dias após a semeadura, o pousio apresentou maior número de plantas emergidas, indicando que a elevada quantidade de massa na superfície pode prejudicar a emergência das plântulas.

No entanto para a cultura da soja, a redução da população de plantas no início do estabelecimento, pode ser compensada pelo aumento do número de vagens por planta, e dessa forma não resultar em redução da produtividade (RICCE et al., 2011).

Ao observar os coeficientes de correlação entre a produtividade e a população inicial de plantas, é possível constatar que não existe correlação significativa, demonstrando que a redução da população de plantas não influenciou a produtividade (Tabela 2). Porém, ao analisar a população final estimada, constata-se correlação negativa, ou seja, quanto menor a população final, menor a produtividade. Sendo assim, pode-se inferir que o ataque de mofo-branco a partir do estádio reprodutivo, não permitiu que a houvesse ganho compensatório pela cultura, resultando em diminuição da produtividade.

Tabela 2: Coeficientes de correlação de Pearson para as variáveis produtividade (PROD);

incidência de mofo-branco (INCI); severidade do mofo-branco (SEVER); população inicial (POPinicial) e população final estimada (POPfinal).

PROD INCI SEVER POPinicial

INCI -0,6292**

SEVER -0,5429** 0,6135**

POPinicial 0,3970ns -0,2959ns -0,2086ns

POPfinal 0,6095** -0,6649** -0,5337** 0,8784**

nsnão significativo; **significativo a 5% de probabilidade de erro.

Ainda, foi possível verificar correlação negativa entre a produtividade e a incidência e severidade da doença, demonstrando que a presença da doença influenciou negativamente a produtividade.

Dessa forma, é necessário utilizar a espécie adequada de acordo com as limitações do sistema, visando promover a sustentabilidade e redução de custos (MARTINS et al., 2016).

Entre as estratégias de manejo da doença podem ser incluídas na rotação de culturas plantas capazes de impedir a multiplicação da doença. Görgen et al. (2009) concluíram que a utilização de Brachiaria ruziziensis para cobertura do solo, é capaz de controlar apotécios de Sclerotinia scerotiorum.