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4. Capítulo 2. Produção de massa seca, características morfológicas e produtividade da soja e

4.2. MATERIAIS E MÉTODOS

4.2.2. Delineamento experimental

O delineamento experimental utilizado foi em blocos casualizados, em esquema fatorial 3 x 2, com parcela subdividida e quatro repetições, totalizando 24 unidades experimentais. Cada unidade experimental apresentou dimensões de 4,0 x 16,5 m, totalizando 66 m2. O Fator 1 consistiu em três sistemas de plantas de cobertura: pousio, consórcio com nabo + aveia e policultivo/mix de espécies de coberturas (aveia, nabo, centeio, ervilhaca e tremoço branco) e o Fator 2, foi o sistema escarificado, com a escarificação realizada em julho de 2017 e o sistema não escarificado (sistema plantio direto contínuo).

4.2.3. Condução do experimento

O experimento foi conduzido em área sob sistema plantio direto, em que foi realizada para a escarificação de parte da área em julho de 2017 e a implantação das culturas de cobertura para os respectivos tratamentos. Para a escarificação, foi utilizado o escarificador Asa Laser KS®, acoplado a um trator John Deere® 7195, sendo que o escarificador apresentava 9 hastes com 0,4 m de espaçamento entre elas. A semeadura do primeiro cultivo de plantas de cobertura foi realizada três dias após a escarificação (SPLIETHOFF et al., 2019).

Na safra de verão 2017/2018, foi realizada a implantação da cultura do milho, e após a colheita da cultura de verão, no inverno de 2018 foram semeadas as plantas de cobertura, com o consórcio entre nabo + aveia e o policultivo/mix de plantas de cobertura. Na safra

2018/2019, a cultura utilizada foi a soja. A semeadura da soja na safra 2018/2019 foi realizada no mês de novembro de 2018, utilizando-se a cultivar PIONEER 96Y90®, com população de 240.000 plantas ha-1, utilizando-se o espaçamento entre linhas de 0,45 m.

No mês de julho de 2019 foram semeadas as plantas de cobertura pelo terceiro momento. Nas unidades experimentais correspondentes ao nabo + aveia, foram utilizados, 25 kg ha-1 de aveia preta e 5 kg ha-1 de nabo forrageiro. Para a implantação do mix de plantas de cobertura, foram utilizados 15 kg ha-1 de aveia preta, 15 kg ha-1 de tremoço branco, 15 kg ha-1 de tremoço azul, 15 kg ha-1 de centeio, 10 kg ha-1 de trigo mourisco, 10 kg ha-1 de ervilhaca e 1 kg ha-1 de nabo forrageiro. Após a implantação do mix, não ocorreu o desenvolvimento do tremoço azul e do trigo mourisco, permanecendo o tratamento, portanto, com aveia preta + centeio + nabo + ervilhaca + tremoço branco. No mês de outubro de 2019, foi feito o manejo das culturas de cobertura com o rolo-faca.

No mês de novembro de 2019, foi realizada a dessecação da área experimental, com glifosato (3,0 L ha-1 p. c.) e diclosulan (40 g ha-1), uma vez que foi constatada a presença de plantas resistentes ao glifosato nas parcelas referentes ao pousio. A semeadura da soja safra 2019/2020, ocorreu no dia 19 de novembro de 2019, sendo utilizada a cultivar TMG IPRO® 7061, sendo utilizada uma população de 200.000 plantas ha-1. Para adubação de base da cultura da soja, em ambas as safras, foram utilizados 250 kg ha-1 do formulado NPK 04-16-16.

Após a colheita da soja, foram semeadas as plantas de cobertura no dia 24 de abril de 2020 no quarto ciclo. Para a implantação do nabo + aveia foi utilizado 25 kg ha-1 de aveia e 5 kg ha-1 de nabo forrageiro. Na implantação do mix foi utilizado 50 kg ha-1 de uma mistura comercial de sementes, RX® 210, o qual era composto por aveia branca, aveia preta, centeio, nabo forrageiro e ervilhaca. A dessecação da área experimental foi realizada no mês de junho de 2020 para a implantação da cultura do trigo, em sucessão.

A cultura do trigo foi implantada no mês de julho de 2020, sete dias após a dessecação das plantas de cobertura, utilizando-se 115 kg ha-1 de semente, cultivar LG ORO®. Na adubação de base foram utilizados 350 kg ha-1 do formulado NPK 04-20-20. A adubação nitrogenada de cobertura foi realizada aos 20 dias após a semeadura, no início do afilhamento.

O manejo de plantas daninhas foi realizado aos 30 dias após a semeadura, com a utilização de iodossulfuron-metílico na dose de 70 g ha-1 do produto comercial. Para o controle da ferrugem-da-folha (Puccinia triticina) e oídio (Blumeria graminis), foi utilizado o produto a

base de propiconazol, na dose de 0,5 L ha-1. A maturação fisiológica do trigo ocorreu aos 125 dias após a semeadura, sendo realizada a dessecação com glufosinato de sal-amônio na dose de 5 L ha-1, para a realização da colheita.

4.2.4. Avaliações

4.2.4.1. Massa seca de plantas de cobertura e cultura da soja safra 2018/2019

Na safra 2018/2019, a avaliação das características morfológicas da soja foi realizada quando a mesma estava no estádio fenológico R8, foram então avaliadas: altura de plantas (cm), diâmetro de caule (mm), número de nós na haste principal, número de ramos, número de vagens por planta e número de grãos por planta.

Foi avaliada a nodulação das plantas de soja para as duas safras estudadas. Na safra 2018/2019, a avaliação foi realizada no estádio R6. Para tal avaliação foram coletadas as raízes de três plantas por unidade experimental, com um auxílio de uma pá, de modo que fosse coletada a raiz intacta até os 20 cm de profundidade. O solo foi retirado e as raízes foram lavadas em uma peneira com malha de 2,00 mm, sendo considerados, portanto para a contagem, apenas os nódulos maiores que 2,00 mm.

Para a avaliação da produtividade em ambas safras, foram colhidas as três linhas centrais de cada unidade experimental, com a utilização de uma colhedora marca Wintersteiger®, modelo Classic. Os grãos foram pesados e posteriormente foi determinada a umidade de cada amostra. As amostras foram corrigidas para 0,13 m3 m-3 de umidade e foi estimada a produtividade em kg ha-1. Foi determinada também a massa de mil grãos para cada amostra.

Após a colheita da soja safra 2018/2019, ocorreu incidência de plantas como nabo-forrageiro e aveia-preta, provenientes de ressemeadura natural do banco de sementes que havia sido formado devido à semeadura dessas plantas no outono de 2018, uma vez que foram predominantes nas unidades experimentais correspondentes a semeadura das plantas de cobertura, ocorrendo nos tratamentos de consórcio e policultivo.

No mês de maio de 2019 foi então determinada a massa seca dessas plantas provenientes de ressemeadura natural. Para tal avaliação, foi coletada a massa total em uma área de 0,25 m2, em um ponto central por unidade experimental. Essas amostras foram secas

em estufa a 65°C até atingir massa constante. Essas amostras foram pesadas e a partir da massa obtida foi estimada a quantidade de massa seca em kg ha-1. Essas plantas foram manejadas com um rolo faca tracionado por um trator Agrale® 5075, para, posteriormente, ser implantada as plantas de cobertura no mês de julho em processo de semeadura. Um dia antes do manejo das plantas de cobertura foi coletada a massa total em área de 0,25 m2 por unidade experimental, secas em estufa a 65°C para determinação da massa seca, e posteriormente foi estimada a massa seca em kg ha-1.

4.2.4.2. Massa seca de plantas de cobertura e cultura da soja safra 2019/2020

Após a emergência das plantas de soja, na safra 2019/2020, foi realizado o levantamento da população de plantas, para tal avaliação, foram contabilizadas as plantas emergidas em 10 m lineares, e com os valores obtidos foi estimada a população em plantas ha-1. Foi avaliada a nodulação das plantas de soja no estádio R4.

Após o estádio de desenvolvimento R5.1, constatou-se a presença de mofo branco (Sclerotinia sclerotiorum) na área experimental. Sendo assim, foi realizada a avaliação de incidência e severidade da doença de acordo com a escala proposta por Azevedo, (1998), em 20 plantas por unidade experimental. Com os dados de severidade da doença, foi realizada a estimativa de plantas mortas por unidade experimental, e a partir dos valores, foi realizada a estimativa de redução na população de plantas ha-1 e com esses valores foi estimada a população final de plantas.

Por meio da escala utilizada para a avaliação da doença, considera-se que uma planta com 100% de severidade é uma planta totalmente afetada pela doença, ou seja, representa uma planta morta. Dessa forma, para a estimativa da população final, foi considerado que a cada 100% de severidade do mofo branco uma planta foi morta, portanto, essa planta foi descontada da população inicial. Exemplificando, para descontar as plantas da população final, foi considerada a porcentagem total de severidade obtida das 20 plantas avaliadas, e a cada 100% de severidade encontrada, considerou-se que a planta foi perdida, portanto subtraída da população inicial.

Na safra 2019/20, as características morfológicas foram avaliadas no estádio R8, em cinco plantas por unidade experimental, sendo avaliada a altura de plantas (cm), diâmetro do caule (mm) número de nós da haste principal, número de ramos, número de vagens por planta

e número de grãos por planta. A colheita da soja safra 2019/2020, foi realizada em abril de 2020. Para a determinação da produtividade foram colhidos três metros de comprimento das três linhas centrais de cada unidade experimental. Foi determinada a umidade de cada amostra e essas foram pesadas e corrigidas para a umidade de 0,13 m3 m-3. Foi determinada também a massa de mil grãos.

No mês de julho de 2020, antes da dessecação pré-semeadura do trigo, foi determinada a massa seca das plantas de cobertura. Para tal, foi coletada a massa total de uma área de 0,25 m2, as amostras foram secas em estufa a 65°C, posteriormente foram pesadas e por meio da massa obtida foi estimada a massa seca total em kg ha-1.

4.2.4.3. Cultura do trigo safra 2020

Para a cultura do trigo, foi avaliado o número de espigas m-2, o peso do hectolitro (kg hl-1), a massa de mil grãos (g) e a produtividade. Para determinar a produtividade, foram colhidos 4,35 m-2 por unidade experimental, com a colhedora marca Wintersteiger®, modelo Classic. Os grãos foram pesados e por meio da determinação da umidade de cada amostra, a massa foi corrigida para a umidade de 0,13 m3 m-3, e posteriormente determinada a produtividade em kg ha-1. A determinação do peso do hectolitro foi realizada conforme metodologia proposta pela Instrução Normativa SARC Nº 7 (BRASIL, 2001).

4.2.4. Análise estatística

Os dados foram submetidos à análise de variância (ANOVA) e em caso de significância, as médias foram comparadas pelo teste de Tukey (p<0,05). As análises foram realizadas por meio do software estatístico SISVAR (FERREIRA, 2019). Foram determinados os coeficientes de correlação de Pearson entre determinadas características da soja por meio do software STATISTICA®.

4.3. RESULTADOS E DISCUSSÃO