• Nenhum resultado encontrado

Neste subcapítulo, são apresentados os dados referentes às indicações realizadas pelos acadêmicos concluintes do Curso de Fisioterapia, quanto ao significado atribuído à conclusão do curso de graduação, aos valores pessoais, às características positivas e negativas e às oportunidades e ameaças do contexto. No Quadro 10, são apresentados os dados relativos ao complemento da frase: “para mim, finalizar o curso superior significa...”, distribuído em categorias.

Quadro 10 - Significado atribuído à conclusão do curso.

CATEGORIA UCE OCORRÊNCIA

Representa uma vitória

uma das muitas vitórias da vida (S1)

18 uma conquista (S2; S4; S28)

realização de um sonho (S3; S8; S10; S12; S18; S20; S24) uma vitória (S6; S7; S15; S16)

a realização de um sonho escolhido por Deus (S26) no momento, uma conquista acima das minhas forças (S25)

Representa o fim de uma etapa

o final de uma fase importante (S14)

5 uma etapa finalizada (S19)

mais uma etapa concluída, porém não a última (S21) cumprir uma meta (S27)

chegar ao meu objetivo (S29)

Representa o início

só o começo (S13)

3 o primeiro passo para outras conquistas (S23)

atingir o primeiro objetivo de muitos (S22) Representa a

possibilidade de atuar na área

profissional

um passo a mais para ter mais conhecimento no tratamento de pacientes (S11)

2 adquirir conhecimentos e ter condições de atuar na

profissão (S17) Representa a

abertura de diversas oportunidades

que estou abrindo várias portas e muitas oportunidades (S5) 1 Fonte: Dados da pesquisa, 2012.

No Quadro 10 observa-se que, do total de indicações realizadas pelos vinte e nove estudantes que participaram do primeiro encontro, dezoito demonstram que a conclusão do Ensino Superior “representa uma vitória”; outras cinco que “representa o fim de uma etapa”; três que “representa o início”; duas revelam a “possibilidade de atuar na área profissional” e uma a “abertura de diversas oportunidades”.

Mais da metade dos participantes indicou que a finalização do curso “representa uma vitória”. Essa descoberta aparece em consonância com os resultados da pesquisa realizada por Teixeira e Gomes (2004) com doze formandos dos Cursos de Farmácia e Odontologia. Nessa pesquisa, a conclusão do curso superior foi percebida pelos entrevistados como um momento de alegria, satisfação pessoal, coroação de uma escolha e sensação de vitória. Ao relacionar tais dados com os apresentados no Quadro 5 (critérios utilizados para a escolha por cursar o Ensino Superior), é possível perceber que todos os doze participantes que indicaram como critério para a escolha por cursar o Ensino Superior “melhora das condições de vida”, “obtenção de reconhecimento social” e “melhora das condições de inserção

no mercado de trabalho” indicaram a conclusão do curso “representando uma vitória”. É possível relacionar tais dados com as conclusões da pesquisa realizada por Zago (2006), com 27 estudantes de uma universidade pública que tinham condições desfavoráveis de capital econômico e cultural. Tal pesquisa evidencia que o êxito no vestibular é compreendido pelos acadêmicos como “uma chance”, “uma sorte”; o início da graduação é visto como difícil, em função da defasagem de aprendizagem (dos antecedentes escolares); a permanência na graduação exige que sejam desempenhadas atividades profissionais paralelas, para subsistência; e a conclusão do curso é compreendida como “uma vitória” em função das dificuldades enfrentadas. Essa relação pode corroborar a hipótese de que as condições socioeconômicas e culturais dos acadêmicos influenciam nos critérios de escolha para realização do curso superior, bem como o significado atribuído para sua conclusão.

Outra parte dos estudantes participantes da pesquisa indicaram que a finalização da graduação representa “o fim de uma etapa”, “o início”, “a possibilidade de atuar na área profissional” e “a abertura de possibilidades”. Tais significados atribuídos estão ligados à noção de processo de desenvolvimento profissional. É possível relacionar tais dados com as descobertas de Teixeira e Gomes (2004 p.54), em que parte dos entrevistados apontaram a

metáfora de ‘ter que botar a cara’ ou ‘dar a cara prá bater’ [que] descreve bem a sensação dos entrevistados frente à necessidade de enfrentar uma situação nova para eles e sabidamente cheia de dificuldades a serem vencidas.

Dessa forma, entender o momento de finalização do curso como uma etapa do processo de desenvolvimento profissional aumenta a probabilidade do acadêmico focar a atenção no que está por vir, ou seja, antecipar as possibilidades e dificuldades que poderão ser enfrentadas. Ao entender a finalização do curso como uma vitória, é possível que fique aumentada a probabilidade de que o foco de atenção esteja nas dificuldades que foram enfrentadas no decorrer da realização do curso, criando condições para que exista o desejo de que a sensação de vitória perdure20. Essa hipótese pode ser relacionada com o número de acadêmicos que

20

Cumpre ressaltar que nas atividades de pré-teste realizadas com o Curso de Nutrição, as acadêmicas participantes, no momento de discussão da técnica “Mapa de Carreira” indicaram que “é

participaram de todos os encontros: apenas dois dos dezoito acadêmicos que indicaram que a finalização do curso “representa uma vitória” compareceram a pelo menos, um dos três encontros subsequentes. Nesse sentido, avaliar o sentido que os acadêmicos atribuem para a conclusão do Ensino Superior parece importante no momento de planejar a carreira profissional.

A seguir, no Quadro 11, são apresentados os dados relativos ao complemento da frase: “na minha vida profissional, considero que o mais importante é...”, distribuído em categorias.

Quadro 11 - Valores profissionais.

CATEGORIA UCE OCORRÊNCIA

Fazer o que gosta

fazer o que gosto (S4; S10; S23; S27)

7 trabalhar no que gosta e sabe (S12)

amar a profissão (S24)

poder trabalhar na área que escolhi (S25)

Atualizar continuamente seus

conhecimentos

sempre estar em busca de novas informações (cursos, capacitação) (S6)

7 estar sempre estudando (S8; S11)

ter conhecimento (S14) conhecimento e segurança (S19)

valorizar as conquistas e lutar para melhorar mais (S26) conhecimento e amor (S18)

Ser um bom profissional

ser um bom profissional (S3)

6 exercer bem o que escolhi da maneira mais ética e

profissional (S1)

procurar sempre fazer o melhor de ti (S5) exercer bem o meu trabalho (S29) ser excelente na profissão escolhida (S22) fazer bem feito, com qualidade o que você escolher

(S13)

Contribuir na vida das pessoas com

que trabalha

reabilitar meus pacientes (S2)

4 tratar bem meus pacientes (S7)

satisfazer e reabilitar pacientes (S17)

fazer algo que contribua, acrescente na vida de alguém (S21)

Realizar-se a satisfação pessoal (S9) 2

realizar-me (S28)

Não respondeu _ 3

Fonte: Dados da pesquisa, 2012.

difícil fazer essa atividade, porque agora estamos finalizando uma etapa, é uma vitória! Depois que a gente se formar, fica aquela ideia de que ‘dá para se virar’... Afinal de contas, a gente já venceu!”.

No Quadro 11 identifica-se que, das indicações realizadas pelos vinte e nove estudantes que participaram do primeiro encontro, sete são referentes ao valor “fazer o que gosta”; outras sete indicam que é “atualizar continuamente seus conhecimentos”; seis destacam que o mais importante é “ser um bom profissional”; quatro é “contribuir na vida das pessoas com que trabalha”; outras três é “realizar- se”. Houveram três abstenções.

É possível perceber que, das cinco categorias apresentadas, quatro se referem à valores autorreferentes (tais como gosto, aumento dos conhecimentos, realização e qualidade profissional). Apenas um valor “contribuir na vida das pessoas com que trabalha” se refere ao produto do trabalho do fisioterapeuta. Ao relacionar tais dados com os apresentados no Quadro 6 (dos critérios para escolha do Curso de Fisioterapia), é possível identificar que cinco participantes (S10; S12; S23; S24; S27) indicaram “gosto pela área da Saúde” como critério para escolha do curso e “fazer o que gosta” como valor profissional, revelando coerência entre valores e critérios de escolha.

A ênfase no “gosto” como valor profissional, acompanhado do contínuo aumento dos conhecimentos são descobertas que corroboram, em parte, as conclusões de Melo (2002) em pesquisa que realizou com 117 jovens dos cursos de Medicina, Fisioterapia, Psicologia, Direito, Arquitetura e Ciências da Computação. A autora identificou que os aspectos que os participantes mais valorizam no trabalho são relacionados à “autoexpressão” (“gosto”, “prazer no trabalho”, “realização”, “aprendizagem” e “reconhecimento”) e “bem-estar socioeconômico” (“qualidade nos relacionamentos interpessoais”, “independência financeira” e “ascensão social”). No entanto, os participantes da presente pesquisa não indicaram valores, tampouco critérios de escolha relacionados a variáveis financeiras.

É possível observar que os participantes enfatizaram valores autocentrados, em detrimento de valores referentes ao produto do trabalho. Numa análise sociológica, percebe-se que tais valores autorreferentes estão em consonância com os valores apregoados após o advento do toyotismo, pelo modo de produção flexível. Sennett (2002, p.17), no livro “A corrosão do caráter”, narra a história de duas gerações de uma família como forma de evidenciar as contradições dos valores introduzidos no trabalho

Enrico passara vinte anos limpando banheiros e lavando chãos num prédio comercial do centro. Fazia isso sem se queixar [...] Seu trabalho tinha um objetivo único e perene, servir à família [...] Rico concretizara o desejo paterno de mobilidade ascendente, mas na versas rejeitara o estilo do pai. Despreza os ‘conformistas’ e outros protegidos pela armadura da burocracia; acredita, ao contrário, em manter-se aberto à mudança e correr riscos.

Por mais que a narração de Sennett, apresente histórias individuais, elas estão permeadas pelos valores sociais de duas épocas distintas: de um lado, um pai que valorizava a estabilidade e o retorno financeiro como forma de acumulação de bens materiais, típicos da “modernidade pesada” (BAUMAN, 2000) e de outro lado um filho, que valoriza as constantes mudanças e constante conhecimento profissional, característicos da “modernidade líquida” (BAUMAN, 2000). Sennett (2002) ainda indica que, antes da era do capitalismo flexível, a ética do trabalho se pautava no “trabalhar duro” para obtenção da satisfação adiada. No entanto, com a flexibilização e precarização das relações do trabalho, “torna-se absurdo trabalhar arduamente por muito tempo e para um patrão que só pensa em vender o negócio e subir” (SENNETT, 2002, p.118), tornando as relações interpessoais cada vez mais superficiais e instáveis, com ênfase no individualismo. Conforme explicita Bauman (2000) a modernidade denominada “leve” ou “fluida” é a época marcada pelo “desengajamento”, ou seja, a fuga fácil, a relação “flexível” motivada pela necessidade ou desejo. Nesse sentido, é compreensível que num contexto cada vez mais competitivo, exista uma supervalorização do desenvolvimento das próprias capacidades e destaque para realização de atividades apenas enquanto exista gosto e satisfação das necessidades pessoais, conforme apresentado pelos participantes da pesquisa.

Os dados apresentados no Quadro 12, são relativos às informações escritas pelos participantes na atividade “SWOT”, e foram organizados de forma a evidenciar a quantidade de ocorrências de cada uma das características listadas.

Quadro 12 - Características individuais consideradas positivas.

CATEGORIA UCE OCORRÊNCIAS

Pró-atividade

Iniciativa (S21; S28; S32)

5 disposta (S5)

sempre estou atrás de oportunidades (S21)

Comunicação facilidade em se comunicar (S1; S5; S13; S32) 4

Interesse Interesse (S33; S11) 3

interesse pelo paciente (S1)

Dedicação dedicação(S16; S33; S34) 3

Busca por conhecimento

procura de conhecimento (S1)

3 querer sempre mais conhecimento (S16)

gostar de estar sempre aprendendo (S28)

Relacionamento interpessoal

gostar de trabalhar com pessoas (S13)

3 manter um bom relacionamento com colegas

(S5)

converso com quem preciso para alcançar objetivos (S21)

Vontade força de vontade (S13; S34) 2

Persistência persistência (S5; S34) 2 Entusiasmo carisma (S32) 2 entusiasmo (S34) Liderança liderança (S32) 2 voz de comando(S32) Empenho empenho (S11) 1 Determinação determinada(S5) 1 Companheirismo companheira(S33) 1 Honestidade honesta(S33) 1 Curiosidade curiosidade(S11) 1 Criticidade criticidade(S11) 1 Organização organizada(S16) 1 Responsabilidade responsável(S5) 1 Ética ética(S13) 1 Paciência paciência (S28) 1 Pontualidade pontualidade(S28) 1 Disciplina disciplina(S28) 1

Calma deixo meus anseios de lado(S21) 1

Habilidade prática habilidade prática(S32) 1 Conhecimentos conhecimento adquirido(S13) 1 Fonte: Dados da pesquisa, 2012.

No Quadro 12 observa-se que, dentre as características listadas, apenas quatro categorias (“busca por conhecimento”, “liderança”, “organização” e “habilidade prática”) se referem a competências ligadas a atuação técnica; as demais dezenove características referem-se a qualidades de personalidade e competências interpessoais. Relacionando tais dados com as descobertas de Campos (et al., 2008), em pesquisa realizada com 156 gestores de recursos humanos de empresas do Estado de São Paulo com objetivo de identificar as habilidades e competências exigidas no momento da seleção, é possível perceber que há maior valorização de características pessoais (qualidades de personalidade e de relacionamento) em detrimento de habilidades técnicas. Os resultados demonstram que os gestores atribuem maior grau de importância a candidatos que demonstrem comprometimento, interesse e responsabilidade; seguidos de ética, seriedade e trabalho em equipe; flexibilidade, adaptabilidade e relacionamento interpessoal; comunicação verbal, negociação, solução de problemas, organização e planejamento, visão estratégica e foco em resultados; e, por último, tomada de decisão, habilidade técnica, pró-atividade e resistência à pressão. Ainda de acordo com a mesma pesquisa, os três itens de maior importância na futura efetivação do funcionário foram competência (60.1%), seguida por responsabilidade (59.5%) e dedicação (39.2%). Nesse sentido, a ênfase dada pelos acadêmicos participantes da pesquisa a qualidades de personalidade e competências interpessoais apresenta relação com os aspectos altamente valorizados pelas empresas.

Os dados apresentados no Quadro 13, são relativos às informações escritas pelos participantes na atividade “SWOT”, e foram organizados de forma a evidenciar a quantidade de ocorrências de cada uma das características listadas.

Quadro 13 – Características individuais consideradas negativas.

CATEGORIA UCE OCORRÊNCIA

Dificuldade de expressão timidez (S11; S16; S21) 7 comunicação(S11) melhorar a comunicação(S28) falar em público(S21) dificuldade de se expressar(S16)

Dificuldade de estabelece foco

concentrar-se no foco(S33)

4 falta de foco - deixar internet/tv/amigos de lado

para estudar verdadeiramente(S21) falta de objetividade (S11; S28)

Pouco conhecimento mais conhecimentos (S1; S5; S32) 3

Ansiedade ansiedade (S16; S21) 3

irritabilidade(S34)

Medo medo do novo (S11) 2

medo de montar um negócio sozinha(S13)

Insegurança insegurança(S11) 2

indecisão(S34)

Dificuldades financeiras lidar com finanças (S13) 2 falta de dinheiro (S16)

Dificuldade de organização organizar melhor o tempo (S5) 2 ser mais organizada (S33)

Dificuldade de lidar com rotina não gostar de rotina(S5) 1 Dificuldade de lidar com

críticas

dificuldade em saber não levar par ao lado

pessoal certas situações (S5) 1

Falta de memória falta de memória (S11) 1

Falta de experiência prática prática(S1) 1

Teimosia teimosa(S33) 1

Exigência exigente(S33) 1

Impaciência impaciência(S34) 1

Relacionamento interpessoal melhorar a rede de relacionamentos(S28) 1 Falta de marketing pessoal marketing pessoal(S28) 1

Inércia falta de atitude(S16) 1

Fonte: Dados da pesquisa, 2012.

No Quadro 13, é possível perceber que dentre as características consideradas negativas, cinco referem-se à dificuldades (“de expressão”; “de estabelece foco”; “de organização”; “de finanças”; “de lidar com críticas”); seis a qualidades pessoais e competências interpessoais (“teimosia”; “exigência”; “impaciência”; “inércia”; “relacionamento interpessoal”; “marketing pessoal”); três a

estados emocionais (“ansiedade”; “medo”; “insegurança”); uma a competências técnicas (“experiência prática”) e uma a questões cognitivas (“falta de memória”). Ao relacionar tais dados com aqueles apresentados no Quadro 12 (das características consideradas positivas), é possível perceber que, no total, um participante foi capaz de listar apenas cinco características pessoais (S1); cinco estudantes apresentaram entre sete e oito características (S13; S16; S32; S33; S34); e outros quatro participantes listaram entre nove e dez características pessoais (S5; S11; S21; S28), com maior destaque para qualidades pessoais e competências interpessoais, em detrimento de competências técnicas.

Qual a importância do conhecimento de si para o processo de planejar a carreira? Veriguine (2008), realizou entrevistas com sete alunos da disciplina de Orientação e Planejamento de Carreira da Universidade Federal de Santa Catarina, com o objetivo de compreender as implicações do autoconhecimento e da informação profissional para o processo de planejar a carreira. A autora identificou que todos os participantes da pesquisa afirmam ser necessário ter algum grau de conhecimento sobre suas próprias características, gostos e interesses para realizar o planejamento de carreira, pois isso aumenta a probabilidade de que a realização pessoal seja alcançada. Segundo os entrevistados, “o indivíduo precisa conhecer seus gostos e interesses para poder hierarquizar as escolhas de sua carreira” (VERIGUINE, 2008, p.85).

Regatando os dados apresentados no Quadro 9, relativos a atividades realizadas na trajetória profissional, é possível perceber que entre os seis acadêmicos que participaram do segundo e terceiro encontros, três (S5; S11; S28) listaram os maiores números de características pessoais e os mais baixos graus de variedade de atividades extracurriculares realizadas; outros dois (S13; S21), apresentaram os maiores números de características pessoais apresentadas e os maiores graus de multiplicidade de atividades realizadas durante a formação; e finalmente, um (S16) apresentou uma quantidade moderada de características pessoais e apresentou grau médio de envolvimento com a formação. Tais evidências contrapõem a ideia de que, quão maior o grau de envolvimento em atividades exploratórias, maior a clareza de autoconceito dos acadêmicos. Nesse sentido, parece que não basta que o estudante participe de diversas atividades extracurriculares, isso porque, para produzir maior grau de clareza em relação ao autoconhecimento, o indivíduo necessita realizar reflexão “posicional-de-si”

(SCHNEIDER, 2011), ou seja, pensar sobre si, refletir sobre suas experiências anteriores, colocando-se como objeto de reflexão crítica. Assim, um acadêmico que reflete sobre si em relação às diversas situações que vivencia, pode realizar poucas atividades extracurriculares e dispor de maior grau de conhecimento sobre si em relação a um acadêmico que não reflete sobre seu próprio “eu” e realiza diversas atividades.

No momento de discussão da técnica “SWOT”, houve divergências quanto ao que foi mais fácil listar: as características positivas ou negativas. Alguns participantes indicaram que o mais fácil foi listar as características negativas e a maioria indicou que foi mais fácil falar das positivas. No entanto, houve concordância do grupo quando um participante afirmou: “as forças e fraquezas foram mais fáceis

porque a gente tem devolutivas dos professores. Então a gente sabe da gente pelas devolutivas” (Sic). Nesse sentido, o feedback fornecido pelos professores sobre a

postura que os alunos apresentam nos atendimentos supervisionados são percebidos como indicadores de características que são positivas (e devem permanecer ou serem desenvolvidas) e de características negativas (que devem ser abandonadas ou reaprendidas). Considerando o número reduzido de características (positivas e negativas) indicadas pelos acadêmicos relativas a competências técnicas, poder-se-ia questionar: os feedbacks apresentados pelos professores seriam relacionados a características de personalidade e de relacionamento interpessoal? Ou, justamente pelas competências técnicas serem ensinadas no curso, há ênfase nas indicações de qualidades de personalidade e competências interpessoais que não são ensinadas pelos professores? Ou então, os acadêmicos não perceberiam competências técnicas como ênfases dentro das suas características positivas e negativas?

Os dados apresentados no Quadro 14, são relativos às informações escritas pelos participantes, na atividade “SWOT”, e foram organizados de forma a evidenciar a quantidade de ocorrências de cada uma das oportunidades do contexto listadas.

Quadro 14 - Oportunidades do contexto percebidas.

CATEGORIA UCE OCORRÊNCIA

Aumento de conhecimentos

participar de pesquisas na universidade mesmo depois de formada (S13)

10 cursos (S1)

especializações (S1) cursos de aperfeiçoamento (S28)

faço curso de inglês (S21)

currículo interessante - iniciação científica, monitorias, projetos e cursos (S21)

estar estudando (S33) leituras (S1)

abraçar todas as oportunidades possíveis (cursos, palestras, etc.) (S16)

já sei matérias para estudar - bibliografias de mestrado / provas de concursos(S21)

Rede de contatos profissionais

vários contatos (S32)

4 obter contato com mais pessoas na área em que

pretendo trabalhar (S11) relacionar-me com pessoas (S5) conhecidos na área da saúde (S13)

Experiência

habilidade prática (S34)

3 vivências (S32)

experiência (S32)

Psicoterapia sessões de análise com psicólogo (S11) 1 Foco nos objetivos aprender a focar meu objetivo (S11) 1

Realização gosto de atendimento domiciliar e tem bastante

procura (S13) 1

Bom salário bom salário (S1) 1

Apoio familiar apoio da família (S33) 1

Gosto por desafios gostar de desafios novos (S33) 1 Fonte: Dados da pesquisa, 2012.

No Quadro 14 é possível identificar que, no total, foram realizadas vinte e três indicações pelo onze estudantes que participaram do terceiro encontro. Destas, dez indicações se referiam a oportunidade de “aumento de conhecimentos”; quatro da oportunidade de “estabelecimento de contatos profissionais”; três da oportunidade de “ter experiência”. As demais oportunidades do contexto listadas foram: “fazer psicoterapia”; “focar nos objetivos”; “ter um bom salário” e “gostar de desafios”.

Por que discutir sobre questões relativas ao contexto, no processo de planejamento de carreira? Veriguine (2008, p.87), indica que os entrevistados fazem relação entre autoconhecimento e conhecimento das necessidades do mundo do

trabalho: “para planejar a carreira, além de conhecimento sobre gostos e habilidades, é importante também ter certo conhecimento sobre oportunidades de trabalho”. É possível perceber que, dentre as oportunidades do contexto listadas pelos acadêmicos, apenas duas categorias se referem a questões propriamente contextuais (“bom salário” e “apoio da família”). As demais, se referem a oportunidades “autoimpostas”, ou seja, que se relacionam com condições criadas pelos próprios acadêmicos (como “aumento de conhecimentos”, “estabelecimento de redes de contatos profissionais”, “experiência profissional”, “fazer psicoterapia”, “realizar-se” e “gostar de desafios”), o que produz maior controle dos mesmos em relação à apreensão de tais oportunidades.

A qualificação contínua e a rede de contatos profissionais, oportunidades apresentadas pelos participantes, caracterizam-se como as principais condições para inserção. Segundo as descobertas realizadas por Melo e Borges (2007), que