1 Introdução
2.3 O conceito de gestão de facilities
2.3.2 Características profissionais do gestor de facilities
Robbins e Decenzo (2004) afirmam que, como os gestores realizam as ações por intermédio de outros, as competências em liderança, comunicação e habilidades interpessoais, configuram requisitos básicos para a eficácia gerencial. Sendo assim, e observando que, além de conhecimentos no aspecto científico, o gestor de facilities carece agregar também ao seu cotidiano uma equipe variada, passível de oscilações e instabilidades, o que requer prudência desse profissional, pois sob sua responsabilidade está a sustentação das atividades da empresa, sem negligenciar as regras legais. Diante disso, percebe-se como a habilidade em lidar com pessoas é indispensável ao gestor de facilidades.
E com uma visão generalista, sem descartar o olhar de especialista e a combinação dos atributos da habilidade em coordenar indivíduos, o gestor de facilities se tornará um profissional apto para agir adequadamente, tanto no aspecto organizacional, como nos aspectos social e governamental. No entendimento de Gama (2013), pelo fato desse profissional lidar com um público variado recomenda-se uma postura sensata e estratégica, pois deverá por em prática as normas da empresa e a legislação vigente. Portanto, a principal competência desse profissional, sem dúvida nenhuma, é a de lidar com o ser humano. E para completar seu perfil, deverá desenvolver mais duas habilidades: a técnica e a conceitual.
A respeito dessas habilidades, Sobral; Peci (2008) consideram as habilidades técnica, humana e conceitual como indispensáveis ao administrador no desempenho de seus diferentes papeis, sendo que a técnica os autores entendem estar relacionada com a aptidão no uso de procedimentos, ferramentas, métodos e conhecimentos especializados e necessários ao desempenho da área de atuação do administrador. Quanto à habilidade humana, diz respeito à capacidade do administrador em trabalhar e se comunicar com outras pessoas compreendendo-as, motivando-as e agregando-as enquanto lidera. Já por habilidades conceituais afirmam ser aquelas evidenciadas pelo administrador ao analisar e interpretar as questões com elevado grau de complexidade e ao compreender como as partes influenciam o todo, ou seja, entendimento sobre os objetivos da empresa de forma integralizada.
A respeito do novo perfil dos atuantes na área de facilidades, Quinello e Nicoletti (2006, p. 209) afirmam:
Acreditamos que, para o campo da GF, a junção dos dois perfis é o que mais se encaixa nas necessidades apresentadas. O novo profissional buscará o conhecimento técnico, afinal ele lidará com máquinas, processos e construções, mas também o conhecimento estético, porque lidará com status, ego e vaidade. Somada a isso, a habilidade sistêmica para planejar e administrar todas essas dimensões [...]
Considerando o entendimento de Quinello e Nicoletti (2006) a respeito do perfil do gestor de facilidades, fica evidente que esse profissional deve ser um generalista, ou seja, saber tudo sobre as áreas técnicas e administrativas, além da incumbência de entender as particularidades da edificação e dos seus componentes como: sistema de condicionadores de ar, de elevadores, hidráulico, elétrico e sanitário; possua noções sobre limpeza e higienização, jardinagem, poda; e ainda disponha de tato para lidar com a equipe de trabalhadores/operários braçais. Sendo assim, percebe-se a magnitude da gestão de facilidades que, embora seus fatores não constituam a atividade finalística das organizações, é evidente que implica diretamente nos seus resultados.
Na visão de Schultz (2013), a função de um Facility Management é exatamente cuidar de toda a infraestrutura instalada de um empreendimento, para torná-lo mais eficiente. Esse profissional também planeja a ampliação ou a redução dessa estrutura, ou seja, é responsabilidade do FM assegurar que a companhia tenha todas as condições necessárias para desenvolver e entregar os seus produtos ou serviços com a qualidade desejada, sem perder de vista a otimização dos recursos. Cabe a ele analisar os investimentos realizados e os impactos que uma boa gestão de operação pode proporcionar ao longo dos anos. Esse profissional faz da comunicação um elemento fundamental e prima por sua rede de contatos, uma vez que os usuários de Facility compram confiança em primeiro lugar e, nessa relação, a transparência é essencial para que o desenvolvimento das atividades tenha o efetivo controle pelo cliente (BELING, 2014).
Para Schultz (2013), a preferência para exercer a facility management é por profissionais originados dos segmentos técnicos como arquitetos, engenheiros e os graduados em administração de empresas. Dentre as competências fundamentais desse gestor, destacam- se a capacidade de argumentação e a habilidade em negócios, pois é quem defende os investimentos em infraestrutura. Também faz parte de seu perfil a desenvoltura de se comunicar com públicos diversos, da presidência às equipes de apoio, com objetivo de construir relacionamentos sólidos (SCHULTZ, 2013).
Uma das características do facility management é a coragem de correr riscos, pois necessita aferir as necessidades das pessoas pela análise que faz sobre suas expectativas. Quinello e Nicolety (2006) esclarecem que lidar com novas expectativas é um desafio, porque o custo do atendimento plus pode gerar descontentamento nos proprietários do negócio, por adicionarem gastos. As expectativas do cliente se assemelham à pirâmide de Maslow, ou seja, quando se atende às necessidades básicas, logo num ciclo vicioso, surgem outras novas carências.
Outro componente do perfil desse profissional é a capacidade de planejamento que se torna evidente, quando o FM precisa analisar o tipo de gerenciamento, pela avaliação que faz com as pessoas trabalhando juntas, pois cada layout demonstra um sentido e gera um significado diferente. Também se percebe a importância do ser eficiente nas suas funções quando reconhece as necessidades sociais, eliminando as barreiras de comunicação. Desse gestor espera-se ainda que ofereça ambientes de trabalho que simultaneamente respeitem a individualidade e passe a sensação de pertencimento ao grupo, uma vez que, para Quinello e Nicolety (2006, p. 500), “facilitar o fluxo de comunicação, sem perder a privacidade e segurança, representa um diferencial a ser atingido”.
No entendimento desses mesmos autores, é atribuição do FM promover a interação das pessoas com diferentes estilos, colocando-as no mesmo espaço físico de forma harmônica e numa logística favorável, requerendo dele uma liderança com percepção acurada para realizar um gerenciamento de espaço eficaz. E quanto à eficácia no gerenciamento, Barradas (2011) entende que o papel de gestor de FM é impedir a morte de uma instalação, decorrente de obsolescência funcional ou tecnológica.
Na próxima subseção, há a variedade de serviços que compõe a área de facilities e o cenário amplo dessa modalidade de gestão, mas ressalta-se que a definição sobre os tipos de serviços que ficarão sob a responsabilidade da gestão de facilidades está vinculada ao porte e à infraestrutura que a organização possui.