4.1 Efeito da idade e de Fazenda
4.1.2. Características Seminais
A Tabela 6 mostra as médias e respectivos desvios padrão das características físicas do sêmen, segundo a idade e fazenda.
Aos 24 meses de idade pode-se observar que as características físicas do sêmen variaram de acordo com cada fazenda analisada.
Não foram encontradas diferenças significativas entre as FAZ. 3 e 4 para todas as características físicas do sêmen, demonstrando ainda grandes variações entre os animais, possuindo machos com valores de MOT entre 10 a 90 % e CONC desde 15 x 106 a 780 x 106 sptzs/ ml. Estes resultados demonstram a diversidade das linhagens genéticas existentes nestas duas fazendas, o que poderia ser resultado da escolha inadequada do sêmen dos reprodutores, visto que ambas utilizam a Inseminação Artificial.
Observa-se ainda na Tabela 6, que nesta faixa etária (24 meses) há animais que ainda não atingiram a puberdade, que segundo WOLF et al. (1965) ocorre quando o ejaculado possui no mínimo 10 % de MOT e pelo menos 50 x 106 sptzs/ ml.
Os touros, na faixa etária de 24 meses da FAZ. 2, obtiveram os melhores resultados para MOT (76%), VIG (4,2), ASP (2,4) e CONC (484,0 x 106 sptzs/ ml), já o VOL não apresentou diferenças entre os touros das diferentes fazendas. Quando se analisa os valores de desvios padrão das características seminais observa-se ainda menor variação nos resultados, o que poderia ser decorrente da utilização dos mesmos touros por sucessivas gerações.
SCHMIDT-HEBBEL et al. (2000) e DIAS et al. (2003), em estudos realizados com touros Guzerá, dentro da faixa etária dos 24 meses, encontraram resultados superiores para as características do sêmen quando comparados aos resultados achados nas FAZ. 3 e 4 do presente estudo, porém, semelhantes aos encontrados na FAZ. 2. Sugere-se que a superioridade dos touros avaliados por SCHMIDT- HEBBEL et al. (2000) e DIAS et al. (2003) possivelmente, devem-se à suplementação ministrada aos touros e sucessivos processos de seleção empregados nos rebanhos avaliados por estes autores.
Aos 36 meses de idade, os touros das FAZ. 3 e 4 apresentaram uma melhora qualitativa e quantitativa nas características seminais. Na FAZ 2 não foram
encontrados touros de 36 meses de idade e na FAZ. 1 os touros demonstraram superioridade nos valores de todas as características seminais, o que pode ser resultado do manejo reprodutivo e nutricional diferenciado que estes touros recebem.
CARTAXO et al. (2001), observando as características seminais de touros Guzerá com idades desde 12 meses até superior aos 24 meses, relataram aumento nos valores de MOT, VIG e CONC com o aumento da idade.
DIAS et al. (2004) comparando a qualidade seminal de touros Guzerá sob diferentes manejos nutricionais, verificaram que aqueles que eram mantidos em pasto com suplementação no período de seca foram os que apresentaram maior motilidade espermática.
Na tabela 6 também pode-se verificar que a partir dos 36 meses e até os 72 meses de idade, as características seminais apresentaram menor variação entre idades e entre fazendas. No entanto, aos 48 meses nota-se, nas FAZ. 1 e 2, resultados ligeiramente maiores para MOT e TURB, o que poderia ser resultado do manejo diferenciado destas fazendas.
As médias observadas para MOT e VIG, dos 48 ao 72 meses de idade, ficaram entre 76,6% e 61,67% e 3,88 a 3,15, respectivamente. CARTAXO et al. (2001) relataram para touros Guzerá com mais de 24 meses, resultados semelhantes, com médias de 70,02% para MOT e 3,26 para VIG.
O VOL variou de 2,17 ml a 4,42 ml, podendo-se observar ainda que, em geral, o volume seminal aumentou com o avanço da idade. Resultados semelhantes foram encontrados por GARNER et al. (1996) em touros Holstein e por ABREU et al. (2001b) em touros mestiços, que relataram que o VOL aumentou com a idade. As médias para VOL encontradas pelos referidos autores foram superiores aos encontrados neste trabalho. O aumento do volume seminal em machos de maior idade, pode ser devido à maior produção de líquido seminal pelas glândulas sexuais. O TURB e a CONC apresentaram valores bastante variáveis, tanto entre fazendas quanto dentro da fazenda, sendo observado na FAZ.1, as maiores médias para estas características. Verificou-se ainda, médias ligeiramente maiores para os touros de 36 a 60 meses de idade. A variação nos resultados de CONC sugerem que esta característica está mais sujeita às variações ambientais e de nutrição e como o TURB é um reflexo da CONC, da MOT e do VIG, passa a apresentar também resultados variáveis.
CARTAXO et al. (2001) relataram para touros Guzerá com idade maior a 24 meses, CONC de 602,5 x 106 sptzs/ ml, sendo este valor semelhante a algumas médias encontradas no presente trabalho.
Os valores das características MOT e VIG aumentaram ligeiramente com a idade, porém o maior aumento foi observado na faixa etária de 24 para 36 meses. Resultados semelhantes foram encontrados por TORRES JÚNIOR (2004) para touros Guzerá. FONSECA et al. (1997), utilizando touros Nelore com idades entre 12 e 60 meses, somente verificaram aumentos significativos na qualidade seminal dos 12 aos 24, sugerindo que nesta faixa etária os machos estão entrando na puberdade, quando o processo da espermatogênese está em organização.
Diferente dos resultados aqui encontrados e aos citados acima, BRITO et al. (2002a), em avaliação de touros de diferentes raças Bos taurus e B. indicus durante dois anos consecutivos em centrais de Inseminação Artificial, relataram diminuição da MOT e do VOL com o aumento da idade.
Tabela 6: Médias e respectivos desvios padrão das características físicas do sêmen, segundo a faixa etária dos touros Guzerá e segundo fazenda (FAZ.)
ID(meses) MOT(%) VIG(0-5) TURB(0-5) VOL(ml) ASP(1-4) CONC(x106/ml)
24 MESES FAZ.2(n=5) 76,0±8,94A 4,2±0,84A 1,40±1,14A 2,8±1,35A 2,4±0,55A 484,0±488,6A FAZ.3(n=30) 48,83±24,09B 3,13±0,86B 0,5±0,86B 2,23±0,92A 1,5±0,73B 115,90±179,58B FAZ.4(n=21) 56,9±32,61B 3,52±1,21AB 1,14±1,24AB 3,0±1,35A 1,76±0,70B 150,71±157,04B 36 MESES FAZ.1(n=17) 82,06±7,72A 3,88±0,70A 2,71±1,69A 2,65±1,48A 2,41±0,32A 699,78±499,78A FAZ.3(n=24) 66,67±15,08B 3,50±0,66A 1,33±1,01B 2,88±1,15A 2,38±0,65B 489,17±281,75B FAZ.4(n=20) 69,25±15,33B 3,65±0,93A 1,45±1,05B 2,93±0,91A 2,3±0,57B 331,0±293,53B 48 MESES FAZ.1(n=13) 70,0±14,43A 3,15±0,80A 2,23±1,30A 4,42±2,37A 2,85±1,06A 508,46±314,63A FAZ.2(n=3) 71,67±18,93A 3,67±1,53A 2,0±0,0A 2,17±0,76B 1,33±0,58B 306,67±175,59A FAZ.3(n=20) 64,0±16,19B 3,35±0,59A 1,45±1,09AB 2,85±1,38B 2,45±0,83A 431,5±382,72A FAZ.4(n=12) 61,67±17,3B 3,25±1,06A 0,83±0,72B 3,21±1,56A 2,42±0,51A 212,08±173,38B 60 MESES FAZ.1(n=15) 68,67±16,31A 3,67±0,72A 1,80±1,52A 3,63±2,89A 2,47±0,91A 593,67±469,97A FAZ.2 (n=7) 72,86±12,86A 3,43±0,98A 1,0±0,82A 3,79±2,69A 1,29±0,49B 216,43±187,50B FAZ.4(n=25) 70,8±14,63A 3,58±1,10A 1,38±1,42A 3,23±1,23A 2,35±0,69A 315,19±297,19AB 72 MESES FAZ.2(n=23) 70,43±11,77A 3,39±0,84A 0,70±0,93A 3,78±1,54A 1,48±0,59A 222,17±276,42A FAZ.4(n=25) 76,6±9,97A 3,88±0,67B 1,52±1,12B 4,12±2,61A 2,24±0,78B 312,2±336,83A
Letras diferentes na mesma coluna e dentro de cada idade diferem entre si pelo teste SNK a 5% de probabilidade.
MOT= motilidade progressiva, VIG= vigor espermático, TURB= turbilhonamento, VOL= volume do ejaculado, ASP= aspecto do ejaculado, CONC= concentração espermática
Tabela 7: Médias e respectivos desvios padrão das características morfológicas do sêmen, segundo a faixa etária dos touros Guzerá e segundo fazenda (FAZ.)
ID(meses) DMa(%) DMe(%) DT(%)
24 MESES FAZ.2(n=5) 7,0±0,33A 24,0±14,14A 31,0±18,38A FAZ.3(n=30) 38,46±24,33B 13,95±8,86B 52,41±21,33B FAZ.4(n=21) 22,45±22,46B 14,64±8,50B 35,41±20,05A 36 MESES FAZ.1(n=17) 5,32±3,26B 19,89±9,96A 25,21±9,33AB FAZ.3(n=24) 17,29±16,4A 13,62±6,68B 31,14±19,60A FAZ.4(n=20) 7,90±5,44B 8,43±2,62C 16,33±5,31B 48 MESES FAZ.1(n=13) 4,55±4,27B 23,09±10,63A 29,36±12,18A FAZ.2(n=3) 5,50±2,18A 21,50±7,40A 27,0±8,67A FAZ.3(n=20) 10,57±8,55B 12,25±4,64B 23,20±11,51A FAZ.4(n=12) 4,37±1,63B 12,46±5,826B 17,12±5,43B 60 MESES FAZ.1 (n=15) 4,65±5,31A 21,27±5,32A 25,92±5,10A FAZ.2 (n=7) 4,75±0,50A 13,63±6,21B 19,13±5,23B FAZ.4(n=25) 11,30±6,29B 16,68±8,58B 27,70±10,83A 72 MESES FAZ.2(n=23) 7,15±2,18A 15,13±7,32A 22,28±8,36A FAZ.4(n=25) 8,3±3,12A 15,98±6,58A 23,67±10,3A Letras diferentes na mesma coluna e dentro de cada idade diferem entre si pelo teste SNK a 5% de probabilidade.
As médias encontradas para os defeitos espermáticos são apresentadas na Tabela 7. Os resultados encontrados para DMa, DMe e DT em touros de 24 meses foram bastante altos. As FAZ 3 e 4, apresentaram principalmente alta porcentagem de DMa, enquanto que a FAZ 2 apresentou maior porcentagem de DMe, o que pode ser um indicador de imaturidade sexual dos touros desta faixa etária.
São poucos os trabalhos encontrados na literatura referentes às características seminais, sobretudo nas características morfológicas em touros da raça Guzerá.
ANDRADE et al. (2004), comparando touros Guzerá com idade entre 15 a 27 meses e divididos em dois grupos (maturo e imaturo) quanto à classificação por pontos (CAP), encontraram valores semelhantes para DMa (39,1%) e para DT (50,6 %) nos touros imaturos. Os touros considerados maturos pelos autores apresentaram médias inferiores para DMa (11,6%) e DT (22,0%) aos encontrados neste trabalho.
Dos 24 para os 36 meses de idade foi observado diminuição da porcentagem de defeitos, principalmente nos DMa e DT. A partir dos 36 meses de idade os resultados foram variáveis, mas em geral não sofreram grandes modificações. CARTAXO et al. (2001) avaliaram touros Guzerá em três idades diferentes, touros até 20 meses, de 21 a 24 meses e com idade superior a 24 meses. Estes pesquisadores não encontraram diferenças significativas entre as faixas de idade estudadas, porém relataram pequena diminuição na porcentagem de defeitos com o aumento da idade.
O efeito de fazenda foi significativo sobre as características morfológicas do sêmen, demonstrando que as variações em manejo, disponibilidade em forragens e diferenças climáticas afetam a qualidade seminal.
4.2. Correlações
As correlações simples entre o PE, comprimento, largura, consistência testicular, peso e idade são apresentadas na tabela 8.
As correlações entre as medidas testiculares foram todas favoráveis e de alta magnitude (P<0,05), com exceção da consistência testicular que não apresentou correlação com nenhuma das outras medidas, concordando com os achados de
VALENTIN et al. (2002), que relataram para touros Nelore e cruzados, ausência de correlação fenotípicas entre CTEST e demais medidas testiculares.
O PE apresentou correlação maior com o Peso (0,83), do que com a idade (0,71). Resultados semelhantes foram encontrados por PINEDA et al. (2000) e SALVADOR et al. (2002). A maior correlação do PE com o peso deve-se ao fato de que no início do desenvolvimento do animal o PE é mais influenciado pelo peso corporal, pois se o desenvolvimento corporal for prejudicado, certamente o desenvolvimento testicular também estará (TOELLE e ROBSON, 1985).
As medidas bidimensionais do testículo (CTD, CTE, LTD, LTE) apresentaram- se todas altamente correlacionadas entre si (variando de 0,89 a 0,96) e com o PE (0,92 a 0,96) concordando com outros achados encontrados na literatura, para a raça Guzerá (TORRES JÚNIOR, 2003) e para a raça Nelore (GUIMARÃES et al., 2003). As correlações entre as medidas testiculares encontradas no presente estudo foram superiores às observadas por UNANIAN et al. (2000) em touros Nelore.
As altas correlações encontradas entre as medidas testiculares, sugere a possibilidade de utilizar apenas o PE como característica a ser considerada nos programas de seleção de touros. Entretanto, estudos recentes de BALEY et al. (1996), UNANIAN et al.(2000) e TORRES JÚNIOR et al. (2003), demonstram que touros de origem zebuína apresentam formas testiculares mais alongadas, acarretando conseqüentemente em menores PE. Pelos testículos apresentarem esta característica estes pesquisadores sugerem a utilização das medidas bidimensionais na avaliação dos mesmos.
Tabela 8: Correlações simples entre medidas testiculares, peso corporal e idade dos touros da raça Guzerá
PE CTD CTE LTD LTE PESO CTEST PE - CTD 0,92 - CTE 0,94 0,96 - LTD 0,96 0,93 0,93 - LTE 0,96 0,89 0,94 0,95 - PESO 0,83 0,82 0,82 0,85 0,84 - CTES -0,02 0,01 0,00 0,01 -0,01 -0,12 - ID 0,71 0,72 0,71 0,74 0,72 0,85 -0,02 ID= Idade, PE= Perímetro Escrotal, CTD= comprimento testículo direito, CTE= comprimento testículo esquerdo, LTD= largura testículo direito, LTE= largura testículo esquerdo, CTEST= consistência testicular
As estimativas de correlação simples entre as características seminais e delas com peso corporal, PE e idade são apresentadas na Tabela 9.
As associações entre PE e as características físicas do sêmen foram de baixa magnitude, apresentando-se mais correlacionado à MOT, do que ao VIG, ao TURB, ao VOL e à CONC.
MARTINEZ et al. (2000) reportaram para touros da raça Gir, baixas correlações entre o PE e as características seminais, sendo significativas apenas para VOL (r= 0,35) e TURB (r= 0,31).
As correlações de média a baixa magnitude entre as característica físicas do sêmen e o PE sugerem que apenas a mensuração do PE não garante quantidade e qualidade do ejaculado, nem de seu poder fecundante, por isso torna-se fundamental a avaliação física e morfológica do sêmen.
O aspecto do sêmen apresentou-se altamente correlacionado com a CONC (r= 0,68), demonstrando que a classificação visual do aspecto do ejaculado pode sugerir a concentração espermática do mesmo. ABREU et al. (2004) verificaram elevado desvio padrão ao comparar o aspecto (cremoso, leitoso e aquoso) com a concentração esperada, sugerindo que a melhor classificação utilizada quanto ao aspecto seminal é o empregado pelo CBRA (1998) (cremoso, leitoso, opalescente e
aquoso), e que foi utilizado no presente trabalho. Os pesquisadores relataram ainda que a contagem em câmara de neubauer não deve ser substituída pela avaliação do aspecto seminal realizada de maneira visual e subjetiva.
MOT, TURB e VIG apresentaram-se altamente correlacionados, concordando com resultados encontrados por SALVADOR et al. (2002), para touros Nelore. Já as características VOL e CONC demonstraram baixas correlação entre si e com as demais características (MOT, VIG, TURB), o que pode ser devido a elevada influência do VOL e da CONC aos diversos fatores ambientais e do próprio animal, ou ainda devido ao uso do eletroejaculador como forma de coleta do sêmen, pois através desta técnica pode-se aumentar o VOL do ejaculado, refletindo desta forma na concentração espermática.
As correlações entre as características TURB, ASP, CONC e a idade dos animais foram próximas de zero, enquanto que a MOT, o VIG e o VOL apresentaram correlações de média a baixa magnitude. Estes resultados mostram que a medida que aumenta a idade dos touros poderia se esperar aumento da MOT, VIG e VOL do sêmen.
Os DMa e DT apresentaram correlações favoráveis e negativas com as características físicas MOT, VIG, TURB e CONC, sugerindo que com o aumento nos valores destas características poderia se esperar diminuição nos DMa e DT. O VOL apresentou correlações próximas de zero com os defeitos espermáticos.
Para a raça Guzerá não foram encontrados trabalhos correlacionando os defeitos espermáticos com as demais características seminais peso e PE. Para a raça Nelore PINEDA et al. (2000b) e SALVADOR et al. (2002) relataram correlações simples favoráveis entre DT e MOT e VIG, concordando com os resultados encontrados no presente trabalho.
O peso corporal e o PE mostraram-se favoravelmente correlacionados com DMa e DT e correlações próximas de zero com os DMe. VALE FILHO et al. (2001) relataram resultados semelhantes para touros Tabapuã, sugerindo que com estes resultados poderia se esperar redução dos DMa e DT com o aumento do peso e do PE.
Tabela 9: Correlações simples entre as características seminais, perímetro escrotal e idade dos touros da raça Guzerá
MOT VIG TURB VOL ASP CONC PE Peso ID DMa DMe MOT - VIG 0,79 - TURB 0,58 0,49 - VOL 0,21 0,17 0,29 - ASP 0,40 0,24 0,62 0,19 - CON C 0,26 0,09 0,57 0,20 0,68 - PE 0,42 0,17 0,19 0,27 0,15 0,17 - PESO 0,41 0,20 0,19 0,34 0,14 0,11 0,83 - ID 0,30 0,11 0,04 0,29 -0,05 0,03 0,71 0,98 - DMa -0,21 -0,14 -0,22 -0,05 -0,19 -0,19 -0,23 -0,18 0,17 - DMe 0,09 0,05 0,26 0,18 0,14 0,23 0,08 0,06 0,03 -0,14 - DT -0,15 -0,11 -0,08 0,06 -0,11 -0,06 -0,19 -0,16 0,19 0,88 0,32 MOT= motilidade progressiva, VIG= vigor espermático, TURB= turbilhonamento, VOL= volume do ejaculado, ASP= aspecto do ejaculado, CONC= concentração espermática, ID= Idade, PE= Perímetro escrotal, DMa= Defeitos maiores, DMe= Defeitos menores, DT= Defeitos totais
4.3. Medidas Morfométricas.
Ao avaliar o perfil das medidas corporais dos touros da raça Guzerá em diferentes fazendas do Norte e Noroeste Fluminense (Tab: 10), observa-se que a altura de cernelha e de garupa aumentaram até os 36 meses de idade na FAZ.4, e até os 48 meses nas FAZ. 1 e 3, e a partir desta idade o crescimento cessou.
A Circunferência torácica aumentou significativamente dos 12 até os 72 meses de idade, o que pode ser devido a sua alta correlação com peso corporal (r= 97), que também demonstrou o mesmo comportamento com o aumento da idade. Outros pesquisadores relataram resultados semelhantes (FERNANDES et al., 1996 e SANCHES, 1999; CYRILLO et al., 2000), indicando que a CT poderia ser utilizada como indicador de peso corporal.
As médias de AG e CT encontradas no presente estudo para touros Guzerá aos 12 meses de idade foram inferiores as observadas por SANCHES (1999) e CYRILLO et al. (2000) em touros Nelore da mesma idade. Para touros Guzerá não foram encontrados na literatura, trabalhos relatando medidas corporais.
As medidas observadas para touros na maturidade (com idade maior ou igual a 48 meses) foram superiores aos valores relatados por WINKLER (1993). Resultado este já esperado, pois este autor trabalhou com fêmeas Guzerá, que assim como em todas as raças estas se apresentam geralmente menores e mais leves que os machos.
Devido aos escassos trabalhos publicados na literatura científica sobre as características morfométricas dos touros de diferentes raças, principalmente os zebuínos que compõem grande parte da pecuária brasileira, sugere-se a necessidade de maiores estudos nesta área, sobretudo dos touros Guzerá, que atualmente estão sendo amplamente utilizados em cruzamentos e manifestam diferenças em tamanho corporal, dependendo de sua linhagem genética.
As análises de variância demonstraram diferenças significativas para as medidas CT, ACER e AG, entre as diferentes fazendas. As diferenças em CT devem-se principalmente aos diferentes tipos de manejo e disponibilidade de nutrientes, visto que esta medida é um reflexo do peso corporal. Já as medidas de altura são, possivelmente, devido às diferenças entre genótipos e linhagens utilizadas nas fazendas estudadas, ou ainda devido a fatores inerentes do próprio animal. Os pesquisadores brasileiros WINKLER (1993), FERNANDES et al. (1996) e CYRILLO et al. (2000), apesar de estudarem medidas corporais em fêmeas e em raças diferentes, também relataram diferenças entre rebanhos e ainda entre indivíduos da mesma raça e idade.
Em relação às correlações simples entre as medidas corporais, o peso e a idade (Tab. 11), verificou-se que foram favoráveis e de alta magnitude. A CT apresentou-se altamente correlacionada tanto ao Peso registrado na balança (PESO2), quanto ao peso encontrado na fita (PESO1) e ainda os dois pesos apresentaram-se altamente correlacionados (r= 0,98). Isto poderia sugerir a possibilidade de se utilizar as fitas de mensuração da CT para avaliar o peso corporal na raça Guzerá, porém há ainda necessidade de realizar estudos dentro de cada idade para avaliar se o peso obtido com o auxílio da fita apresenta alta correlação com o peso obtido ao utilizar a balança.
Tabela 10: Médias e respectivos desvios padrão das medidas corporais dos touros da raça Guzerá avaliadas nas diferentes faixas etárias e nas diferentes fazendas
ID(meses)
12 MESES CT(cm) ACER.(cm) AG(cm) FAZ.2(n=7) 143,29±11,76B 116,72±10,86B 122,68±8,15B FAZ.3(n=16) 146,38±6,24A 120,66±5,65A 126,65±4,88A FAZ.4(n=27) 145,44±9,44A 118,18±6,72A 125,61±7,07A 24 MESES FAZ.2(n=6) 168,5±7,66A 132,92±6,79A 140,13±5,83A FAZ.3(n=47) 157,68±7,91B 126,86±5,16B 133,92±5,26B FAZ.4(n=44) 169,70±15,11A 131,77±6,38A 139,60±6,49A 36 MESES FAZ.1(n=17) 175,45±2,88B 139,33±1,26A 150,0±0,50A FAZ.3(n=28) 177,89±16,63B 135,18±7,48B 143,15±7,53B FAZ.4(n=20) 197,8±3,31A 142,5±3,46A 150,89±4,68A 48 MESES FAZ.1(n=13) 189,0±7,38C 141,12±1,52B 150,0±1,11AB FAZ.2(n=3) 214,33±4,04A 145,5±1,15A 152,33±1,36A FAZ.3(n=22) 196,91±8,11B 143,77±4,41A 152,06±4,79A FAZ.4(n=13) 199,23±3,70B 142,8±3,74AB 149,6±3,72B 60 MESES FAZ.1(n=15) 202,0±2,42B 143,93±1,37B 149,45±1,97B FAZ.2(n=7) 211,71±7,23A 150,12±0,85A 153,55±3,11AB FAZ.4(n=25) 213,63±5,12A 148,15±4,39AB 155,37±4,04A 72 MESES FAZ.2(n=23) 212,87±6,14A 147,47±4,03A 155,44±2,40A FAZ.4(n=25) 204,76±4,44B 143,04±3,82B 148,8±5,08B Letras diferente na mesma coluna e dentro de cada idade diferem entre si pelo teste SNK a 5% de probabilidade.
Tabela 11: Correlações simples entre as medidas corporais, peso e idade dos touros da raça Guzerá
CT PESO1 PESO2 ACER AG CT - PESO1 0,97 - PESO2 0,97 0,98 - ACER 0,75 0,83 0,79 - AG 0,73 0,81 0,76 0,97 - ID 0,80 0,78 0,85 0,56 0,51 ID= Idade, CT= Circunferência Torácica, ACER= Altura de Cernelha, AG= Altura de Garupa, PESO1= peso corporal referente à medida da CT, PESO2= peso corporal tomado na balança mecânica
4.4. Repetibilidade
Os resultados referentes a repetibilidade das características são apresentados nas tabelas 12, 13 e 14.
Em todas as idades avaliadas, as medidas testiculares PE, CTD, CTE, LTD, LTE apresentaram altos valores de repetibilidade, demonstrando a confiabilidade das mensurações tomadas em diferentes momentos da vida do animal (Tab. 12).
Os resultados encontrados no presente estudo para as medidas testiculares demonstram que, conforme aumenta a idade há aumento na repetibilidade das características mensuradas. Os menores valores de repetibilidade, em animais jovens (com 12 meses de idade), quando comparados aos machos adultos (maior de 36 meses de idade), devem-se principalmente ao fato de que os machos jovens ainda estão em fase de desenvolvimento, apresentando variações nas mensurações dentro da mesma idade podendo desta forma, refletir sobre a estimativa da repetibilidade. Enquanto os machos adultos já atingiram o platô de desenvolvimento testicular, as medidas realizadas em dois momentos diferentes tendem a se repetir com maior freqüência.
A repetibilidade da consistência testicular apresentou valores baixos (0,23 a 0,30) nas avaliações dos machos jovens (até os 24 meses de idade) e apresentou-se alta (0,73) para os machos adultos. Estes resultados devem-se, possivelmente, ao caráter subjetivo de classificação desta característica (apesar de ter sido sempre avaliada pelo mesmo técnico) ou ainda, devido a influência do ambiente, visto que as altas temperaturas podem prejudicar o parênquima testicular causando processos degenerativos que irão se manifestar provocando diminuição da consistência testicular (VALENTIN et al., 2002).
Na literatura são escassos os trabalhos que apresentam valores de repetibilidade para as medidas testiculares. HAHN et al. (1969) relataram repetibilidade de 0,98 para PE, resultado semelhante ao encontrado para touros Guzerá com idade maior de 36 meses, neste estudo.
Tabela 12: Valores de repetibilidade para as medidas testiculares dos touros da raça Guzerá
ID (meses) PE CTD CTE LTD LTE CTEST 12 0,77 0,61 0,61 0,76 0,74 0,23 24 0,86 0,87 0,85 0,87 0,81 0,30 >36 0,95 0,85 0,86 0,93 0,96 0,73 ID= Idade, PE= Perímetro Escrotal, CTD= comprimento testículo direito, CTE= comprimento testículo esquerdo, LTD= largura testículo direito, LTE= largura testículo esquerdo, CTEST= consistência testicular
Para as medidas corporais e peso, os valores encontrados de repetibilidade foram também altos (Tab.13), observando-se a mesma tendência que a encontrada para as medidas testiculares, ou seja, aumento dos valores de repetibilidade com o aumento da idade dos touros.
Para a característica peso foram utilizados dois tipos de informação. Uma referente ao peso encontrado na fita utilizada para medir circunferência torácica (PESO 1) e outra referente ao peso registrado na balança da fazenda (PESO 2). O PESO 1 demonstrou maior repetibilidade aos 24 meses de idade, sugerindo que nesta idade o peso encontrado referente à circunferência torácica pode ter menor
porcentagem de erro, do que as encontradas em outras idades. Já os valores de repetibilidade encontrados para o PESO 2, assim como as outras medidas, foram maiores em touros com idade maior de 36 meses.
JANSEN et al. (1985) encontraram para touros da raça Holstein de 15 meses de idade altas repetibilidades para peso corporal (t= 0,99), altura de cernelha (t= 0,73) e altura de garupa (t= 0, 78), demonstrando que em condições semelhantes as medidas corporais tendem a se repetir.
Tabela 13: Valores de repetibilidade encontrados para as medidas corporais e pesos dos touros da raça Guzerá
ID (meses) PESO1 PESO2 CT ACER AG 12 0,76 0,86 0,71 0,66 0,77 24 0,91 0,89 0,88 0,71 0,78 >36 0,87 0,92 0,90 0,82 0,87 ID= Idade, CT= Circunferência Torácica, ACER= Altura de Cernelha,