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2.2.1 – Caracterização da turma residente

Segundo Gómez (2000), a escola é um ambiente de aprendizagem, onde existe uma pluralidade cultural, mas que direciona a construção de significados compartilhados entre o professor e o aluno. Tendo em conta a ideia expressa pelo autor é difícil, não conotar com enorme relevância, a relação que se deve estabelecer com cada aluno, de cada turma, principalmente esta que foi a primeira turma com a qual trabalhei enquanto professor.

A minha turma residente foi uma turma do 7º ano, constituída por 27 alunos, tendo dois destes NEE, ambos com perturbações emocionais e do comportamento, dificuldades de aprendizagem específicas e problemas de

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comunicação. Um dos alunos com NEE não foi alvo de avaliação à disciplina de EF, tendo a indicação que participava nas aulas de forma a “socializar com os restantes alunos”, contudo incluí-o, em todos os momentos, nas tarefas realizadas para que as aulas fossem muito mais do que um mero processo de socialização. Todos os alunos frequentaram a mesma escola no ano anterior, sendo que 4 destes ficaram retidos no 7º Ano. A média de idades da turma era de 11,6 anos e relativamente ao género era constituída por 14 alunos do sexo feminino (52%) e 13 do sexo masculino (48%), estando o sexo feminino em maior número.

Para Oliveira (2007), o ato de planejar exige alguns aspetos básicos a serem considerados, o conhecimento da realidade daquilo que se deseja planejar, quais as principais necessidades que precisam ser consideradas, realizar uma pesquisa acerca da realidade onde vamos estar inseridos e definir os objetivos a cumprir. Uma vez que não conhecia a realidade da turma, fiz precisamente um trabalho de pesquisa, tal como o autor defende, através de questionários (Anexo I) onde estavam patentes as informações necessárias para conhecer a turma de forma geral e cada aluno de forma mais individualizada. A informação recolhida permitiu aceder a algumas características pessoais dos alunos, sendo que a característica mais utilizada para se autodescreverem foi a hipótese “Simpático” e a menos referenciada “Inseguro”. Após conhecer melhor os alunos da turma, pude constatar que, apesar de a simpatia ser de facto transversal à mesma, muitos alunos evidenciaram inseguranças na prática da disciplina, contudo após vários reforços positivos penso que esse fator foi diminuindo bastante ao longo das aulas. Relativamente às disciplinas preferidas dos alunos, destacou-se claramente a EF, algo que facilitou o trabalho com a turma, mas que ao mesmo tempo me atribuiu uma maior responsabilidade, de modo a manter esta tendência e alcançar números superiores que a favoressecem. Em relação às disciplinas a que os alunos mencionaram ter menos dificuldades, voltaram a indicar a disciplina de EF, contudo quando questionados em relação à disciplina que menos gostavam a EF foi apenas referida por dois alunos. No final do ano questionei esses dois alunos, na procura de verificar se a opinião se mantinha; ambos afirmaram que tinham alterado a sua opinião, de forma positiva, face às aulas que tinham experienciado. Fiquei bastante satisfeito e

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orgulhoso, pois o trabalho de um professor de EF passa também por transmitir o verdadeiro valor da disciplina, bem como o prazer pela realização de exercício físico. No que diz respeito à disciplina de EF, foi possível averiguar a nota que tiveram no ano anterior, não tendo existido qualquer negativa, algo bastante positivo e que se manteve no final do ano. Os alunos quando questionados em relação à nota que gostariam de alcançar no final do ano, a grande maioria (69%) referiu que gostaria de obter a nota máxima, algo que utilizei posteriormente como um incentivo, dizendo-lhes que é algo perfeitamente possível de alcançarem se tivessem dispostos a empenhar-se em todas as aulas. Infelizmente apenas atribui três notas máximas no final do ano, todavia a grande maioria dos alunos obtiveram, como nota final, quatro valores. A turma quando questionada, numa escala de 1 a 5, acerca do quanto gostavam da disciplina de EF, 67% referiu que gostava bastante (5), algo que terá facilitado o trabalho com a mesma de uma forma geral, uma vez que é muito mais fácil trabalhar com alunos motivados e que gostam do que estão a fazer. Em relação ao desporto, foi possível apurar quais as modalidades que praticavam fora do contexto escolar, que apesar de serem variadas, apenas contam com uma pequena percentagem dos mesmos, 16 dos 27 alunos da turma não praticava qualquer modalidade e das praticadas, evidenciou-se o futebol (4 alunos), seguindo-se da natação (2 alunos), do basquetebol, voleibol, dança e patinagem, todos com um aluno praticante cada. Estes dados, numa fase inicial, deixaram-me um pouco apreensivo, questionando inclusive se o nível da turma seria o ideal para desempenhar os conteúdos programados. Posteriormente, pude verificar que apesar de mais de metade da turma não praticar qualquer modalidade desportiva fora da escola, os mesmos eram bastante ativos, surpreendendo-me inclusive face aos dados recolhidos através dos questionários. A última parte do questionário abordava questões ao nível da saúde dos alunos, sobretudo para averiguar se esta condicionava a prática da disciplina, ou se os mesmos necessitavam de algum cuidado especial. A grande maioria da turma era perfeitamente saudável, tendo apenas uma pequena percentagem problemas de visão (15%), audição (4%), e outros problemas dermatológicos, ou respiratórios (3%). Todavia nenhum dos problemas de saúde referidos anteriormente condicionou a prática de EF durante o ano letivo.

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A turma inicialmente pareceu-me bastante dividida enquanto grupo, numa primeira instância por género, o que é normal no 7º ano de escolaridade, mas também dentro dessa divisão de género, existiam ainda outros subgrupos. Esta realidade foi-se diluindo à medida que as aulas eram lecionadas, muito devido aos grupos de trabalho que fui formando, propositadamente, de modo a criar entreajuda e espírito de grupo entre todos. Não foi fácil, mas foi possível graças ao empenho de todos e penso que, no final, as relações como turma saíram reforçadas, tendo inclusive melhorado fora das aulas.

O desempenho motor da turma, numa fase inicial, era na sua generalidade diminuto, o que muitas vezes me fez manipular a complexidade e dificuldade dos exercícios, tendo sempre em conta a retenção da aprendizagem ao nível do desempenho motor dos alunos. Com o decorrer das aulas o empenho da turma foi aumentado e consequentemente o seu desempenho motor melhorou consideravelmente. Onde notei maior evolução, sobretudo na componente técnica foi nas modalidades individuais, como a ginástica, que foi sendo trabalhada, nas suas diferentes vertentes, ao longo do ano. Foi também na ginástica onde pude observar, a curto prazo, o trabalho que fui desenvolvendo ao longo das aulas. Recordo-me de uma aluna que simplesmente não conseguia, de forma alguma, realizar um rolamento à frente, e que a meio da unidade didática da modalidade de ginástica já o conseguia fazer, sem grandes dificuldades. Esse momento foi muito importante a nível pessoal, tanto para mim como para ela, ambos verificamos que com empenho conseguimos ultrapassar as nossas dificuldades, por muito adversas que possam parecer. Nas modalidades coletivas a melhoria também foi evidente, não tanto num patamar técnico, mas sobretudo taticamente, notando-se um entrosamento dos alunos que inicialmente não era percetível.

A nível comportamental a turma não tinha comportamentos desviantes graves, contudo era uma turma bastante ruidosa. Nas primeiras aulas fui obrigado a intervir em relação a esta questão por inúmeras vezes. O ruido era muitas vezes provocado pelo entusiamo que os alunos demonstravam em poder participar nas aulas, mas chegava a ser de tal forma que era muito difícil conseguir passar a informação necessária para o desenrolar das aulas. Após a criação de algumas normas, regras e rotinas este aspeto foi-se tornando inexistente, o que contribuiu bastante para o melhor desempenho dos alunos

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nas aulas, aumentando inclusive o tempo de exercitação dos mesmos, uma vez que as minhas intervenções deixavam de ser tão direcionadas na regulação dos comportamentos desvio e mais na lecionação das aulas propriamente dita.

Os conhecimentos gerais dos alunos, face à disciplina de EF, e das modalidades que foram lecionadas, ao longo do ano, eram bastante satisfatórios. Não foi lecionada nenhuma aula teórica, nem foi realizado nenhum teste de modo a colocar à prova os conhecimentos dos alunos, contudo, em praticamente todas as aulas, no final ou no início das mesmas, eram colocadas questões relacionadas com a modalidade que estávamos a lecionar no momento e todos os alunos eram bastante participativos, intervindo de forma assertiva e interessada. À medida que fui introduzindo as modalidades que lecionados, ao longo do ano, era possível também verificar os conhecimentos dos alunos em relação ás mesmas, como regras, normas, história e os respetivos intervenientes.

Esta turma tinha bastantes alunos, sobretudo para uma turma onde estavam incluídos dois alunos com necessidades educativas especiais e onde se encontravam, simultaneamente, inseridos quatro alunos repetentes. Outro fator menos positivo era o facto de a turma ter apenas 100 minutos de contacto com a disciplina de EF, e de forma contínua, o que fez com que os alunos tivessem contacto com a disciplina apenas uma vez por semana. Este fator dificultou a aquisição de rotinas e processos de aula numa fase inicial. Contudo foi possível gerir todas estas realidades de modo a que o meu trabalho fosse realizado de forma bastante positiva e enriquecedora, para além de que estas dificuldades me permitiram desenvolver ferramentas necessárias para a lecionação da disciplina de EF.

Uma das grandes vitórias que consegui alcançar com a turma foi o facto de conseguir motivar mais alunos para a prática de desportiva fora das aulas, algo que, através dos questionários foi possível apurar, que era bastante diminuta. Foi igualmente fundamental, para a minha formação, trabalhar com alunos com NEE ao longo de todo o EP, pois sempre tive bastante interesse pela Educação Física adaptada e pelo Ensino Especial.

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