CAPÍTULO I CAMPO METODOLÓGICO DA PESQUISA E A FORMAÇÃO DE
1.4 O MUNICÍPIO DO CONDE
1.4.2 CARACTERIZAÇÃO DAS ESCOLAS QUE COMPÕE A AMOSTRA DA
As escolas municipais rurais que compõem a amostra de nossa pesquisa, como já foi explicitado na seção 2.3 deste capítulo, segue o critério de ter professores com formação em nível superior em EAD, no ano de 2012, portanto, foram cinco estabelecimento de ensino, incluindo duas creches, são elas:
1. EMEIEF João Carneiro da Silva 2. EMEIEF Reginaldo Claudino de Sales 3. EME Profª Lima Rodrigues do Nascimento 4. Creche Noêmia Alves
5. Creche Vô Lurdinha
Nas unidades de ensino 1 e 4 temos dois professores sujeitos da pesquisa que lecionam, nas demais apenas um professor, totalizando sete professores. Para buscarmos informações sobre as escolas, procuramos a Secretaria da Educação do município. Percebemos que pelo montante de atividades dos gestores e dos funcionários seria inviável, buscar informações dos dados para a investigação nos próprios estabelecimentos de ensino. Também porque nem todos os gestores têm informações, por estarem assumindo a gestão nas escolas ou creches recentemente. Os gestores das escolas e creches do município assumem a gestão por indicação política, no ano de 2012 estava acontecendo no município mudança de governo, em função da eleição para prefeito e vereadores acontecida em 2011, e consequentemente mudança de gestores das unidades de ensino, o que dificultou muito nossa pesquisa.
Resolvemos agrupar em dois blocos as informações a serem colhidas sobre as escolas, junto a Secretaria de Educação: o primeiro trata da localização e estrutura física e o segundo trata da estrutura pedagógica. A apropriação dessas informações representa grande importância para compreender ou mesmo fundamentar o campo de estudo, no qual estamos inseridos:
QUADRO 03 – CARACTERIZAÇÃO DAS ESCOLAS – BLOCO I
EMEIEF JOÃO CARNEIRO DA SIL
EMEIEF REGINAL CLAUDINO DE SALES
EMEF PROFª LIMA RODRIGUES DO NASCIMENTO
CRECHE NOÊMIA ALVES
CRECHE VÔ LURDINHA
Localização Sítio Mata da Chica I Assentamento Dona Antônia
Sítio Gurugi Conde Conjunto Ademário Régis Quantidade de sala
de aula
03 13 17 02 02
Tem biblioteca Não Não Sim Não Não
Tem sala de Informática
Não Não Não Não Não
Tem pátio Não Não Não Não Não
Tem refeitório Não Não Não 01* 01*
Existe outro espaço que não foi mencionado
Não Não Não Dormitório** Dormitório**
Fonte: Secretaria de Educação
*O refeitório é no espaço de sala de aula, ou seja, não tem um espaço específico para refeitório. **O dormitório também acontece no espaço da sala da aula.
A aproximação com os respectivos estabelecimentos de ensino para a coleta de dados nos permite concluir que a estrutura física tanto das creches como das escolas não estão dentro de uma perspectiva do que seria ideal para o funcionamento. As creches não têm: refeitório, dormitório, os colchões não tem revestimento com material lavável, banheiros adaptados para crianças, pátio, lavanderia e serviços gerais. Em consequência da falta de estrutura física e para a garantia de funcionamento, os profissionais usam muito improviso. Em meio à precarização estrutural das creches acreditamos que o conforto ambiental, a acessibilidade e a seguranças das crianças ficam comprometidas.
Nas escolas o cenário não é diferente, elas não apresentam uma boa estrutura física. Das três escolas pesquisadas apenas uma tem biblioteca. As escolas só dispõem de sala de
aula, banheiros, cozinha, dispensa, secretaria e direção. Nos depoimentos dos professores fica evidente a dificuldade de execução de algumas atividades em função da falta de estrutura. Percebemos uma precarização e muito improviso para a garantia do funcionamento das unidades de ensino
QUADRO 04 – ESTRUTURA PEDAGÓGICA DAS ESCOLAS – BLOCO II
EMEIEF JOÃO CARNEIRO DA S
EMEIEF REGINAL CLAUDINO DE SALES
EMEF PROFª LIMA RODRIGUES DO NASCIMENTO CRECHE NOÊMIA ALVES CRECHE VÔ LURDINHA Nível de ensino Ofertado Educação infantil e Fundamental I Educação infantil, Fundamental I, EJA I e II
Fundamental II Educação Infantil Educação Infantil
Turmas que Funcionam Pré-escolar ao 5º ano (multisseriado), sendo: 1 turma: Pré e 1º ano; 1 turma: 2º e 3º ano; 1 turma: 4º e 5º ano. Pré-escolar 1º ao 5º ano EJA I e II
6º ao 9º ano 1 turma: Maternal I e II e Jardim I; 1 turma: Jardim II e Pré-escolar 1 turma: Maternal I e II e Jardim I; 1 turma: Jardim II e Pré-escolar. Turnos de Funcionamento
Manhã e tarde Manhã, tarde e Noite
Manhã e tarde Manhã e tarde Manhã e tarde Quantidade de Professores 03 10 16 01 02 Quantidade de Funcionários 01 supervisora 01 diretor 01 agente administrativo 01 merendeira 01 auxiliar de serviços 01 supervisora 01 diretora 03 auxiliares de serviço 04 merendeiras 01 agente Administrativo 01 diretor adjunto 01 supervisora 01 diretora 02 auxiliares de serviço 02 merendeiras 03 agente administrativo 01 diretor adjunto 01 orientador 01 bibliotecária 01 professora 05 monitoras 02 merendeiras 01 auxiliar de limpeza 01 coordenadora 02 professoras 04 monitoras 01 merendeira 01 auxiliar de limpeza 01 coordenadora
Existem programas Mais Educação; Mais Educação; Não é assistida por
educacionais na escola? Quais? Programa Dinheiro Direto na Escola – PDDE; Plano de Desenvolvimento d Escola – PDE, e o Projeto Se Liga Programa Dinheiro Direto na Escola – PDDE; Plano de Desenvolvimento da Escola – PDE; Escola Acessível e Atleta na Escola. programa Qual (s) comunidade (s) é (são) atendida (s) na escola? Sítio Mata da Chica I Assentamento Dona Antônia
Sítio Gurugi II Conde Conj. Ademário Régis
*O refeitório é no espaço de sala de aula, ou seja, não tem um espaço específico para refeitório. **O dormitório também acontece no espaço da sala da aula.
Do ponto de vista pedagógico, as creches e escolas pesquisadas procuram se organizar a partir das orientações da Secretaria de Educação e Cultura do município. As creches não têm o projeto político-pedagógico e as escolas estão em processo de construção.
A aproximação com as respectivas creches e escolas, para o trabalho de coleta de dados, e os diálogos empreendidos, no interior das mesmas, permitiram a observar que os problemas de ordem física, como por exemplo, a inconstância do fornecimento de água potável, a ausência de um pátio coberto, entre outros, comprometem significativamente o trabalho pedagógico.
Nos depoimentos dos professores fica evidente a dificuldade de execução de algumas atividades em função da falta de estrutura. As atividades físicas nas três escolas pesquisadas são feitas em um terreno baldio próximo da escola. Os projetos pedagógicos que culminam em atividades coletivas, ficam comprometidas porque não tem espaço para apresentação, apreciação e a observação. Nas creches, acontece o mesmo, as atividades ficam muito limitadas, só podem acontecer no interior das salas e em um terraço. As duas creches não tem muros e o quintal é um terreno acidentado.
É neste cenário que ganha importância a formação dos professores em nível superior na modalidade a distância pela familiarização com a ferramenta computador e a internet, por
considerar que as escolas são desprovidas de laboratório de informática. Os professores relataram que a partir da graduação em EAD eles mesmos pesquisam e promovem interação em sala de aula com as novas mídias.
Dos estabelecimentos de ensino investigado, só uma escola tem biblioteca, as demais usam da criatividade e improvisação para dinamizar a prática de leitura. No município tem uma biblioteca pública que fica no centro do Conde. Os alunos das escolas pesquisadas ficam excluídos de manterem uma visita constante. A biblioteca fica muito distante de suas escolas e das suas residências. As escolas pesquisadas ficam em comunidades de difícil acesso, são poucos os transportes que trafegam nas comunidades.
O acompanhamento pedagógico nas creches e escolas acontece, seguido da orientação da Secretaria de Educação, que mantém uma supervisora escolar para visitar as unidades duas vezes na semana. Os professores não contam com uma coordenação pedagógica direta nas unidades nem na Secretaria.
A EMEIEF João Carneiro da Silva é considerada uma escola de pequeno porte, portanto, trabalha com classes multisseriada. A escola trabalha com alunos do Pré-escolar ao 5° ano em três turmas sendo assim dividida: Pré-escolar e 1º ano, 2º e 3º ano e 4º e 5º ano. São consideradas multisseriadas quando na organização de turmas escolares agrupa-se, na mesma sala de aula, um professor com alunos de diferentes séries e idades. Esta é uma prática recorrente nas escolas públicas, especialmente as localizadas na zona rural do nosso país, em razão especialmente do número reduzido de alunos e das dificuldades de deslocamento, o que podemos afirmar com a escola em estudo.
As classes multisseriadas oportunizam aos alunos acesso à escolarização em sua própria comunidade. Característica que poderia contribuir significativamente para o fortalecimento da cultura rural, se não fosse os problemas que envolvem a dinâmica educativa das classes multisseriadas10. No entanto, a experiência das classes multisseriadas tem acarretado sérios problemas no cotidiano escolar tanto para o professor quanto para o aluno.
10 As classes multisseriadas têm representado no contexto educacional da educação básica no nosso país, um desafio que levou o Centro de Apoio Operacioanal às Promotorias da Infância e da Juventude do Estado do Tocantins, região norte, a emitir em abril de 2013, uma Nota Técnica sobre as classes multisseriadas “A presente Nota Técnica trata de um fenômeno complexo na educação, que representa um dos maiores desafios pedagógicos da educação brasileira na perspectiva do efetivo reconhecimento e garantia do direito à educação à todos”. Disponível em: file:///C:/Users/Cliente/Downloads/2013-04-12-nota-tecnica-classes- multisseriadas%20(1).pdf. Acesso em: 20/05/2014.
Estudos de Rosa apud Ferri (2008, p. 228), indica algumas limitações que os professores afirmam ter ao lecionarem em classes multisseriadas. São elas:
a) o professor sente solidão e está, de fato, isolado; b) há dificuldade de atendimento individual aos alunos; c) as crianças têm dificuldade em se adaptarem à 5ª série;
d) o professor acumula cargos: é também merendeiro, faxineiro, diretor, secretário; e) existem dificuldades de acesso ao material didático e às bibliotecas;
f) atender quatro séries ao mesmo tempo é muito trabalhoso;
g) as crianças de 1ª série, no processo de alfabetização, são muito prejudicadas, pois não têm a atenção de que necessitam;
h) planejar para quatro séries, fazer quatro planos por dia é demais;
i) a aprendizagem das crianças parece mais lenta, porque é muito dificultada pelo contexto em que elas vivem. Elas quase não têm acesso a livros, quase nunca saem da comunidade;
j) o professor, que não mora na comunidade, não tem tempo de conhecer melhor a comunidade e seus alunos. Se depender de ônibus, quase não tem tempo nem para dar o período de aula, pois precisa utilizar-se do único transporte da região que sai no mesmo horário de aula;
l) são crianças muito diferentes entre si. Há crianças de 7, de 13, de 14 anos. Os grupos são muito heterogêneos.
Outro dado preocupante que nos chamou atenção é que a EMEIEF João Carneiro da Silva, segundo dados da Secretaria da Educação, não é atendida por programas
educacionais11, como as demais escolas que compõem a nossa amostra de pesquisa, dado este que a torna mais isolada.
As escolas rurais apresentam historicamente um conjunto de problemas e dificuldades: a insuficiência e a precariedade das instalações físicas da maioria das escolas; as dificuldades de acesso dos professores e alunos por falta de um sistema adequado de transporte escolar; a falta de professores habilitados e efetivados, o que provoca constante rotatividade; currículo escolar que privilegia uma visão urbana de educação e desenvolvimento; a ausência de assistência pedagógica e supervisão escolar nas escolas rurais; o predomínio de classes multisseriadas com educação de baixa qualidade; a falta de atualização das propostas pedagógicas das escolas rurais; baixo desempenho escolar dos alunos e elevadas taxas de distorção idade-série; baixos salários e sobrecarga de trabalho dos professores, quando comparados com os dos que atuam na zona urbana (BATISTA, 2013, p. 14).
As informações colhidas nas visitas das creches e escolas nos deu conhecimento para compreendermos a realidade do nosso campo de pesquisa. A partir dessas informações e do suporte teórico partimos para analisar o IDEB do município e das escolas que compõem a nossa amostra de pesquisa, a fim de perceber se houve impacto da formação superior dos professores a distância nas escolas da educação básica rural do município.