3. A Tradução para Edição em Portugal
3.1 Caracterização do Inquérito por Questionário
Na elaboração do Inquérito por Questionário aplicado no âmbito desta investigação foram especialmente tidas em conta as noções enunciadas por Maria Isabel Correia Dias, em O Inquérito por Questionário (1994), Rodolphe Ghiglione e Benjamin Matalon, em O
Inquérito (1992), Marinús Pires de Lima, em Inquérito Sociológico (1981), e João Almeida
e José Pinto, em A Investigação nas Ciências Sociais (1981).
Deve dizer-se, aliás, que a definição de Maria Isabel Correia Dias para o que é o “Inquérito por Questionário” é bem esclarecedora da relevância e utilidade desta ferramenta de investigação:
[O Inquérito por Questionário é uma] Técnica de investigação que, através de um conjunto de perguntas, visa suscitar uma série de discursos individuais, interpretá- -los e depois generalizá-los a conjuntos mais vastos. Trata-se de uma técnica de observação não participante, uma vez que não exige a integração do investigador no meio, no grupo ou nos processos sociais estudados. Sendo constituída por uma série de perguntas, mas também podendo integrar outros instrumentos, como por exemplo, testes e escalas de atitudes e opiniões que visam aferir um certo tipo de comportamentos-reacções, e avaliar a intensidade em que se dá determinada opinião ou atitude, as respostas assim obtidas vão constituir o material sobre o qual o investigador vai produzir interpretações e chegar a generalizações. (…)
Finalmente, através do inquérito por questionário, temos acesso a informação actual e actualizada, ou seja, esta técnica de pesquisa permite-nos estudar um fenómeno tal como ele ocorre e é simultaneamente construído e representado num determinado momento. (1994: 4-5)
Entendeu-se que esta técnica de observação, usada no âmbito do presente estudo, deveria dar lugar central às respostas a uma sequência de perguntas escritas, dirigidas a um conjunto de inquiridos, que poderiam fornecer respostas diversas em função das respectivas situações profissionais específicas. Todavia, ponderou-se que seria sobretudo importante que os inquiridos proporcionassem respostas com informações factuais sobre a sua intervenção individual, ou da empresa que representariam, em situações profissionais concretas e relacionadas com o trabalho de tradução nas casas editoras a que pertenceriam.
A aplicação deste Inquérito e a resposta ao mesmo deveriam ser remetidas e devolvidas através de correio electrónico, o que significava a exclusão de uma relação de comunicação oral directa entre o inquiridor e os inquiridos. Ou seja, depender-se-ia, em exclusivo, das informações escritas enviadas pelos inquiridos. Pretendia-se, pois, que a aplicação desta técnica fosse a mais adequada ao estudo extensivo de um grande conjunto de indivíduos que se constituiriam como elementos de uma amostra representativa do universo editorial em Portugal. Além disso, pensou-se que seria possível estabelecer comparações mais precisas entre as respostas fornecidas pelos inquiridos, sem a eventualidade de uma interacção presencial condicionadora. Por fim, as respostas obtidas poderiam servir para generalizar os resultados da amostra à totalidade do universo de casas editoras e respectivos responsáveis editoriais.
Durante a fase de planeamento do Inquérito tentou demarcar-se o âmbito dos problemas a analisar e, portanto, o género de informações a obter. Foram, pois, definidos os objectivos do Inquérito, elaborando algumas hipóteses teóricas que iriam determinar os momentos de preparação e execução do mesmo. De seguida, delimitou-se o universo do Inquérito e definiram-se os indivíduos que seriam considerados os mais representativos na constituição de uma amostra informada, e que pudessem fornecer respostas conhecedoras às perguntas colocadas.
Na fase de preparação do instrumento de recolha de dados procedeu-se à redacção do projecto de questionário e tentou estabelecer-se uma coordenação adequada entre os objectivos de conhecimento que o Inquérito se propunha alcançar e uma linguagem acessível e conhecida dos inquiridos. O procedimento de aplicação de um pré-teste ou inquérito-piloto, em que seriam ensaiados o tipo, a forma e a ordem das perguntas incluídas, a título provisório, no projecto de questionário, foi concretizado com a administração do Inquérito a três indivíduos indirectamente associados às actividades que seriam objecto de análise. Tal facto ficou a dever-se à percepção de que o universo de
inquiridos seria já muito diminuto, pelo que não seria viável aplicá-lo a elementos do conjunto a investigar, eliminando assim possíveis respondentes futuros.
Na preparação para a administração do Inquérito passou-se naturalmente também por uma etapa de execução material, em que foram ponderados, e resolvidos, diversos problemas, como por exemplo: o aspecto gráfico do questionário; os problemas relativos ao envio e devolução dos questionários; o preenchimento dos questionários num formato adequado e o mais simplificado possível; a reutilização posterior dos dados, com base em codificações previamente inseridas no corpo do questionário; etc. Deste modo, durante a administração dos Inquéritos, e com grande parte do trabalho de preparação eficazmente desenvolvido, seria possível uma aplicação com maior presteza e agilidade.
Durante a fase de análise dos resultados, para o apuramento e tratamento das informações recolhidas usaram-se os programas informáticos SPSS 16.0 for Windows, SPSS Statistics 17.0 e SPSS SmartViewer 15.0. Partindo da introdução do conjunto de informações neste conjunto de programas de análise e tratamento dos dados, procedeu-se, de seguida, a uma apreciação sumária das principais informações recolhidas. Daqui viria a resultar clara a noção de que os elementos introduzidos, as variáveis assumidas e os cruzamentos de informações tentados teriam de ser objecto de um tratamento mais aprofundado, face ao número algo reduzido de respostas obtidas e às consequentes eventuais distorções que tais números poderiam produzir nas conclusões finais. Tornou-se ainda evidente que as possibilidades de resposta menos orientada, em que a falta de padronização assumida à partida pretendia avaliar e enquadrar acções mais isoladas, foram as menos usadas, com resultados francamente insatisfatórios.