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2 CONTEXTUALIZANDO A POLÍTICA DE EDUCAÇÃO, A QUESTÃO DA

4.3 Caracterização dos Sujeitos Entrevistados

Os sujeitos desta pesquisa foram professores da rede pública estadual de ensino, conforme já explicitado. As entrevistas foram agendadas com contatos prévios, por meio de ligações telefônicas, em dias e horários estabelecidos pelos profissionais. Foram gravadas e transcritas segundo a autorização dos pesquisados. A realização ocorreu no ano de 2014. Foi utilizado o mesmo formulário com questões semiestruturadas nas entrevistas com todos os sujeitos e, ainda, foi utilizado um questionário a fim de obter informações sobre os sujeitos. Para manter o sigilo sobre a identidade dos entrevistados, no decorrer das análises os trechos de falas foram identificados por numerais.

Para dinamizar a leitura organizamos a caracterização dos sujeitos em duas partes: a primeira – o perfil pessoal, trata de quem é esse professor. A segunda é o perfil profissional, dessa forma, contemplaremos de forma global.

Quadro 08 - Professores Entrevistados – Perfil pessoal (sexo, idade, nível de formação, tempo de serviço)

Identificação Sexo Idade

(anos)

Nível de Formação

Tempo como Professor Professor 01 Masculino 40-49 Especialização (Lato Sensu)

Matemática

Há mais de 20 anos Professor 02 Feminino 30-39 Especialização (Lato Sensu)

Linguística

6-10 anos Professor 03 Feminino 50-59 Educação Superior Licenciatura

Letras/Inglês

Há mais de 20 anos Professor 04 Feminino 40-49 Mestrado Educação Há mais de 20 anos Professor 05 Masculino 40-49 Educação Superior Licenciatura 6-10 anos

Professor 06 Masculino 50-59 Mestrado

Administração/Contábeis/Inglês

Há mais de 20 anos Professor 07 Feminino 30-39 Especialização (Lato Sensu)

Matemática

6-10 anos Professor 08 Masculino 40-49 Especialização (Lato Sensu)

Linguística

16-20 anos Professor 09 Masculino 40-49 Especialização (Lato-Sensu

Matemática)

6-10 anos

Professor 10 Feminino 50-59 Especialização (Lato-Sensu Linguística)

Há mais de 20 anos Professor 11 Feminino 30-39 Especialização (Lato-Sensu

Matemática)

6-10 anos Professor 12 Masculino 30-39 Especialização (Lato-Sensu

Matemática)

6-10 anos

Este quadro apresenta o perfil dos professores entrevistados, sendo seis homens e seis mulheres. Quanto à faixa etária, quatro entrevistados têm entre trinta e trinta e nove anos de idade, cinco estão entre quarenta e nove anos e três entre cinquenta e nove anos de idade. É possível observar que os sujeitos selecionados para realização da pesquisa são profissionais com um bom nível de formação, já que a maioria possui, pelo menos, especialização. Apenas dois entrevistados possuem o curso de graduação nas áreas de atuação e os demais, sete concluíram a pós-graduação, sendo dois mestres e sete especialistas nas áreas das disciplinas de matemática e linguística. Quanto à experiência profissional, cinco dos entrevistados são mais experientes e trabalham como professor há mais de 20 anos, um tem um tempo intermediário de sala de aula, tempo este entre dezesseis e vinte anos e os outros seis, com menos experiência, entre seis e dez anos. Também é possível inferir que os mesmos conhecem bem a realidade da escola onde trabalham, dado o tempo que atuam na escola, conforme é possível destacar no quadro 9.

Quadro 09 - Caracterização dos Professores – Perfil Profissional (forma de contratação, tempo de serviço na escola, em quantas escolas trabalha, horário

de serviço e quantas disciplinas leciona)

Identificação Forma de Contratação Tempo na Escola Quantidade de escolas em que trabalha Turno na Escola Quantidade de Disciplinas na Escola

Professor 01 Efetivo 16-20 anos 1 Manhã e

Tarde

1

Professor 02 Efetivo 6-10 anos 2 Manhã e

Noite

2

Professor 03 Efetivo 6-10 anos 1 Manhã e

Tarde

Os professores entrevistados conhecem bem a realidade da escola e do estado, visto que no mínimo metade de suas carreiras foi dentro das escolas em questão. Apenas os quatro professores menos experientes possuem entre três e cinco anos na escola, os demais possuem 6 anos ou mais.

Com relação à dedicação na escola, foi observado, ainda, que todos trabalham pelo menos em 2 turnos na mesma escola, sendo sete entrevistados nos turnos manhã e tarde, quatro nos três turnos e um nos turnos manhã e noite. Nove professores trabalham exclusivamente na escola em que foram entrevistados, dois trabalham em duas escolas diferentes e apenas um em 3 escolas diferentes. Sete professores lecionam apenas uma disciplina na escola, quatro lecionam duas disciplinas e um leciona três. Todos os entrevistados são do quadro efetivo do Estado de Pernambuco.

Quadro 10 - Professores entrevistados e o conhecimento sobre o BDE

Identificação Conhece o BDE Concorda com o BDE

Professor 01 Sim Não

Professor 02 Sim Não

Professor 03 Sim (Superficialmente) Em Parte

Professor 04 Sim Não

Professor 05 Sim Não

Professor 06 Sim Não

Professor 07 Sim Em Parte

Professor 04 Efetivo 11-15 anos 1 Os três

turnos

3

Professor 05 Efetivo 3-5 anos 1 Manhã e

Tarde

2 Professor 06 Efetivo Há mais de

20 anos

3 Os três

turnos

2

Professor 07 Efetivo 3-5 anos 1 Manhã e

Tarde

1

Professor 08 Efetivo 16-20 anos 1 Os três

turnos

1

Professor 09 Efetivo 6-10 1 Manhã e

tarde

1

Professor 10 Efetivo 3-5 anos 1 Manhã e

tarde

1

Professor 11 Efetivo 3-5 anos 2 Os três

turnos

2

Professor 12 Efetivo 6-10 anos 1 Manhã e

tarde

Professor 08 Sim Em Parte

Professor 09 Sim Não

Professor 10 Sim Em parte

Professor 11 Sim Não

Professor 12 Sim Não

Conforme podemos observar no quadro 10, todos os entrevistados conhecem o BDE, embora um deles apenas superficialmente. Oito deles não concordam com o Bônus e quatro concordam parcialmente, ou seja, nenhum dos entrevistados concorda plenamente com tal política.

Isso ocorre pela forma como ela é concebida, pois a avaliação realizada não considera a estrutura física e material das escolas públicas, em que professores e alunos convivem diariamente, muito menos os problemas sociais que abarcam a educação. Tão pouco se considera, como foi observado no quadro acima, profissionais que precisam trabalhar em até 3 escolas para conseguir um salário mais digno e por vezes em escolas distintas. É o caso do professor 6 que trabalha os três turnos em 3 escolas diferentes, o mesmo expõe, a seguir, sua visão em relação à política em estudo:

O calculo feito para atingir o bônus só consegue enxergar que todo ano teremos uma nova meta a cumprir, é preciso chegar aos resultados que eles querem, não precisam saber como nem quanto isso vai custar, apenas querem que se cumpra porque precisamos atingir as metas internacionais, metas de países que tratam a educação com seriedade, assim fica difícil competir.

Este é o principal fator que levam a maior parte dos professores a discordarem da bonificação por resultados. Pois para a maior parte dos entrevistados, eles precisam de salários mais justos, recursos humanos e materiais, além de estrutura física, antes que se pense em pagar prêmios para atingir metas impostas e em alguns casos inatingíveis, quando se pensa numa equalização de um sistema tão desigual. Isso é possível verificar com mais profundidade nos itens que se seguem.

4.4 As concepções expressas pelos professores e os impactos na prática