ESCALA SIGMA QUALIDADE
5.8 As 7 Ferramentas da Qualidade
5.8.7 Cartas de Controle
As cartas de controle são construídas baseadas em históricos do processo e possibilitam a supervisão do sistema. Através de amostragens registradas ao longo do processo podemos aferir resultados, com um conjunto de dados em mãos calculam-se as estatísticas (média, amplitude, variância) que devem es- tar de acordo com os limites definidos nas cartas ou gráficos. São usadas para mostrar as tendências observadas de um processo num período de tempo. Elas funcionam como informações de tendência com acréscimo de limites de con- trole. Os limites de controle são calculados aplicando-se fórmulas aos dados do processo.
Linha do tempo
9 h - Histograma das 9h 8 h - Histograma das 8h
Eixo da característica medida
10 h - Histograma das 9h
Figura 5.9 – Compreensão das Cartas de Controle. Fonte: (MARANHÃO e MACIEIRA, p. 178, 2004).
O histograma, como vimos, reflete uma análise dos dados coletados. Imagine que estes dados são informações de um processo produtivo. Logo, de maneira estática, olhando para um histograma podemos ver o comportamento do processo e verificar se obedece a uma curva normal.
Processos são dinâmicos, ou seja, seus resultados têm variações (mesmo que pequenas) ao longo do tempo.
Ao verificar o histograma com dados do processo (indicadores) a partir de amostras de resultados é possível verificar se o processo encontra-se “Sob Controle” ou “Fora de Controle”:
• Processo sob controle: causas especiais foram eliminadas e o processo permanece estável ao longo do tempo, ou seja, a média e a variabilidade permanecem estáveis ao longo do tempo.
• Processo fora de controle: existe variação da média e da dispersão e isto ocorre devido à presença de causas especiais no processo.
Controle do Processo
Eixo dos Tamanhos das Peças
15h
b) Sob controle
(causas especiais eliminadas) a) Fora de Controle
(presença de causas especiais) 16h 10h 9h 8h 17h Linha do Tempo
Figura 5.10 – Controle do Processo. Fonte: (MARANHÃO e MACIEIRA, p. 183, 2004).
Os processos de negócio são influenciados por dois tipos de causas ou fa- tores: as causas especiais e as causas comuns (ou determináveis). As causas es- peciais são fatores que não podem ser explicados facilmente e, normalmente, são imprevisíveis. São fatores que não fazem parte do sistema. Muitas vezes a presença de uma única causa entre as especiais provocará uma variação muito grande no processo, tornando-a facilmente detectável. Por exemplo, matéria- -prima (insumo) ruim pode resultar num produto final de péssima qualidade (muitos itens não-conformes às normas estabelecidas).
Já as causas comuns são variações que fazem parte do sistema. São causas também chamadas de aleatórias. Este tipo de causa está sempre presente e di- ficilmente desaparecem. No entanto, são causas facilmente detectáveis e que podem estar sob controle na execução do processo.
As cartas de controle, usadas para verificar se um processo encontra-se sob controle estatístico são formadas por 3 linhas básicas:
Podemos adicionar também 2 outras linhas que são o Limite Superior de Especificação (LSE) e Limite Inferior de Especificação (LIE). São valores impos- tos pela especificação do produto ou serviço e não medidos no processo. São usados para verificar se o processo está dentro da norma exigida.
Medições (Y) Tempo (X) LSE LSC Média LIC LIE
Figura 5.11 – Limites para Verificação do Processo
Um processo estará sob controle se todos os pontos medidos estiverem den- tro dos limites estabelecidos e se a disposição dos pontos for aleatória.
Um processo não estará sob controle se houver periodicidade em intervalos regulares de tempo, ou se houver tendências para cima ou para baixo, ou ainda se houver mudanças no desempenho do processo.
Veja um exemplo de uma medição para um processo de produção de pistões automotivos. A medição leva em consideração o diâmetro das amostras. Veja que o processo está dentro dos limites estabelecidos.
73.9820 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 73.9865 73.9910 73.9955 74.0000 74.0045 74.0090 74.0135 74.0180 Número da Amostra
Carta de controle para o diâmetro de um pistão automotivo LSC = 74.0135
LIC = 73.9865 Limite Inferior de Controle = LIC
Limite Superior de Controle = LSC
LM
Medida do Diâmetro
– X
Como já comentamos, as cartas de controle apresentam de maneira dinâ- mica o comportamento do processo (ao longo do tempo, ou seja, a cada amos- tragem) e podemos, de maneira resumida, usá-las para:
• Reduzir a variabilidade de um processo
• Monitorar seu desempenho ao longo do tempo (amostragens) • Permitir a correção do processo
• Detectar tendências e pontos fora de controle.
ATIVIDADES
Nestas atividades separei algumas leituras e questões para vocês: Faça essas leituras (Acesso em 01/02/2015):
http://www.producao.ufrgs.br/arquivos/disciplinas/388_apostilacep_2012.pdf http://redsang.ial.sp.gov.br/site/docs_leis/pd/pd11.pdf
A) E responda:
01. Qual o objetivo das Cartas de Controle?
02. O que são causas comuns? E causas especiais?
03. O que é um processo estável? E um processo instável?
04. Como você definiria LC, LSC e LIC?
B) Sobre o Six Sigma:
REFLEXÃO
A melhoria de processos é pilar fundamental da Governança. Práticas especiais são encon- tradas no Six Sigma. Como reflexão, sugiro que pense e investigue como as empresas tem adotado esses processos no Brasil tanto na gestão de empresas públicas quanto privadas. Comente sobre o desempenho de uma empresa brasileira que adotou o Six Sigma em relação a suas concorrentes.
LEITURA
Para complementar os conhecimentos apresentados sugiro a leitura do texto: “Aplicação do programa Seis Sigma no Brasil: resultados de um levantamento tipo survey exploratório-des- critivo e perspectivas para pesquisas futuras” disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/gp/v14n2/01.pdf com acesso em 01/02/2015.
Trata-se de um trabalho sobre resultados de um estudo de campo para levantar práticas relativas à adoção do programa Six Sigma em empresas que o adotaram.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
PANDE, P.; NEUMAN, R.; CAVANAGH, R. Estratégia Seis Sigma: como a GE, a Motorola e outras grandes empresas estão aguçando seu desempenho. Tradução: Cristina Bazán Tecnologia e Lingüística. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2001.
FERNANDES A. A.; ABREU V. F. Implantando a Governança de TI: da estratégia à gestão dos processos e serviços. Brasport, 2008.
MARANHÃO, M.; MACIEIRA, M. E. B. O processo nosso de cada dia: modelagem de processos de trabalho. Rio de Janeiro - RJ: Qualitymark, 2004.
SMITH, B.; ADAMS, E. LeanSigma: advanced quality. Proc. 54th Annual Quality Congress of the American Society for Quality, Indianapolis, Indiana, maio, 2000.
WEILL P.; ROSS W. J. Governança de Tecnologia da Informação. Makron Books, São Paulo, 2006. WERKEMA, M. C. C. (2002). Criando a cultura Six Sigma. Série Six Sigma Volume 1. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2002.