No contrato de 1383, estabelece-se que Beatriz case, por palavras do presente, em Salvaterra de Magos, com o Rei de Castela, representado pelo seu procurador, o arcebispo de Santiago, reservando-se novo casamento, entre Elvas e Badajoz, desta vez, na presença dos dois noivos577. Para a validade destes actos obrigava-se D. Juan I a mostrar dispensa papal de parentesco entre os noivos e – em face da menoridade de Beatriz que ainda não tinha doze anos –, a entregar ao Rei de Portugal um certificado pronunciado “per Juiz conujnhaujl |declarando| que a dicta Iffante he auta pera
573 “Tractos de Casamiento entre don fadrique |…| y doña Beatriz |…|”, in Salvador Dias Arnaut, A Crise
Nacional…, p. 282.
574 “Contrato de casamento de João I de Castela com D. Beatriz”, in Salvador Dias Arnaut, A Crise
Nacional..., p. 364.
575 “Contrato de casamento de João I de Castela com D. Beatriz”, in Salvador Dias Arnaut, A Crise
Nacional..., p. 364.
576 “Contrato de casamento de João I de Castela com D. Beatriz”, in Salvador Dias Arnaut, A Crise
Nacional..., p. 369.
577 “Contrato de casamento de João I de Castela com D. Beatriz”, in Salvador Dias Arnaut, A Crise
conssumar o matrimonyo |…|”578. Só após estas formalidades é que a Infanta seria entregue ao Rei de Castela e os dois celebrariam, em Badajoz, as suas bodas. Mais à frente, o tratado obriga a que Castela entregue a Portugal, o filho do Rei de Castela, o Infante D. Fernando (futuro rei de Aragão), como refém do acordo. Este seria devolvido ao seu reino natal, quando Beatriz completasse os doze anos de idade, altura em que ela e Juan I celebrariam novo casamento, de forma “plubica e pessoalmente”. 579
Ao segundo dia deste acordo, no mesmo local em que este fora assinado, ou seja, em Salvaterra de Magos, na câmara do Rei D. Fernando, Beatriz pede aos pais autorização para casar. Estão presentes o Rei D. Fernando – provavelmente acamado devido à doença que o minava580 –, a Rainha D. Leonor Teles, D. Afonso, bispo da Guarda e o dito procurador do Rei de Castela. Após obter licença dos pais para renunciar aos esponsais anteriores581 e casar, agora, com Juan I, Rei de Castela, Beatriz promete, que depois de obtida a referida dispensa de parentesco que há entre os noivos, ela “Cassara com o dicto rey de castella / e que el querendo e viuendo nunca auera nem tomara outro esposso nem marido nem consentira em espossoyro nem em casamento com outra pessoa do mundo”.582 Feita a jura, Beatriz pede que se vier a proceder de modo contrário que a igreja lhe aplique a pena de excomunhão e de interdito.583 É de notar que Fernão Lopes omitiu este juramento da Infanta584. O compromisso que Beatriz
578 “Contrato de casamento de João I de Castela com D. Beatriz”, in Salvador Dias Arnaut, A Crise
Nacional..., p. 358.
579 “Contrato de casamento de João I de Castela com D. Beatriz”, in Salvador Dias Arnaut, A Crise
Nacional..., p. 362.
580 Fernão Lopes refere que D. Fernando não acompanha a filha até Elvas, por estar já muito doente. Ora o tratado de Santiago fora assinado em Salvaterra, a 02.04.1383, e os esponsais de Beatriz com o noivo, através do arcebispo de Santiago, celebraram-se, a 30.04.1383, no mesmo local. A entrega de Beatriz a Juan I estava prevista, na dita negociação, para 12.05.1383, entre Elvas e Badajoz. Portanto, se Fernão Lopes diz que o rei não participa nesta viagem, por “fraqueza de sua door”, é de supor que a assinatura e os esponsais do tratado se tivessem feito, em Salvaterra, na câmara do rei – como confirma o acordo –, devido à doença agravada do monarca, que se fazia sentir, já nesta altura. Fernão Lopes, D. Fernando, cap. CLXI, p. 559. “Contrato de casamento de João I de Castela com D. Beatriz”, in Salvador Dias Arnaut, A Crise Nacional..., pp. 365-367; pp. 376-377.
581 Beatriz tivera quatro esponsais, antes deste: em 1376, com Fadrique, filho natural do rei Enrique II de Castela; em 1380, com Enrique, filho primogénito do rei Juan I de Castela; em 1381, com Edward, filho do Conde de Cambridge; em 1382, com Fernando, filho segundo do rei Juan I de Castela.
582“Contrato de casamento de João I de Castela com D. Beatriz”, in Salvador Dias Arnaut, A Crise
Nacional..., p. 366.
583 Esta jura parece significar um acto isolado no protocolo das negociações matrimoniais da época, já que, no consórcio da Infanta D. Beatriz, filha bastarda do rei D. João I de Portugal, com Thomas Fitzalan, Conde Arundel e primo da Rainha D. Filipa de Lancaster, em 1405, a confissão da noiva de que casa de livre vontade, não inclui qualquer promessa de castidade, em caso de viuvez. Manuela Santos Silva, “O casamento de D. Beatriz (filha natural de D. João I) com Thomas Fitzalan (Conde de Arundel) – paradigma documental da negociação de uma aliança”, Problematizar a História, Estudos de História
Moderna em Homenagem a Maria do Rosário Themudo Barata, Coordenação Ana Leal de Faria, Isabel Drumond Braga, Lisboa: Caleidoscópio e Centro de História da Universidade de Lisboa, 2007, pp. 82-83. 584 Ver Fernão Lopes, D. Fernando, cap. CLX.
aqui toma, pode justificar a viuvez que manteve, a partir dos dezassete anos, até ao final da sua vida, recusando propostas de matrimónio, como a do duque de Áustria, em 1409.585 Não sabemos se esta promessa fora resultado de uma precoce opção pessoal, que a fazia tomar, nas suas mãos, o seu futuro, depois de, anos em que fora o joguete diplomático da política do pai, através dos inúmeros esponsais que ele acordara para a ela, se resultou de uma formalidade que reforçava a união. Tendo em conta, a vulnerabilidade dos pais, relativamente aos casamentos pensados para a filha, não cremos que esta promessa tivesse agradado aos dois. Mas, o que importava, no momento, era levar a cabo o respectivo acordo matrimonial, que parecia trazer alguma paz a Leonor. Por outro lado, como recorda Marsilio Cassoti586, a Rainha estava grávida e tinha esperança que nascesse um filho varão, que herdaria a Coroa de Portugal, conforme fora acordado por D. Fernando. Pensamos que o rei possa, também, ter comungado deste anseio, pois caso contrário não se justificava a promessa de sucessão do trono a outros filhos, que ainda contava vir a ter.
Para além dos presentes acima citados, juraram respeitar e zelar pelo cumprimento do tratado de Salvaterra de Magos, D. Pedro, cardeal de Aragão; D. João, bispo de Coimbra; D. João Afonso Telo, Conde de Barcelos; D. Juan Fernández de Andeiro, Conde de Ourém; Gonçalo Vasques de Azevedo; João Afonso Pimentel; João Gonçalves Teixeira; João Rodrigues Portocarrero; Gonçalo Gomes da Silva; Lourenço Eanes Fogaça; Fernando Afonso de Mascarenhas.
A trinta de Abril de 1383, na dita câmara do Rei D. Fernando, celebram-se os esponsais de Beatriz com o Rei de Castela, representado pelo seu procurador. Ao pronunciar as palavras de matrimónio, Beatriz cita que é filha legítima e herdeira do Rei D. Fernando e da Rainha D. Leonor e que tem o “consentemento dos dictos Rey e Reynha dos dictos regnos que som pressentes.” 587 Mais uma vez, consideramos que o nome da Rainha tem um relevo equivalente ao do rei, pois a filha não se esquece de
585 “E por quanto el Duque de Austerriche estaba sem muger, e había sabido en como la Reyna doña Beatriz, hija del Rey de Portugal, muger que había seydo del Rey don Juan, padre del Infanta, estaba en edad que podía casa, que su merced fuese darla en casamiento al dicho Duque de Austerriche |…|. Os que privavam com ela, diziam que ella siempre había respondido que pues tal marido le había llevado Nuestro Señor, no entendia de conocer outro.” A Rainha e Regente D. Catarina de Lancaster, mulher do defunto rei Enrique III, escreve, com o Infanta D. Juan II, seu filho, a Beatriz, para reportar a proposta de casamento do mencionado duque e “|…| ella |Beatriz| respondió en la forma que solía.” García de Santa Maria, Crónica de Juan II de Castilla, pp. 281-282, cit. por César Olivera Serrano, ob. cit., p 139. 586 Marsilio Cassotti, “Infanta Beatriz”, Infantas de Portugal, Rainhas em Espanha, Lisboa: Esfera dos Livros, 2007, pp. 133-134.
587 “Contrato de casamento de João I de Castela com D. Beatriz”, in Salvador Dias Arnaut, A Crise
mencionar não só a legitimidade do casamento dos pais que determina a sua588 – “E eu dona Beatriz Iffante de Portugal filha legitima e herdeira /. do Mui alto prinçepe dom fernando Rey de portugal e do algarue / e da muj nobre senhora dona leonor Reynha dos dictos Regnos |…|” - , como a aprovação e licença que obteve dos dois, para o referido casamento. A carta que regista este acontecimento é mandada ser entregue ao Rei de Castela, por D. Fernando, que a assina, em conjunto, com Leonor, a um de Maio, do dito ano: “E Nos e a dicta Reynha mjnha molher asijgnamos per nossas maãos”.589 Contudo, à partilha de soberania, mais uma vez demonstrada, o rei faz questão, de acrescentar, logo de seguida, a marca da sua superioridade: “E Nos o dicto Rey a mandamos seelar com o nosso seelo de chunbo”.590
Presentes neste matrimónio estiveram, além de Beatriz e do dito arcebispo de Santiago, procurador de Juan I; os reis de Portugal, Fernando e Leonor; D. Pedro, cardeal de Aragão; D. João, bispo de Coimbra; D. João Afonso Telo, Conde de Barcelos; D. Juan Fernández de Andeiro, Conde de Ourém; Gonçalo Vasques de Azevedo, João Gonçalves Teixeira. A estas personalidades juntam-se, também, D. Martinho, bispo de Lisboa; frei Afonso, bispo de Coyra; D. Henrique Manuel, Conde de Seia; D. Gonçalo, Conde de Neiva “E outros muijtos”.591 Fernão Lopes menciona, ainda, a presença de D. João Afonso Telo, Conde de Barcelos; João Afonso Pimentel, João Rodrigues Portocarrero, Gonçalo Gomes da Silva, Lourenço Eanes Fogaça, Álvaro
588 Legitimidade esta aceite por todos os presentes nestes esponsais e, depois, posta em causa por João das Regras, nas Cortes de Coimbra, em 1385. Fernão Lopes D. João I, Primeira Parte, cap. 184, pp. 441-443. 589 “Contrato de casamento de João I de Castela com D. Beatriz”, in Salvador Dias Arnaut, A Crise
Nacional..., p. 377.
590 “Contrato de casamento de João I de Castela com D. Beatriz”, in Salvador Dias Arnaut, A Crise
Nacional..., p. 377.
591 “Contrato de casamento de João I de Castela com D. Beatriz”, in Salvador Dias Arnaut, A Crise
Gonçalves de Figueiredo, Álvaro Gonçalves592, entre “muitos outros que dizer nom curamos”.593.
Esta lista de presenças pode sinalizar-nos, não só, os vassalos que mais próximo estavam de Fernando e Leonor, à altura, como também, que, entre estes, estavam os protegidos da Rainha, que reportámos, no capítulo anterior. Importa, também, salientar, a ausência do Mestre de Avis, D. João, irmão bastardo de D. Fernando. De Fernão Lopes, sabemos que o Mestre não caía nas boas graças da Rainha, pois ela própria, segundo o cronista, conseguira que o rei o prendesse, antevendo a sua expulsão do reino, que lhe traria mais sossego, pois libertá-la-ia de mais um rival, na luta que travava pela sucessão de Portugal594. Quanto ao Rei D. Fernando, a proximidade com o Mestre nunca estivera muito em primeiro plano. Embora, D. João estivesse estado nas Cortes de Leiria e tivesse jurado herdeira do trono, a sua sobrinha, Beatriz, a sua presença não é mencionada nem no primeiro, nem no segundo tratados de casamento a que nos referimos neste capítulo. Embora acompanhe a Rainha a Elvas, para as festas de casamento da filha desta com o Rei de Castela, o Mestre de Avis não nos parece que fosse uma das pessoas que mais confiança merecesse do rei. Não só nunca foi embaixador dos acordos matrimoniais da filha, como o seu nome é raramente referido por Fernão Lopes, na Crónica de D. Fernando. Não negligenciemos, porém, dois aspectos: a doação que o casal régio fez à Ordem de Avis, em 1379, e o facto de D. Fernando, no seu testamento, não o afastar, como fez com os Castros, da sucessão do reino. Talvez por a bastardia dele nunca ter sido contestada – ao contrário dos filhos de Inês de Castro, que se pretendiam legítimos e cujo assunto era tema de conversa no reino, pois o cronista a isso alude595 – e, por essa razão, estar afastado, naturalmente, da corrida ao trono. No entanto, não sabemos, se por prevenção de supostas futuras
592 Este deveria ser o vedor da fazenda do Rei D. Fernando, que o Mestre de Avis afastará do seu conselho, a pedido dos mesteirais da cidade de Lisboa, a 1 de Abril de 1384, devido ao facto dele ter feito parte do círculo de amigos da Rainha D. Leonor Teles. De igual modo, todos os outros que foram conotados como tendo sido criados da Rainha, sofreram idêntico afastamento. “|…| era dicto que nos queriamos tomar pera nos e pera nosso conselho aluaro Gonçallvez veedor que foe em estes regnos da fazenda do nosso jrmãão elrrey a que deus perdoe que dizem que he da Rainha e seu jmjgo delles E que outrossy esso mesmo queriamos tomar outros criados da Rainha e dos que forom do seu conselho os quãães dizem que som a nos suspeitos e a nosso serujço |…| E pediam nos por mercee que postos que a estes taaes nossa mercee fosse de perdoarmos que lhes nom quisesemos dar offícios nenhuuns na nossa mercee nem outrossy na dicta cidade E Nos veendo esto que nos assy pedir enujarom e querendo lhes fazer graça e mercee outorgamos lhe todo o que no dicto capitulo suso scripto he contheudo |…|”. IANTT, Chancelaria de D. João I, Liv. 1, f. 21 vº, “Privijllegios outorgados a lixboa”, 01/04/1384, in Marcello Caetano, A Crise Nacional de 1383-1385, doc. 1, pp. 171-172.
593 Fernão Lopes, D. Fernando, cap. CLX, p. 556. 594 Fernão Lopes, D. Fernando, cap. CXLI, pp. 495-496.
pretensões – como se veio a verificar, entre 1383 e 1385 –, se por cortesia, formalidades ou/e laços familiares e/ou não afectivos, o Mestre de Avis será obrigado a jurar, em conjunto com outros vassalos portugueses, a aceitação e o cumprimento do Tratado de Salvaterra de Magos. D. Fernando chega mesmo a escrever uma carta, em Salvaterra, a quatro de Maio de 1383, onde ordena os seus vassalos a fazer preitos e menagens ao Rei de Castela, prometendo-lhe que tudo farão para que os assuntos do dito acordo “se tenham e durem e seiam firmes e se conpram assj per Nos come pela dicta Reynha dona leonor mjnha molher.” 596A Rainha é mais uma vez implicada nas negociações do marido, como sua igual. Contudo, quando o monarca dá liberdade aos vassalos de se desnaturalizarem e de fazerem guerra contra ele próprio, se ele não cumprir o tratado, já não inclui o nome de Leonor: “E uos mandamos e damos leçença |…| que em caso que Nos dicto rey de Portugal nom tenhamos nem conpramos nem guardemos os dictos trautos |…| que uos podades e uos desnaturedes de Nos dicto Rey de Portugal e nos faredes guerra e seeredes contra Nos e contra nossos Regnos |…|.”597 Estaria, então, a proteger a mulher?
Observemos, uma vez mais, os vassalos implicados neste juramento, que virá a ser feito, na catedral de Badajoz, a vinte-e-um de Maio do corrente ano, depois de já se ter celebrado o casamento por palavras do presente, na presença dos dois noivos, em Elvas,598 conforme o acordo estabelecia e a que nós já fizemos referência: D. Álvaro Peres de Castro, Conde de Arraiolos; D. Gonçalo, Conde de Neiva, irmão de Leonor Teles; D. João Afonso Telo, Conde de Viena e primo da Rainha; D. João, Mestre de Avis; frei Pedro Álvares Pereira, Prior do Hospital; D. Fernando Afonso de Albuquerque, Mestre de Santiago; D. Lopo Dias, Mestre de Cristo; Miçe Manuel, almirante; Francisco Gonçalves de Sousa; Gonçalo Mendes de Vasconcelos e João Mendes, seu irmão; Vasco Martins de Melo; Álvaro Gonçalves de Moura; Pedro Rodrigues da Fonseca; Martins Gonçalves de Ataíde; Álvaro Vasques de Góis; Vasco Porcalho, comendador-mor da Ordem de Avis; Mem Rodrigues e Rui Mendes, filhos do dito Gonçalo Mendes; Diogo Álvares; Fernando Álvares Pereira; Gonçalo Viegas; Álvaro Gonçalves de Azevedo.
596 “Contrato de casamento de João I de Castela com D. Beatriz”, in Salvador Dias Arnaut, A Crise
Nacional..., p. 385.
597 “Contrato de casamento de João I de Castela com D. Beatriz”, in Salvador Dias Arnaut, A Crise
Nacional..., p. 386.
598 No dia 14.05.1383, em Elvas, numa tenda mandada montar para esse efeito, pelo rei D. Fernando. Fernão Lopes, D. Fernando, cap. CLXV, p. 567; “Contrato de casamento de João I de Castela com D. Beatriz”, in Salvador Dias Arnaut, A Crise Nacional..., p. 382 e p. 384.
O juramento feito comprometia os mencionados vassalos; não só significava que tinham perfeito conhecimento do que fora acordado em Salvaterra de Magos, como os obrigava a cuidar que o seu rei cumprisse inteiramente a parte do acordo que lhe competia. A infracção do monarca português ao tratado dava-lhes liberdade de se desnaturalizarem e de se rebelarem contra o reino. César Olivera Serrano entende que a responsabilidade destes vassalos, nomeadamente, do Mestre de Avis, é maior do que a dos outros, como os irmãos Castro e Nuno Álvares Pereira, que não estiveram presentes no dito juramento. “João de Avís sabia perfectamente el alcance de todo lo que estaba sucediendo en esse momento |…|, la sucesión de Portugal estaba decidida: él mismo era una de las garantias de su cumplimento. |…| es innegable que João de Avís no estaba en condiciones de dar lecciones a nadie. Los grandes ausentes de la ceremonia – los Infantes de Portugal, el Condestable Pereira – sí que estaban mucho más cualificados para emprender una sublecación.”599